Os piores discos de Techno ….. de artistas não technos…

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Lembro da primeira vez que escutei um disco dito de “techno” de ponta a ponta e achei realmente que o mundo tava mudando, ficando menos velho e isso foi bom!

Isso aconteceu em 1990 com o álbum 90 do 808 State (grupo que tive a sorte e privilégio de assistir ao vivo em 1996 abrindo pra Bjork no extinto Free Jazz Festival).

Ao longo dos anos, tal qual um Mr. Hyde escondido, meu amor por música eletrônica foi ocupando espaço ao passar da década de 90 e tive a sorte de ver o surgimento de alguns dos artistas mais talentosos e importantes não só dessa década, mas quiçá do gênero todo.

Underworld, Chemical Brothers, Roni Size, Moloko, Grooverider, Orbital, The Orb, Aphex Twin, Goldie, Portishead, Sneaker Pimps, Adamski, Dj Shadow, Paul Oackenfold, and go on… a lista é imensa.

E claro que de paraquedas, uma pá de gente resolveu se meter a fazer musica eletrônica também e muitos deram com os burros n’água e como hoje em dia, muitos deles posam de santos ou vacas sagradas, resolvi listar os piores casos de “apropriação cultural” da cultura “Clubber” por “não clubbers”:

Gargalhadas são permitidas:

10o David Bowie – Earthling (1997)

Sim, David Bowie tem lugar garantido no topo de qualquer lista que voce possa imaginar (melhor disco de Glam Rock, melhor disco de Krautrock de artista não alemão, melhor disco de Pop anos 80 e melhor disco póstumo), mas o camaleão também cometeu seus pecados e tentar fazer um disco de rock com drum and bass foi um tremendo furo, mas por absoluto respeito ao gênio e mesmo quando ela escorrega a gente respeita, ele fica em 10o .

 

9o Eric Clapton – Pilgrim (1998)

O “Deus” da guitarra não afirmou com todas as letras que esse é um disco de “techno”, mas foi assim que sua gravadora o apresentou ao mundo. Movido por baterias eletrônicas e sintetizadores programados por Simon Climie (da dupla de tecno pop oitentista Climie Fisher) o álbum é regularmente esquecido pelos fãs do guitarrista e muitas vezes, até por ele próprio mesmo tendo sido um de seus melhores resultados comerciais desde o Acustico.

 

8o John Lydon – Psycho’s Path (1997)

Conhecendo o nosso amável Johnny Rotten, ele sempre quis que o mundo pegasse fogo, então não consigo botar muita fé que ele tenha feito essa porcaria de cara lavada. Pra mim, foi alguma aposta que ele ganhou por ter feito um disco tão ruim assim. E olha que tem uns discos do P.I.L. que são duros de ouvir, mas esse é imbatível no quesito trashice.

 

7o Barão Vermelho – Puro Extase (1998)

Essa foi a onda mais errada do Barão, pois não deu pra entender se eles tinham entendido o que era “Techno”, pois a única coisa de dançante que a banda fazia era mais responsabilidade do Peninha do que da bateria eletrônica. O disco teve Hits, mas é ruim demais… eu gosto do Barão, mas esse não dá pra defender não.

 

 

6o David Byrne – The Visible Man (1998)

Byrne é gênio, acho que quando ele e eu formos para o além mundo, alguém vai descobrir que esse disco é muito avançado pra sua época ou pra qualquer época, mas enquanto nada disso acontece, o que tenho a dizer dessa porcaria é que ela só reforça a minha tese de que a carreira solo de Byrne só se salva por que ele montou o selo Luaka Bop que lançou pro mundo alguns dos discos mais legais que tenho aqui em casa, além de ter ajudado o Tom Zé a ganhar uma sobrevida artística mais que merecida.

 

 

5o Varios Artistas – Spawn O.S.T (1997)

Ah essa indústria cultural que me mata de orgulho.

Alguem teve uma brilhante ideia de aproveitar o auge do movimento de música eletrônica e casar artistas e djs com bandas de rock. No papel, as parcerias prometiam: Slayer e Atari Teenage Riot era promissor, e Prodigy com Tom Morello (Rage Against The Machine)? Outras boas ideias: Golide com Henry Rollins, Mansun com 808 State, etc. Mas o disco é uma merda, parece que eles tiveram meia hora cada um pra entregar o que tinham, e nessa época, 15 minutos era o tempo que eles tinham só pra ligar os equipos. Enfim, boa ideia, péssima execução.

 

 

4o Lulu Santos – Eu e Meme Meme e Eu (1995)

Visionário do caos, Lulu antecipou a febre de discos de Techno ruins antes de outros artistas. Ponto pra ele. Sem precisar defender o cantor carioca, mas no fundo acho que vale uma menção que eu acho o seu Assim Caminha a Humanidade uma beleza de álbum. Agora esse Meme e Eu é só mais uma prova de como se jogou dinheiro fora nesse negocio de indústria da Música.

 

 

3o U2 – Pop (1997)

Ri litros quando vi o Bono e o The Edge com camisetinha colada e dançando no clipe de Discoteque. Se em algum momento (e esse momento certamente existiu), eu tive algum respeito pelo quarteto irlandês, eles se dissipou com esse álbum e com a tune sequente. O disco tem algumas coisas que até passam, mas foi um movimento muito oportunista que daqui de São Caetano do Sul eu consegui enxergar pelos óculos escuros do Bono que ele não acreditava em uma virgula do que ele cantava.

 

2o Bloc Party – Intimacy Remixes (2009)

Pior do que uma banda véia tentar surfar numa onda que definitivamente não era a deles é ver um artista mais ou menos novo, que depois de lancar uma ou outra coisa razoável, me vem em pleno anos 2000 pegar um disco ruim (Intimacy) e lançar uma versão remixada horrorosa do mesmo álbum. Isso tudo em 2009, só uns 12 anos depois que essa onda tinha acabado. Trofeu Rubinho Barrichelo pro Bloc Party.

 

1o Bush – Deconstructed (1997)

Foi graças a minha linda e jovem namorada que buscou do fundo de sua lembrança clubber grunge, o álbum que ocupa com dignidade (ou não) esse ranking. Sem ela, o primeiro lugar dessa lista teria sido ocupado por outro álbum, mas relembrar que o Bush lançou no seu “auge” um disco de Remixes tosco desses me leva honestamente a duas perguntas pertinentes: 1. Por que as pessoas depois de duas décadas insistem que o Bush era uma banda boa? 2. Por que em algum momento, alguém achou que essa banda servia pra alguma coisa. Confesso, sempre detestei esses caras, e não adiantava botar o Steve Albini pra produzir disco. É uma m… sempre foi…. sempre será. Independente do gênero que eles toquem. Ponto.

Ps. : Menção honrosa:

R.E.M. – R.E.M. IX (2002)

O R.E.M. só escapou da lista pois não achei nenhum link confiável com esse álbum de remixes de faixas do álbum Reveal pra atestar se isso era ruim ou não.


10 Discos Sensacionais de Bandas Porcarias.

Resolvi pensar positivo.

Achar o bom no péssimo, mesmo que pra isso eu tivesse que atravessar um deserto de desolação e fazer com que meus ouvidos acostumados a ser mal-tratados todos os dias a passar por verdadeiras sabatinas sônicas pra evidenciar as qualidades onde aparentemente não havia nada além de porcaria.

A maioria desses artista abaixo listados tem um séquito barulhento e por vezes fanático de fãs, atraem grandes públicos para seus shows, vendem ou venderam bem, quando esse negócio de música ainda dava dinheiro e sou certamente sou voz minoritária em praticamente quando afirmo que são umas porcarias.

Nessa lista não vai ter discos do Dire Straits, do Jethro Tull ou do Toto porque nao achei nenhum disco decente deles que eu realmente gostasse.

Não vai ter também No Doubt, Nickelback ou Maroon 5 porque nem disco eles fizeram direito.

Causando polêmica em um toque de 5, 4, 3, 2, 1:

  1. The Offspring – Smash (1994)

Acho que é meio consenso até pra quem não gosta da banda, que Smash é um baita disco. Lembro que quando ouvia Self Esteem ou Come Out And Play no rádio e na extinta MTV e achava bom demais pra estar tocando ali naqueles veículos. Definitivamente eram outros tempos. O que não é muito consenso é que esse é o único disco que prestou na carreira da banda neo-punk-de-mentira. O disco teve hits muito legais e que ainda hoje não causam vergonha nem envelheceram mal. Vergonha foi tentar acompanhar essa banda virando um troço horroroso ao longo dos anos, chegando ao cumulo de em 2012, com o lançamento de Days Go By, os fãs da banda pediram para que eles parassem de lançar discos. Mas Smash ficou.

  1. Pearl Jam – No Code (1996)

Eu tentei gostar de Pearl Jam e por um breve espaço de tempo, eu até que consegui. Foi justamente ali pelo meio dos anos 90, quando a banda tava meio perdida, brigando com a Ticketmaster, e o Eddie Vedder querendo mandar mais que todo os outros caras da banda juntos. Um dos guitarristas tava com uns problemas de “dorgas e biritas” e banda lançava um disco cheio de “9 horas”, com encarte que abria de ponta cabeça, umas fichinhas e nenhum hit radiofônico. A banda tentava fugir do som comercial que eles mesmos inventaram no seu insuperável monumento a farofice Ten, e que ao longo dos anos seguintes a banda foi tentando ficar legal (as vezes deu certo) e em No Code eles se jogaram numa arriscada aventura de emular um folk rock setentista a la Neil Young. Conseguiram me fazer gostar um tiquinho deles pela coragem e pelas canções lindas desse disco. No Code é um intervalo bonito de uma banda bem caretinha e chatinha.

  1. U2 – Zooropa (1993)

Polêmica em dobro, pois além de colocar o U2 como uma porcaria é afirmar que o disco mais estranho e menos lembrado pelos fãs seja a única coisa que preste. Aí vai ter o cara que, com sua razão de fã vai defender os irlandeses colocando álbuns como Achtung Baby (1991), The Joshua Tree (1987) e até mesmo War (1983) como discos ótimos. Eu retruco fazendo um convite a que esse mesmo Cabrobó re-escute esses álbuns hoje e tente encontrar mais de 50% de musicas boas tentando esquecer as milhões de execuções de With Or Without You ou New Years Day, entre outros hits de rádio. Foi o que eu fiz para chegar a essa conclusão e ai bastou juntar minha ojeriza natural pelo Bono e pronto. Eu sempre achei o U2 uma banda maleta que sempre manipulou muito bem sua audiência e seu público pra onde eles quiseram. Deixando a banda de lado, vamos ao disco. Zooropa foi o único momento em que eles ultrapassaram o mundo, inclusive a si mesmos e realmente foi um divisor de aguas na música dos anos 90. Muito do indie que se ouviu depois de 1993, tem muito a agradecer a esse disco. O que dizer de um renascido Johnny Cash cantando a melhor música da carreira do U2 em The Wanderer? E a melhor canção fim de tempos e fim de festa que é Lemon, e por ai vai. Zooropa é um White Album com excessos bem delimitados.

  1. Tom Waits – Small Changes (1976)

Sim, eu acho Tom Waits um saco. Como todo o mundo que se julga esperto e interessado em música, acompanhei o tio Tom em quase tudo o que ele fez e faz ainda. E confesso, nada que ele fez me causou a mais remota comoção. Sei que ele é bem quisto entre os colegas musicais, todo o mundo paga pau pra seu modos operandi, mas nunca cai de amores por ele. Na real, real, acho um bocado mala e se pegar um disco que eles fez em 2010 e comparar com outro feito em 1987 é praticamente a mesma coisa. Alias, tudo parece a mesma música desde 1978. Small Changes é, curiosamente, o único que tem realmente algumas “pequenas mudanças” e é a única obra do compositor-genioqueasminaeoscarabacanacurtem que ainda consigo escutar e achar alguma coisa que não me enjoe. The Piano Has Been Drinking é sensacional e na minha modesta opinião, a melhor coisa que ele compôs.

  1. The White Stripes – White Bloody Cells (2001)

Mais um pra causar polemica não barata, afinal levanta a voz pra dizer que o Jack White é um fresco e o WS é a banda mais fresca da paróquia? Pois é o que eu acho. Superestimado é pouco pra definir a estranha relação quase idolátrica da palutéria e da classe entendida em som frente a formação chucra, mal tocada (no mal sentido) e tosca que o então casal White produziram. Justiça seja feita, acho que em cada disco tem pelo menos uma música que passa, mas chamar a banda ou os discos de clássico é meio apelação e desespero. White Bloody Cells ainda é o único que passa pelo crivo aqui de casa e de vez em nunca roda no toca cd.

  1. Frank Zappa & The Mothers of Invention – Live At Filmore East (1971)

Quer outra coisa insuportável é Frank Zappa. Nunca entendi, nunca gostei, sempre achei seus discos umas porcarias, com uns arranjos complicados mas com uns timbres muito furrecas e um som pior que a Lira Paulistana. Mesmo na fase inicial, que todo o mundo que curte som costuma pirar, eu não me encantei. Fazer esforço pra entender algumas bandas, artistas ou propostas musicais é um grande desafio que em muitos casos é recompensador, mas em alguns é só perda de tempo. Zappa é desse segundo time. Coloquei esse disco pois realmente é o único que consegui ouvir mais de duas vezes na vida.

  1. Fugazi – 13 Songs (1989)

Outra banda superestimada. Toda a vez que penso no Fugazi sinto uma leve pontadinha de culpa de ter deixado passar alguma coisa na minha mocidade e não ter me apaixonado pela “atitude” do Fugazi. Não é possível que vivi os anos 90, curtia rock, dito alternativo e não gostava dos caras. O problema era comigo, certeza. Acho que ainda deve ser, mas na real, toda a vez que escuto a banda, sinto que tá todo mundo escutando algo muito maravilhoso e só eu escuto um sonzinho chumbrega, roquinho chatinho e mal-humorado. Toda a vez que vejo os caras dando entrevistas ou falando de música, mais eu acho que estava certo e esse angu nunca ter descido tem um que de ser. Tirando esse primeiro disco, o resto sempre foi intragável o que me remete ao monstro (em todos os sentidos) Steve Albini que disse ali no comecinho dos anos 90 que o Fugazi era uma banda muito boa ao vivo, mas que fazia uns discos muito ruins. Nesse caso, o mago Albini ainda livrou a cara deles no “bons ao vivo”.

  1. King Crimson – Red (1974)

Mais uma vaca sagrada sendo atirada no brejo. Nos últimos anos, o progressivo voltou a ser moda e o King Crimson ressurgiu pras novas gerações com toda a força e pompa de faróis da moçadinha que curte se perder em acordes e progressões que não levam a lugar algum. O Rei Cigano cagou regra durante a década de 70, trocando de formação a cada disco, mas sempre com o soberano mandatário Robert Fripp decidindo o que acontecia e o que não acontecia na banda. A coisa ficou tão séria que lá pela Inglaterra tem umas turmas a la Senhor dos Aneis fãs que inventaram uma espécie de Sociedade Apreciadora de King Crimson. Se existe de verdade eu não sei, mas dá medo. A banda sempre foi chata e metida, e com tanta vontade de romper barreiras, ela alterna entre bons momentos e momentos ridículos, mas esse Red é bom demais até pra eles. Pesado, denso e assombroso, é um disco ideal para quem odeia progressivo e não tem muito tempo pra perder com King Crimson.

  1. Foo Fighters – The Colour And The Shape (1997)

Quando o Foo Fighters lançou esse disco e a tal critica especializada não deu a menor patoca, eu não conseguiu entender. O que realmente precisa acontecer para que um disco seja querido por quem entende de música e ao mesmo tempo tentasse ser popular? The Colour And The Shape ainda acho um puta disco, pra cima, mega bem produzido, que fez um link interessante entre guitarras noventistas altas, e cozinha mais discreta de bons discos de rock dos anos 80, mão preciosa de Gil Norton, que tem no currículo discos do Echo & The Bunnymen e Pixies. Depois disso a banda viraria uma piada que começava a se levar a sério nesse projeto de ser a melhor banda de rock do mundo, tanto que até hoje não acredito que eles tenham conseguido fazer shows no Wembley e ganhar 5 milhões de dólares para fechar um festival em um certo pais da América Latina. É um caso único de banda com os integrantes mais legais do mundo fazendo os discos mais porcarias do universo.

  1. Guns & Roses – Appetite For Destruction (1987)

O Guns foi a última banda de rock que o mundo teve e assistir sua degradação ao longo das ultimas décadas só comprova que o rock and roll já havia virado música de tiozinho babão há muito tempo e ainda não tínhamos sido avisados. Appetite é bom pra cacete, não gostar desse disco significa ter pouca afeição por rock e gostar muito dele também significa ter pouca afeição pelo rock. É o típico caso de disco legal que tinha muita personalidade nas pequenas coisas, já que o holofote esta demais em Axl e em Slash, esse disco deu a sombra necessária para que os outros 3 integrantes craques deixassem a base sólida. Steven Adler, o batera que afundado em heroína era um dos principais letristas da banda que ao lado do baita guitarrista e compositor de primeira, Izzy Stradlin (que tem uma carreira solo que vale a pena caçar por ai) e Duff McCagan que mandava muito bem em seu baixo deu ao disco um som que ainda hoje é sensacional. Depois disso, Axl ia querer ser maior que tudo isso e fez o favor de fazer as merdas que nós já conhecemos e que fazem do Guns a maior porcaria da historia do rock, tendo nas costas um dos discos mais legais da história. Ouça o disco, não ouça a banda e tudo ficará bem.