T.Rex – Electric Warrior (1971)

Um velho amigo me disse certa vez, The Slider tem as melhores músicas do T.Rex, mas no geral, Electric Warrior é melhor.

Verdade quase irretocável.

Pra falar a verdade, ambos são sensacionais e optar entre um ou outro é muita maldade, pra não dizer, uma puta falta de sacanagem.

Marc Bolan resolveu que ia virar rock star, assim ele começou a se portar como tal e fazer musica que o levasse a tal condição, então ele deu adeus ao violão com bongô, abraçou a Gibson Les Paul, a purpurina e uma banda maior e mais polpuda para acompanhar seu então glam rock ou rock para animar festinhas regadas a birita, fumaça e pozinhos…

Glam foi talvez o primeiro sub gênero gay na historia do Rock, ou o primeiro a libertar mais fácil a sexualidade enrustida das pessoas e tira-las da angústia e da solidão de suas incertezas.

Deixando a sociologia para os sociólogos, T-Rex foi gay antes dos New York Dolls posarem para uma capa de álbum vestidos de mulher, seu som exalava sexo e sexualidade, seja lá com quem você quisesse sensualizar, cada um escolhe seu cacho.

Fato relevante é: Marc curtia um riff grudento e aqui ele perpetuou alguns hinos riffentos: Bang a Gong e Jeepster já seriam suficientes, mas ainda tem The Motivator e Monolith… tá bom?

Ainda tem mais, uma das melhores baladas de Bolan: Lifes A Gas, em que o velho cantor de folk com citaras e meio hipongo se encontra com a purpurina setentista para uma viagem ao mundo encantado do doce.

Mas a minha favorita sempre foi e sempre será Rip Off… que andamento estranho, que bateria, que riff torto… coisa de gênio.

Carismatico e magnético, Bolan foi um espirito de luz que durou pouco entre os mortais e deixou um legado glorioso e invejável.


Todd Rundgren – Something/Anything? (1972)

Compositores pop de verdade me intrigam e me interessam.

As vezes escuto discos inteiros só pescando os achados, as soluções e os truques dos caras.

Todd é um cara com muitos recursos.

Todo mundo que escreve música precisa urgentemente tomar contato com a obra desse cara, em especial esse álbum duplo sensacional.

Se arrependimento matasse, eu já tava duro no chão.

Eu tinha esse disco em Vinil, lindão, da época e me desfiz…

Tive que comprar em Cd ano passado, quando consegui um preço melhor.

O som é jóia, certamente melhor do que o do vinil, mas a foto da capa interna é uma das melhores fotos do rock e uma das que mais me identifico.

Olha aí:

É ou não é?

Todd foi produtor, e dos bons. Fez New York Dolls e Fanny, dentre outras coisas, mas se soltou mesmo no magistral Something/Anything?, onde seu arsenal de ideias e sons pulavam para todas as direções e acertando em todos os alvos a que se propôs.

Transitando basicamente pelo pop que hoje se convenciona chamar de “Classic Pop”, Todd tava muito acima dos demais mortais, no seu campo, poucos foram páreos nessa época para ele.

Por razões puramente afetivas e com uma inveja filha da puta, acho esse álbum, o álbum pop mais autoral já feito.

Se eu fizesse um álbum pop tão bom quanto esse, me aposentava.


The Clash – Live At Shea Stadium (2008)

O dia 13 de outubro de 1982 deveria ser lembrado pelo povo nova-iorquino como um dia glorioso para o rock and roll e para sua história.

Foi nesse dia e no lendário Shea Stadium, que também testemunhou o antológico e lembrado show dos Beatles em 1964, que subiram ao palco para fazer talvez a melhor noite de rock and roll ever.

David Johansen (Ex-New York Dolls) abria a noite, seguida do The Clash e The Who.

É ou não é, ou num é? É!

Nova York ficou pequena para o evento e para o The Clash, que vivia seu auge popular. Não havia um cidadão que não soubesse quem era o The Clash nesta época e o lugar mais importante para se estar no mundo naquele dia era o Shea Stadium.

Resultado desse show poderoso é o disco Live At Shea Stadium, lançado oficialmente em 2008, com toda a qualidade de gravação que se tem direito.

Que a vida do The Clash não seria fácil dai pra frente, todos nós sabemos, mas o que sabemos também é que os caras ao vivo não tinha para ninguém naquela época.

Pensa num show perfeito…

Ai o disco começa com London Calling, Police On My Back e The Guns of Brixton nesta exata sequencia.

E nada mais precisa ser dito…