The Beach Boys – Surf’s Up (1971)

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Seguindo na categoria “Os Garotos da Praia”, álbuns menores mas maravilhosos dos Beach Boys, esse Surf’s Up tenho um carinho muito grande, do tipo “demorei muito pra te encontrar, agora quero só voce”.

Por que?

Já conhecia esse disco desde os anos 90, mas nunca tinha saído edições decentes em CD e o LP então era impossível de se achar, até que há alguns anos, saiu a reedição e quando eu vi, não pensei meia vez e trouxe essa boniteza pra casa.

Obras-primas tortas me interessam muito e os Beach Boys tem algumas dessas matrizes tortas cheias de maravilhas absolutamente não obvias em diversos álbuns, em especial nos álbuns que vieram depois de Pet Sounds, mas esse Surf’s Up é um festival de pequenas obras lindas, executadas no fio da navalha entre o celestial e o péssimo.

Algumas canções parecem ter nascido prematuramente e gravadas depois de poucas modificações, como Don’t Go Near The Water, mas que mesmo assim é uma maravilha indescritível, um sopro de alegria em forma de notas musicais perfeitamente colocadas em uma sequencia com o intuito de trazer de dentro de suas entranhas as emoções mais puras e bonitas que você tiver dentro do seu eu mais profundo.

Viagem né? Mas esse é só um dos exemplos metafóricos que eu vou usar para descrever a maneira como esse disco mexe comigo.

Outra coisa interessante é que se trata de um disco em que o gênio Brian Wilson praticamente não dá as caras e é uma chance de ver os demais garotos botando suas asinhas de fora e criando.

É um disco com muito tempero de Carl Wilson, que traz duas faixas estranhas e bonitas que são Long Promised Road e a ultra-esquisita Feel Flows (hoje é a minha favorita desse disco), uma balada muito lenta, com andamentos descontinuados e momentos em que a melodia parece que vai sumir, virar vapor e reaparecer picadinha de maneira gloriosa, que baita exercício de composição e arranjo.

Brian fica relegado para o final Surf’s Up (que originalmente foi gravada em Smile, e com muita relutância foi regravada para esse play) e na estranha e curta A Day In The Life of A Tree.

Há alguns momentos esquecíveis como a maluca e desnecessária versão de Riot In Cell Block #9, que ficou famosa com os Coasters e aqui ganha nova letra (?) de Mike Love e vira Student Demonstration Time (a pergunta é: por que?) e Disney Girls, um roquinho só pra encher linguiça.

No resumo é: onde Surf’s Up é irregular, mas quando é bom, não é pouco bom, é magnânimo, sublime, solene, divino: Feel Flows é obra-prima absoluta, ‘Till I Die tem uma das letras mais doidas e tristes de Brian Wilson, mostrando sua alma dilacerada como poucas vezes o ouvimos cantar, Surf’s Up tem letra brilhante e arranjo de gênio e Don’t Go Near The Water é de derramar lágrimas as escondidas.

Afirmar de bate-pronto que prefiro Surf’s Up a Pet Sounds pode soar exagerado, mas contando o tempo que esperei para ter esse play completo em casa, se tivesse que escolher 1, hoje seria Surf’s Up na cabeça.

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