Livin’ For You – Al Green (1973)

IMG_20150519_210938049

Que marra!

Só essa capa já dá uma ideia do poder do negão, mas o conteúdo é que interessa.

Livin’ For You é um disco pra se ouvir com fones de ouvido.

E não é só porque é uma outra produção espetacular da dupla Green-Mitchell, mas porque talvez seja o disco com as baladas mais intimistas já feitas pelos dois e num nivel creme de la creme de arrepiar o pelo do “forevis”.

Som quentinho pra ficar no ouvidinho e confortar até uma pedra.

Relaxado, solto e com mais riquezas de arranjos, Livin é uma delicia pra se ouvir de noite, naquele momento em que você tá meio de bode da vida e precisa ouvir palavras de inspiração superior.

Tudo é tocado com uma suavidade que lembra aquela expressão que se usa em corridas de F1 em que o piloto já tá com a corrida ganha e traz o carro na “pontas dos dedos”.

Ouvindo Home Again, faixa 2 do lado A parece que todo o instrumental foi segurado só com o polegar e o indicador de tão suave e tão leve, até que a banda da uma virada sutil e marota e aumenta o beat só pra dar aquela finalizada muito pró…

Falar do resto do lado A é covardia, é o tipo de disco que tá realmente contando uma história que começa com Livin’ For You, passa por Home Again, chega em Free At Last, com uma marcação de caixa com o piano Rhodes que não deixa dúvidas da seriedade dessa empreitada.

E tamo na faixa 3 ainda…

É muita covardia…

Na sequencia vem a epopeia romântica Lets Get Married, um balanço de fazer a periquita suar e termina o lado A com a balada quente, So Good To Be Here.

Virando a bolacha e vem uma faixa mais “comum”… soulzinho padrão Al Green… Sweet Sixteen vem groovando com a classe de quem não faz esforço nenhum em quebrar tudo como eles estão fazendo.

E tem uma versão de Unchained Melody… imaginou? Vai no youtube e escuta… nem falo nada… vixi…

Com tudo isso posto, finalizo com o seguinte: hoje, Livin For You é o meu álbum favorito de Al Green.

Até sexta-feira, tudo pode mudar.


Green Is Blues – Al Green (1970)

IMG_20150519_210928281

Al Green é o meu cantor favorito.

Talvez eu volte a usar essa expressão em algum outro disco nesse blog para outro interprete (na mais pura promiscuidade), mas há algum tempo, o Al Green vem sendo o cara. A Voz! A garganta!

Nos últimos anos tenho ficado entre ele, Ray Charles, Sam Cooke e Syl Johnson, mas toda a vez que ouço o Al, eu me divorcio do mundo a minha volta e deixo sua voz me levar para o Eden.

Como quase todo o mundo que tem 40 anos hoje e teve 20 em 1995, deve ter tido o mesmo impacto que tive quando ouvi Lets Stay Together na trilha de Pulp Fiction.

Um breve parêntesis, dá pra colocar na conta do Tarantino muita da formação musical dessas ultimas duas décadas. O que esse cara apresentou para as massas através de seus filmes não é pareo pra nenhum outro.

Enfim, o bom disso tudo foi que ficar só em Lets Stay Together não era definitivamente a minha, segui acompanhando o que esse cara tinha feito na vida e descobri algumas maravilhas que fizeram minha vida muito melhor.

Escrever sobre Al Green sem citar Willie Mitchell é impossível.

Sendo um grande chute, arrisco que Mitchell tenha sido o produtor que melhor gravou e produziu sons de bateria ever.

Nesse inicio de carreira dos dois dá pra ter uma ideia do potencial, mas as obras-primas sairiam nos próximos 3 anos.

Green is Blues é um ótimo disco, mas era só o inicio da história dos dois.

Naquele tempo um artista nao tinha tanta moleza e precisava se provar e gravar disco quase todo o ano, o que no caso dessa dupla foi ótimo, pois o que jorrava de inspiração deles tanto no cantar quanto no produzir disco foi uma simbiose perfeita.

O que dizer de My Girl, há regravações mil, mas a do Al é particularmente especial. O tema é muito adolescente e tem um que juvenil, e com o arranjo e especialmente nas divisões é que Green deixou a música muito adulta.

The Letter é outra que ficou assim, originalmente gravada pelo Box Tops (do adolescente Alex Chilton), ficou outra maravilha para embalar jovens adultos.

Enfim, Green is Blues parece pouco perto do resto da obra dos dois, mas mesmo assim é muito mais do que mais da metade dos cantores de soul jamais conseguiram ser.


African Brothers Meet King Tubby In Dub – African Brothers / King Tubby (2005)

IMG_20150512_224253514

Fumacô no recinto!

Aprendi a gostar de dub lá pelos idos de 1998, mas só fui me aprofundar em 2005 a 2006, ou seja, é uma paixão relativamente nova!

Na minha jovem e tenra impaciência punk, nunca tive muito saco e ouvido pra apreciar os bons sons vindos da Jamaica e sei que deixei de escutar muita coisa incrível que poderia ter feito minha cabeça mais cedo.

Enfim, ser precoce não está entre as minhas características pessoais.

O Ska tomou conta da minha predileção inicial por conta do amor demasiado amor que eu tenho pela New Wave, assim tava mais fácil amar o Specials do que o Lee Perry.

Alias, foi com ele que comecei nesse fumacê sonoro.

Mas nas idas e vindas, descobri outro cara tão genial quanto, que é o também jamaicano King Tubby.

Produtor de mão e cabeça cheia de ideias, ele era o cara que girava os botões e botava reverb nas gravações alheias e metia eco na bateria e enchia os baixos com gorduras inéditas na história da música.

Nesse álbum, que na verdade é um apanhado de mixagens e faixas aleatórias gravadas pelo grupo African Brothers nos anos 70 com produções esparsas e nenhum álbum oficial (eles lançavam compactos, k7s, etc), não tavam muito nessa de álbuns, ta entendendo?

Mas esse conjunto de rabiscos geniais, deve estar concentrado o melhor dub ever! Ou o melhor dub que eu conheço, mais claro, mais gordo, mais grave e mais sensacional que eu conheço.

Tudo feito na manha, sem pressa, mas com precisões milimétricas, a produção do “Rei” com os “Irmãos” dão a essa bolacha o poder de preencher os espectros de graves de uma sala com delicadeza e força que desconheço.

Como falei, sou novo nesse pedaço, mas essa é daquelas pedradas poderosas que fazem a vida sublimar e valer a pena.

Eu gosto de vinil pelo formato e pelo fetiche, mas esse play fica até sem graça colocando o link do youtube abaixo, é tão xoxo que parece desdizer tudo aquilo que eu escrevi antes.

Ouvi-lo nas caixas de som de casa vinda da bolacha realmente é uma experiência a ser seguida. Recomendo.


Lone Rhino – Adrian Belew (1982)

IMG_20150511_215152108

O que dizer de uma capa em que um cara meio careca, vestindo um blazer vermelho claro com uma guitarra na mão, no meio de uma pasto, apontando e encarando um rinoceronte com uma garça em cima do seu dorso?

Deve ser uma das mais toscas e incríveis capas de discos de todos os tempos!

Pra dizer o mínimo.

Bem, Adrian Belew é gênio da raça e no final dos 70 pros 80 ele tocou guitarra pra quase todo mundo que importava naquela época.

Vai vendo a lista: David Bowie, Talking Heads, Paul Simon, King Crimson, Frank Zappa e por ai vai.

Só fera, meu!

Sua carreira como guitarrista é foda.

Já a solo não é tão consagrada, mas extremamente digna e com alguns grandes momentos.

Esse é o disco de estreia dele e é ótimo!

Pra frentex dentro do que a década podia oferecer, o Adrian soube beber bem das fontes e sugar a manha dos caras para quem estava tocando na época e o disco tem muito de Talking Heads e de Ryuichi Sakamoto.

Quando cai pro rock como Big Electric Cat ou The Man In The Moon, chega quase ao descaro de soar muito parecido ao Talking Heads da fase Fear of Music. Umas músicas mais nervosas, meio dramáticas, mas com arranjos muito espertos e guitarras pra lá de especiais, já nos finais de cada lado, ele fica quase num som estéril e monocromático, em especial em Naive Guitar… ali fica bem a cara do japa.

Dois contrapontos muito interessantes e muito difíceis de se fazer num mesmo disco (nesse caso, tudo num mesmo lado!)

O estilo do Adrian sempre foi a vanguarda, sua praia sempre foi explorar as possibilidades da sua guitarra, tanto que nos créditos do LP ele informa que faz: guitar effects drums percussives and lead vocals.

Tem vanguarda que é chato pra dedéu e eu não dou conta, além do que, muita dessa vanguarda só faz sentido pra quem toca.

Adrian consegue levar a vanguarda pra fora do seu quadradinho e transformar em música audível, palatavel, difícil em alguns momentos, mas excelente e muito acima na grande parte do álbum.

Em tempos rasos, superficiais e bicudos, se deparar com uma pepita dessa perdida é um convite a permanecer no passado e esquecer do presente.


Dirk Wears White Sox – Adam And The Ants (1979)

IMG_20150511_215049752

Ontem escrevi sobre o segundo disco do Adam And The Ants e hoje vou pro primeiro, que foi lançado um ano antes e é tão sensacional quanto King Of The Wild Frontier.

Na verdade, o primeiro disco do Adam que eu comprei foi esse bonitinho, mas era uma edição em CD com outra capa e com o single da música Kick adicionada.

Ai um dia eu vi a edição original em vinil, que traz essa capa escura com essa linda foto em p&b e não titubiei, aposentei o Cd pela Bolacha, mesmo sem Kick, que é uma música bem foda por sinal.

Como um fã de disco autoral que está fazendo seu próprio (logo menos tá por ai), eu entendo que uma vez que a bolacha é lançada, que o barco é içado ao mar e que o pombo correio saiu com a cartinha, já era. A obra é pra ficar como está. Não sou muito fã de edições posteriores que trazem faixas bônus, faixas ao vivo ou novas masterizações.

Isso pra mim é desculpa pra arrancar dinheiro das pessoas, além de ser um desrespeito com a obra em si.

Pra mim, uma vez prensado e lançado é assim que tem que ser.

Foi isso que me levou a esse LP.

Dirk Wears… é um puta disco de rock.

Fico impressionado quando não citam esses dois discos do Adam nessas famigeradas listas de grandes discos.

Esse LP é grandioso em si mesmo.

Capturou tudo o que estava acontecendo e mesmo assim, foi de uma originalidade sem tamanho.

Não parece com nada que tenha saído na mesma época.

Esse primeiro disco deles é realmente uma obra com dono, com autoridade, o Adam escreveu e compôs todo o disco e ainda produziu. Ok, muita gente fez a mesma coisa, há grandes obras autorais por ai e falarei de muitas delas nesse blog, mas o Adam sabia exatamente o que queria, parece não ter feito muitas concessões e admiro esse tipo de artista que leva a sério o que está fazendo, acredita na sua visão e faz tudo com competência.

E o disco tem só música foda basicamente.

É o tipo de LP instigante. Posso ficar muito tempo sem escuta-lo e toda a vez que volto a ele, é sempre uma surpresa. Parece que é um disco vampiresco, sempre fresco e vigoroso.

Como todo bom disco de rock tem que ser.

Dirk Wears faz parte desse seleto clube.


Kings Of The Wild Frontier – Adam And The Ants (1980)

IMG_20150510_233703088

Eu curto o Adam Ant!

Curto mesmo!

A banda tem tudo o que eu gosto.

É rock, mas não é convencional, tem vocais fáceis misturado com arranjos complexos, mas tudo rápido e curto.

Não tem muito lero-lero.

Era a New Wave em sua melhor tradução.

Não a New Wave como movimento felizinho, colorido e la-la-la.

Tem um que de soturno, mas não tão soturno quanto os góticos.

O Adam se vestia como se estivesse na França pré-Revolução das guilhotinas, roupas, acessórios e cabelo que serviriam de inspiração para a Sophia Copolla fazer o figurino moderníssimo de seu Maria Antonieta. Que gracinha!

O Adam And The Ants deu certo, teve seu buzz! Fizeram 3 discos ótimos (ainda me falta o último e bom Prince Charming pra fechar a coleção).

Esse King… é o segundo deles e é o que eu mais gosto hoje.

Do Lado A as boas são: Dog Eat Dog, que abre com o pé na porta, a incrível Los Rancheros, balada que junta new wave com uma levada mexicana muito legal e fecha com Killer In The Home, com guitarra a la Link Wray.

O som desses caras é único, em especial pelo uso da bateria e do tal “Tambor Burundi” que reza a lenda foi uma viagem do então produtor musical Malcom Mclaren e que seria componente musical marcante também em outra banda bacaninha dessa época, o Bow Wow Wow.

O Bow Wow Wow teve música na trilha de Maria Antonieta!

Conexão cinema e new wave tresloucada.

Esse som de tambor fica mais claro na faixa titulo que abre o lado B, lá tem a síntese de tudo no som do Adam: bateria meio africana, distorção de guitarra e o baixo pontuando alguns espaços vagos. Tudo sincopado.

Outra boa desse lado é Jolly Roger… puro new wave do milho com bateriazinha ruim, guitarrinha sem vergonha e uma alegriazinha que se disfarça de tristeza.

Baita disco meu!


La Novia – Acid Mothers Temple & The Melting Paraiso U.F.O. (2000)

IMG_20150507_220143152

Eu ganhei esse disco há alguns anos e não sei bem ainda porque.

Talvez tenha sido por conta da capa muito doida e pelo meu então crescente interesse em psicodelias e neo psicodelias mundiais.

Eu sabia que o Acid Mothers era esquisito, mas não tinha nenhuma outra referencia quando pus as mãos nesse play.

Bem, lendo por ai, descobri que eles são uma banda japonesa que segue a linha “Neo-psicodelia, heavy e krautrock”, mas no fundo é uma banda que gosta de ficar dando uma embassada ou uma ensaboada guitarristica de 40 minutos sobre os mesmos acordes.

O que é basicamente o oposto a tudo que eu mais gosto.

Ma, va lá…

Fico pensando que se faça necessário o uso de combustíveis alucinógenos para acompanhar a viagem dos caras na integra.

E eu sempre ouvi esse disco sóbrio.

Talvez seja por isso que não bateu.

Juro que eu tentei…

Não gosto de álbuns com jams sessions tão longas e que não vão a lugar algum.

La Novia é mais ou menos por ai.

No quesito guitarreiras longas, conheço coisas melhores.

Um ponto a favor desse álbum: o LP é bonito pracas!


When The Punks Go Marching In! – Abrasive Wheels (1982)

IMG_20150505_232041755

Pensa em um negócio que não temo como dar errado:

Punk – Inglês – anos 70 pros 80.

Esse é o Abrasive Wheels.

Mais uma das 489 mil bandas punks que proliferaram na Inglaterra nesse período e mais um das 222 bandas que surgiram em Leeds.

Assim como mais uma das 727 bandas inglesas que não chegaram em lugar algum, mas que deixaram pro legado pelo menos um disco muito bom.

When the punks… é o álbum de estréia deles e dos que eu ouvi é também o melhor.

Nessa período dos anos 80, o punk já tinha deixado de ser modinha e tomado outros caminhos nas quebradas do mundo inteiro, virando um veiculo muito adequado para os jovens fudidos e sem perspectiva colocarem pra fora toda a sua revolta contra o establishment, contra a família, contra a propriedade e contra o mundo.

O disco tem tudo de bom e exatamente tudo igual a quase todos os outros discos de punk tardio que saíram por essa época.

O que não faz dele um disco comum, hoje em dia passado tanta agua por debaixo dessa ponte, When the punks, ainda não um disco de rock pra se ouvir na sala de estar, só se você for um punk véio.

É esse tipo de agressividade que não se vê ou ouve hoje em dia.

Saudosismo?

Eu nem tinha idade pra sentir saudade do punk rock oitentista.

O disco é rápido, curto e rasgante!

Ir no faixa a faixa não se faz necessário.

Go marching in!


How To Be A Zillionaire – ABC (1985)

IMG_20150505_232006586

O ABC sempre foi uma banda chabi e charmosa.

Um dos melhores exemplos do “new romantic” oitentista aquele negócio que tanto gostamos de ouvir escondido (hoje nem tanto) e tanto gostamos menosprezar.

Tinha muita merda, mas também tiveram discos maravilhosos como esse do ABC, lançado já no final do movimento de new romantic, e que ainda sim foi um grande hit na época.

Influenciado por Bowie e Roxy Music, o ABC que começou como um quarteto e nessa época virara uma dupla, tinha no seu dna a vontade feladaputa de ser pop e conseguiu sem vergonha alguma atingir esse propósito e por mais datado que possa parecer o álbum, a sonoridade e os timbres, ainda sim é um disco ótimo.

Houve um revival nos anos 2000, com a volta inclusive do próprio ABC.

How To Be…traz o saudosismo de uma época dura, de perrengues políticos, sociais e econômicos e fala muito bem aos ingleses da Era Thatcher, cheia de desilusões, angustias e vontades.

Discasso.


ABBA – ABBA (1975)

IMG_20150503_233231674

Sim!

ABBA!

Como diria uma grande amiga minha, “finalmente alguma coisa que eu conheço!”

Putz, que disco bom!

Adoro música pop, e em especial o pop dos anos 70. Aquele pop com misto de cafonice e sofisticação e o ABBA tem tudo isso. O som cósmico do ABBA parece ter sido feito para se ouvir usando luvas e roupas de veludo.

E não tem como não gostar de ABBA. Até os mais ranzinzas gostam deles. Até Mark E. Smith do Fall, que deve ser a pessoa mais rabugenta e amarga do rock, curte o pop sueco.

A música do ABBA é grandiosa, volumosa, caudalosa e tenho a nitida impressão que o quarteto sempre tratou seus ouvintes como a um igual, como alguém capaz de entender suas nuances e suas escolhas, pois em alguns momentos, os arranjos são sofisticados e muito bem pensados em se tratando de “pop comercial”.

Em especial nesse álbum homônimo de 1975, o terceiro disco deles.

O grande trunfo do ABBA era sua dupla de compositores Benny Andersson e Bjorn Ulvaeus, que escreveram juntos algumas das melhores músicas pop da mundo, mas nesse álbum, eles estavam especialmente inspirados, ou pareciam realmente muito mais inspirados que o comum.

Vamos ao lado A:

Mamma Mia: precisa falar? Canção pop com gancho e tons dramáticos que garantiu ao ABBA a eternidade.

Hey, Hey Helen vem com uma pegada de hard rock impensável quando lembramos do que estamos falando do ABBA.

Pulo a faixa 3 e vou direto pra SOS.

Uma declaração: SOS é a minha canção pop favorita de todo o sempre. Tem tudo! É perfeita, é sofrida, é esperta e genial na sua montagem. O modo como eles construiram essa canção deveria ser matéria em escola de “Como fazer uma bridge e um refrão”. É uma composição iluminada, curta, com ganchos incríveis. SOS é daquelas músicas que qualquer compositor gostaria de ter feito. Eu daria todos os pelos do meu corpo pra ter feito uma música assim.

O resto do lado A é ok!

Agora o Lado B… que lado B amigos!

I Do, I Do, I Do, I Do, I Do… outra pérola que não chegou a ser um grande hit, mas que canção pop! Que coisa incrível!

No meio tem uma instrumental espetacular chamada Intermezzo no 1, algo que se tivesse um vocal masculino rasgado deixaria o Queen operístico no chinelo.

E ainda tem mais!

I’ve Been Waiting For You é outra balada pop perfeita!

E fecha com So Long… outro rock a la ABBA, totalmente glam rock.

Meu Deus! Como tem música legal nesse disco!

E melhor de tudo, só música curta, nada de frescuras, fru-frus ou canções longas. Só o puro e mais inocente pop que se pode conceber.

Eu adoro o ABBA e seus hits são espetaculares, mas esse disco homônimo de 1975 é o meu favorito. Acho esse o mais inspirado que eles fizeram.

É pra se ouvir de cabo a rabo com um escandaloso, delicioso e inescapavel sorriso no rosto.