Muscle Of Love – Alice Cooper (1973)

Outra delicia!

Alice Cooper depois de produzir 2 obras-primas na sequencia (Killer e Schools Out), e um baita hit (Billion Dollar Babies), se deu ao luxo de cometer um disco sem hits.

Não é um disco citado pelos fãs, mas eu particularmente gosto muito desse.

Descobri há um tempo atrás que esse play tem outro fã ilustre, o reverendo Fábio Massari, que curte esse disco a beça, tipo a beça mesmo…

Tudo é muito legal nesse play.

Começa pela capa, onde os garotos vestidos de marinheiros e com cara de muito malandros, planejam uma noitada num puteiro, que pela arte da contracapa, mostra que deu meio errado, pois eles estão caídos pelo chão e pelo jeito tomaram uns bons sopapos.

Não deve ter nenhuma metalinguagem nessa capa, deve ser somente mais uma das piadas sombrias que viram arte pelas mão do senhor Cooper.

O som continua um cruzamento inteligente e esperto de hard rock, glam, som de cabaret e american meio oeste rock and roll de arena, com a banda cada vez mais afiada e perfeita.

Diferente de muitos álbuns em que eu amo o Labo B mais do que o Lado A, esse é diferente. Começa a todo o vapor com Working Up a Sweat e Muscle Of Love, boas castanhadas de levantar arena.

Urbano e forte e como em todos os discos dele, o som é quente.

Agora biscoito fino mesmo é Teenage Lament’74, baladinha marota, que poderia passar despercebida senão fosse posse por um detalhes muito bobo que só quem tem um exemplar físico desse disco e se dá ao trabalho de olhar o rodapé da contracapa pra dar um bizu no time de bakcing vocals dessa faixa: Liza Minnelli, Ronnie Spector e as Pointed Sisters…

Ta bom?

Enfim, mais um discasso re-escutado com imenso prazer e um sorriso de orelha a orelha.


School’s Out – Alice Cooper (1972)

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A Mia pira nesse som!

Afinal de contas, é a Tia Alice no seu auge!

Minha nossa, que disco é esse?

Se eu tivesse que afirmar qual foi o disco que me fez cair de quatro pelo som dele, baixar a guarda e admitir que o cara é foda, eu tenho que cravar School’s Out sem pestanejar.

É um disco completo, daquele de botar 5 estrelinha, manja!

Lado A e Lado B, não tem uma música mais ou menos, não tem uma pra botar defeito ou apontar que podia ser melhor, melhor gravada, melhor mixada, nada… nada…

O som desse play é foda!

E olha que eu tenho um belo bode de discos-conceituais, que é o caso desse aqui, mas School’s Out é um disco de rock muito bom, com uma linha condutora pra chamar de conceito, mas que não fica preso só no conceito, se ninguém entendesse uma palavra do que ele cantasse, ou se fosse um álbum feito em mandarim, o disco ainda seria uma beleza.

Mesmo adorando o Lado A, começo sempre pelo Lado B (heresia nível 10, eu sei!), mas é muito muito foda…

Ambicioso, diversificado e corajoso, a virada do play vem com My Stars e Public Animal # 9 (duas castanhadas setentistas com peso e senso de pop muito apurados), termina com a festiva Grande Finale, um instrumental que resume musicalmente o álbum, aplicando uma riqueza até então inédita no som de Cooper, quase uma vinheta cínica e ludibriante.

Mas o melhor vem na faixa 3: Alma Mater é daquelas composições de me fazer morder os nós dos dedos da mão de inveja. Obra de Neal Smith, parece aquele tipo de som que realmente chega pra dar um ultimo pitaco e comete esse tipo de maravilha torta e inesperada que eu adoro.

Do começo, não tem muito o que falar ao tudo que já escreveram sobre, que na real, foi bem menos do que eu imaginava…

Abre com School’s Out, um dos melhores riffs da historia do rock, e de quebra um dos mais poderosos refrões ever…. rebeldia na medida e mensagem no ponto.

Luney Tune vem pra deixar o nível lá em cima, num roquinho muito maneiro e abre espaço pra outro Creme de la creme desse play: Gutter Cat Vs. The Jets, numa levada lenta, estranha, cheio de contrapontos, clima de garagem e de final inesperado, é o tipo de som que faz você levantar da poltrona e voltar pro começo e escutar tudo de novo… coisa de gênio.

Fecha com Blue Turk, que talvez seja a que eu menos goste desse disco, o que não faz dela ruim, só é a mais comum num disco incomum, surpreendente e que ainda traz muita faísca.


Amar Hasta Morir “Love It To Death” – Alice Cooper (1971)

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Voce deve estar achando estranho, principalmente pra quem conhece, “por que diabo tá escrito em Espanhol?”.

Bem, isso é facilmente explicável: essa edição que eu tenho é uma edição “portenha”, e lá na terra do Maradona é comum que obras em outros idiomas viessem escritos primeiro na língua hermana e depois na original, o que nesse caso, não aconteceu.

Na capa só tá em espanhol.

De resto, tudo é igual.

A ordem das músicas, a prensagem meio vagaba, mas era o que se tinha por lá também, certo?

Eu gosto desse disco, mas não apaixonadamente.

Do lado A tem o seu primeiro Hit de verdade, I’m Eighteen ou “Tengo Dieciocho Anos” e outra ótima desse lado é Long Way To Go.

Termina o lado A com uma viagem meio maleta, Black Juju.

O lado B começa mais curto e mais direto: Is It My Body é roquinho bom a la Easy Action, já o resto do álbum vem numa veia ambiciosa que ele e sua banda se colocaram, e tudo ficou mais elaborado, o que não é ruim, mas já não é o que gosto tanto.

E ai eu finalmente concordo um pouco com o Arnaldo Baptista, que na abertura de seu incrível Loki (álbum de inspiração biruta e mediúnica), afirma dentre outras coisas: “…não gosto do Alice Cooper… onde é que está meu rock and roll”.

O lado B, da faixa 2 em diante fica muito sério, sizudo e pouco rock and roll, todo o mundo estava se levando muito a sério e por melhor que seja tocado, é um disco que me brocha um monte.

Parece disco feito sob encomenda para gravadora, ou disco sem carisma.

Love it To Death é um dos que eu menos gosto dessa primeira fase discografica do Alice Cooper e por mais que seja uma puta produção, não é diferente dos demais discos de rock pesado que se faziam na época.


Easy Action – Alice Cooper (1970)

E segue bebendo as pinga…

Esse foi o segundo play original de estúdio, ainda pela Bizarre Records e antes dele se tornar artista grande.

As vezes, ficar um artista grande você vira uma merda, sua música vira uma merda e o cara vira um bosta.

Não foi o que aconteceu com o Alice Cooper.

Os seus discos por grandes gravadoras com budgets maiores e produtores de renome, só melhoraram o que já tava bom e Easy Action é outro discasso.

Se ele não tivesse dado certo, certamente esses dois primeiros plays seriam cultuados ao máximo pelos fãs chiitas que curtem as obscuridades sessentistas, como no meu caso em grande parte do tempo.

Esse Easy Action é hoje o meu play favorito dele.

É um disco que lembra muito as coisas do Bowie dessa fase, só que muito melhor, pois tinha uma turma muito boa tocando com ele e a proposta era muito parecida. Rock com arte. Rock com uma proposta estética. E o melhor de tudo, sem ser chato ou cabeça.

Há uma sagacidade e uma inteligência por trás da coisa que só faz esse disco ser melhor a cada audição.

Tem peso quando precisa, como em Lay Dowm And Die, Goodbye, que combina o então nascente e muito em voga som Hard Rock com esquisitices que só poderiam vir de uma cabeça muito a frente do seu tempo.

O lado B é porrada e belezuras uma atrás da outra.

Que discasso!

Enjoy the ride!


Pretties For You – Alice Cooper (1969)

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Essa semana vai ser curta (feriado, enforca, ar das montanhas, natureza e muita comida mineira me aguarda), e com mucho gusto, ela será todinha dedicada a um dos meus artistas de rock favoritos: Alice Cooper.

Sim, meninada, o Tio Alice é dos caras mais fodões que eu já escutei na minha vida e conta-se nos dedos alguém que tenha tido ou que tenha uma carreira tão longa e repleta de discos tão bons ao longo dessa vida quanto o Tia Alice.

Do começo pois do começo sempre é melhor, eu conheci o Sr. Cooper da maneira mais enviesada possível, já que eu, sendo um meninote, nascido nos 70s e criado nos 80s, tomei contato com sua música, talvez na pior fase possível, com os álbuns Trash, Hey Stoopid e The Last Temptation (todos ali no final dos 80 com 90), um pior que o outro.

Desencanei.

Vi o cara no Monsters of Rock de 1995 e continuei achando bem ruim.

Mas um dia, no susto e na curiosidade, acabei pegando uma edição brazuca meio vagabunda chamada School Days que contem os dois primeiros plays de Cooper, dentre eles, este que está sendo assassinado/resenhado.

Tomei um susto, um susto do bem!

Pretties é um tipo de disco conceitual, como quase todos os discos do Alice Cooper, mas não tem as partes chatas de um disco conceitual. É rock estranho, com os erros naturais de uma banda muito boa tocando e gravando ao vivo no estúdio. Então acontece do baixo dar uma estourada numa faixa, da guitarra dar uma engasgadinha acolá, mas que som legal que sai de tudo isso.

Aprendi uma coisa ouvindo esse play. Independente de como você vai gravar um disco e executa-lo, faça-o com essa urgência, mesmo se for um disco mais complicado como é esse Pretties.

Tudo no disco vem na cara.

E isso tudo é muito bom.

E isso era só o começo.

Assim como nossa viagem pelos primeiros anos de Alice Cooper.

Boa viagem pra nós.


Journey In Satchidananda – Alice Coltrane (1970)

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Fritura transcendental!

Orgia oriental com tempos indefiníveis e livres.

Confesso que tenho um pouco de preguiça de jazz punheteiro ou fusion, mas eu simplesmente adoro esse álbum e descobri que Mark Arm, um dos meus ídolos, é também fã desse disco.

Alice foi esposa de John Coltrane e também era uma tremenda musicista.

Tocava basicamente piano e harpa.

Fez som quando seu marido estava vivo e suas ideias teriam ali no aconchego do lar dos Coltranes ajudado o seu João a definir que seu som seria um jazz desamarrado e descontrolado no seus discos finais.

Ou será que foi o contrário?

Enfim.

Fato é: Alice é artista de jazz de primeira, tinha uma pá de idéias muito loucas com seu som e se juntou a uma trupe muito feroz para chegar aos sulcos quase sagrados que este play traz aos nossos ouvidos.

Influenciada na época pelos ensinamentos do seu então mentor espiritual Swami Satchidananda, que pregava algo como o “Amor Universal ou Deus em Ação”, o disco tem toda uma orientação pesada na India e no Oriente.

5 faixas demolidoras com a presença de monstros como Pharoah Sanders, Rashied Ali, Charlie Haden e outros, o álbum é muito carregado do espirito sincero que muitos artistas carregavam influenciados pela cultura indiana e sua busca perseverante por conhecimento, iluminação, Deus e sei lá mais o que.

Essa busca fez com que muitos caras se atirassem de cabeça nessa viagem.

O som desse álbum é inacreditável! O que ouvimos aqui é a captura fonográfica de músicos que estavam no seu auge e com liberdade absoluta pra pirar.

Recomendo ouvir esse álbum ao som de um goró e com luzes baixas.

Om Shanti!


Alexander – Alexander (2011)

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Do que eu tenho colocado aqui no blog, vi que esse é o disco mais recente que tem na letra A e isso poderia dizer basicamente o seguinte:

  1. Que eu tenho pouca paciência pra música nova;
  2. Que eu tenho pouca paciência pra consumir música nova;
  3. Ou que tem muito mais coisa legal no século passado que desse modorrento século XXI

Bem, pode ser uma combinação das 3 coisas, mas não radicalmente.

Esse Alexander é exceção dessas regras pra entrar numa discoteca dissonante e cheia de imperfeições.

Cheguei a esse play graças a Breaking Bad.

Como quase todo mundo, eu também sou fã de Breaking Bad, mas como parte desse todo o mundo, eu pirei mesmo foi na brilhante escolha de músicas para enfeitar a historia ao longo das 5 temporadas e num dos momentos cruciais da série, tocou a canção Truth, que parecia algo vindo da mesma fonte de um Nick Drake ou Tim Buckley, e descobri que na verdade era uma música recém lançada do tal Alexander. Aí eu achei esse disco baratinho no local onde trabalho e trouxe pra casa essa belezinha.

Alexander é nascido e batizado Alex Ebert, um baita compositor que transita com fluência pelo antigo e pelo novo e consegue fazer música muito boa reunindo timbres antigos, boas ideias e ainda assim ser “quase moderno”.

Esse cara tem uma banda bem boa e que acompanho com curiosidade e atenção que é o Edward Sharpe & The Magnetic Zeros, que pode ser considerado uma banda “neo-hippie”, na mesma praia do Fleet Foxes, só que muito melhor.

Enfim, esse disco solo foi um projeto em que ele tocou todos os instrumentos e o concebeu enquanto sua banda principal dava um tempo.

Puta disco!

Me lembra muito o espirito empreendedor e criador de outro gênio, Edgard Scandurra, quando num dado momento no fim dos anos 80 ele, num momento de folga do Ira, fez um álbum monstruoso chamado Amigos Invisiveis (chegarei nele quando passarmos pela letra E).

A pegada desse Alexander é bem anos 60 (muito de Dylan, algo de Simon & Garfunkel e muito das bandas americanas sessentistas que brincavam com folk, country e rock).

O LP é de uma boniteza e fofura gigantes e imprecisas, decente com ótimos silêncios entre as canções e composições muito inspiradas, diferente das fofuras escrotas que hoje impregnam o tal indie e se fazem passar por folk.

Não tem uma faixa ruim ou fraca nesse trabalho.

É coisa de gente que trampa com muito esmero, cuidado e não tá muito ai pro que acontece no mundo. Muito melhor que seus pares do “neo-folk-hippie-moderno”, Alexander Ebert ainda tem muito pra fazer pois ele detem a destreza e a birutice nas medidas incertas, assim o desequilíbrio das duas forças aparecem lindamente ao longo do álbum.

Procure saber por ai… vale a pena e dar aquele fiado de esperança que a música ainda tem boas mãos produzindo e em atividade.

Vida longa ao Alexander e ao Edward Sharpe.


Alerta Geral – Alcione (1978)

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Sabe uma coisa que eu odeio em disco brasileiro? Quase nenhum vem com a data de gravação na contra-capa. Coisa meio óbvia, né?

Toda a vez que se pega um disco pra dar aquela primeira conferida básica, além da capa, o cara vai pra contra-capa, olhar o tracklist, quem produziu, e essas coisas.

Em especial, gosto de olhar procurando pela data de gravação ou lançamento, afinal, ninguém nasce wikipedia.

Alcione abre a fila de artistas brasileiros com muito orgulho na discoteca aqui de casa.

Esse play caiu por aqui por puro acaso, e que belo acaso!

Numa tarde de sábado de sol, o meu destino original de bom samaritano era um lar de crianças deficientes na Mooca para levar algumas doações, mas a casa estava fechada. Para não perder a viagem, resolvi então conhecer um famoso galpão que vende discos baratos ali na região.

Ao estacionar o carro, parei de frente a um lar de idosos onde consegui deixar o porta mala cheio de doações. A moçada de lá ficou muito feliz.

Eu também.

O auspicioso dia de visita lá nesse galpão, me fez sair com uma penca de LPS legais, muita coisa boa que será devidamente resenhada por esse blog.

Alerta Geral é disco de samba, mas tem uma variedade de ritmos que a “Marrom” domina como ninguém:

Alcione é interprete muito mais interessante que se imagina. Quem conhece, sabe do que falo.

No lado A tem samba, balada, baião e tudo numa pegada classuda, elegante e que não deve nada para os grandes discos de samba que nessa época saia aos montes.

O lado B é legal, mas no primeiro Lado tem os clássicos Sufoco e Eu Sou A Marrom.

Repertório da pesada, produção esmerada.

Discão!


Show And Tell – Al Wilson (1973)

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Black do bom. Antes da moda disco, a moçada ia pros role da uma dançada, arranjar umas gatas, tomar uns gorós, bate umas balas e esquecer as durezas da vida.

Começa de mansinho, jogando o hit romântico na primeira faixa, que inclusive da nome ao álbum, lá na terceira ta te tirando pra dançar com a ótima Queen Of The Ghetto e o disco começa a esquentar de verdade.

My Song é balada blackspoitation total, muito elaborada cheia de manha e molho que só esse tipo de cantor é capaz de dar.

Vamos cruzar com muitos discos de black por aqui nesse blog e não necessariamente de artistas muito famosos, como é o caso do querido Al Wilson, gosto de achar os caras que não deram tão certo também.

O disco é meio irregular, afinal o cara queria dar certo na vida e esse disco é bem comercial, mas com faixas meio comuns como What You See e Touch And Go, que são baladas comuns e com algum charme, nada de muito diferente que um John Legend não faça hoje.

O dono do disco é Jerry Fuller, que produziu e compôs quase todo o disco e botou seu pupilo pra cantar e brilhar.

Ele cantou e brilhou, mas não passou disso.

De todos os modos, puta play legal!


Love Ritual – Al Green (1989)

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Eita semana danada, tempo foi uma coisa que não sobrou pro papai aqui, assim as atualizações do nosso ritual blogistico em prol dos bons sons aqui de casa ficaram temporariamente congelados.

Mas hoje é segunda-feira, nova semana e a promessa é de uma semana menos conturbada, será?

Esperamos que sim.

Assim sendo continuamos como começamos a semana anterior.

Embalados por Al Green.

Delicia…

Bem, esse play de hoje eu comprei no século passado, quando comecei a me aventurar pelos sons blacks e me falaram que eu tinha que conhecer esse cara. Botei fé no conselho e fui atrás.

Love Ritual foi pinçado lá no centro de São Caetano do Sul em um sebo dentro de uma galeria comercial que já não deve existir mais e desde sempre, agradeço por ter achado esse LP nessa época (acho que foi por 1993 ou 1994) e Love Ritual acabou por se tornar uma fonte importante para adentrar nesse maravilhoso mundo da Soul Music, pois combinou duas coisas que adoro conscientemente e inconscientemente:

  • Lados B ou faixas não lançadas comercialmente:
  • Black Music.

Virou uma tonica na minha vida buscar os discos que não deram certo, ou os obscuros em quase todos os gêneros, mas dar de cara com faixas não lançadas desse gênio mexeram com meus sentidos na época.

Love Ritual tem lugar guardado como porta de entrada para novas aventuras sonoras na minha vida e aqui o Al está tão solto e descontraído e ao mesmo tempo cool e sereno que fica difícil falar mais do que isso de sua persona e do que ele canta por aqui.

A produção, como sempre, estava a cargo de Green e Mitchell, que no comando, nunca teve erro.

Dizer os highlights desse LP é sacanagem, mas vamos lá:

Strong As Death é forte e suave, com uma baita letra e seriedades sem limites, Surprise Attack/Highway To Heaven é definitivamente a minha favorita desse Play, começa na cabeça quase como uma vinheta para uma virada funk muito certeira.

Love Is Real é um balanço dos bons, com uma guitarrinha marota que faz cosquinhas nos ouvidos.

E Ride Sally Ride? É um standard soul, pra querer fazer qualquer um virar soul maníaco.

E ainda tem uma versão muito correta e limpa de I Want To Hold Your Hand. Simples, rápida e boa pra quem tava começando, como era o caso do então novato Al, em 1968.

Tudo em Love Ritual é pra lá de ótimo, soul music confortável para qualquer ouvido.

Fez-me e ainda me faz muito bem!

A alma vai descansar muito agradecida.