Pavement – Wowee Zowee (1995)
Publicado; 07/05/2012 Arquivado em: Discos, Música, records Deixe um comentário
Não acredite em Stephen Malkmus.
Stephen Malkmus não é e nunca foi um rock star confiável.
Debochado demais para ser sincero, sério demais para ser maluco, tudo no Pavement foi pensado e orquestrado em cima de regras e conceitos claros, eles nunca deram um passo pro lado sem saber se ia virar ou não.
Malkmus dever ser um dos 5 músicos mais inteligentes que surgiram no século XX, legitimo nerd musical e cobra criada que ouviu milhões de discos antes de começar a fazer os próprios e Wowee Zowee foi a prova dos 9.
Moldado dentro dos conformes indies básicos que viraram padrão dentro dos anos 90 (padrão esse que foi criado também pelo Pavement), Wowee é um petardo torto, barulhento, quebrado e paradigmático que pra muitos, é seu melhor momento.
Menos pop que Crooked Rain, Crooked Rain (1994), álbum que daria grande exposição ao grupo e no meio do caminho do experimental e genial Slanted and Enchanted (1992), este clássico absoluto também, Wowee sofreu de um grande mal: não tinha nenhum hit, por que se tivesse, a banda não seria lembrada só por fãs, especialistas em anos 90 e iniciados.
O Pavement seria banda lembrada tanto quanto um Smashing Pumpkins ou Nirvana e teria muito mais admiradores normais espalhados pelo mundo.
Como eu disse lá no começo, eram debochados demais para dar o passo adiante e encarar o precipício que os separaria dos demais mortais, passaria as escadas de Asgar e atingiriam um tipo de topo onde poucos chegam.
Tecnicamente impecável, o som caminha pelos experimentos provocados por Captain Beefheart, Faust e Zappa (todo o layout da capa lembra muito as bagunças que FZ cometia nos anos 70), mas todos traduzidos brilhantemente para a década barulhenta, individualista e estranha que foi.
Algumas das melhores musicas que o grupo fez estão aqui: Black Out tem um dos melhores e mais bonitos timbres de guitarras produzidos pela banda, Serpentine Pad é uma pedrada a la Sonic Youth, curta e poderosa. E Best Friend’s Arm? Não é simplesmente o máximo? Corre, breca, corre, breca.. qual é a deles?
Tem umas fáceis também: AT & T é perfeita balada pop esquisita onde a banda se deixa levar por um caminho mais fácil que dificilmente eles optaram em seguir.
Enfim, um disco duca e essa edição remasterizada de 2006 ainda traz um segundo cd de sobras de estúdio, mais lados B lançados somente em singles e música pra cacete (50 no total).
Vale cada centavo suado.
O Pavement é uma das bandas da minha vida e pronto.
George Gershwin – The Piano Rolls, Vol.2 (1995)
Publicado; 06/05/2012 Arquivado em: Música Deixe um comentário
Antes de virar o maior compositor norte-americano da primeira metade do século XX (polêmica!), Gershwin, como todo filho de imigrante morando em Nova York, com poucos recursos, muita energia, sem medo do labor e numa fase importante de transição mundial (1900 a 1925), acabou encontrando na então ascendente indústria musical que nascia sua porta de entrada para ganhar dinheiro e ascender como músico.
O piano deixava de ser o instrumento de status social da era vitoriana destinado a mocinhas e recatadas donas de casa, para virar um dos principais suportes para a indústria da música que começava a nascer junto com o novo século e se tornar a mais rentável e importante fonte de entretetimento do inicio do século XX (antes do surgimento do Cinema e do Disco).
A procura por pianistas e compositores de canções populares que pudessem ser tocadas por qualquer um e que agradassem a grande massa de novos ouvintes que queriam diversão para compensar a dureza do dia-a-dia.
Assim o piano foi o instrumento mais popular nesse período.
The Piano Rolls é uma série de gravações digitalmente recuperadas dos primeiros rolos gravados pelo então muito jovem pianista e futuro compositor George Gershwin tocando temas populares do final da década de 1910 e inicio dos anos 20, desfilando uma deliciosa seleção de ragtimes, charlestones e canções que marcariam o nascimento do jazz como conheceríamos anos depois.
Um período de classe sem duvida, e o som que nos chega hoje, graças a esse rico trabalho de recuperação digital desses documentos sonoros revelam o espirito empreendedor e poderoso que nascia na necessidade vital de criar sonhos e alívios que os EUA fariam ao longo do século e na figura de Gershwin em particular, o homem se tornaria importante tradutor dessa potência cultural que todos nós conheceríamos, invejaríamos e admiraríamos nas décadas seguintes.
Vindo do povo e para o povo, Gershwin começava nessas despretensiosas canções a cravar sua marca na cultura popular americana e por conseguinte, mundial.
Delicie-se.
Beastie Boys – Check Your Head (1992)
Publicado; 05/05/2012 Arquivado em: Música Deixe um comentário
Quebro a sequencia do pianinho por uma razão justa, justíssima!
Adam “MCA” Yauch deixou o mundo nessa sexta-feira, dia 04 e se você não conhece o figura, pelamordedeus… vai filho, usa essa internet e vai atrás!
O Beastie Boys é uma das minhas bandas favoritas all-time pelo simples motivo deles serem uma banda no melhor sentido da palavra: leais um ao outro, unidos, sinérgicos, que só foram o que foram porque eram uma força musical de 3 cabeças sintonizadas que cresceram se apoiando e apoiando outros artistas e principalmente, fazendo discos do caralho.
Difícil escolher um para comentar, pois todos os discos deles são bons.
Em 25 anos de carreira, eles foram os pioneiros do hip-hop moderno e os primeiros a flertar não só com o rock, mas com jazz, samba, música africana, sons eletrônicos, rumba, country, hardcore e tudo o mais que passasse pelos toca-discos dos caras.
A absoluta ausência de preconceitos dos caras, somado a talento e instintos musicais apurados, fizeram com que os bestiais suplantassem o gênero e fizessem história.
Check Your Head foi meu primeiro contato com o som deles e levei um tempo para entender o que tudo aquilo significava, afinal, estávamos em 1992 e tinha muita coisa acontecendo e muita coisa para assimilar: grunge no seu Top, Ministry, indie rock barulhento cheio de guitarras por todos os lados, Helmet e por ai vai.
Ai vem os Beastie Boys com esse caldeirão sonoro rico, impregnado de samplers maneros, rap com eletrônico, hardcore, levadas sonoras viajantes e zoa tudo (no bom sentido)…
Esse álbum é pouco citado, mas foi em Check Your Head que os Beastie Boys consolidaram sua carreira, ganharam a moral que precisavam depois do genial, mas mal aceito Paul’s Boutique (1989), álbum muito “avançado” para a época, que vendeu mal e só ganhou a alcunha de obra-prima anos depois, desta forma, Check Your Head ajudou a garantir longevidade ao trio e garantiu também a possibilidade de álbuns monstruosos como Ill Communication (1994) e Hello Nasty (1998) que vieram na sequencia e são irretocáveis também.
O repertório do disco é de tirar o folego: Jimmy James, Gratitude (um baita groove pesadão onde os 3 BB mostram que são músicos fudidos), Finger Lickin Good e So Whatcha Want estão entre as melhores do grupo. Time For Livin é hardcore skatista como poucos e lá pro final o grupo reserva suas experiências relaxadas e deliciosas como In 3’s e Groove Holmes.
Ainda por cima, o álbum foi a porta de entrada para o tecladista Money Mark mostrar seu talento, bem como o produtor brazuca radicado nos EUA Mario Caldato Jr.
Em 1995, os caras passaram por Sampa e fizeram um dos melhores shows que meus olhos e ouvidos já viram e ouviram em toda a existência dessa pessoinha e guardo no fundo da memória e do coração com carinho e saudade esse baita momento.
Poucas vezes me lembro de ter saído de um show com a alma tão lavada quanto nesse dia.
Citando a faixa que fecha esse album: Namasté MCA!
Jean Jacques Perrey – Moog Indigo (1970)
Publicado; 04/05/2012 Arquivado em: Música 2 Comentários
“Efeitos avançados de eletrônica criados pelo fabuloso SINTETIZADOR MOOG”.
Esse é o trecho que encerra o texto de apresentacão que ilustra a contra capa desse vinil editado originalmente no brazilzão pelo selo Discos Copacabana por volta dos anos 70 (como todo bom vinil nacional da época, não há nenhuma referencia de quando saiu por aqui).
Moog Indigo é obra do músico/cientista/moderno/biruta portador de uma cabeça genial, com parafusos soltinhos e sem nenhum medo do perigo: Jean Jacques Perrey.
Nos anos 60, fez dupla com Gershon Kingsley (outro alucinado) e juntos foram percursores do lounge eletrônico, dos primeiros experimentos com osciladores, sintetizadores e moogs e deram os primeiros passos para tornar a música eletrônica mais palatável ao gosto popular e tirar o ranço “acadêmico” que o tal gênero “eletroacusitco” estava confinado em salas de concerto vanguardistas e na mão de maletas dodecafônicos minimalistas absolutamente boring.
Eles queriam aproximar esse experimentos eletrônicos da musica popular.
E conseguiram… de um jeito meio torto mas conseguiram.
Dá para achar no youtube uma série de vídeos dos músicos se apresentando em programas de TV, cercados de suas engenhocas e olhados pelos convidados dos programas, pela plateia e pelo apresentador como se fossem aliens vindo de Marte.
Mas voltando ao disco de hoje…
Moog Indigo é todo construído ao som do sintetizador moog e muitos dos temas desse álbum aparecem ou apareceram em vinhetas de comerciais de TV, de abertura de programas de TV ou como fundo musical em quadros de humor.
Talvez o tema mais famoso seja “The Elephant Never Forgets”, que ficou famosíssimo por ser a vinheta do seriado Chaves (na versão original do seriado, El Chavo Del Ocho).
Ensolarado, experimental, mas extremamente pop, esse álbum garantiu sua longevidade e influencia e deixou de ser simplesmente uma peraltice musical que ficaria datada quando nova moda tomasse o globo.
Jean é competente compositor, com altíssimo senso de tempo e escolha inteligente de timbres que tiram o foco do experimento sonoro e joga luz para o que realmente interessa que é a música e não somente o meio utilizado.
Temas como “E.V.A” e “Soul City” caberiam em qualquer disco do Air fácil e seriam as melhores faixas em qualquer disco do Metronomy ou do Toro Y Moi.
Depois dele, ficaria difícil não se apaixonar pelas possibilidades abertas pelos seus moogs e toda uma revolução foi construída ao longo das décadas seguintes.
Nina Simone – Live At Montreux 1976 (2011)
Publicado; 03/05/2012 Arquivado em: Discos, Música, records 2 Comentários
Até o fim dessa semana só vou selecionar discos com a temática ligada ao instrumento dos instrumentos: O Piano.
É a minha homenagem aos grandes pianistas, cantores e compositores que voltaram a dar as caras com discos aguardados, inesperados ou simplesmente pintaram para dizer um oi.
Fiona Apple abandonou sua precoce aposentadoria e lança play novo em alguns meses. Regina Spektor volta a ativa com ótima música (quem sabe agora eu presto atenção nela) e Dr. John (é ele, o próprio) ressurge das catacumbas de New Orleans acompanhado dos Black Keys.
Por enquanto nenhum deles entra nessa lista, assim, começo a série com essa apresentação arrasadora da diva do soul, do blues e do jazz Nina Simone.
Em 1976, ela chegava aos 43 e estava mais incrível do que nunca, cantando com sua voz grave, de timbre estranho e poderosa.
Um show intimista, incomum e num ritmo impossível de ser repetido.
Livre de qualquer amarra estética, Nina dá um banho de interpretação ao piano e no palco ela é uma entertainer como poucas. Joga conversa fiada, conta histórias, se confessa, canta, toca, dá ordem na platéia e faz seu show, em que rigorosamente tudo pode acontecer.
Imprevisível e instável, Nina era um fio desencapado e sua música flutua por essa instabilidade emocional que gerou algumas das interpretações mais passionais da música pop de todos os tempos.
Em 1976 ela já era uma veterana, mas se vale de sua vasta experiência nos palcos, somente para dar conta de fazer o simples, o belo e balanço irresistíveis.
Repertório incrível, show foda, cantora que não se faz mais e performer original.
This lady is not a tramp!
Burning Spear – Marcus Garvey/ Garvey’s Ghost (1975/76)
Publicado; 02/05/2012 Arquivado em: Música Deixe um comentário
Nunca fui um grande fã de reggae.
Na verdade ainda estou longe de ser um grande ativista do ritmo.
Não sou maconheiro, nem surfista, nem fã da mamãe natureza e não frequento muito a praia, logo fica difícil me aprofundar na coisa.
Assim prefiro só a parte musical.
Comecei a escutar reggae e dub há uns 4 ou 5 anos.
Antes tarde do que nunca. Cada disco bom que descobri nessa jornada!
Cada nova descoberta é comemorada como cada nova peça de música clássica que descubro e me apaixono.
Bizarro hã?
Whatever, os caminhos que nos levam são estranhos e tortuosos.
Marcus Garvey foi um dos primeiros ativistas negros a lutar por direitos raciais igualitários nos Eua.
Jamaicano de nascimento, o homem ganhou uma bela homenagem nesse discasso clássico do reggae, e um dos mais emblemáticos álbuns produzidos na ilha.
Um time espetacular de músicos se juntaram a Winston Rodney, vulgo Burning Spear, e quando o ritmo jamaicano ganhava o mundo com Bob Marley, Peter Tosh, Jimmy Cliff entre outros, Burning Spear também ganhou seu espaço merecido dentro da realeza reggaeira, com seu discurso afiado e som mais afiado ainda.
O álbum fez enorme sucesso na Jamaica e hoje é reconhecido como um dos mais importantes álbuns da historia do reggae. Pedrada das boas.
Carrega no seu som, os melhores elementos possíveis. Linhas de baixo precisas e gordonas, bateria sincopada e de timbragem inimitável, o tecladinho e órgãos básicos para fazer aquela caminha deliciosa que todo reggae decente tem, linhas de metais que entram estrategicamente pontuando o calor da torcida e anunciando a benção divina ao som gerado, além, claro das letras politicas e canções poderosas pronunciadas pelo porta-voz Burning Spear.
Marcus Garvey é uma ótima porta de entrada para quem não conhece nada de reggae e quer se aventurar nas delicias tropicais da ilha.
Salve jah!
Can – Ege Bamyasi (1972)
Publicado; 01/05/2012 Arquivado em: Música Deixe um comentário
Eu descobri o Can pelo caminho errado.
Em 1994, o primeiro disco que ouvi dos caras foi o fraco Landed (1975), álbum de entressafra do grupo, muito mais puxado para os arroubos guitarristicos dentro de uma concepção de rock progressivo que abomino com todas as forças.
Depois de quase uma década, redescobri o Can do jeito certo. Ouvindo a sequencia monstruosa que eles construíram entre 1971 e 1973, mais precisamente os álbuns: Tago Mago, Ege Bamyasi e Future Days.
E como se diz a boca pequena: ai sim!!!
Tudo fez sentido.
O rock alemão, ou “krautrock” começou a fazer algum sentido.
O Can era uma banda estudada, de gente sabida que ouvia coisas difíceis e queria fazer um rock “first class” e que por um breve período de tempo, certamente foi responsável pelos mais sofisticados, modernos e avançados sons dos anos 70.
E olha que a década foi bem foda.
Tudo acontecia ao mesmo tempo, mas o Can permaneceu sob uma áurea intocável e inquebrantável dentro da avant-guarde.
Pra falar a verdade, quase todos grupos dessa época do rock alemão mantiveram a moral alta e gigantesca reputação perante as gerações que os sucederam e procuraram se espelhar em seus experimentos para criar novas possibilidades dentro da música pop.
Se a trinca: Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath é a mais lembrada da década de 70, desculpe jogar água no chope de vocês, mas pra mim: Can, Neu e Faust são infinitamente mais importantes e mais influentes para os bons sons futuros do que a trinca mofada do hard rock e metal ingleses.
Não troco o lado A do Faust IV por nada que o Deep Purple tenha feito (pra falar a verdade o único álbum que me interessa do Purple é o incompreendido Come Taste The Band).
Ege Bamyasi é pesado, direto, experimental e carrega no seu gene a inquietação necessária da urgência sonora, somada ao altíssimo grau de erudição de seus integrantes em incorporar ruídos, dodecafonia e bizarrices sonoras promovidas por músicos eruditos contemporâneos como Stockhausen e Steve Reich.
Menos viajante que Tago Mago, o Can fez canções mais curtas para esse trabalho, alternando com duas longas viagens ao reino da insanidade sonora em Pinch que abre o disco e principalmente em Soup e seus mais de 10 minutos de bagunça devidamente orquestrada.
Mas o fino do álbum e que faz dele inesquecível estão em 3 gloriosas canções: a deliciosa e funkeada Im So Green e principalmente nos dois “hits” do álbum: Vitamin C, atualíssima, parece ter sido gravada anteontem com sua bateria frenética, vocal gritado e que poderia frequentar qualquer lista de canções avançadas mais importantes da historia do rock e Spoon, canção construída sob uma única nota, com progressões de instrumentos que vão se alternando e transformando-a num dos clássicos dos anos 70.
Ege instigou como poucos, uma nova geração de artistas que o escutaram com atenção e que promoveram sua perpetuação sob diferentes formas e variações: pra citar alguns influenciados: Wire, Pil, Pere Ubu, The Fall, Tortoise, Trans Am, Flaming Lips até chegar em Animal Collective e Tv On The Radio devem muito ao Can.
Influente e poderoso, viva o trabalhador da musica alemã.
The Only Ones – Special View (1978)
Publicado; 30/04/2012 Arquivado em: Discos, Música, records Deixe um comentário
Banda excelente, disco sensacional.
A banda não teve quase nenhum sucesso fora da Inglaterra e o disco é tão obscuro que nem o Allmusic.com o reconhece.
E olha que o Allmusic é a melhor fonte de informação para quem acompanha música, discos e artistas.
Beleza, eu também não conheço quase nada sobre eles. Estamos quites.
Tenho esse disco há mais de 10 anos, veio diretamente de SanFran e ainda gosto muito!
O Only Ones é punk pop de primeiríssima e surgiu na esteira de aproximadamente outras 550 bandas tão bacanas quanto.
E o que eles tinham de melhor ou especial?
Nada.
Na verdade, eles tem um trunfo.
E apresentam logo de cara no disco.
Another Girl, Another Planet, a faixa que abre esse álbum é uma das mais espetaculares e sensacionais canções rock feitas nos últimos 40 anos. Exemplo máximo de new wave, punk pop que agrada a todo mundo que gosta de rock rápido, divertido, leve e descompromissado como Another Girl é.
John Peel era fã dessa música.
Eu amo essa música.
Se você não conhece, abaixo tem o link do som.
O resto do disco é bacana, tem um reggaezinho vagabundo aqui, tem uns roquizinhos legais ali, mas nada se compara a primeira faixa. Eles nunca fariam nada melhor que isso e nem precisam.
Na era da new wave, a concorrência era pesada. Quase todas as bandas fizeram pelo menos uma música espetacular.
Viva a New Wave!
Partido em 5 – Raizes do Samba (1975/76/2010)
Publicado; 29/04/2012 Arquivado em: Discos, Música, records Deixe um comentário
A série Raizes do Samba ajuda a resgatar em som decente algumas das principais pérolas do samba brasileiro dos anos 50, 60, 70 e 80 que criminosamente ficaram aleijados da atenção e do acesso do grande público por anos.
O Partido em 5 é um desses exemplos resgatados pela série.
Fez grande sucesso em 1975, conseguiu manter o pique no ano seguinte e acabou debandando, por que a vida é dinâmica, as coisas acontecem e é por ai.
Ainda bem que restaram as gravações.
O Partido em 5 era composto por: Candeia, Velha, Casquinha, Anezio, Wilson Moreira e Helio Nascimento. Partideiros de primeira, esse combo foi o Crosby, Stills, Nash e Young dos subúrbios e morros cariocas.
Seis cronistas precisos da vida nos morros cariocas, suas tretas, alegrias, angustias e delicias da vida dura, simples e dos causos repletos de sabedorias populares e bom humor.
De improviso ou quase de improviso, o partido alto e o pagode praticado pela rapaziada era fino, cru, sem tratamento estético de limpeza de arestas e imperfeições, cantado com coração, rouquidão e regado a birita, cigarro e arroz com couve como todo bom partido alto precisa.
Letras bem humoradas cuja matéria-prima estava ali nas ruas, nos becos, nas ladeiras, debaixo das janelas dos barracos, na mesa das biroscas e botecos que abordavam os mais triviais e corriqueiros temas: brigas, vida conjugal alheia, o vacilão, o caguete, as traições, o bêbado, as rodas de samba que varavam a madrugada e tudo isso.
Samba de verdade é assim, o resto é perfumaria.
Bill Evans – On Green Dolphin Street (1959/1975)
Publicado; 28/04/2012 Arquivado em: Discos, Música, records Deixe um comentário
Bill Evans é gente que fez.
No final dos 50, ele começava sua carreira solo como líder, mas naquela época ele fazia parte também do inacreditável time que acompanhava Miles Davis e que acompanhou o monstro em Kind Of Blue (1959), tido como o maior álbum de jazz da história.
Bill sempre foi irrequieto e classudo.
Seu piano e seu toque suave, rápido e decidido virou um novo paradigma do jazz pós-bebop e não é para menos, o homem ajudou a inventar o jazz moderno que seria seguido por outros monstros como Keith Jarrett, Chick Corea e Herbie Hancock entre outros.
Essa obra-prima ficou engavetada por mais de 15 anos, até que com muita insistência de Orrin Keepnews (homem do jazz e da indústria do jazz), convenceu Bill, a lançar essas sessões em álbum, mesmo que ele achasse imperfeições nas gravações, Bill que nessa época estava afundado na cocaína e seguia uma errática carreira entre manter seu piano jazz e abraçar a modernidade do jazz fusion que dominava a cena, acabou concordando com o lançamento.
On Green Dolphin Street é suave, poderoso e contava com Paul Chambers no baixo e Philly Joe Jones na bateria. Um trio que fazia miséria!
Como naquela época, tempo era dinheiro e tempo de estúdio era muito mais dinheiro, as sessões ocorreram em 19 de janeiro de 1959, entre um show e outro e entre outras diversas sessões que esses senhores frequentavam para conseguir juntar dinheiro suficiente para cobrir as contas do aluguel, das biritas e dos agiotas.
Nada de glamour. Todo mundo tocava por amor a música, mas amor ao tutu também.
Deixando o grupo de Miles, Bill seguiu uma espetacular carreira solo ao longo dos anos 60, mas seu vicio em heroína e cocaína, além de seu temperamento fechado, tímido e arredio o tornaram um artista pouco popular, mesmo sendo respeitadíssimo dentro do meio musical.
Com esse lançamento em 1975, Bill foi realmente alçado a condição de um dos grandes gênios do piano jazz e mostrou um belo contraponto a musical tonal que dominaria aquele mágico ano de 1959 (ano de Kind Of Blue, mas também de Shape of Jazz To Come de Ornette Coleman, outra revolução sonora daquele ano).
Bill morreria 5 anos apos o lançamento de On Green…
Jazz para um sábado a noite. Pegue seu whisky e boa viagem!