10 “clássicos” pra longe de mim, (ultima parte)

Seguindo com obrigação moral de desonrar vacas sagradas, mais 5 discos “clássicos” que eu detesto e se voce só curte os “clássicos do rock”, nem comece a ler:

5. Dire Straits – Brothers In Arms (1985)

Falar de discos detestáveis que tem a pecha de “clássicos” e deixar o Dire Straits de fora não seria justo. Em um dado momento da minha infância, uma maldita propaganda na TV me disse que o Dire Straits era a maior banda de rock do mundo e como eu era uma criança inocente e desprotegida, acreditei. Ai eu comprei uma fita K7 da coletânea Money For Nothing e escutei até a fita quase arrebentar. Eu realmente achei que tava arrebentando na escutação de rock. Logo depois apareceu a trilha sonora da novela Roda De Fogo que tinha Peter Gabriel, Genesis e Simply Red e eu achando que aquilo era Rock and Roll. Resumo da ópera: eu tava definitivamente indo prum lado muito errado e quase que sem volta. Ainda bem que no meio do caminho apareceram alguns acidentes como Jesus & Mary Chain e Pixies e sai dessa vida.

Voltando pra essa desgraça.

Eu poderia passar horas digitando adjetivos desqualificando esse disco e essa banda, mas contra fatos postos não se faria necessário gastar meu latim, mas quem disse que eu consigo?

Vamos lá:

O lado A dessa coisa é o mais pavoroso da historia música pop: So Far Away, abrindo os trabalhos com uma preguiça demente, seguida de Money For Nothing e uma das introduções mais longas, pretensiosas e sem impacto só pra “criar um clima” pra entrar o riff de guitarra mais vagabundo que eu conheço. Como todo disco muito “bem pensado”, a terceira era para levantar o Giants Stadium, Walk Of Life. Ela é ótima, pois propicia que todos os bobocas do mundo tenham a chance de colocar a gravata na testa, dobrar o terno do serviço e apavorar na caipirosca. Chegamos ao fim do lado A com as baladas Your Latest Trick (o solo de sax mais brega do universo) e Why Worry. Acho que já tá bom, não do conta de chegar pro lado B dessa tranqueira.

4. R.E.M. – Out Of Time (1991)

O ano era 1991, e eu não passava de um adolescente classe média (classificação da época do IBGE) e morava em Foz do Iguaçu. O Brasil passava por uma pindaíba braba (essa crise de hoje não chegava nem a fazer cosquinha), estávamos no meio da Era Collor com inflação, moeda desvalorizada, desemprego brutal, pouquíssimos motivos para termos orgulho de alguma coisa, éramos uma piada em dimensões continentais e o dinheiro lá em casa era contadinho pra coisas supérfluas como discos.

Com tudo isso em mente, quando eu gastava dinheiro com alguma coisa “supérflua” tinha que valer a pena e nessa época, tanto quanto hoje, eu adorava fuçar promoções atrás de bons discos que preenchessem o quesito “custo+benefício”.

Só comprava disco novo se realmente eu quisesse muito, e quando saiu esse do R.E.M. após ter lido rasgados elogios de crítica e público, juntei mesada e corri pra Combinato Discos buscar um exemplar.

Botei o disco na vitrola, rodei o lado A e tava me sentindo meio “enganado”, fui pro lado B e a sensação de arrependimento em ter investido uma grana alta veio a toda.

Terminei o disco achando que eu não estava pronto pra ele, tentei ouvir mais uma vez e nada.

Eu sempre gostei de pop e o R.E.M. tinha essa combinação rara de fazer pop e guitarras soarem como se tivessem sido feitas uma para a outra e eu não tava entendendo a proposta de rock adulto que o R.E.M. colocava no disco.

Cadê as porras das guitarras? Banjo? Melotron? Que b… era essa!

Whatever, não tive dúvida e voltei com o disco pra loja e troquei pelo anterior deles, Green (não me arrependo até hoje de ter feito essa troca).

Eu amo o R.E.M. mas Out Of Time foi a concessão mais cuzona que uma banda fez pra ganhar público e audiência. Tudo no disco é pasteurizado ao extremo e sem graça. Radio Song flertava com o Rap tanto quanto o Kriss Kross, Shinny Happy People dispensa comentários, chegava a ser embaraçoso ver a Katy Pierson dividindo vocal numa porcaria dessa, aliás era embaraçoso ouvir o Michael Stipe cantando aquilo.

Mesmo tendo uma música linda como carro-chefe, Losing My Religion tem um arranjo muito quadradinho, que pode ser chamado de perfeito, e que conseguiu ganhar execucão até numa rádio bosta como a Jovem Pan.

Ainda bem que esse foi o único deslize feio deles, pois no ano seguinte a banda já consertaria esse engano com o espetacular e soturno Automatic For The People e até 2004, um punhado de discos incríveis e inspirados viriam.

Mas não tem jeito, Out Of Time é intragável por ter sido certinho demais.

3. Led Zeppelin – Led Zeppelin IV (1971)

Aproveito pra confessar algumas coisas sobre o Led com esse disco:

  1. Nunca fui fã de carteirinha de Led;
  2. Hoje só consigo dar conta de escutar o Led III;
  3. Não entendo como alguém ainda ache ok colocar esse disco pra tocar em público;
  4. Se isso foi o máximo que o rock and roll produziu, então esse negócio não é pra mim:
  5. Hoje sou muito mais o Deep Purple e o Sabbath ao Led.

Essa besteira de “deuses do rock and roll” nunca me pegou e o Led vestiu essa carapuça de “Deuses do Rock” como poucas bandas. Tudo era grandioso, gigante, majestoso e eu já tava aprendendo a gostar das coisas pequenas, intimistas, pra poucos, lugares menores para shows, bandas menos conhecidas e o Led era exatamente o oposto.

Ok, me lembro da primeira vez que escutei Stairway To Heaven e ela ajuda a cumprir a função de todo o “hino” de um gênero e faz com que você se apaixone, pule de cabeça e queira entender o que isso causa em você. Na minha história pessoal, comecei a ouvir rock achando que Peter Gabriel e Legião eram o máximo no rock and roll. Não me arrependo, guardo com carinho as boas lembranças, mas hoje não me dizem mais nada.

Assim é com o Led, definitivamente sua música não combina comigo e acho perda de tempo escutar Rock And Roll ou Black Dog ou Misty Mountain Hop nos dias de hoje. O que uma nova audição delas pode trazer de novo? Nada! Absolutamente nada. Na real, a única música desse disco que ainda me interessa é When The Levee Breaks, seja pelo som e andamento da bateria, seja pelo arranjo que prepara brilhantemente para seu final.

Deixei esse clássico de lado faz tempo e acho que a partir dele, comecei a deixar outros clássicos para fora de casa.

2. The Beatles – Sgt. Peppers Lonely Heart Club Band (1967)

Deixei de gostar de “tudo” que os Beatles fizeram já faz um tempão, mas deixar de gostar do Sgt Pepper faz uns 3 ou 4 anos. Acho que foi quando sairam as edições remasterizadas em 2009 e peguei pra escutar de novo. Me senti o personagem do Jonathan Pryce tentando tomar um sol na cinzenta e desolada Manchester dos anos 80. Tudo no disco me pareceu velho, bobo e sem graça.

Sabe aquela piada que você adorava e agora não vê mais graça alguma? Então, é mais ou menos isso.

A long time ago, eu tinha uma fita Basf onde um amigo me gravou as 3 primeiras músicas do vulgo Sargento: Sgt Pepper, With A little Help From My Friends e Lucy In The sky with Diamonds. Ouvi essa sequência até a exaustão, gastava pilhas e pilhas no walkman me deliciando com essas 3.

Eu estava com 14, virando mocinho e achando tudo isso uma maravilha.

Como escrevi lá em cima, nunca nos faltou dinheiro em casa, mas não éramos de posses, assim o álbum completo só veio pra casa uns 2 anos depois como presente de aniversário e finalmente passei da faixa 3.

Confesso que já na época fiquei meio decepcionado. Getting Better e Fixing a Hole baixaram um pouco a minha bola e pensei “porra, começa desse jeito e cai nessas chinfrinzeiras” e ficava pensando “cadê o tal e genial Sgt Pepper?”

Adelante, caimos em She’s Leaving Home é linda e fiquei apaixonado por ela, e Being for Benefit Of Mr Kite depois de alguns anos virou a minha favorita do disco.

Hoje ainda acho que é disparado a mais legal, mesmo prum disco que tem A Day In The Life.

No frigir dos ovos, acho que gostar do Sgt Pepper era quase que uma obrigação e uma necessidade de afirmação de alguns patamares de gostos e predileções que marcavam um limite invisível ou um fronteira entre nós “os legais” e eles, os “não legais” que não curtiam esse disco.

O tempo passou e hoje acho que penso o oposto, gostar desse disco depois de tudo que passei e ouvi é quase um atestado de não evolução, de não ter ido pra frente em nada e ter estacionado na estupefação de um garoto de 14 anos.

O gostoso da evolução é voltar a sentir essa estupefação com novas experiências e não voltar prum estado de espirito que você já não tem mais.

É por isso que essa banda não toca mais pro lado de cá.

1. Pearl Jam – Ten (1991)

Poderia dar um monte de razões para colocar esse disco em primeiro lugar nessa lista.

Dentre elas:

  • A produção exagerada a la hard rock do final dos anos 80, ouso dizer que nem o Skid Row ou o Warrant tinham um som de bateria tão brega quanto esse Ten.
  • E os ecos? E os timbres das guitarras? De novo, acho que as guitarras do Warrant e agora também dos irmãos Nelson, eram melhores que a da dupla do Pearl Jam;
  • O som desse disco não é e nunca foi “grunge”, esse Ten sempre foi um Hard Rock de quinta!
  • E essa capa com os bracinhos fazendo um “hi-five”?
  • Os hits mais grudentos e chatos da história do rock: Alive e Even Flow, que foram antipatia imediata junto a minha pessoa. Na primeira vez que ouvi no rádio eu achei que era o Queensryche que também gozava de relativo sucesso nessa época.
  • Tudo é muito sério, sizudo e parecido com o que seria uma banda que os seus pais poderiam gostar. Tocando e contando todas as verdades do mundo e passando sermão pra todo o mundo;
  • E Jeremy? Dá preguiça até hoje…
  • Tudo isso foi um conjunto de argumentos sólidos que juntei pra tentar justificar porque eu nunca gostei desse disco, mas o verdadeiro motivo de eu detestar com todas as minhas forças o Ten está lá na faixa 5 e se chama Black, a pior música da história do Universo, o maior erro já cometido no gênero, aquilo que me faz ter vergonha de dizer que gosto de rock, que me dá vontade de ter nascido na idade média e nunca ter passado de Buxtehude.

A banda até que se ajeitou depois desse começo cheio de sucesso e titica, os 3 discos posteriores alternam bons e maus momentos, mas a lembrança e o estilo que impregnou logo de cara, parece que nunca largou a banda e por mais que eu ache o Eddie Vedder um cara gente fina, e os demais caras da banda parecem ser muito legais, ainda haverá um Ten no passado e sobretudo, ainda existirá Black.

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