Traffic – John Barleycorn Must Die (1970)
Publicado; 16/07/2012 Arquivado em: Discos, Música, records | Tags: blind faith, spencer davis group, steve winwood Deixe um comentário
Pensa numa banda muito profissa e muito focada!
Esse era o Traffic!
Na real, um grupo de músicos muito caxias que faziam de tudo, tocavam tudo muito bem, que faziam tudo nos conformes e construiram uma baita carreira daquelas de dar orgulho…
No combo do Traffic, tinha folk, r&b, progressivo, psicodelia, jazze uma proposta sonora bastante sólida para músicos tão jovens.
John Barleycorn é um disco que serve para mostrar como Steve Winwood foi um dos mais fodasticos band leaders da história do rock inglês, se pá, mundial, afinal o cara esteve a frente do Spencer Davis Group e tocava no Blind Faith, junto a Eric Clapton.
Como diz aquele ex-gordo da TV, “o loco meu, só fera!”.
Agora pensa num disco sem defeito…
Não precisa pensar mais, basta escutar John Barleycorn Must Die e se deparar com uma aula de arranjo, de execução, de gravação e de tudo de ótimo que um disco de rock que transcende gêneros precisa ter.
Que baixo, que condução de bateria…
E olha que não tem nenhuma grande canção, mas tem músicas espetaculares.
Impossível não gostar…
Baita disco!
Joe Jackson – At The Bbc (2008)
Publicado; 15/07/2012 Arquivado em: Discos, Música, records | Tags: john peel Deixe um comentário
Adoro um pop careta de vez em quando.
Eita gênero malfadado a ser incompreendido.
Joe Jackson é uma figura rara e tremendo fazedor de canções.
O cara tava sempre por ai, fazendo seu soft rock e pop “de elevador” (definição muito da preguiçosa) de maneira muito competente ao longo de mais de 30 anos.
No meio dos anos 70, como quase todo mundo, fez new wave e um tiquinho assim de punk, mas o termo power pop é mais a cara desse sujeito feio, magrelo e que parece já ter nascido careca e com cara de velho.
Inglês com cara de inglês… manjou?
Em 2008, saiu essa compilação dupla com as passagens do homem pelas ondas sonoras da BBC inglesa, dentre outra coisitas estão lá sua ida ao programa do monstro John Peel, além da compilação de 3 shows que Jackson fez em 1980, 1982 e 1983.
Que momento!
Apresentações arrebatadoras, shows de pop branco que muitos se esforcam em fazer mas poucos conseguem. Joe Jackson tem o raro talento de fazer um pop que passa como careta e quadrado, mas com uma cama sonora rica, simples e parruda.
E ainda por cima o homem fez duas das minhas musicas pop favoritas all-time: I’m The Man, pérola pub/new wave/power pop com uma das linhas de baixo mais furiosas do pop e Steppin Out, clássico absoluto das rádios de soft rock oitentistas, que me enche de alegria em cada nova audição e traz um conforto saudosista que só uma canção pop velha perfeita como essa foi capaz de radiografar naquele inicio brabo de anos 80.
Desemprego, crise, Guerra das Malvinas, governo Thatcher… get the picture?
Joe Jackson émMais um dos grandes que ficaram pra tras, mas que você pode resgatar do ostracismo injusto e se deliciar com essa pepita que só a BBC fez para mim, para tú e para vós.
Man Or Astroman? – Experiment Zero (1996)
Publicado; 14/07/2012 Arquivado em: Discos, Música, records | Tags: experiment zero, galaxy trio, man or astroman, phantom surfers, television man Deixe um comentário
Que momento!
O que se pode esperar de uma banda que era o cruzamento do Devo com Dick Dale?
Só coisa boa, claro!
O MoA teve uma carreira totalmente lo-profile sem grandes voos, sem capa em revista moderninha, sem fãs “mudernos” lhe deitando elogios, nem mídia “paga-pau” gringa babando ovo pra eles, o que os torna uma excelente banda média querida por quem curte rock alternativo ou “indie” e tem mais de 30 anos.
Uma banda média, porém sensacional.
Fez carreira ativa e produtiva durante a década de 90 e inseriu doidices nérdicas no surf rock garageiro que proliferou nessa década.
De repente, você olhava em volta e tinham umas 15 ou 20 bandas de surf music e todas bem boas: Impala, Galaxy Trio, Mermen, Phantom Surfers, dentre outras.
Mas o Man Or Astroman? teve publico forte no Brasil, o que fez com que eles viessem tocar por essas bandas algumas vezes e tive a felicidade de ve-los ao vivo por duas vezes em locais bastante peculiares.
A primeira vez foi na extinta Broadway (lá na Marquês de São Vicente), casa que normalmente abrigava festa para “cybermanos”, lembra desse termo? E a segunda foi em uma casa de shows em São Bernardo do Campo, num buraco que devia ter sido uma garagem mecânica, mas sensacional para abrigar shows legais de rock.
Bandassa, dois baita shows que guardo na retina e na memoria até hoje.
Por puro saudosismo, trago a tona esse belíssimo e certamente seu melhor disco, com direito a cover espetacular para “Television Man”, clássico dos Talking Heads.
Experiment Zero é o melhor caminho para quem quiser se aventurar nesse mundinho de nerds musicais, que usavam seus conhecimentos para gerar música divertida e alta.
Terráqueo, aproveite!
Milton Nascimento – O Milagre dos Peixes (1973)
Publicado; 12/07/2012 Arquivado em: Discos, Música, records Deixe um comentário
Yes, nós tivemos nosso folk progressivo barroco um dia.
Ou tem outro jeito de definir essa viagem do Milton?
Violão, corda, faixas longas, viagens vocais impregnadas de uma melancolia que só essa turma de Minas Gerais sabia incorporar no som, na voz e nas músicas desse álbum estranho e lindo.
Soturno mas leve, o álbum só tem feras:
Paulo Moura, Wagner Tiso, o grupo Som Imaginário, Naná Vasconcellos e nas letras Fernando Brandt, Ruy Guerra…
Sentiu a ambição da empreitada?
O disco está longe de ser altamente palatável, de fácil aceitação ou pop, O Milagre dos Peixes é um dos discos mais complexos da carreira do grande Milton, que nos últimos tempos tem visto sua obra ser alçada a patamares altos de consideração por parte do público fã de música brasileira ou das novas gerações de artistas e ouvintes que vão se apaixonando pela obra do mestre.
Projeto ambicioso, o álbum tinha a proposta do som quadrofonico (para ser tocado com 4 caixas de som para captar todas as nuances), como nós somos pessoas normais que tem no máximo 2 caixas, ficamos sem toda a experiência sonora proporcionada pelo disco.
Mais uma viagem muito loucas desses mineiros.
O que seria do Brasil sem eles?
The Temptations – Live! (1967)
Publicado; 10/07/2012 Arquivado em: Discos, Música, records | Tags: temptations Deixe um comentário
Disco ao vivo com ponto de exclamação e tudo!
Com um punhado de hits acumulados em seis anos de carreira, o Temptations virou nos anos 60 uma das maiores referencias do soul norte-americano, graças a canções expetaculares e uma afinação difíceis de serem equiparadas.
E olha que a época era aurea!
Com uma energia arrasadora, os Temptations reproduzem o calor e o poderio de um repertorio inacreditável, tocados com uma garra e competência que não existe paralelo.
Dá pra imaginar quão bom deve ter sido esse show por causa do registro, que infelizmente não é dos melhores, mas do fundo dos ruídos e da mixagem esforçada, dá pra extrair sons e momentos arrasadores como My Girl, Yesterday e principalmente nas cacetadas: Get Ready e Ain’t Too Proud to Beg.
Sem duvidas, um dos melhores discos ao vivo da história, ou no mínimo um daqueles show em que a invejinha bate forte…
Comets on Fire – Comets On Fire (2001)
Publicado; 09/07/2012 Arquivado em: Discos, Música, records Deixe um comentário
Tá ai uma ótima banda desse século XXI, aleluia!
Californianos fixados em barulho, trilharam os caminhos deixados por MC5 e Mudhoney, mais um monte de sons garageiros dos anos 80 e 90 além das viagens do Hawkwind e das dedadas de Blue Cheer e até um tiquinho do Atomic Rooster.
As influências são boas, por isso o som é bom também.
O Comets tem feito carreira completamente paralela ao mainstream, por isso que talvez você, sujeito homem antenadinho talvez não tenha ainda ouvido falar deles.
Absurda as possibilidades que esse baterista consegue tirar no som do grupo, que faz dele uma atração a parte.
O nome do figura, guarde ai: Utrillo Kushner, um polvo que não se ouve há muito tempo e que vem destruindo tudo nas baquetas do CoF há quase 10 anos.
Tudo é extremamente alto nesse disco, guitarras, vocais, bateria, os caras não economizaram na octanagem para produzir um dos mais ruidosos álbuns dos anos 2000 e fazer uma das mais barulhentas discografias da história recente do rock.
Em tempos de bundamolice indie, entregue as delicias do capitalismo indie fácil e idiota, é bom ainda saber que bandas como essa circulam por ai distribuindo barulho aos borbotões e cagando para essas atuais regrinhas indie.
Faust – Faust IV (1973)
Publicado; 08/07/2012 Arquivado em: Discos, Música, records | Tags: krautrock, picnic on a frozen river, sad skinhead Deixe um comentário
O “Krautrock” ganhou verbete especial dentro dos corações e mentes de todos os fãs de rock há alguns anos, e tem sido reforçado em cada nova geração de músicos que ousem inventar moda, fazer vanguarda e experimentações.
Uma hora ou outra, todos voltam seus ouvidos para essas maravilhas alemãs.
Neu!, Kraftwerk, Can e Faust são as portas de entrada para esse mundo incrível de possibilidades, que a cada nova audição, sempre se encontra algo muito bom.
O Faust nunca teve ai para a hora do Brasil, da Alemanha e de lugar algum. Faziam música e discos para eles mesmos e quem acompanhasse ótimo, senão também tudo bem.
Menos experimental que seus primeiros discos, Faust IV chega quase a ser convencional em alguns momentos, o que não é nada mal, além de ser muito, muito bom. Foram extremamente influentes para a No-Wave do final da década, para o alternativo que floraria nos anos 80 e para o pós-punk inglês.
As viagens experimentais estão todas lá também e já na abertura do álbum: Krautrock com seus quase 12 minutos e Picnic On a Frozen River são bons exemplos do bom krautrock alemão em seu explendor, mas são nas faixas mais “pop”, quer dizer mais curtas que o Faust surpreendeu e cometeu verdadeiras gemas: The Sad Skinhead é quase um pré-Talking Heads, pré-Devo, sei lá. Clássico.
Clássico também é Jennifer e seu clima sombrio e sinistro.
Resumo, Faust não é para qualquer ouvido, demanda um tempo de apreensão maior, mas vale a pena.
Jam da Silva – Dia Santo (2009)
Publicado; 07/07/2012 Arquivado em: Discos, Música, records Deixe um comentário
Projetos de músicos recifenses aparecem a cada 5 minutos e se deixar, eles fazem projetos de 2 em 2 minutos.
Com tanta gente produzindo, a qualidade acompanha todos eles?
Nem sempre, tenho lá minhas restrições estéticas e não sou um grande fã de boa parte dessa produção, que sempre me soa aos ouvidos como um enorme simulacro de fantasias pseudo-modernistas cujos únicos endereços de aceitação sãs as Vilas Madalenas da Vida, as festinhas “Usp-Studio SP” e o circuito culturete paneleiro de sempre.
Parentesis feito, vamos tratar de um caso de exceção desse cenário.
O percussionista pernambucano Jam Da Silva é profundo conhecedor dos molhos essenciais de um bom groove brasileiro moderno, sem ser “muderno” e seu álbum Dia Santo é prova disso.
Experiente mas sem tantos vícios, fez um álbum de vida longa. Ritmos brasileiros, dub, samba e eletrônico casam bonito nas 11 faixas.
Extremo bom gosto na escolha dos timbres, o disco é ótimo e te pega na primeira ouvida sem dar o popular “papelão” que de vez em sempre passamos quando alguém apresenta um novo artista brasileiro muito “talentoso”, “versátil” e “muderno” e aí você escuta e percebe que a mesma merda de sempre.
Jam é diferente, ainda bem!
O link pro site dele ta ai embaixo e recomendo muito a faixa 08: Dub Das Cavernas.
Donna Summer – Bad Girls (1979)
Publicado; 06/07/2012 Arquivado em: Discos, Música, records | Tags: george morton, giorgio moroder, phil spector Deixe um comentário
Coragem!
Esse é o principal adjetivo para se referir a Donna Summer.
Coragem de se jogar num gênero novo, moderno e altamente arriscado para os padrões em que se operavam a indústria musical na época.
Como assim? Ir pra Europa e se juntar com um produtor italiano de musica eletrônica?
Hoje é óbvio, mas nos anos 70 não.
E Donna caiu de cabeça no gênero que se provaria muito mais forte, duradouro e influente que parecia na época.
Calando críticos e detratores, a parceria Donna Summer e Giorgio Moroder é um dos mais felizes encontros da história da música pop de todos os tempos no quesito “cantora certa com o produtor certo”, ao lado de outras duplas como: Quincy Jones e Michael Jackson (eu disse cantoras?, abre exceção pro Michael); George Morton e Shangri-las, Phil Spector e Ronettes, dentre outras.
O que eles fizeram juntos foi pura dinamite, talvez algumas das melhores músicas para pistas de dança já feitos em todos os tempos e Bad Girls é o melhor trabalho da dupla.
Sólido, pesado, conta com um groove foderoso que interliga todas as músicas, criando uma suite dançante que não dá refresco. E ainda tem metais pra caramba e guitarras ótimas preenchendo todos os sulcos do álbum… perfeito!
O lado A é arrasador: Hot Stuff, Bad Girls, Love Will Always Find You e Walk Away… ufa… que sequencia foderosa e no LP faz todo o sentido do mundo, até porque em 79 não existia Cd, então o conceito foi o de quebrar tudo sem tirar de dentro, virou o lado, mais pancadaria. Acabou o disco 1, vai pro disco 2 e começamos tudo de novo!
Bad Girls é um dos melhores casamentos de funk, disco, emergente new age, R&B e eletrônico que conheço. Conceitual sem ser cabeça, pop sem cretinices, cabe em qualquer discoteca de respeito sem preconceitos.
Donna se foi esse ano, mas sua música vai ficar pra sempre em todas as cantoras negras ou brancas que fizerem pop dançante até o fim dos dias.
