Bob Marley & The Wailers – Catch a Fire (1972)
Publicado; 27/09/2012 Arquivado em: Discos, Música, records | Tags: chris blackwell, peter tosh, reggae roots Deixe um comentário
Demorei para gostar de Bob Marley e seus comparsas.
E esquecam as piadinhas sobre cannabis e afins…
Demorou para eu gostar de Reggae, porque nunca fui precoce nas coisas.
Assim como demorei a entender e gostar de musica clássica, dub, country e afro-beat…
Mas depois que vem… não sai mais…
Foi o caso desse álbum.
Ouvir esse álbum, depois de tudo que já havia escutado e aprendido, caiu como nunca havia caído antes.
A delicadeza e o rude equilíbrio entre as composições de Bob, que ainda tangenciavam a soul music americana, mas já trazia a tona o reggae roots característico que seria sua marca registrada, no bojo, vinham as letras inteligentes, bem sacadas e politizadas, executadas com a maestria mantrica que só os Wailers sabiam imprimir nas bolachas.
Sem Lee Perry no comando da mesa, Marley assumiu a produção executiva ao lado do poderoso chefão da Island Record Chris Blackwell.
Resultado: menos dub, mais reggae. Menos brincadeira, mais seriedade. Menos pedrado, mais suave.
A fumaça tá toda lá…
Ainda sim, Catch a Fire é talvez a melhor pedrada que Marley e companhia colocaram no mundo.
Peter Tosh ainda está na trupe nessa época, e empunhando sua Gibson, é dele as mais lindas notas de guitarra que se ouviram em um álbum de Reggae, principalmente na definitiva “Stir it Up”.
Não dá pra fugir do óbvio, você pode ter ouvido um milhão de vezes essa música, mas ela sempre continua linda, preciosa e emocionante.
Simples e direta. Sem comparação.
To perto de dizer que esse é o meu álbum de reggae favorito, mas como ainda não descobri todos os rascunhos e notas bibliográficas desse gênero no seu todo, por enquanto Catch a Fire é o meu álbum de reggae favorito.
Até segunda ordem!
Vários Artistas – Furacão 2000 (1982)
Publicado; 26/09/2012 Arquivado em: Discos, Música, records | Tags: discoteque, gap band, lonnie smith Deixe um comentárioSe teve um disco que me influenciou definitivamente em favor do funk e da discoteque negra dos anos 70 e 80 foi essa coletânea expetacular da série Furacão 2000, uma das mais tradicionais e deliciosas corporações em favor da diversão sem culpa inventadas no Brasil e no Rio de Janeiro.
Ganhei de um amigo “metaleiro”, que com sua sapiência esquizofrênica, me fez ver que funk e metal podiam conviver pacificamente num mesmo ambiente.
Ou seja: Anthrax e Gap Band juntos ok!
A Festa Furacão 2000 Já passou por muitas fases, mas sempre teve como ponta de lança e missão primordial tocar o que tivesse de mais moderno e avançado em termos de música para “dançar” e em 1982, a festa deve ter sido muito boa.
No repertório, funk e disco eletrônica do começo da década de 70 e 80: Taana Garder, Vernon Burch, Chicaco Gangsters, Lonnie Smith e mais um monte de artistas que assim como apareceram e cresceram, também desapareceram.
Mas cada um a seu cada qual, filé de primeira… música pra se divertir sem vergonha e com muita classe.
Pop na sua essência, diversão garantida ou seus 3 litros de suor de volta!
The Cure – Join The Dots (2004)
Publicado; 25/09/2012 Arquivado em: Discos, Música, records | Tags: disintegration, eighties, robert smith Deixe um comentário
Tudo o que o mundo conhecia de The Cure até sair essa caixa era literalmente a ponta e a cabecinha do Iceberg.
Confesso que nunca fui um obcecado e fanático por Cure, gostava praticamente das mesmas coisas que todo o mundo, Pornography, Disintegration, Standing on The Beach e por ai vai…
Mas tudo isso mudou depois que saiu essa caixa em 2004.
Um outro The Cure foi revelado e exposto a quem não era necessariamente fanático pela banda.
Join The Dots juntou b-sides e raridades que a banda gravou entre 1978 e 2001 e acredite, tudo é absolutamente espetacular e mostra muito bem as distintas fases que a banda de Robert Smith passou ao longo desse longos e bem vividos anos de carreira. Do gótico depressivo, até sua fase mais expansiva e pop, nos flertes com pós-punk e até dance music, dá pra fazer um mapa emotivo da década de 80 só com essa caixa, além de cobrir bem os anos 90 com a visão de alguém que já não pertencia mais a ela, mas que ainda tinha uma ou outra coisinha a dizer.
Impossivel não ficar fanático por The Cure depois dessa experiência sonora.
E pensar em tudo que a banda não colocou em seus discos oficiais… misericórdia!
Simplesmente não consegui achar uma faixa nessa caixa que não fosse no mínimo boa.
Inacreditavel, espetacular… é só em adjetivo superlativo e elogioso que consigo me referir a esse box. Até na fase menos querida e mais criticada pelos seus fãs xiitas, periodo entre 1986 e 1987, onde o The Cure queria ser feliz e pop, não dá pra negar que os B-sides eram melhores dos que os álbuns oficiais, ou poderiam estar tranquilamente nos álbuns lancados nessa época e a história poderia até ser outra.
Mas nada disso aconteceu e graças a Deus essa caixa ainda por ai… fazendo nossa alegria e a de todo mundo que curte os eighties em sua essência, afinal, não dá pra desgrudar o Cure da década.
Arrume um exemplar, roube se preciso for, junte dinheiro.
Não sou fã de Boxes, mas esse fica num lugar bem especial no meu coração roqueiro.
Jon Spencer Blues Explosion – Orange (1994)
Publicado; 23/09/2012 Arquivado em: Discos, Música, records | Tags: blues explosion, jon spencer, judah bauer, russell simins, white stripes Deixe um comentário
Um herói, é isso que Jon Spencer é pra mim:
Se existe inveja positiva, ta ai um cara a quem reservo esse sentimento.
Ele esteve quase uma década na frente de todas as bandas e artistas que voltaram a fazer rock/blues nos anos 2000, seja White Stripes ou Black Keys e essa gente esnobe toda.
Jon e sua trupe produziram alguns dos melhores discos de Rock/Blues experimentais e contemporâneos dos últimos 20 anos, mas nunca conseguiram ultrapassar a barreira que separa os muito populares dos muito respeitados. Eles sempre ficaram na segunda condição.
Não havia um critico de música no planeta ou um músico influente que não gostasse do Blues Explosion, infelizmente o grande público não foi conquistado, por que a banda nunca apelou para um hit fácil ou nunca abriu mão de sua fé inquebrantável na capacidade de sua audiência em compreender o poder de uma música sem concessões, porém ultra acessível e na inteligência de seus interlocutores.
É admirável, mas Jon e companhia estavam errados. O publico precisa de algo popular, facil, elementar com que seja facil se identificar, se projetar e cantar no chuveiro ou no trânsito.
Esse foi o único e crucial erro da carreira do Blues Explosion. Ou não?
Prova é Orange, assim como poderíamos falar sobre Extra Width, que saiu dois anos antes e colocou a banda no mapa, ou sobre o espetacular Now I Got Worry, lançado em 1996, o que temos nessa ordem é uma sucessão de três discassos que ficaram restritos a públicos pequenos e festivais descolados, porque não tiveram esse hit redentor e que tornaria a vida deles e a nossa muita mais facil.
Orange é uma trombada arrasadora de blues, rock, indie, soul, rap old school, levadas eletrônicas, rock de garagem e toda a música norte americana que tenha passado pelo liquidificador decodificador de Jon, Judah Bauer (seu segundo guitarrista) e Russell Simins (bateria).
A modernidade deve muito a eles, faca um favor e escute esse disco incrível.
Vários Artistas – Black Box – WaxTrax! Records: The Firts 13 years (1994)
Publicado; 20/09/2012 Arquivado em: Discos, Música, records | Tags: front line assembly, jim nash, meat beat manifesto, revolting cocks, sister machine gun, wax trax Deixe um comentário
Morei quase a vida inteira no ABC Paulista, talvez isso explique por que eu gosto de rock industrial (e olha que tem uma galera nervosa por aqui que pega bem também).
Lembro que no final dos anos 90 eu conheci um dj especialista no gênero e que achava o Nine Inch Nails frouxo e a banda de coração dele era o Skinny Puppy… broca né?
Enfim, em um momento no final dos anos 90, achei essa caixa espetacular contendo raridades, gravações especiais e essenciais do principal selo de industrial de todos os tempos, a gigantesca Wax Trax, de Chicago.
Mais do que uma gravadora de gênero, seus fundadores Dannie Flescher e Jim Nash saíram de Colorado para pirar o cabeçao na Inglaterra dos anos 70 e voltaram cheio de vontade de fazer coisas estranhas. Música sem preconceitos, sem amarras e absolutamente livre. Esse foi o espirito e no meio desse caminho muitos artistas influentes e interessantes passaram pela WaxTrax:
Ministry, KMFDM, My Life With The Trhill Kill Kult Klf, Laibach, Meat Beat Manifesto e Revolting Cocks estão entre os mais “famosos”, mas o selo teve uma infinidade de bandas poderosas e que ficaram restritas a nichos como Foetus, A Split Second, Acid Horse, Front Line Assembly, Sister Machine Gun e outras bandas poderosas que inventaram o eletrônico pesado, o industrial, com pinceladas fortes de tintas góticas, melancolia e vontade foder com as coisas.
Venha para o lado escuro da música e conheça um pouquinho de industrial. Mas só um pouquinho, porque tem muita coisa chatinha também.
Como é uma caixa tripla, vale por 3 dias!
Echo & The Bunnymen – Ocean Rain (1984)
Publicado; 19/09/2012 Arquivado em: Música | Tags: crystal days, killing moon, mission of burma, ocean rain 4 Comentários
Ocean Rain é o disco de rock mais bonito já feito.
Não houve nada igual e não existirá nada melhor.
9 faixas que se ligam através do belo, do sutil, do ambicioso e do sublime.
Como compositor, tenho uma inveja fela de um monte de gente, mas tenho uma inveja particular do Echo e em especial, com algumas faixas desse álbum.
Não dá pra fazer um disco tão lindo como esse e não sair impune.
Ocean Rain foi o ápice de uma carreira sensacional, que não ficaria pior depois, diga-se de passagem.
Neo-Psicodelismo, Pós-Punk melódico, Pop Ingles com pitadas góticas? O Echo é inclassificável. Ouvindo-se atentamente, não dá pra rotula-los com nada.
Em Ocean Rain, toda a verve messiânica de Ian McCullouch chegam ao auge e a banda cresceu toda. Os arranjos mais abertos, com produção mais arejada, projeta o som intimista do grupo para salões maiores e maiores audiências, subindo o volume das cordas, enfeitando as canções com violinos e violoncelos em uma dinâmica muito arrojada, que fez toda a diferença no resultado final.
Impossivel não se emocionar com Silver, Crystal Days, Seven Seas… canções simplonas absolutamente maravilhosas. The Killing Moon é batida, todo mundo conhece, ou deveria conhecer, mas mesmo assim, ainda é uma surpresa em cada nova audição e fica mais bonita em cada uma delas.
Agora, covardia é a faixa que fecha o disco. Ocean Rain é magnânima como poucas musicas o são, e o fato desta ser a faixa que encerra o álbum é pura ironia, pois pouca importância se dá para a ultima musica do disco e poucos são os grande álbuns em que a última é a melhor do disco… sem pesquisar nada lembro de alguns: Day In The Life, dos Beatles; Torn Curtain, do Television; Ohm Sweet Ohm, do Kraftwerk e Thats How i Escaped My Certain Fate, do Mission of Burma.
Pesquisando, acha-se mais coisas, mas vocês já entenderam, certo?
Sempre faltarão palavras para resumir o Echo e Ocean Rain, então não vou mais caçar palavras para ele.
Vários Artistas – PostPunk Chronicles (1999) Left of The Dial; Scared To Dance; Going Underground
Publicado; 16/09/2012 Arquivado em: Discos, Música, records Deixe um comentário
Se o blog chama 1 Disco por Dia, pode colocar três de uma vez, Arnaldo?
Sim, se o dono do blog colocou.
Quando descobri um dos cds dessa série maravilhosa, perdido em uma grande loja de departamento no fim dos anos 90, fui tomado pela maravilhosa sensação de ter descoberto o tesouro dos tesouros, a chave para um mundo sonoro que eu só suspeitava, mas que se revelou a meus olhos e ouvidos de maneira decisiva e definitiva.
Meu flerte com o rock independente norte-americano da década de oitenta virava caso sério.
Point of no return, depois de ouvir e dissecar os 3 cds, um novo mundo se fez e ai amigo, já era.
A referencia Left Of The Dial, remete as antigas “college rádios” americanas, que dedicavam sua programação a sons que não encontravam espaço nas rádios convencionais e foi graças ao circuito dessas rádios universitárias que surgiram R.E.M, Sonic Youth, Husker Du e mais uma porção de gente.
Eram graças a essas rádios que as bandas inglesas encontraram seu publico fora da Ilha e Smiths, Echo & The Bunnymen, Cocteau Twins entre outros mostraram seu valor.
Falando dos 3 cds, seleção apaixonante e impecável.
Em Left Of The Dial só a fina flor do emergente indie americanos e ingleses: R.E.M., Wire, Joy Division, The Church dividem espaço com os incríveis Comsat Angels (banda que inspirou metade da geração Nova York anos 2000), Chameleons, Modern English, Dream Syndicate e Mission Of Burma.
Scared To Dance tem um foco mais esperimental e sons ingleses de Simple Minds a Heaven 17 passando por Magazine, Japan, Killing Joke e Skides, além de Echo & The Bunnymen
Going Underground é a mais rock dos 3: Gang Of Four, Jesus & Mary Chain, Teardrop Explodes, Sonic Youth with Lydia Lunch, Pere Ubu, The Rain Parade…
Foi graças a esses cds que descobri bandas que hoje amo como Swell Maps, Soft Boys, The Lyres, Raincoats e Pigbag.
Mudou minha vida quando eu já achava que isso não era mais possível, então acredite, tudo é possível…
Link Wray – Mr. Guitar (1995)
Publicado; 15/09/2012 Arquivado em: Música Deixe um comentário
Link Wray foi o meu guitarrista favorito.
Meio índio, meio branco, morreu na Suécia, país que escolheu para asilo cultural e foi o primeiro cara a tocar guitarra distorcida na música.
Inquieto, o guitarrista produziu singles de rock instrumental que flertavam com a surf music, rockabilly, country e outras coisas.
Foi o primeiro cara na face da terra a fazer barulho com a guitarra.
Antes de Hendrix e todos os outros.
Pouco se sabe sobre ele, como ele não cantava e não tinha muita vontade de ficar pagando de gatinho na cena, ficou na margem durante toda sua carreira e possivelmente morreria com reconhecimento próximo de zero, até que Quentin Tarantino lancou o filme Pulp Fiction e jogou luz não só pra Wray, mas para Dick Dale, Dusty Springfield e porque não: Kool And The Gang.
A faixa “Rubble” que explode os falantes de qualquer som decente, foi o primeiro som distorcido que se ouviu de uma guitarra. Obra do mestre Wray, que pegou uma esferográfica e rasgou o falante do amplificador do estúdio em que ele estava gravando e assim, inventou moda, tendência e todo um modo de ser.
Este Cd duplo compilou heroicamente todos os compactos que Wray lancou nos anos 50 e 60 pelo obscuro selo Swan Records.
São 62 lições de música que deveriam ser ouvidos incessantemente por qualquer cara que pretensamente queria se utilizar da guitarra elétrica como instrumento de expressão e de oficio.
Tipo do disco que eu não trocaria por nada nessa vida.
Só se alguém for muito louco e lança-lo em um vinil 200 gramas.
Technotronic – The Album (1989)
Publicado; 14/09/2012 Arquivado em: Discos, Música, records | Tags: pump up the jam, technotronic Deixe um comentário
Armações musicais que fazem mais do que simplesmente ganhar dinheiro, sempre me interessaram e o Technotronic foi mais um dos tantos que pintaram nesse período áureo da Dance Music, em especial, a Dance Music europeia.
Por incrível que pareça, o Technotronic foi um projeto gerado na Belgica com uma cantora-rapper americana e uma expertíssima seleção que fez história e tanta história que seu primeiro single Pump Up The Jam, acabou virando gênero, ou você nunca ouviu falar do “pumperô”?
Pois é, ainda jovenzinho, ouvi esse termo e separei na minha cabeça que “pumperô” era som de playboy e rock era a minha.
Mas ai, eu tava confuso, porque achava as músicas desse álbum simplesmente do caralho, mas tinha o lance de rock x eletrônico e ouvia escondido canções espetaculares como: Get Up ou Move This, que tem um dos melhores riffs do pop mundial.
E em algum momento, os irmãos Reid (sim, eles mesmos, do Jesus & MC), em 1989 declarou amor ao som e as propostas sonoras que a rapaziada do Technotronic colocou na pratica nesse álbum.
Infelizmente, a armação não foi adiante, porque coisa maior estava vindo por ai e restou ao Technotronic o papel de ponta de lança aposentado precocemente.
Mas no coração de quem tem 30 e poucos, o Technotronic vai viver pra sempre.
Pelo menos no meu.