Pelle Miljoona & N.U.S (1978)

Punk finlandês?

Mais um capitulo da história: E como o Punk salvou o mundo!

O movimento e o som punk se espalhou pelo mundo nos anos 70 de um jeito, que ainda hoje é possível descobrir artistas, bandas e discos sensacionais que passaram completamente batidos pelos ouvidos e atenção de todo o mund.

Isso nos poupa da necessidade por artistas novos que não tem vitalidade alguma e só nos faz perder tempo…

Da gelada terra do Papai Noel e do Kimi Haikkonen, o Pelle Miljoona é o nome do cara e N.U.S era a banda que o acompanhava.

Pelle é desses espíritos livres malucos que o universo punk povou o mundo, ainda está vivo, lançou livros e poemas, trampou com música, mas nesse álbum tosco (graças a Deus), típico punk 77, deve ter sido seguramente o melhor disco de punk rock produzido na Finlandia (ou pelo menos é o único que eu conheço, então vai ficar essa informação).

Ótima barulheira pra quem não tem mais paciência com essa tal modernidade caduca de hoje em dia.


Kevin Ayers – Yes We Have No Mananas (1976)

O que dizer de Kevin Ayers?

Na verdade, nem sei muito sobre a vida desse maluco.

Mas conheço alguns discos e nenhum é menos que espetacular.

O cara começou nos anos 60 dividindo os vocais no não menos espetacular Soft Machine, mas ele desistiu do caminho jazz-rock que o grupo seguiria e decidiu por um pop, folk inglês bagunçado, biruta e cheio de possibilidades que permearam seus álbuns.

Eximio guitarrista e ótimo compositor, Yes… carrega toda a aura do pop setentista, ora caindo para o experimental, ora caindo para o descarado sing-a-long.

No fundo tudo é rock de antigamente (antigamente, leia-se anos 70), com muita gente tocando, convidados musicais do mais alto gabarito e canções simples tocadas com alma, loucura e competência.

Imagine um Syd Barrett focado em acertar, é quase isso que o Kevin é.

Estruturas que se perdem e se acham, as musicas tomam direções engraçadas e sofisticadas mas no fim acabam num pop classe A.

Pra sair do marasmo, Kevin Ayers é ótima pedida.


Hector Costita Sexteto – Impacto (1964)

Yes, nós tivemos coisa melhor do que banana.

Tivemos a hard bossa ou o nosso jazz e pra dizer de boca cheia… bom pra cara…

Hector Costita é só um dos inúmeros bandleaders brazucas que quebraram tudo na melhor fase musical do Brazilzão.

Basta vasculhar pelos arquivos, discos e sons pela internet pra chegar em pérolas inacreditáveis do nosso som instrumental.

A lista de artistas e músicos é vasta.

Meu interesse começou a ficar mais sério depois que ouvi este exemplar de jazz made in Brazil, e ai eu descobri que tínhamos uma grandeza que nos foi negada por anos e que sempre foi encoberta pelos bossa-novistas, tropicalistas e neo-tropicalistas.

Já de cara, o primeiro tema é Le Roi, um delicioso jazz que flutua entre circunferências sonoras que instigam ao mesmo tempo que entregam o jogo. O cuidado com o ritmo é notório, por isso que as baquetas estão na mão de Edison Machado (outro gênio) e graças ao seu toque, canções como Tókio e Impacto são o que são.

Esse álbum foi reeditado há alguns anos na fantástica coleção Som Livre Masters e carrega no seu cerne, um dos mais requintados e robustos sons produzidos por aqui.

A sonoridade desse álbum, os arranjos e a dinâmica não ficam nada a dever para similares gravados por Verve, Blue Note ou Prestige.

E viva a Fermata Do Brasil.

Ainda lembro da já decadente loja de instrumentos, localizada na Av. Ipiranga que agonizou e morreu durante os anos 90, bem como sua editora de partituras e obras que mais tarde sucumbiriam aos malditos tempos modernos, que não permitem a lugares mágicos e históricos como essa pequena porta que inundou de música e instrumentos a cidade de S.Paulo e o Brasil continuar contando sua história.

Precisamos realmente cuidar do que veio antes, senão nunca vai sobrar nada pra contar daqui pra frente.


The Stone Roses – The Stone Roses (1989)

Já que o disco de hoje é uma obviedade só e já que a banda voltou a fazer turnês e bem que podia passar por aqui… mas vai ser difícil… hoje a resenha vai ser um festival de bobagens e obviedades bem ao estilo despojado dos Roses.

– O álbum de estréia dos Roses é o melhor álbum de estréia da história do rock (talvez The Sun Sessions, do Elvis Presley seja a outra escolha);

– The Stone Roses é o melhor disco feito na Inglaterra (rivaliza com Unknown Pleasures do Joy Division);

– The Stone Roses é o melhor disco feito em Manchester (rivaliza com Unknown Pleasures do Joy Division);

– The Stone Roses é o melhor disco de rock inglês;

– The Stone Roses é um disco que não se parece com nada que veio antes e com nada que veio depois, pensando que estávamos em 1989 isso é Reinventar a roda;

– The Stone Roses tem a melhor faixa de abertura de disco e de quebra, a melhor faixas 2 e faixas 3 também;

– Um disco que tem: She Bangs The Drums, Bye Bye Badman, Sugar Spun Sister e termina com This Is The One vai sempre estar acima do resto dos demais mortais;

– O Stone Roses tem o melhor guitarrista inglês dos últimos 40 anos (ok, Pete Townshend empata);

– O Stone Roses é a melhor banda inglesa da história, ou é a minha banda inglesa favorita (ok, o Small Faces é melhor e também é minha banda inglesa favorita);

– O Stone Roses tem o vocalista mais idiota da história (sem competição);

– O Stone Roses foi a banda que mais se sabotou na história;

– O Stone Roses fez a maior cagada da história, por isso ela só virou uma puta banda cult e não uma banda que deveria ter enchido todos os estádios que os babacas do Oásis, Blur e Coldplay.. urghh encheram nas décadas seguintes;

– O Stone Roses foi a melhor banda de Manchester, a São Bernardo do Campo inglesa (e olha que a cidade teve Joy Division, The Fall e Smiths);

Eu amo Stone Roses, qualquer sujeito minimamente informado deveria amar também.

E fim.


The Boys – Alternative Chartbusters (1978)

Cada revirada no baú da New Wave e do punk pop dos anos 70 pros 80 e não canso de descobrir maravilhas em cima de maravilhas.

A descoberta da vez foi a banda The Boys, que poderia ter sido muito maior do que foi, pois o som dos caras era impecável, comercial, pra cima sem ser bobo e muito, muito divertido.

Punk pop até o osso, alto, rápido, exatamente para os fãs de Ramones, Buzzcocks, Stiff Little Fingers e demais. Não fica nada a dever pra eles.

Altenative é o segundo e expetacular álbum dos caras e que poderia ter acontecido bonito… mas não rolou… eu não sei porque…

O álbum abre com Brickfield Nights, musica ideal para escutar enquanto você troca de roupa para a balada rock and roll.  T.C.P. hoje é a minha favorita do álbum, chega a quase ser dramática dentro do que uma banda punk consegue ser.

E o que dizer de Backstage Pass, U.S.I. e Not Ready?

Alias, não tem uma musica ruim nesse disco!

É um balsamo para os ouvidos sedentos por um bom rock rápido.

Inexplicaveis apagões que dão nas cabeças do mundo e que jogam pro limbo artistas como The Boys e um zilhao de outros…

Ainda bem que existe youtube, internet e vinil… vai atrás.


The Blue Nile – Hats (1989)

Tecnopop e synthpop sempre vão bem com um tempo gelado, cinza e boring, acompanha bem um conhaquinho e um edredon.

Na Escocia, o tempo é assim o tempo todo.

Por isso que de lá saíram tantas bandas soturnas e atmosféricas.

Depois que a trilha do filme “Drive”, genial e maravilhosa, comoveu corações e mentes, o tecnopop dos anos 80 voltou com tudo pro mapa da música e artistas novos copiam estilo, jeito, som e timbres que estavam lá nos anos 80 e nos últimos revivals alguém esqueceu deles.

O Blue Nile é uma banda de um homem só: Paul Buchanan e teve uma vida útil bem expassada, lançando discos de vez em quando, com intervalos gigantescos e preguiçosos (em mais de 20 anos, só 4 albuns), mas cada um deles é especial e bonito.

Meu favorito é esse de 89, que ele levou quatro anos pra fazer e fez bem feito. Romantic pop composto 100% a base de sintetizadores, baterias eletrônicas, teclados, synth bases e climas bonitos de cabaré em fim de noite, completamente e devotamente influenciado por Roxy Music e Brian Ferry.

Lindo de morrer, Hats é leve, rico, atmosférico e cheio de climas que só um maníaco perfeccionista poderia ter concebido.

Dá pra perceber que teve muito trampo pra chegar no resultado final.

O que prova que inspiração sem paciência e edição é só inspiração desperdiçada.

O labor na música é importante e Hats é um ótimo exemplo disso.


The Left Banke – Walk Away Renée / Pretty Ballerina (1967)

Quando alguém se refere a rock clássico com influencias sinfônicas, o disco mais lembrado de todos é Pet Sounds (1966), dos Beach Boys e sua riqueza infindável de temas e soluções sonoras e quando nos lembramos do que aconteceu em 1967, o disco mais citado sempre foi e sempre será Sgt Peppers, dos Beatles e sua pomposidade psicodélica, circense conceitual.

E como fica o Left Banke nessa história?

Nova York em 67 só entrava para o mapa da música por causa do Velvet Underground e sua transgressão subterrânea, cujos efeitos seriam notados nas décadas seguintes.

Por volta dessa época, o Silver Apples começava a dar seus primeiros passos dentro da música eletrônica, cercado de geringonças saídas de laboratórios espaciais e moldava o futuro da música.

E o Left Banke?

Agora chegamos neles.

O Left Banke com esse álbum de estreia, dentro da revolução psicodélica dos anos 60, inventou o rock “barroco”.

Que diabo é isso? Bach? Buxtehude? Cordas? Nada disso.

O barroco veio justamente da onda de artistas nadarem completamente contra a corrente que vigorava no auge da psicodelia. Quando todo mundo buscava o contemporâneo a qualquer preço, alguns grupos navegavam por outras marés, não menos intensas, mas fora do contexto da época. E tudo bem!

Rico, elaborado e melodioso é quase impossível associar o grupo a Nova York. Ouvindo o LB, temos a impressão de escutarmos uma banda inglesa genuína, daquelas que surgiram no interior da ilha.

Mais econômico que seus contemporâneos psicodélicos, o LB investia em melodias poderosas, postura dândi, baladas lindas e acabaram cometendo um belíssimo álbum de estreia que é queridíssimo entre os entendidos de música.

Ao lado de Forever Changes, clássico do Love, Walk Away foi o grande disco de rock barroco da história.

Escuta ai…


Afghan Whigs – Congregation (1992)

Voltamos ao “grunge”.

Se o tédio é um tremendo combustível para a criatividade, o Afghan se abasteceu um bocado, afinal Cincinnati em Ohio deve ser um lugar tão desinteressante quanto uma São José do Rio Preto ou Uberaba e ouvir música, usar drogas e ter uma banda eram necessários para alguém minimamente sensível sobreviver a um buraco desses.

O ambiente foi fundamental para a confecção do som dos Whigs, pois eles sempre quiseram ser uma banda de soul e até conseguiram chegar lá nos seus dois últimos discos “Black Love” de 1996 e especialmente “1965” de 1998, mas branquelos que são, tiveram que compensar a falta de melanina por muita força de vontade, barulho, estudo e originalidade e acabaram virando a primeira e única banda de “Soul-Grunge” da história…

Dificil encontrar um grupo com uma discografia tão contundente quanto a deles.

Não tem papelão e nenhum disco que seja meia boca.

Tudo é intenso, pensado, executado com esmero e poderoso.

O universo do vocalista e líder Greg Dulli sempre foi muito adulto, por isso a molecada na época deixou o grupo meio de canto, porque afinal de contas, moleque é tudo retardado e incapaz de enxergar um mês pra frente.

Esse álbum possui um chaveamento de guitarras impecáveis com profusões generosas de baterias compassadas em volume insano, regado a vocais marcantes, com Dulli dando tudo, variando entre o sussurro libidinoso aos berros desesperados, letras barra-pesada , honestas e diretas demais para a média do que se fazia na época.

Congregation é repleto de baladas pesadas como Congregation e Dedicate It, dois dos melhores exemplos da estrutura dos Whigs e o que dizer de Conjure Me e a faixa escondida Milez is Ded? Dois clássicos do novecento grunge, ainda hoje causam arrepios.

Um dos grandes álbuns dos anos 90. Rock com alma para uma vida inteira.


Leo Jaime – Sessão da Tarde (1985)

O maior gênio do pop brasileiro dos anos 80 não foi Renato Russo, muito menos Cazuza e tão pouco Herbert Vianna.

Julio Barroso infelizmente não viveu tempo suficiente pra concorrer.

O cara foi Léo Jaime e ponto.

A prova é esse disco.

Droga, por que demoramos tanto pra perceber isso?

A ironia esteve lá o tempo inteiro, cercado de cultura, inteligência, bom humor, cara de pau…

Vai ver era porque ele é carioca né? E nós paulistas não pegamos muito bem com os caras de lá, certo?

Maybe thats why…

Mas, caraca… Sessão Da Tarde é perfeito…

Abre com O Pobre — só alguém muito sagaz pra escrever uma letra dessa… e na sequencia vem A Fórmula do Amor (sagacidade elevado ao cubo), A Vida Não Presta (precisa comentar?), As Sete Vampiras… que sequencia!

No mínimo matadora, no mesmo nível talvez só Ultraje e olha lá!

E ainda tem a versão em português mais sensacional dentre todas as versões que nós cafajestemente cometemos em em mais de 50 anos de pop brasileiro: Solange (So Lonely), aquela música do Police.

Infelizmente caiu na vala comum que todo artista da New Wave brazuca cai e só lhe restou as Festas Ploc para desfilar seu repertório fino, ensolarado e sagaz.

Muito pouco para esse gênio…


Moody Blues – Every Good Boy Deserves Favour (1971)

Ai ai… mais um disco de progressivo nesse blog… to começando a ficar preocupado com a minha sanidade…

Já tem mais prog do que eu previa, but… what a fuck… esse disco é foda, adoro o Moody Blues e especialmente esse disco… sem jeito.

Enfim: progressivo britânico com ares madrigais do interior, fantasioso, bonito e espacial.

O Moody Blues foi uma das bandas mais fodas que a Inglaterra gerou em seu berço musical e honrou o progressivo que surgiu de bandas expetaculaures como Soft Machine, Pink Floyd, Jethro Tull, Hawkwind, King Crimson, Atomic Rooster, The Move, e outras zilhões de bandas que nasceram na psicodelia, ingeriram drogas, jazz, dadaísmo, idealismo e invadiu os anos 70 cheios de ideias…pelo menos umas Douze…

Cada uma a seu jeito fez a alegria dos fãs de rock.

Cheio de nuances, o Moody nos faz lembrar que a Inglaterra é Vitoriana, Elizabeteana e Eltonjohniana.

Mas os fãs de classic rock que se prezem tem um lugarzinho reservado para bandas como o Moody Blues, procure ai dentro que você pode achar coisas do mesmo naipe.