Live In Berlin – Au Pairs (1983)

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Já mencionei por aqui o quanto eu gosto de Pós Punk certo?

Gosto a beça, tanto quanto de punk ou new wave.

Eram os 80s man e isso quer dizer basicamente o seguinte: um monte de gente interessante querendo pegar em microfones e instrumentos e dispostos a provocar e fazer som somado a uma demanda crescente por gente que fizesse um som assim.

Graças a Deus, tudo isso foi culpa do punk rock!

Mas se o punk abriu o rombo necessário para que todos os underdogs pudessem se fazer ouvir, ele democraticamente abriu espaços para que também os metidos a bestas e pedantes pudessem igualmente se pronunciar.

Ok, eles já faziam isso antes e fizeram isso a vida inteira, então não há movimento musical 100% livre dos maletas. Eles estão em maior número, isso é estatística.

Não sei se o Au Pairs foi uma banda metida, mas seu som definitivamente era metido a besta e “intelectualizado” e não tenho nenhum problema com som intelectual, mas no caso do Au Pairs parecia que era meio Fake.

Mais inteligentes e educados, o Au Pairs não se limitou somente ao esporro raivoso, mas ao esporro “intelectual” raivoso, e era isso que eu achava meio falsário.

Dentro da fórmula clássica de barulho, eles queriam enfiar um tiquinho de jazz e de funk, tal qual alguns pares britânicos como The Pop Group, e especialmente o Gang Of Four.

Pois é, no fim das contas o Au Pairs era só uma banda metida a besta que acabou influenciando um monte de outros artistas e bandas igualmente metidos e que algum momento nas décadas seguintes deu certo.

O Au Pairs durou dois álbuns e esse ao vivo.

Não deixou nenhum hit e na minha opinião nenhum grande legado, mas esse Live In Berlin só não de volta pra algum sebo por causa de uma única música, a que fecha o disco que é a cover de Piece Of My Heart da Janis Joplin. Versão muito boa, não sei se é melhor que a original, mas ao vivo eles deram uma mexida muito boa e me faz manter esse play em casa.


Sulk – The Associates (1982)

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Mais uma banda de tecnopop que adoro.

Ou melhor, mais um disco de tecnopop que adoro.

Não conheço muito a história do Associates, mas tem coisas no som de bandas como eles, Human League ou Fohn Foxx que era um tipo de eletrônico sujo, com timbres exagerados e carregados de efeitos que pareciam ser “tudo” na época, cairam em desuso anos depois, passou a ser cafona por uma decada inteira, mas foi recuperado e valorizado nos anos 2000 de novo.

Era musica eletrônica, pero no mucho, com estrutura de canção pop, mas com uma puta influência de David Bowie.

Que aliás permeou o som de uma grande massa de artistas nessa época dos dois lados do Atlântico.

A casa agradece essa santa influência.

Voltando a dupla: Lembro que há alguns anos eu ouvi a faixa Skipping, eu pirei! Achei o máximo e numa das ultimas viagens pra gringolandia, achei esse disco bem baratinho e trouxe.

Arrependimento 0, o disco todo é bom pra caramba, não sei como os caras conseguiram produzir discos assim, mas esse período da década de oitenta é particularmente feliz e rica pra esse tipo de som. Os caras não eram tecnicamente bons instrumentistas, mas tavam com suas cabeças afetadas por combustíveis ilícitos e tendo ideias brilhantes,  o que compensava bastante e deixou grandes ideias gravadas para a posteridade hipsterizada que os sucedeu.

Sulk tem várias dessas faixas muito boas: Gloomy Sunday é Bowie com David Lynch, cafonice com gelo. Nude Spoons é punk com uma pegada gótica, Party Fears Two é pop brilhante com um chimbau de corrente que sei lá Deus por que enfiaram lá, mas que fez toda a diferença.

Ficou cult? Não sei, só sei que adorei ter conhecido isso depois de velho e vou levar esse som adiante, já que hoje ouço menos guitarra do que antes.


Dirk Wears White Sox – Adam And The Ants (1979)

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Ontem escrevi sobre o segundo disco do Adam And The Ants e hoje vou pro primeiro, que foi lançado um ano antes e é tão sensacional quanto King Of The Wild Frontier.

Na verdade, o primeiro disco do Adam que eu comprei foi esse bonitinho, mas era uma edição em CD com outra capa e com o single da música Kick adicionada.

Ai um dia eu vi a edição original em vinil, que traz essa capa escura com essa linda foto em p&b e não titubiei, aposentei o Cd pela Bolacha, mesmo sem Kick, que é uma música bem foda por sinal.

Como um fã de disco autoral que está fazendo seu próprio (logo menos tá por ai), eu entendo que uma vez que a bolacha é lançada, que o barco é içado ao mar e que o pombo correio saiu com a cartinha, já era. A obra é pra ficar como está. Não sou muito fã de edições posteriores que trazem faixas bônus, faixas ao vivo ou novas masterizações.

Isso pra mim é desculpa pra arrancar dinheiro das pessoas, além de ser um desrespeito com a obra em si.

Pra mim, uma vez prensado e lançado é assim que tem que ser.

Foi isso que me levou a esse LP.

Dirk Wears… é um puta disco de rock.

Fico impressionado quando não citam esses dois discos do Adam nessas famigeradas listas de grandes discos.

Esse LP é grandioso em si mesmo.

Capturou tudo o que estava acontecendo e mesmo assim, foi de uma originalidade sem tamanho.

Não parece com nada que tenha saído na mesma época.

Esse primeiro disco deles é realmente uma obra com dono, com autoridade, o Adam escreveu e compôs todo o disco e ainda produziu. Ok, muita gente fez a mesma coisa, há grandes obras autorais por ai e falarei de muitas delas nesse blog, mas o Adam sabia exatamente o que queria, parece não ter feito muitas concessões e admiro esse tipo de artista que leva a sério o que está fazendo, acredita na sua visão e faz tudo com competência.

E o disco tem só música foda basicamente.

É o tipo de LP instigante. Posso ficar muito tempo sem escuta-lo e toda a vez que volto a ele, é sempre uma surpresa. Parece que é um disco vampiresco, sempre fresco e vigoroso.

Como todo bom disco de rock tem que ser.

Dirk Wears faz parte desse seleto clube.