Luiz Gonzaga Jr. – Plano de Vôo (1975)
Publicado; 01/08/2012 Arquivado em: Discos, Música, records | Tags: jazz folk, steely dan Deixe um comentário
Confesso que um disco do Gonzaguinha há algum tempo não entraria jamais numa lista dessas, mas o tempo passa, a gente vai ficando mais velho, mais tolerante e começa a se despir de alguns preconceitos e encontrar no meio do lixo da MPB uma pá de disco bom.
Plano de Vôo é um desses discos incríveis achados nesse processo de depuração.
Letrista inspirado, Gonzaguinha virou paradigma de MPB engajada e politizada que aqui dava seus primeiros passos com um álbum pra lá de bom, sem o exagero do teor politico e enfatizando na riqueza musical que nem o próprio conseguiria repetir ao longo de sua rica, mas curta carreira.
Jazz, folk, psicodelia nordestina, old school mpb, enfim essas são as tags para entender esse disco.
A dica do disco de hoje, foi do chapa Cassio Renovato, o soturno do Nordeste, profundo e prolifico conhecedor de música, que baba pelo Wilco, pelo Steely Dan e pela cantora Célia com igual reverencia e eloquência.
Valeu a dica mestre!
Stevie Wonder – Songs in the Key of Life (1976)
Publicado; 30/07/2012 Arquivado em: Discos, Música, records | Tags: ebony eyes, pastime paradise, village ghetto land Deixe um comentário
Ahh seu maravilha…
Dificil, diria quase impossível escolher um disco de Stevie Wonder para começar a conhecer a obra desse gênio.
Tive uma edição usada e mal cuidada em vinil, até achar uma edição que não fosse o olho da cara em CD que tivesse as 4 músicas que sairam em compacto (Saturn, Ebony Eyes, All Day Sucker e Eazy Goin Evening) e não constavam na edição original.
E Songs cai bem, porque tem muita musica.
Album duplo, transbordando ideias, musicalidade, energia, soul e funk, capturaram Stevie no seu auge, em um ponto onde ele não tinha mais para onde crescer, pareceria impossível fazer algo tão sensacional quanto esse álbum.
Sampleado, imitado, invejado, Stevie colocaria a soul music em um estágio acima, difícil de ser batido ou rivalizado.
Nessa altura do campeonato, Stevie fazia tudo do seu jeito, ou seja, além de assinar todas as composições, arranjos, direção musical e letras, era também o produtor artístico, executivo e o que mais precisasse ele fazia.
Todo esse controle era para garantir que a obra saísse exatamente como ele queria e como ele havia concebido em sua mente.
Politico, sensível e social sem ser chatão, Stevie escrevia suas letras mais pessoais e as emoldurava com um apanhado imbatível de canções que só por nossa senhora…
Dúvida? Eu sei que não, mas aposto achar baladas tão felizes como Sir Duke ou Isn’t She Lovely (que conta com o melhor uso de gaita na soul music)… quer algo mais funk… I Wish, Village Ghetto Land, Pastime Paradise ou All Day Sucker.
Agora a minha favorita hoje é a doce e inacreditável Ebony Eyes…
De ouvir e chorar…
Ed Lincoln – Box O Rei dos Bailes (2011)
Publicado; 28/07/2012 Arquivado em: Discos, Música, records | Tags: esquivel, herb albert, lounge music, ray conniff Deixe um comentário
Mais um monstro da legitima bagunça instrumental brasileira que nos deixou esse ano, foi discretamente e passou despercebido pelo grande público e até para o restrito público que ainda acompanha música.
Que azar, ele morreu no mesmo dia em que John Lord (Deep Purple).
O Paraiso estava precisando de sangue novo, assim chamou os dois monstros de uma vez.
O cearence e arredio Ed praticamente inventou sozinho o sambalanço, ao som de seu órgão espetacular nos anos 60.
Esse box espetacular traz de volta 6 albuns que há muito estavam fora de catalogo e serviram para trazer luz a um repertorio espetacular, pautado em ótimas versões do cancioneiro popular americano, além de bossa nova e canções próprias.
Similar ao nosso maestro, estão Herb Albert, Ray Conniff, Esquivel, enfim… lounge music em geral.
Som para dancar, o box tem o nome que merece.
Wanda Jackson – The Party Ain’t Over (2011)
Publicado; 24/07/2012 Arquivado em: Discos, Música, records | Tags: elvis presley, jack white, wanda jackson Deixe um comentário
Jack White curte uma coroa.
Jack White é homem de gostos excêntricos e curte produzir álbuns de cantoras velhas e dar a elas a real dignidade que todo artista veterano merece.
Foi o que ele fez com Loretta Lynn e ano passado com a lenda Wanda Jackson.
Wanda foi contemporânea de Elvis Presley.
Tecnicamente, na regra da etiqueta, ela veio antes… foi a primeira mulher a cantar rock e rockabilly em 1955, o que a torna uma das mulheres mais avançadas de seu tempo.
Seguiu pelo country e rockabillly ao longo de 4 decadas até decidir se aposentar e ir jogar bingo com as amigas.
Até chegar uma oferta de voltar, pelas mão do Jack (aquele que curte as coroas), com o apoio de outro fã ilustre, um tal de Bob Dylan e ela saiu da moita para cometer um baita álbum de rock velho com cara de novo. Coisa que quase todo mundo tenta e poucos conseguem.
O repertório é repleto de figurinhas conhecidas do repertório roqueiro, mas não obviedades.
Ok, rola um cover de Amy Winehouse… praticamente igual a original, pequeno pecado dentro de um disco vigoroso, que tem em seu cerne, a oportunidade rara de ouvir essa senhora com mais de 70 anos rugindo, miando e rasgando a voz com força, verdade e entrega que só uma artista do naipe dela é capaz de fazer.
Deixa para a posteridade um belíssimo álbum, a altura de sua relevância e moderníssima.
Se ainda existisse o seriado “Super Gatas”, ela taria dentro quebrando tudo e mandando em todo o mundo.
Paul McCartney – Ram (1971)
Publicado; 23/07/2012 Arquivado em: Discos, Música, records | Tags: billie joel, hemigway, marlon brando, orson welles Deixe um comentário
O dizer mais de um cara que em qualquer lista séria de músicos pegaria os seguintes rankings:
Maiores baixistas de todos os tempos: estaria entre os 5.
Maiores compositores do rock e pop: top 3
Guitarrista ou pianista: top 20
Cantor: top 5.
Os Beatles foram os artistas mais importantes dos Seculo XX.
Isso vale para qualquer campo artístico.
Foram maiores que Stravinski, Elvis Presley, Pablo Picasso, Alfred Hitchcock, Hemigway, Orson Welles, Sinatra, Miles Davis, Billie Holiday, Marlon Brando, Bob Dylan, Salvador Dali, Cartier-Bresson, Andy Warhol, Kurosawa, etc…
Chegaram a mais cabeças e corações que qualquer um dos acima citados jamais sonharia atingir, e sua abrangência e influencia é tão forte e tão importante, que dá pra afirmar que toda a música pop que se conheceu desde que eles apareceram simplesmente não existiria se não houvessem os Beatles.
Beales é uma coisa, goste ou não, essa é a real… podemos discorrer com mais profundidade sobre isso, mas o assunto é o único disco realmente decente da carreira de Paul McCartney pós-Beatles.
Na real, a carreira de Paul fora dos Beatles estaria num estágio intermediário um pouco acima do Billie Joel e uns 8 degraus abaixo do Elton John.
E o que cobrar de um cara que fez tudo o que ele fez?
As constatações são só pra lembrar que o Paul mais amado é o Beatle e não o cantor solo de álbuns irregulares, ex-lider dos Wings, ativista eco-vega chatão, homem família, defensor da maconha, pai, avô e que fez mais discos ruins do que bons.
McCartney I, Chaos And Creation in the Backyard e Flaming Pie são os discos bons de Macca, mas Ram é disparado o melhor.
Menos desleixado, mas não menos relaxado, o álbum foi feito em casa e reza a lenda, com fundamental apoio e participação de sua falecida esposa Linda McCartney, mostra o Paul artesão, redator de melodias e linhas harmônicas executadas com uma perfeição e maestria que só um homem conhecedor de tudo e mais um pouco na música seria capaz de fazer.
Brincou-se que Macca poderia fazer música sobre qualquer assunto, em qualquer velocidade e em qualquer hora. Não sei, mas em Ram ele está particularmente feliz, e o disco não tem fluência mas tem uma cadencia de uma viagem de charrete, com direito a paradas, aceleradas, retornos e umas surpresinhas no caminho.
Reencontrar esse lindo álbum remasterizado duplo em Vinil com um inteiro só de sobras é coisa linda de Deus. A edição em Cd também é legal, mas fica mesmo “pequena” perto do Vinil.
Bachman-Turner Overdrive – Bachman-Turner Overdrive II (1973)
Publicado; 22/07/2012 Arquivado em: Discos, Música, records | Tags: arena rock, bachman turner overdrive Deixe um comentário
Definitvamente as melhores gravações feitas e produzidas foram a dos discos lançados nos anos 70.
Ganham em tudo e de todas as épocas, inclusive da nossa: peso, dinâmica, fluência, inovações e mais quantos quesitos você quiser listar.
Com o avanço da tecnologia que cresceu um monte nos anos 60, somado a uma geração particularmente feliz de músicos, produtores e criadores todos cheios de ideias e sabendo como operar as novas mesas de som e os estúdios cheios de possibilidades, os anos 70 floresceram como uma década que vista hoje de longe com um olhar mais critico e analítico não deixa dúvidas. Foi a década da produção musical!
E todos os gêneros se beneficiaram com isso.
No rock e em todas as suas instancias, no jazz, no funk, na soul music, no country, no reggae e no pop.
Até discos comuns ficaram muito melhores graças ao modo como foram gravados e grupos como o Bachman-Turner Overdrive foram muito ajudados.
A banda em si é comum, igual a outras 30 do mesmo gênero de hard rock de arena, mas a produção em particular desse disco é um arraso. Até as passagens mais simples tem um peso daqueles, a cozinha bem tocada foi captada com rara destreza, as guitarras pulam nas caixas como flechas nos seus ouvidos, tudo junto numa mixagem que leva o som da banda lá pra cima e faz tudo parecer muito melhor.
O disco é ótimo mesmo sem ter nenhuma grande song, mas no todo as oito faixas do álbum dão bem a medida do que era o arena rock setentista que não encontraria nos anos seguintes nem sombra e nem rivais.
Grande BTO… rock de truck driver de primeira.
The Flaming Lips – Cloud Taste Metallic (1995)
Publicado; 21/07/2012 Arquivado em: Discos, Música, records | Tags: christmas at the zoo, flaming lips, soft boys Deixe um comentário
Esse foi o ultimo disco de rock do Flaming Lips.
Depois desse, as pirações de Wayne Coyne não conheceriam mais limites.
Olha a lista:
Zaireeka (1997), álbum quadruplo cuja proposta quadrifonica previa que a experiência sonora só seria completa se ouvidos os quatro discos simultaneamente, oi? Christmas on Mars (2008) é uma “trilha sonora” surreal de ficção cientifica e psicodelia de um filme que nunca existiu, oi? E recentemente fez um álbum com a banda Heady Fwends em que a edição em vinil colorida vem com uma bolsa de sangue colhida de artistas como Chris Martin (Coldplay) e do próprio Coyne, oi?
Mas tanta piração infelizmente não é sinônimo de qualidade.
Por isso que Cloud Taste Metallic é bom.
Antes que as alucinantes ideias de Coyne dominassem completamente as ações da banda, ainda restou um tiquinho de guitarras e rock até que elas fossem extintas do som do FL nos anos seguintes.
Muitas ideias e poucas músicas que prestem, essa tem sido a rotina do grupo.
Clouds… está cheio de grandes canções: This Here Giraffe, The Abandoned Hospital Ship e principalmente Christmas At The Zoo (coisa de gênio 1) e Bad Days (coisa de gênio 2).
O Flaming Lips conseguiu a incrível combinação de inocencia, birutice e ambição que seriam levadas as ultimas consequências, mas que aqui ainda se encaixam, fazem sentido em sua mistura de Beach Boys, 10CC e Soft Boys.
Sensacional canto do cisne do bom Flaming Lips guitar, os Lips são a maior influencia do novo indie 2000, para o bem e para o mal.
John Coltrane – Meditations (1965)
Publicado; 20/07/2012 Arquivado em: Discos, Música, records | Tags: elvin jones, jimmy garrison, mccoy tyner, rashied ali Deixe um comentário
Finalmente um disco do Seu João por aqui.
Pra falar a verdade, eu evito um pouco as unanimidades ou vacas sagradas por uma razão muito simples, eu não curto unanimidades.
Coltrane, assim como Miles Davis, é um dos mais iconográficos representantes do jazz de todos os tempos e um dos principais artistas aglutinadores de publico, seja de novo público que se aprochega aos sons do jazz, seja de ouvintes mais experimentados.
Coltrane é ou deveria ser presença obrigatória nas discoteca de qualquer cidadão que goste de música.
Os favoritos de grande parte do público são, em ordem decrescente: Blue Train, Ballads e principalmente A Love Supreme, talvez o mais amado disco de jazz da história.
Mas como eu sou do contra, escolhi Meditations.
Gravado em 1965, Meditations é incomodo, barulhento, frito e marcaria uma virada definitiva na carreira de Coltrane em direção ao free-jazz experimental, por muitas vezes, insuportável (é verdade!), mas revolucionário em forma, conteúdo e expressão.
Como é pra frente que se olha, Coltrane tinha mudado sua banda e pra esse álbum, tinha a companhia mais segura e poderosa de Pharoah Sanders que com seu sax tenor dividiu com João a responsabilidade em gerar o caos e linhas diferentes de harmonias difusas dentro de um amplo espectro de possibilidades delineadas e comandadas pela base mais poderosa de toda a historia do jazz: McCoy Tyner, Jimmy Garrison, Elvin Jones e Rashied Ali (um verdadeiro dream team do jazz).
Meditations é uma viagem em espiral ao inferno, a danação e ao lado escuro da luz (viagem né?), mas é um disco tão espinhento e tão dolorido que também não é um disco pra se ouvir o tempo todo e a qualquer momento.
Fritação das boas.
VCMG – Ssss (2012)
Publicado; 19/07/2012 Arquivado em: Discos, Música, records | Tags: tecno, vince clarke Deixe um comentário
Dificil achar algum artista novo que preste né?
Você, amiguinho atualizadinho, bem que tenta, vai lá, devora a Uncut e a Mojo, passa a vista na Spin e na Rolling Stone, zapeia nos blogs, clica em todos os links do Pitchfork, lê o Lucio Ribeiro, essa coisa toda.
Ai você escuta todos os artistas e faz um monstruoso favor para gostar, mas lá no fundo, bem nos fundilhos de vossa alma você sabe que a maioria dessas coisas não passa de merda.
É isso mesmo, não se iluda…
Já passei por isso também nos anos 90, onde a gente tinha menos acesso a informação, não tinha internet, nem blog, nem site, nem merda nenhuma. Tudo era na raça, na confiança que você depositava em alguns faróis e vamos embora.
Mas é pra frente que se anda, então voltemos pra 2012 e tentar achar alguma coisa que preste…
É dificil, mas não impossível.
O VCMG não é um projeto de garotos ou amadores, e sim um projeto de música eletrônica séria capitaneada por dois monstros do tecnopop: Vince Clarke (cabeça musical por tras do Erasure) e Martin L. Gore (gênio que inventou o som do Depeche Mode).
Esses dois senhores, de trajetórias, histórias e biografias tão ricas finalmente se juntaram para fazer um disco juntos e o resultado é um perturbador, instigante e monumental álbum de Tecno, com forte cheiro de passado, mas totalmente ligado aos anos 2000.
Pesado, dançante, com bases cavalares que trafegam entre o House, o Tecno clássico anos 90 e até alguns sons Garage ingleses.
Rico em camadas, a dupla não economizou esforços, se inspirou nos caras que mexeram o mundo nos anos 2000 e lançaram desde já, um dos mais interessantes discos de 2012.
Pelo menos não vai ser um daqueles discos ou artistas hype descartáveis que a mídia inteligente não se cansa e nunca se cansará de jogar em vossos colos.
Os “garotos” mandaram muito bem, prova viva que para fazer musica jovem não é privilegio de jovens.
Mudhoney – Superfuzz Bigmuff (1988)
Publicado; 17/07/2012 Arquivado em: Discos, Música, records | Tags: black sabbath, mark arm, steve turner Deixe um comentárioNaquela história da carrochinha que te vendem o Nirvana como expoente máximo do grunge, faz um favor: cut the crap e bota esse disco pra escutar.
Tudo que o grunge foi e seria tá todinho aqui!
A quintessência do que o rock alternativo de guitarras foi até aquele instante e o que viria a ser nos anos seguintes, até que fosse completamente aniquilado pela modernidade dos anos 90 e sepultado pelo britpop e pelo pós-britpop praticado por Radiohead e quetais…
A diversão, o ruído, a velocidade, o Black Sabbath, o Black Flag, tudo junto e misturado ao clima “tocando o foda-se” até as últimas consequências e instancias que só uma banda tão boa como o Mudhoney poderia ter feito.
Tudo que veio depois desse disco sempre bateu na trave, o Mudhoney nunca repetiria outro momento tão furioso, tão urgente e tão divertido como Superfuzz Bigmuff.
Eles sempre foram uma banda muito legal, que fizeram músicas de dar inveja em 95% dos artistas de rock das ultimas 3 decadas e são tão lo-profile, que hoje vivem vidas normais com empregos tão normais que chega a ser espantoso saber por exemplo que Steve Turner virou marceneiro e carpinteiro e que Mark Arm (líder e guitarrista), trampa ou chegou a trampar na própria Sub Pop como gerente de estoque da gravadora.
Desde sempre, Superfuzz Bigmuff será um disco de guitarras originais, explosivas e destruidoras.
E fica melhor ainda nessa edição em vinil remasterizada lindona.