Kings Of The Wild Frontier – Adam And The Ants (1980)

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Eu curto o Adam Ant!

Curto mesmo!

A banda tem tudo o que eu gosto.

É rock, mas não é convencional, tem vocais fáceis misturado com arranjos complexos, mas tudo rápido e curto.

Não tem muito lero-lero.

Era a New Wave em sua melhor tradução.

Não a New Wave como movimento felizinho, colorido e la-la-la.

Tem um que de soturno, mas não tão soturno quanto os góticos.

O Adam se vestia como se estivesse na França pré-Revolução das guilhotinas, roupas, acessórios e cabelo que serviriam de inspiração para a Sophia Copolla fazer o figurino moderníssimo de seu Maria Antonieta. Que gracinha!

O Adam And The Ants deu certo, teve seu buzz! Fizeram 3 discos ótimos (ainda me falta o último e bom Prince Charming pra fechar a coleção).

Esse King… é o segundo deles e é o que eu mais gosto hoje.

Do Lado A as boas são: Dog Eat Dog, que abre com o pé na porta, a incrível Los Rancheros, balada que junta new wave com uma levada mexicana muito legal e fecha com Killer In The Home, com guitarra a la Link Wray.

O som desses caras é único, em especial pelo uso da bateria e do tal “Tambor Burundi” que reza a lenda foi uma viagem do então produtor musical Malcom Mclaren e que seria componente musical marcante também em outra banda bacaninha dessa época, o Bow Wow Wow.

O Bow Wow Wow teve música na trilha de Maria Antonieta!

Conexão cinema e new wave tresloucada.

Esse som de tambor fica mais claro na faixa titulo que abre o lado B, lá tem a síntese de tudo no som do Adam: bateria meio africana, distorção de guitarra e o baixo pontuando alguns espaços vagos. Tudo sincopado.

Outra boa desse lado é Jolly Roger… puro new wave do milho com bateriazinha ruim, guitarrinha sem vergonha e uma alegriazinha que se disfarça de tristeza.

Baita disco meu!


La Novia – Acid Mothers Temple & The Melting Paraiso U.F.O. (2000)

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Eu ganhei esse disco há alguns anos e não sei bem ainda porque.

Talvez tenha sido por conta da capa muito doida e pelo meu então crescente interesse em psicodelias e neo psicodelias mundiais.

Eu sabia que o Acid Mothers era esquisito, mas não tinha nenhuma outra referencia quando pus as mãos nesse play.

Bem, lendo por ai, descobri que eles são uma banda japonesa que segue a linha “Neo-psicodelia, heavy e krautrock”, mas no fundo é uma banda que gosta de ficar dando uma embassada ou uma ensaboada guitarristica de 40 minutos sobre os mesmos acordes.

O que é basicamente o oposto a tudo que eu mais gosto.

Ma, va lá…

Fico pensando que se faça necessário o uso de combustíveis alucinógenos para acompanhar a viagem dos caras na integra.

E eu sempre ouvi esse disco sóbrio.

Talvez seja por isso que não bateu.

Juro que eu tentei…

Não gosto de álbuns com jams sessions tão longas e que não vão a lugar algum.

La Novia é mais ou menos por ai.

No quesito guitarreiras longas, conheço coisas melhores.

Um ponto a favor desse álbum: o LP é bonito pracas!


When The Punks Go Marching In! – Abrasive Wheels (1982)

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Pensa em um negócio que não temo como dar errado:

Punk – Inglês – anos 70 pros 80.

Esse é o Abrasive Wheels.

Mais uma das 489 mil bandas punks que proliferaram na Inglaterra nesse período e mais um das 222 bandas que surgiram em Leeds.

Assim como mais uma das 727 bandas inglesas que não chegaram em lugar algum, mas que deixaram pro legado pelo menos um disco muito bom.

When the punks… é o álbum de estréia deles e dos que eu ouvi é também o melhor.

Nessa período dos anos 80, o punk já tinha deixado de ser modinha e tomado outros caminhos nas quebradas do mundo inteiro, virando um veiculo muito adequado para os jovens fudidos e sem perspectiva colocarem pra fora toda a sua revolta contra o establishment, contra a família, contra a propriedade e contra o mundo.

O disco tem tudo de bom e exatamente tudo igual a quase todos os outros discos de punk tardio que saíram por essa época.

O que não faz dele um disco comum, hoje em dia passado tanta agua por debaixo dessa ponte, When the punks, ainda não um disco de rock pra se ouvir na sala de estar, só se você for um punk véio.

É esse tipo de agressividade que não se vê ou ouve hoje em dia.

Saudosismo?

Eu nem tinha idade pra sentir saudade do punk rock oitentista.

O disco é rápido, curto e rasgante!

Ir no faixa a faixa não se faz necessário.

Go marching in!


How To Be A Zillionaire – ABC (1985)

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O ABC sempre foi uma banda chabi e charmosa.

Um dos melhores exemplos do “new romantic” oitentista aquele negócio que tanto gostamos de ouvir escondido (hoje nem tanto) e tanto gostamos menosprezar.

Tinha muita merda, mas também tiveram discos maravilhosos como esse do ABC, lançado já no final do movimento de new romantic, e que ainda sim foi um grande hit na época.

Influenciado por Bowie e Roxy Music, o ABC que começou como um quarteto e nessa época virara uma dupla, tinha no seu dna a vontade feladaputa de ser pop e conseguiu sem vergonha alguma atingir esse propósito e por mais datado que possa parecer o álbum, a sonoridade e os timbres, ainda sim é um disco ótimo.

Houve um revival nos anos 2000, com a volta inclusive do próprio ABC.

How To Be…traz o saudosismo de uma época dura, de perrengues políticos, sociais e econômicos e fala muito bem aos ingleses da Era Thatcher, cheia de desilusões, angustias e vontades.

Discasso.


ABBA – ABBA (1975)

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Sim!

ABBA!

Como diria uma grande amiga minha, “finalmente alguma coisa que eu conheço!”

Putz, que disco bom!

Adoro música pop, e em especial o pop dos anos 70. Aquele pop com misto de cafonice e sofisticação e o ABBA tem tudo isso. O som cósmico do ABBA parece ter sido feito para se ouvir usando luvas e roupas de veludo.

E não tem como não gostar de ABBA. Até os mais ranzinzas gostam deles. Até Mark E. Smith do Fall, que deve ser a pessoa mais rabugenta e amarga do rock, curte o pop sueco.

A música do ABBA é grandiosa, volumosa, caudalosa e tenho a nitida impressão que o quarteto sempre tratou seus ouvintes como a um igual, como alguém capaz de entender suas nuances e suas escolhas, pois em alguns momentos, os arranjos são sofisticados e muito bem pensados em se tratando de “pop comercial”.

Em especial nesse álbum homônimo de 1975, o terceiro disco deles.

O grande trunfo do ABBA era sua dupla de compositores Benny Andersson e Bjorn Ulvaeus, que escreveram juntos algumas das melhores músicas pop da mundo, mas nesse álbum, eles estavam especialmente inspirados, ou pareciam realmente muito mais inspirados que o comum.

Vamos ao lado A:

Mamma Mia: precisa falar? Canção pop com gancho e tons dramáticos que garantiu ao ABBA a eternidade.

Hey, Hey Helen vem com uma pegada de hard rock impensável quando lembramos do que estamos falando do ABBA.

Pulo a faixa 3 e vou direto pra SOS.

Uma declaração: SOS é a minha canção pop favorita de todo o sempre. Tem tudo! É perfeita, é sofrida, é esperta e genial na sua montagem. O modo como eles construiram essa canção deveria ser matéria em escola de “Como fazer uma bridge e um refrão”. É uma composição iluminada, curta, com ganchos incríveis. SOS é daquelas músicas que qualquer compositor gostaria de ter feito. Eu daria todos os pelos do meu corpo pra ter feito uma música assim.

O resto do lado A é ok!

Agora o Lado B… que lado B amigos!

I Do, I Do, I Do, I Do, I Do… outra pérola que não chegou a ser um grande hit, mas que canção pop! Que coisa incrível!

No meio tem uma instrumental espetacular chamada Intermezzo no 1, algo que se tivesse um vocal masculino rasgado deixaria o Queen operístico no chinelo.

E ainda tem mais!

I’ve Been Waiting For You é outra balada pop perfeita!

E fecha com So Long… outro rock a la ABBA, totalmente glam rock.

Meu Deus! Como tem música legal nesse disco!

E melhor de tudo, só música curta, nada de frescuras, fru-frus ou canções longas. Só o puro e mais inocente pop que se pode conceber.

Eu adoro o ABBA e seus hits são espetaculares, mas esse disco homônimo de 1975 é o meu favorito. Acho esse o mais inspirado que eles fizeram.

É pra se ouvir de cabo a rabo com um escandaloso, delicioso e inescapavel sorriso no rosto.


We are a;GRUHM… and you are not! – a;GRUHM… (1988)

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Começando o alfabeto com essa dupla de industrial lá da Bélgica.

O que prova que além de cervejas artesanais, chocolate e Tin Tin, a Bélgica esteve, pelo menos por um breve instante, na vanguarda da música pop alternativa.

Lá no ABC paulista, nas distante década de 1990, tinha uma cena gótica e EBM da boa, com discoteca que abria pra matinê e tudo.

Neguinho ficava felizão a beça dançando todo de preto num galpão quente virado pra parede… ainda fazem isso?

A primeira vez que ouvi um som dito, “industrial” foi com o Front 242 e a clássica “Headhunter”.

O clipe era bem bizarro, todo em preto e branco com uns caras muito feios e sinistros usando cascas de ovos nas cabeças.

Por incrível que parece, essa loucura tocava no rádio e passava clipe no Clip Trip (programa da TV Gazeta dedicado a exibição de videoclipes), época pré-MTV.

O Front 242 é belga, assim como o a;GRUHM.. ligou a vanguarda belga nos sons estranhos?

Pra quem é leigo nessa parada, resumindo mal e porcamente, o EBM é um som eletrônico que surgiu nos moldes que o tornaram famosos mais no finalzinho dos 70 com um grupo britânico chamado Throbbing Gristle, (esquisitinho do jeito que eu gosto).

Basicamente tem muita influência do punk, mas ao invés de guitarra, baixo e bateria, o som é composto de sintetizadores, teclados, sequenciadores e baterias eletrônicas com um pouco de guitarra em alguns casos.

O som é mais pesado, nervoso, denso e sisudo na maior parte do tempo.

Tem gente que manja muito mais de EBM do que eu, então meu resumo termina aqui antes que eu escreva merda.

Esse disco em especial do a:GRUHM… eu comprei por acidente e graças a algumas indicações e a minha inclinação natural em descobrir coisas estranhas.

O Lado A é legal, com destaque para um versão bizarra para Another Brick In The Wall. Outra boa desse lado A é New Fashion, que poderia ter sido um hit nessa época estranha.

Porém, o lado B reserva as melhores músicas do disco: Drama in The Subway é um belo exemplo de industrial europeu, que é diferente do que se fazia nos EUA ou mais precisamente no Canadá, de onde vem a banda mais foda nesse negócio que eu conheço, chamada Skinny Puppy (um dia chegaremos e eles).

Hapeople também é bem foda, se existisse ainda festinha pra esse tipo de som, essa cairia muito bem.

Generation vem numa batida marcial típica do gênero, marcada e pesada com um baixão eletrônico em slap.

O disco fecha com Edito, outra castanhada.

Pensando bem, se ainda existissem festinhas de EBM daria pra tocar essas 4 na sequencia sem medo.

Mas acho que festinhas assim não cabem mais nesse mundinho pop bunda mole alegre de hoje, onde ser feliz mesmo que de mentira é o que vale.

Que tristeza!


Don’t Point Your Finger – 9 Below Zero (1981)

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Muitos discos que eu tenho em casa eu comprei por causa da capa.

Agora, poucos foram o que eu comprei por causa da contra-capa.

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Esse é um deles.

Até porque a capa é muito ruim, parece aquelas coisas que banda de hardcore-ska-punk-skatista fez muito nos anos 90. Aquelas merdas tipo Millencollin.

Na contra-capa a banda posa de costas com o vocalista dando uma banana pra você e pra todo mundo que tivesse vendo a foto.

Educadamente grosseiro, mas simpático.

O 9 Below Zero seguiu a paixão de outros conterrâneos britânicos: o Blues.

Mas como eles estavam no meio da onda da new wave (pós maremoto punk), fazer música legal pareceu ser moda.

Isso dava liberdade deliberada para artistas fazerem o que lhes dessem na telha.

Inclusive andar pra tras.

O som desses caras é blues-rock de bar (adoro), pra se ouvir entornando umas geladas e balançar a cabeça pra esquerda e pra direita.

Dá pra perceber que a gravadora investiu na banda, botaram o Glyn Johns pra produzir…

Glyn produziu discos do Clapton, o primeiro Led Zeppelin, alguns do The Who, Humble Pie, Steve Miller Band, Fairport Convention, Eagles e etc.

Ou seja, alguém achou que esses caras fossem dar certo…

Não deu, mas o disco é legalzinho!

É blues rápido e ligeiro do começo ao fim, lá pelo meio do lado A tem umas cançõezinhas mais do mesmo.

Esse terreno de blues-rock é bem perigoso porque a maioria dos caras acabam soando exatamente iguais e parece que do primeiro minuto ao ultimo segundo, ouvimos exatamente a mesma merda.

Confesso que não sou nem um pouco fã de blues contemporâneo e muito menos de blues-rock contemporâneo, e tenho pouca coisa disso na minha coleção.

Não morro de amores por esse Don’t Point… mas também não odeio. Acho os timbres bem gravados mas é tudo lugar-comum, o som da gaita é igual ao de outros 599 discos que tem gaita, a guitarra tem a mesma timbragem de outros 299 guitarristas.

A música mais legal do disco é justamente a que fecha, “You Can’t Please All The People All The Time”, por sinal o título é ótimo e se todo o disco fosse na pegada dela, seria um disco muito melhor do que foi.

Disco ok para uma banda ok.


The Original Soundtrack – 10cc (1975)

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Incrível como o rock progressivo influenciou todo o pop radiofônico nos anos 70.

Pelo menos é isso que parece passados tantos anos e tantas vidas.

É como se em um tempo muito distante, houvesse um momento em que muitas bandas compostas por ótimos músicos tiveram sua chance de chegar ao topo e um lugarzinho ao sol da eternidade.

A minha primeira lembrança a respeito do 10cc foi através de um livro chamado Grandes Estrelas Do Rock, que eu ganhei da minha tia quando eu era criança e começava a me interessar sobre esse negocio de roquenroll.

Um dos tópicos com muito destaque do presente volume era o 10CC.

Ai, um dia, ouvindo um programa de flashbacks em alguma radio aqui de São Paulo (talvez a 89 talvez a Antena 1, eu escutei Im Not In Love).

Mesmo a musica sendo linda, não bateu e como não tinha guitarras aparentes e nem era rock and roll, não dei bola.

Ficou pior quando alguém teve a brilhante idéia de fazer aquela versão em português… “somente só, você e eu”… lembra?

Durante muitos anos, virou sinônimo de breguice e cafonice em últimos graus!

O tempo passou e em outro acaso, já adulto, escutei uma coletânea de músicas escolhidas pelo Flaming Lips, chamada “Latenightales”, onde o Wayne Coyne, botou essa música como uma das suas influências para construir o som da banda.

E desde então, voltei a escuta-la sobre outro viés.

I’m Not In Love não é só um hit muito estranho, mas uma canção daquelas que flutuam no campo dos sonhos e da fantasia sem nunca tocar o solo (tudo que acontece fica em um eterno suspense e transe, não tem nenhum momento em que estoura uma batera, ou ganha em volume, fica mais alta, não, nada disso acontece com ela.

É como se fosse uma grande fumaça sonora frágil e doce. Difícil entender como ela fez sucesso, se você ouvir atentamente ela tem elementos estranhos as fórmulas corriqueiras de se fazer pop pra tocar no rádio.

É uma música que destoa de todo o resto do disco e basicamente de tudo que eu conheço como pop radiofônico. Isso é um feito! Enorme!

Sempre fiquei muito impressionado com bandas onde todos os integrantes sabem cantar e o 10cc é desse tipo de grupo. Todo os integrantes são multi-instrumentistas e multi-cantores.

Que inveja!

Isso é que é levar o oficio a sério.

O LP começa com uma suíte de 8 minutos chamada Une Nuit A Paris. Se o conceito do álbum era ser uma fictícia trilha sonora ou usar elementos que dessem essa ideia, abre acertando na mosca. O lado A fecha com Blackmail pop progressivo bem palatável.

E no meio das duas tem I’m Not In Love… que já falei bastante ai em cima.

O lado B é mais comum, lembra muito os trabalhos anteriores da banda, em especial Deceptive Bends, mais roquinho, tudo muito bem feito e com muito esmero, em especial Life Is a Minestrone e The Second Sitting For The Last Supper.

No fim, o disco é I’m Not In Love, Life Is A Minestrone com um punhado de canções bonitas e comuns ao redor… Mesmo isso é de matar de inveja 90% das bandas pops que surgiram nas décadas seguintes.


Elgin Avenue Breakdown – The 101ers (1981)

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Comprei esse disco nos anos 90, quando o vinil ainda não estava na moda e porque foi uma das poucas vezes que vi esse disco pra vender. Como fã do Clash, não podia deixar passar essa pepita e depois de muitas besteiras, ele ainda continua bonitinho aqui na coleção.

Começando do começo.

Todo mundo começa por algum lugar e Joe Strummer já parecia saber o que queria desde muito cedo.

Sou até suspeito pra falar, pois eu amo tanto o The Clash e amo tanto a figura de Strummer como artista e personalidade que é impossível falar de qualquer coisa ligada a ele sem ter a impressão que estou usando adjetivos elogiosos demais.

Foda-se, é meu blog e faço o que quiser.

Bem, dentro da história do rock a banda The 101ers nada mais ficou como somente a banda onde Joe Strummer começou a tocar e através dela, Mick Jones e Paul Simonon enxergaram a peça que faltava para finalmente botarem na rua seu projeto de laboratório chamado The Clash.

Sim, o The Clash foi uma banda de laboratório.

Não, o The Clash não foi um movimento politizado composto por colegas que tinham uma ideologia em comum, tão pouco foi uma combustão espontânea.

O Clash foi um projeto planejado e bolado para fazer sucesso.

E tudo bem!

Quase tudo no Showbizz tem essa natureza, então porque o The Clash seria diferente? Voltaremos para The Clash em outro momento.

E agora, vamos ao 101ers.

A proposta era simples e visceral, inspirado no velho R&B e nas pub bands inglesas que vieram um pouco antes deles, o 101ers tocava como se estivessem se divertindo pracas e esse álbum que saiu quase 5 anos depois do fim da banda, foi também uma forma de capitalizar em cima do gigantesco sucesso que o Clash tinha naquele ano de 1981.

Elgin, captura a rapaziada em momentos ao vivo e momentos em estúdio entre 1975 e 1976.

Dá pra sentir a verdade em cada silaba que Strummer pronuncia. Dotado de um carisma vocal e uma confiança imbatíveis, o trunfo da banda era acompanhado de uma banda vigorosa e cheia de gas e tinha em seu bandleader, o capitão perfeito para atravessar um mar de tedio e desesperança e jogar nos palcos e nos sulcos desse Vinil, algumas das mais urgentes e cruas versões de clássicos do rock como Monkey Business e Shake Your Hips e chegar ao cumulo de fazer miséria com Gloria (clássico de Van Morrison), não consigo lembrar uma versão melhor.

Mas nem só de cover vivia o 101ers, o material original era muito bom também e canções como Motor Boys Motor e Sweety of the St. Moritz davam ideia do potencial de Strummer como compositor e como essa energia foi percebida pelos futuros colegas de The Clash.

Lado a lado com essa canções mais energéticas, Strummer mostrava grande senso para compor pop songs palatáveis como Silent Telephone e Keys To Your Heart.

A banda tinha potencial, mas a saída de Strummer botou um ponto final na história e marcaria outra muito maior para o homem.

Discasso de rock.