The Fatback Band – NYCNYUSA (1977)
Publicado; 04/06/2012 Arquivado em: Discos, Música, records Deixe um comentário
Banda de funk-disco nova-iorquina do anos 70.
Isso é introdução de: Não tem como ser ruim!
E não tem mesmo.
O Fatback é mais uma das milhares de bandas que aparecerem nessa época, mandaram seu som, se misturaram com a multidão e sumiram, tanto que esse álbum ficou um tempão fora de circulação.
No allmusic o disco é avaliado com miseras duas estrelas, mas isso não quer dizer nada.
Como álbum de carreira e pegando uma banda em evolução dentro do funk setentista, eles saíram dos funk soul fortemente instrumental do inicio dos anos 70 para cair com tudo na tendência da época, em que a Disco ditava as ordens do dia e, para sobreviver e se tornar ouvido pela rapaziada, eles viraram os ouvidos para as pistas e soltaram esse belo espécime que é pura alegria.
Dá pra tocar o disco inteiro em qualquer festa civilizada ou não, que ele fará sentido. Começa pra cima quebrando tudo em Double Dutch e Spank The Baby (afinal, como é de conhecimento geral, só um tapinha não dói), lá pro final tem as lentinhas que é pra encorajar o acasalamento A Changed Man e no meio um primor Love Street, ainda hoje uma das minhas favoritas do gênero.
O Fatback é de um tempo em que o beat vinha junto com um ser humano e suava junto com a máquina.
Dance music for real.
The Gun Club – Fire Of Love (1981)
Publicado; 03/06/2012 Arquivado em: Discos, Música, records 2 Comentários
Sabe aquelas bandas que você demora para acessar ou conhecer e quando conhece não consegue desgrudar?
Pois é, to assim com esse vinil.
O Gun Club tem um som inacreditável e inimitável.
A combinação única e explosiva de rockabilly, punk, pos-punk, blues e guitarras slide.
Tudo isso saiu da cabeça do gênio enlouquecido Jeffrey Lee Pierce.
Dono da banda e cérebro por tras de todas as músicas ou todas as escolhas musicais do grupo, Jeffrey é daqueles seres iluminados que surgem e subvertem a ordem das coisas de maneira sorrateira e pelas bordas.
Foi assim que o Gun Club construiu sua reputação no começo da década de 1980 e nos deixou um legado de sons inacreditáveis e sensacionais.
Tudo de caso pensado, eles foram selvagens, suaves e pregavam quase religiosamente uma ortodoxia musical completamente deslocada de seu tempo e espaço.
Dentro do cenário alternativo do inicio dos anos 80, eles não pertenciam a nenhuma categoria e nenhuma panela musical. Eles eram independentes demais para isso.
Tenta explicar outras bandas dessa mesma época como Violent Femmes ou Wall of Voodoo.
Não dá e nem tentem.
Depois de escutar esse disco, tudo fica meio sem graça…
Então vai lá, recomendo.
Paulo Moura – Fibra (1971)
Publicado; 02/06/2012 Arquivado em: Discos, Música, records Deixe um comentário![]()
Paulo Moura foi um monstro.
Dono de um estilo próprio e rigorosamente aberto, Paulo desfilou tal qual Raul de Souza, tal qual Pixinguinha, tal qual qualquer outro grande músico craque no sopro brazuca.
Para nossa não alegria, quase nada dele existe em catalogo, em especial os primeiros trabalhos solo e mais em especial ainda este discasso lançado quase 10 apos Paulo subir ao palco do Carnegie Hall em 1962 para a noite da Bossa Nova arranjada por Ronaldo Boscoli e que escalou Tom Jobim e Sérgio Mendes com o chegado.
Se isso não é estar bem acompanhado…. porra!
Em Fibra, devidamente fixado na gringa, Paulo desfila suas preferencias estilísticas habituais e chega a acrescentar a sua hard bossa swingada, mais jazz, lounge e até um surpreendente numero de “folk-rock setentista”? é, escute “Tema dos Deuses” e comprove se não estou doido.
Enfim, tudo isso pra dizer que Paulo Moura foi um dos maiores monstros da Musica Instrumental brasileira, reconhecido nos círculos, respeitado por todos e se americano fosse, estaria entre os maiores do jazz.
Alias, ele já está nesse panteão.
Sempre esteve.
Dr. John – In The Right Place (1973)
Publicado; 31/05/2012 Arquivado em: Discos, Música, records Deixe um comentário
Recentemente o gênio Dr. John saiu de sua caverna nos pântanos de New Orleans e nos brindou com um novo e delicioso álbum, que contou com a produção do homem do momento: Dan Auerbach (The Black Keys).
Estar bem acompanhado é importante e o Dr. John sabe disso.
Prova é esse petardo de 1973.
A produção ficou a cargo de Allen Toussaint (grande músico, pianista e cantor de New Orleans — não conhece? Ô dó!) e no acompanhamento, uma das bandas de funk mais fodasticas da paróquia: The Meters.
Tá bom?
Tem como dar merda?
Não dá, nem se eles quisessem.
Respectivos faixas-pretas, economizam na pirotécnica técnica e se concentram no simples, no swingue e nos climas matadores que só uma combinação feliz como essa pode gerar.
Todo mundo no auge de vossas respectivas carreiras, é muita coisa boa junta.
A voz cajun do Dr. John está limpa, rasgada, negona e a fusão funk, cajun e pop setentista sedimentou um dos discos mais importantes da carreira do pianista, que ajudaria a coloca-lo no mapa e nunca mais tira-lo.
Medeski Martin & Wood – End Of The World Party (2004)
Publicado; 30/05/2012 Arquivado em: Discos, Música, records Deixe um comentário Tava aqui lembrando do show deles no Sesc Pompéia há alguns e como fiquei impressionado com o repertório poderoso, moderno e matador, e que ainda acharam espaço para fazer um cover inacreditável de “The Letter” da Pj Harvey, faixa do então recém-lançado “Uh Uh Her”.
Mais antenados, impossível.
Definitivamente, o MMW é a melhor banda de jazz dos últimos 20 anos, porque fizeram a revolução necessária para que o gênero não ficasse no total ostracismo, vivendo de seu passado glorioso e revolucionário.
Graças ao frescor trazido pelos músicos, uma nova geração cresceu, apareceu e ganhou espaço.
O MMW fez álbuns sensacionais, seja no formato mais tradicional (piano, baixo e bateria) ou em formatos mais ousados (com dj, rappers, orquestra, etc) e construiu uma reputação inatacável, inquieta e instigante ao longo de uma carreira cheia de alternativas.
De todos os projetos, escolhi esse álbum de 2004, pois é talvez o mais acessível do grupo, mesclando grooves poderosos, sons eletrônicos, lounge e jazz (óbvio), menos radical que The Dropper e Combustication, End Of the World Party traz o groove mais pra cima de Shack-Man e um tremendo senso pop, com faixas mais curtas e diretas.
John Medeski é um polvo, cercado de pianos, órgãos, sintetizadores e teclados é o responsável pela montanha-russa de sons e ruídos que são despejados sem economia ao longo do álbum, enquando a máquina Billy Martin vai controlando a temperatura do som com suas baquetas, aumentando e diminuindo o peso como só um verdadeiro gênio consegue, e ainda tem Chris Wood e seu baixo sofisticado, gordo que sorrateiramente fornece a caminha discreta e rica para o som fluir perfeito…
Craques do som, são artistas que circulam entre vários gêneros e ajudam a levar o jazz para as ruas, bares e tira-lo dos museus encastelados das vacas sagradas.
Anjo Gabriel – O Culto Secreto do Anjo Gabriel (2011)
Publicado; 27/05/2012 Arquivado em: Discos, Música, records Deixe um comentário
Rock progressivo brasileiro?
E feito nos dias de hoje?
Em Pernambuco?
Paradoxo? Viagem? Coisa de biruta? Falta do que fazer?
Talvez tenha um pouco de cada uma dessas coisas, mas um fato é claro: O disco é bem bom!
Lançado de maneira independente (afinal, quem precisa de gravadora nos dias de hoje, né?), o Anjo Gabriel é uma banda formada por músicos que estão na casa dos 30 e poucos anos e são apaixonados por rock progressivo dos anos 70 (urghh!).
O som da banda é muito bem produzido, com excelente escolha de timbres e instrumentos e enganaria fácil qualquer metido a especialista em rock progressivo, pois ouvindo com atenção, a banda se encaixa perfeitamente dentro dos moldes propostos por todos aqueles grupos de hard-rock progressivos, krautrock e progressivos ingleses que nos 70 inundaram a vida cultural do planeta Terra.
E para o Pernambuco, grande celeiro de algumas das maiores pirações musicais cometidas em terra Brazilis, se encaixa dentro da linha evolutiva que começou lá atrás com Alceu Valença, Flaviano e a banda do Sol e principalmente Lula Côrtes.
Religando os pontos, o Anjo Gabriel é uma banda que merece vossa atenção, principalmente em se falando de anos 2000, época em que o rock progressivo voltou a virar vanguarda no mundo todo e o som viajandão do grupo encontra eco em bandas ótimas da gringa como Diagonal, Astra, Crystal Antlers, Comets on Fire e Earthless que tem dado novos contornos ao prog e space rock e tornado mais palatável o gênero que nasceu para alimentar dinossauros e manter a pança dos velhos roqueiros em dia.
Tim Maia – Tim Maia (1970)
Publicado; 26/05/2012 Arquivado em: Discos, Música, records Deixe um comentário
Na minha opinião, o melhor disco do sindico!
Pode não ser o mais rico ou o mais elaborado trabalho do soul man brazuca, mas é de longe o mais influente e vencedor álbum do Tim.
Tim se espelhou no melhor do pop negro americano dos anos 60 (Stevie Wonder, Marvin Gaye, Curtis Mayfield, James Brown, Temptations e por ai vai), que ele conhecia de tras pra frente e criou as bases para que o soul americano que ele tanto amava tivesse cara de música brasileira e neste primeiro disco o acerto foi tão grande e sua visão tão a frente, que praticamente todo o pop brazuca que se fez dos anos 70 em diante chupinhou e/ou se inspirou nessa obra prima.
O cara acertou em tudo, desde a faixa de abertura com a versão incendiária e pé-na-porta de Coroné Antonio Bento até canções originais compostas pelo próprio Tim como Jurema, Flamengo e Azul da Cor do Mar que servem para mostrar o vasto repertório poético.
Agora, fino mesmo são as canções de outros compositores, que ganharam na voz do sindico, suas versões derradeiras: o que dizer de Eu Amo Você e Você Fingiu?
Fica clara a capacidade colossal do interprete que rasgava suas próprias viceras para dar alma e vida a lindas canções.
Tim ainda faria outros álbuns excelentes como os dois Tim Maias (1973 e 1978), sem falar nos mitológicos e superestimados discos da série “Racional”, onde o cantor entrara na sua viagem muito louca religiosa e a galera que é apaixonada, fumam muito para conseguir gerar argumentos sólidos para justificar tanto amor por esses discos.
Anyway, Tim Maia foi o maior bandleader da história, se fosse norte-americano já teria nome de cidade, estatua e homenagens.
Felizmente ele é coisa nossa. E como bom brasileiro que somos, preferimos esculhambar, esquecer e lamentar.
Grandmaster Flash & The Furious Five – The Message (1982)
Publicado; 20/05/2012 Arquivado em: Discos, Música, records Deixe um comentário
Tudo que já podia ser dito sobre a importância desse disco, da música “The Message” e do Grandmaster Flash para o crescimento do Rap como gênero predominante nas décadas seguintes já tá mais do que batido e sacramentado.
Mas ouvindo o álbum, o que passa despercebido pela força e urgência de “The Message” é o lado “romântico” que compreende praticamente todo o lado B desse disco, começando em “Dreaming” e “You Are”.
Grandmaster deu a tacada de gênio que precisava para conseguir se estabelecer, afinal não dá pra ficar só atirando contra tudo, chamando para o lado social o tempo inteiro e contando as agruras da segregação social pesada que a rapaziada passava lá nos States.
Todo mundo precisa se distrair nesse meio tempo e “The Message” tem esse timing importante para atrair não só o público do movimento, mas para agregar novos ouvidos e levar a mensagem adiante.
O disco começa dando o truco: She’s Fresh, It’s Nasty e Scorpio são três porradas nunca ouvidas antes, com uso inteligente de samplers, vocoders e moduladores de ritmo que dão a urgência e a modernidade que garantiria ao álbum o póstulo de revolucionário e influente. Talvez o mais influente disco de Rap e Hip-hop da história.
Como não sou especialista, me quedo no campo da suposição.
De todo o modo, “The Message” está londe de ser datado e mantem sua relevância passados 30 anos de seu lançamento.
The Shangri-las – Myrmidons of Melodrama (1964-66)
Publicado; 18/05/2012 Arquivado em: Discos, Música, records Deixe um comentário
4 garotas nova-iorquinas com atitude + um produtor inventivo e genial.
Depois restaram 3 garotas nova-iorquinas com atitude + o produtor inventivo e genial.
Essa é a fórmula do Shangri-las.
Fórmula que foi tentada a exaustão nos últimos 40 anos, mas que não bateram a química e a simbiose dessa girl group sessentista.
Pop até o osso, as garotas que nessa época não passavam dos 21 anos causaram alvoroço por conta do conteúdo pra frentex de suas musicas e muito pela abordagem musical avançada que o produtor George “Shadow” Morton impôs as meninas.
O que poderia ser uma tolice em mãos erradas, virou ouro puro. Ouro esse que faz das Shangri-las o meu grupo pop favorito “all time”.
Não dá pra resistir a canções descaradas e deliciosas como “Its Easier To Cry” ou “Give Him a Great Big Kiss” ou a polemica, mas que hoje passa como inocente “Leader of The Pack”.
Vai lá e saca as letras que as garotas entoavam pra você entender o que estou dizendo.
E nesse meio tempo ainda saíram obras avançadas e gravações repletas de efeitos inéditos na época como “Past, Present and Future” ou “Remember (Walkin In the Sand)”.
A produção de Morton foi crucial para aumentar a dramaticidade onde precisava e reforçar a comunicação direta entre meio, mensagem e alvo.
Canções inesquecíveis e senso pop que dificilmente seriam igualados no futuro.
Assisão – Raizes Nordestinas (1999)
Publicado; 16/05/2012 Arquivado em: Discos, Música, records Deixe um comentário
O “cangaceiro Romantico” é assim que Luiz Gonzaga se referia a Assisão.
O motivo?
Ele nasceu em Serra Talhada (Pernambuco), mesma terra gerou o ilustríssimo e temido Lampião.
Sacanagem pura.
50 anos se passaram dedicados ao forró.
As gravações dessa coleção capturam o artista entre 1976 a 1983, e mostram a evolução do ritmo que deixou de ser o forró de raiz que o Rei do Baião fez, para incorporar algumas modernices como teclado, guitarra com wah-wah (é!) e cadencias que nao se acha em discos de forró com tanta frequência.
Ótimo forró pra tocar em estabelecimentos “risca-faca” espalhados pelo Brasil afora.
Tentando achar alguma coisa sobre o artista hoje, o que encontro é um figura bizarro, loiro, de cavanhaque e que ainda se apresenta em festas juninas Nordeste afora com certa atividade e frequência.
A coletânea é divertida e traz ótimos exemplos do forró sacana que se fez lá pra riba e que não chegou por aqui, nos nossos ouvidinhos limpinhos pelos cotonetes esterilizados dos pseudo forrós de Sescs da vida.
Como no iutube não tem nada do Assisão, clica no link abaixo para voce pelo menos ouvir um tiquinho do home.