The Fall – Hex Enduction Hour (1982)
Publicado; 15/05/2012 Arquivado em: Discos, Música, records Deixe um comentário
A banda mais sui generis do rock inglês.
A mais prolixa também.
De admirada a odiada de acordo com os ventos de cada momento.
O The Fall é um dos melhores antídotos contra a bundamolice da cena atual. Sempre que um Keane ou um Foster The People cruzar seu caminho, prenda a respiração, conte até 10 e coloque um disco do The Fall pra tocar… causa alivio imediato.
Não dá pra negar que o The Fall produziu um dos mais vastos e inacreditáveis repertórios do rock independente da história do universo, e não respeitar essa história é no mínimo ignorância.
É tão difícil escolher um disco dos caras, principalmente quando se tem pelo menos meia dúzia de álbuns espetaculares.
Hoje o meu favorito é o Hex…
Há alguns meses o Dragnet circulou em altíssima rotação no tocador de CDS aqui de casa assim como Grotesque voltou a circular mais intensamente, mas os dois são mais manjados então vou pular.
Hex carrega em si o DNA da banda ou mais precisamente de seu líder e mentor, o esquentadinho e pouco amigável Mark E. Smith. Vocais grunhidos, resmungados e indecifráveis na maior parte do tempo vem acompanhados de guitarras cruas e rasgadas que vão costurando riffs desordenados, logo estes que virariam uma marca e influenciaria um monte de gente do rock independente dali em diante.
Mas a melhor coisa do The Fall e não só desse disco em especial, foi a escolha dos timbres para gravar os instrumentos, principalmente as baterias. Graças a Deus eles não optaram pela estética vigente na época, que foi responsável por demolir da eternidade quase 80% das músicas gravadas entre 1982 e 1987.
To falando daquelas baterias com timbre de folha de papel almaço, sabe?
Em Hex, essa obscesão por sons poderosos levou Mark a gravar o som de duas baterias simultâneas, cujo resultado é um peso mais salutar a sonoridade cínica do The Fall.
Rock sujo, barulhento e esquisito. Como todo rock independente deveria ser, pena que esse não seja mais o objetivo dos atuais músicos independentes ingleses.
Booker T. & The M.Gs – Mclemore Avenue (1970)
Publicado; 14/05/2012 Arquivado em: Música | Tags: abbey road, duck dunn, steve cropper Deixe um comentário
Sempre achei o Abbey Road o disco de “menininha” dos Beatles.
Curioso que a maioria das mulheres fãs dos Beatles, acham o Abbey Road o melhor do Fab Four.
Nada de mais, é só uma constatação.
Mas que honra para os Beatles verem em menos de um ano após o Abbey Road, uma homenagem dessas?
Foi exatamente isso que o Booker T fez.
Junto aos seus imbatíveis MGs, eles recriaram o famoso disco da faixa de pedestres nos moldes soul music de ser, integralmente.
O resultado?
Nada tem a ver com Beatles e pouco tem a ver com Booker T.
Ficou um hibrido de rock inglês com som de Memphis, meio oportunista talvez, mas a coragem dos caras em se propor a fazer esse álbum vale qualquer coisa.
E que banda.
Steve Cropper, braço direito na guitarra, Donald Duck Dunn no baixo (homenageado do dia, mais um RIP triste da música este ano) e Al Jackson Jr. Nas baquetas.
Invertendo a ordem original das faixas, Mclemore é uma tremenda homenagem ao Fab Four e uma das mais originais também.
Ninguém nunca soube ao certo se os Beatles gostaram desse disco, ele passou de maneira estranha por critica e publico. Todo mundo ficou com um pé atrás e ressabiado, afinal porque o Booker T. Regravou esse álbum?
No fundo, por pura admiração pessoal do músico em relação aos garotos de Liverpool.
Ouça aqui e tire suas conclusões.
Eu gosto e muito.
Ficou mais macho.
See ya.
Ramsey Lewis – Sun Goddess (1974)
Publicado; 12/05/2012 Arquivado em: Música Deixe um comentário
Jazz-funk. Delicia das delicias.
Por esse moedor, alguns caíram e se deram bem: Donald Byrd com “Street Lady” ou Eumir Deodato com “Bad Donato”, mas daqueles que caíram nessa, o melhor disparado foi Ramsey.
Pegando temas alheios como “Living for The City” de Stevie Wonder ou “Hot Dawgit” de Maurice White, alternando com composições próprias, o pianista e compositor Ramsey Lewis ganhou uma longevidade e sobrevida inesperadas e salutares.
Desde os anos 50, trilhou um jazz com pegada mais R&B mas nunca teve reconhecimento comercial, o que contrastava com seu reconhecimento perante a classe musical e entendidos que o tiveram sempre em altíssima conta.
Teve seu auge nessa obra prima do groove e da sutileza com a produção incansável e obstinada de Teo Macero, além da companhia pra lá de especial de Philip Bailey, Maurice e Vendin White na cozinha… só pra dar a pista esse trio foi a cozinha do Earth, Wind & Fire caso não tenha associado nomes a pessoas.
Caraca, tem como dar errado? Lógico que não!
Música lasciva, dançante, fina, sofisticada e de altíssima octanagem grooveada impossível de ser reproduzida por músicos brancos. A superioridade da cor se demonstra nesse tipo de expressão artística, em que você, assim como eu, branquelos sem swingue somos humilhados pela destreza desses senhores instrumentistas.
Sem competição.
Contra Kool & The Gang, Earth Wind And Fire, The JBS ou as bandas que acompanhavam o Fela Kuti não tem pra ninguém. É goleada!
Sun Goddess tem cozinha e sessão de metais generosas, mas não fominhas, o que dá espaço de sobra para que Ramsey desfile sua classe nas teclas brancas e pretas nos seus pianos elétricos e tradicionais e sintetizadores com a maestria de quem sabe tudo e se deixa acompanhar por esses monstros do ritmo.
E todo mundo ganha.
Discasso imortal, assim como o Sol dourado que ilustra a capa.
Paulinho da Viola – Foi Um Rio que Passou Em Minha Vida (1970)
Publicado; 11/05/2012 Arquivado em: Discos, Música, records Deixe um comentário
É injusto e incorreto escolher só um disco do mestre carioca.
Mas, por algum a gente precisa começar, certo?
No melhor critério, “uni duni te” fiquei indeciso entre “Nervos de Aço” e o “Paulinho da Viola” de 1971 — aquele em que ele tá encostado no maior estilo no batente de uma porta de madeira azul.
Nem um, nem outro, optei pelo segundo disco solo do gênio.
Praticamente todo composto de músicas próprias, Paulinho é a ponte suspensa entre o velho samba, os velhos choros e a velha guarda com um novo modo de fazer o samba que seria desencadeado nos anos seguintes.
Ele era o barroco entre os modernistas.
Quando o Brasil explodia com movimentos da Jovem Guarda e do Tropicalismo e do samba rock de Jorge Ben e Mutantes, Paulinho prestava reverência ao antigo.
Paulinho é tradição, e suas lindas composições só mostram que ele não pertencia a uma época e a um tempo específicos, mas sim a um lugar e a um sentimento genuinamente brazucas.
Lugar e sentimentos que nunca ficariam datados.
Voou pra fora dos morros cariocas e dos subúrbios e atingiu corações aflitos por lindas musicas Brasil afora, falando das coisas pequenas e importantes da vida: amor, desilusões, vacilos, amizade e traição foram temas recorrentes na temática do mestre.
Mas tudo era diferente.
Falando do cotidiano sem se limitar a ele, Paulinho tinha a capacidade de transcender e libertar-se das amarras pra atingir alguns dos mais líricos momentos da música brasileira. Esbanjando uma classe e finesse únicas, a gentileza e a inteligência para desfilar seus sambas me trazem a mente dois compositores distantes no tempo mas com a mesma vibe: Noel Rosa e Cole Porter.
É viagem minha, mas o Paulinho pra mim é o encontro dessas duas entidades musicais. Ou no mínimo, o irmão mais novo deles.
Foi Um Rio… só comprovaria o que já estava na cara de todo mundo desde 1965. Paulinho é o maior sambista dessa Era e isso não é pouca coisa. Nesse segundo álbum, Paulinho desfilou algumas das suas mais belas composições como “Não Quero Você Assim”, “Lamentação” e o clássico instantâneo “Foi Um Rio Que Passou Em Minha Vida”, alternando com a leveza de “Papo Furado” e a tristeza de “Mesmo Sem Alegria”.
Paulinho é o lorde do Samba. Gênio que mereceria reverência sempre e a todo momento.
Podia começar com um Box com sua obra completa, que tal?
Mogwai – Young Team (1997)
Publicado; 10/05/2012 Arquivado em: Música Deixe um comentário
O Mogwai é um banda preguiçosa.
Seu som é preguiçoso.
O Mogwai é mais preguiçoso que Dorival Caymmi.
O Mogwai é o Caymmi do indie rock instrumental experimental.
Calma, nada disso é pejorativo, trata-se apenas de uma constatação refletida sob as luzes dos fatos expostos e que nunca tinha me atentado em todos esses anos que acompanho os discos e shows dos escoceses.
O som do Mogwai é circuncêntrico e pouca coisa acontece nos seus álbuns, mas dentro do magma central, um turbilhão de guitarras distorcidas, junto a uma bateria por vezes nervosa, se formam como maremotos e da mesma maneira que emergem e agridem os ouvidos despreparados, lentamente desaparecem, diminuem seu volume e tudo acontece como um relógio.
Preciso e mortal.
O Mogwai conseguiu inventar Ambient Music barulhenta.
Toda a mecânica é igual a da Ambient: repetitiva, lenta, longa, composta por camadas que se somam, atingem seu topo quando tudo entra junto depois de 8 compassos, e devagarzinho vão saindo de cena.
Seria o “Ambient Hardcore”?
Viagem minha?
Enfim, de toda a discografia do Mogwai, resolvi puxar o álbum que rendeu mais fama e rasgados elogios de John Peel pra falar aqui (até porque ainda é o que mais gosto deles).
Young Team surgiu no meio da então onda do “pós-rock”, onde bandas e artistas transados faziam discos barulhentos, com influência de jazz, progressivo, Fugazi e sem vocal. Dentre elas destacaram-se: Tortoise, Trans Am e Dirty Three.
Young Team tem alguns dos melhores timbres de guitarras tirados na década de 1990, e ainda me lembro vividamente da sensação de fim de mundo que foi a apresentação deles aqui no Brasil há mais de 10 anos, onde as cadeiras do teatro do Sesc Vila Mariana pareciam que viriam a baixo tamanho o barulho provocado pelos escoceses.
Tive quase certeza que viria a baixo mesmo em “Like Herod”: Ensurdecedora, os ecos desse ruído ainda reverberam no meu cerebelo.
Show inesquecível, banda sensacional.
O álbum é a quintessência do Mogwai: coisas acontecendo aqui e acolá, explosões de um lado, quietude nervosa na maior parte do tempo, ótimos achados estruturais e boa música para se digitar sem perder a concentração.
Gene Clark – White Light (1971)
Publicado; 09/05/2012 Arquivado em: Discos, Música, records Deixe um comentário
Esse não é recomendável aos fracos.
Se você acha o Wilco o máximo, prepare-se para se encontrar com o cara que inventou esse negocio de folk-rock ou country-rock-indie.
O Wilco é o máximo, mas se você quiser ir um pouco mais fundo na introspecção que uma boa canção levada no violão e composta como um artesão das palavras e das melodias, prepare-se para conhecer Gene Clark.
O cara foi uma lenda!
Dylan pagava um pau danado pra ele.
Clark era um baita cantor, um ótimo compositor, excelente letrista e carregava no seu semblante e na sua embocadura o sofrimento e o mistério que todo bom menestrel da canção precisa ter.
Nos anos 60 ele fez parte do Byrds (só por isso, já merece vossa atenção), já no fim dos anos 60 e começo dos 70 ele se lançou em carreira solo, que prometia ser sucesso puro.
Além de tudo isso acima citado, o danado era bem apessoado, “tipão”, tinha o shape para virar o grande rock star dos anos 70.
Pois é, tinha… mas não rolou….
Por que?
Mistérios…
Fato é o seguinte: White Light é um dos mais bonitos e líricos momentos do folk americano. E mais, é o disco que o Dylan queria ter feito e nao fez e a inveja e admiração por Clark foi uma das poucas “bandeiras explicitas” que o senhor Zimmerman se permitiu fazer ao longo de sua vida.
Até porque inveja mortal, Dylan tinha era do bardo canadense de sobrenome Cohen…
Mas ai é outra história.
Canções que beiram a perfeição, Clark mostra porque num time que tinha David Crosby e Roger McGuinn ele se destacou como a principal forca musical dos Byrds…
Caraca, isso não é pouca coisa!
Soturno e meio tristonho, o álbum se revela logo na capa. Uma linda foto no breu de uma noite sem fim, com o cantor sentado ou agachado ano cantinho direito e o satélite natural favorito de 10 entre 10 poetas ao fundo num efeito simples, mas eficiente.
Acaricie vossos tímpanos, eles vao agradecer esse presente sonoro.
Depois você volta pro Wilco…
Adoniran Barbosa – Documento Inédito (…..)
Publicado; 08/05/2012 Arquivado em: Discos, Música, records Deixe um comentário
Falar de S.Paulo sem citar Adoniran é como não ter falado nada de S. Paulo.
Tava lendo uma matéria sobre os novos artistas da cena paulistana que estão movimentando a opinião publica, a classe média limpinha e os Sescs com seus shows, canções e discos tentando traduzir o que é Sampa hoje. Sem sucesso.
Infelizmente nenhum deles consegue.
E não conseguem porque não tomaram o pulso da cidade, a grande maioria acha que Sampa é um aeroporto de gente vindo e indo ou acha que Sampa se resume a Vila Madalena e alto de Pinheiros e chama tudo depois do Ipiranga de ZL com desprezo.
Quem é do gueto canta pro gueto e que se foda.
Ninguém tenta ir além.
Uma amiga minha, analisando essa cena toda, sacramentou: tudo não passa de um simulacro de realidade.
Até acho alguns desses artistas bem competentes, mas tenho que concordar com ela.
Quase nenhum deles é “For Real”.
Pensando nessa situação e ouvindo esse disco do Adoniran, fica difícil não constatar essa óbvia situação.
Esse álbum é uma compilação de participações em programas de radio e TV, entrevistas, trechos de depoimentos e uns pedacinhos de gravações onde ele canta seus sambas seguidos de explanações profundas das origens deles e suas inspirações.
Delicioso é pouco, Adoniran é uma figura difícil de ser ignorada e impossível de não se gostar.
O disco abre com a antológica participação do compositor no programa “O Fino da Bossa” sendo entrevistado por ninguém menos que Elis Regina e a sintonia dos dois é fora do comum.
Fica nítida a admiração mutua, e em nenhum momento a aura do papo é quebrada para rasgação de ceda alheia. O papo é furadíssimo, mas profundo, dá pra ficar ouvindo milhões de vezes seguidas sem cansar.
Enfim, Adoniran produziu verdades absolutas que só quem mora nessa zorra urbana consegue captar, entender e rir.
Gênio da raça. Tenho orgulho de ser da mesma área que esse cara.
Boa noite.
Pavement – Wowee Zowee (1995)
Publicado; 07/05/2012 Arquivado em: Discos, Música, records Deixe um comentário
Não acredite em Stephen Malkmus.
Stephen Malkmus não é e nunca foi um rock star confiável.
Debochado demais para ser sincero, sério demais para ser maluco, tudo no Pavement foi pensado e orquestrado em cima de regras e conceitos claros, eles nunca deram um passo pro lado sem saber se ia virar ou não.
Malkmus dever ser um dos 5 músicos mais inteligentes que surgiram no século XX, legitimo nerd musical e cobra criada que ouviu milhões de discos antes de começar a fazer os próprios e Wowee Zowee foi a prova dos 9.
Moldado dentro dos conformes indies básicos que viraram padrão dentro dos anos 90 (padrão esse que foi criado também pelo Pavement), Wowee é um petardo torto, barulhento, quebrado e paradigmático que pra muitos, é seu melhor momento.
Menos pop que Crooked Rain, Crooked Rain (1994), álbum que daria grande exposição ao grupo e no meio do caminho do experimental e genial Slanted and Enchanted (1992), este clássico absoluto também, Wowee sofreu de um grande mal: não tinha nenhum hit, por que se tivesse, a banda não seria lembrada só por fãs, especialistas em anos 90 e iniciados.
O Pavement seria banda lembrada tanto quanto um Smashing Pumpkins ou Nirvana e teria muito mais admiradores normais espalhados pelo mundo.
Como eu disse lá no começo, eram debochados demais para dar o passo adiante e encarar o precipício que os separaria dos demais mortais, passaria as escadas de Asgar e atingiriam um tipo de topo onde poucos chegam.
Tecnicamente impecável, o som caminha pelos experimentos provocados por Captain Beefheart, Faust e Zappa (todo o layout da capa lembra muito as bagunças que FZ cometia nos anos 70), mas todos traduzidos brilhantemente para a década barulhenta, individualista e estranha que foi.
Algumas das melhores musicas que o grupo fez estão aqui: Black Out tem um dos melhores e mais bonitos timbres de guitarras produzidos pela banda, Serpentine Pad é uma pedrada a la Sonic Youth, curta e poderosa. E Best Friend’s Arm? Não é simplesmente o máximo? Corre, breca, corre, breca.. qual é a deles?
Tem umas fáceis também: AT & T é perfeita balada pop esquisita onde a banda se deixa levar por um caminho mais fácil que dificilmente eles optaram em seguir.
Enfim, um disco duca e essa edição remasterizada de 2006 ainda traz um segundo cd de sobras de estúdio, mais lados B lançados somente em singles e música pra cacete (50 no total).
Vale cada centavo suado.
O Pavement é uma das bandas da minha vida e pronto.
George Gershwin – The Piano Rolls, Vol.2 (1995)
Publicado; 06/05/2012 Arquivado em: Música Deixe um comentário
Antes de virar o maior compositor norte-americano da primeira metade do século XX (polêmica!), Gershwin, como todo filho de imigrante morando em Nova York, com poucos recursos, muita energia, sem medo do labor e numa fase importante de transição mundial (1900 a 1925), acabou encontrando na então ascendente indústria musical que nascia sua porta de entrada para ganhar dinheiro e ascender como músico.
O piano deixava de ser o instrumento de status social da era vitoriana destinado a mocinhas e recatadas donas de casa, para virar um dos principais suportes para a indústria da música que começava a nascer junto com o novo século e se tornar a mais rentável e importante fonte de entretetimento do inicio do século XX (antes do surgimento do Cinema e do Disco).
A procura por pianistas e compositores de canções populares que pudessem ser tocadas por qualquer um e que agradassem a grande massa de novos ouvintes que queriam diversão para compensar a dureza do dia-a-dia.
Assim o piano foi o instrumento mais popular nesse período.
The Piano Rolls é uma série de gravações digitalmente recuperadas dos primeiros rolos gravados pelo então muito jovem pianista e futuro compositor George Gershwin tocando temas populares do final da década de 1910 e inicio dos anos 20, desfilando uma deliciosa seleção de ragtimes, charlestones e canções que marcariam o nascimento do jazz como conheceríamos anos depois.
Um período de classe sem duvida, e o som que nos chega hoje, graças a esse rico trabalho de recuperação digital desses documentos sonoros revelam o espirito empreendedor e poderoso que nascia na necessidade vital de criar sonhos e alívios que os EUA fariam ao longo do século e na figura de Gershwin em particular, o homem se tornaria importante tradutor dessa potência cultural que todos nós conheceríamos, invejaríamos e admiraríamos nas décadas seguintes.
Vindo do povo e para o povo, Gershwin começava nessas despretensiosas canções a cravar sua marca na cultura popular americana e por conseguinte, mundial.
Delicie-se.
