The Clash – Super Black Market Clash (1993)
Publicado; 27/07/2012 Arquivado em: Música | Tags: mustapha dance, rock the casbah, toots and the maytals Deixe um comentário
E pra fechar por hora o assunto Joe Strummer e The Clash, trago a baila uma das coletâneas mais queridas e desejadas pelos fãs da banda.
Alias, é um tipo de coletânea que todo fã adora, afinal, não é todo mundo que consegue acompanhar a voraz indústria da música e adiquirir todos os compactos que um artista lança, então quando os principais “lados B” de uma banda espetacular como essa saiu, fez todo mundo correr atrás.
Super Black Market Clash traz um apanhado irregular, mas com momentos absolutamente brilhantes, em especial com City Of The Dead, Pressure Drop (cover dos Toots And The Maytals) e The Prisoner, todas elas são lados B de compactos do primeiro álbum do Clash.
Tem algumas versões instrumentais e a mais bacana é Mustapha Dance, versão alternativa de Rock The Casbah.
Bem, falar mais o que?
O The Clash sobrevoou sobre os mortais com seu rock acima da média desde que surgiram, cometeu seus pecados como toda banda que ficou muito, muito famosa, e eles ficaram MUITO famosos, cometeu.
O importante é que o som do Clash, que nessa coletânea fica claríssima, é que eles foram talvez a principal banda branca a incorporar com propriedade os sons negros que pipocaram nos anos 70, em especial o Reggae, o Ska e o Dub.
Respeitados por todos, tinham muito mais musicalidade de vossas cartolas que todos os artistas punks contemporâneos (não precisa nem falar dessa geração, né? Só monstros, só banda boa, só disco bom e viva o punk rock), mas o The Clash tinha a visão além do alcance…
The Clash – Live At Shea Stadium (2008)
Publicado; 26/07/2012 Arquivado em: Música | Tags: david johansen, new york dolls, shea stadium Deixe um comentário
O dia 13 de outubro de 1982 deveria ser lembrado pelo povo nova-iorquino como um dia glorioso para o rock and roll e para sua história.
Foi nesse dia e no lendário Shea Stadium, que também testemunhou o antológico e lembrado show dos Beatles em 1964, que subiram ao palco para fazer talvez a melhor noite de rock and roll ever.
David Johansen (Ex-New York Dolls) abria a noite, seguida do The Clash e The Who.
É ou não é, ou num é? É!
Nova York ficou pequena para o evento e para o The Clash, que vivia seu auge popular. Não havia um cidadão que não soubesse quem era o The Clash nesta época e o lugar mais importante para se estar no mundo naquele dia era o Shea Stadium.
Resultado desse show poderoso é o disco Live At Shea Stadium, lançado oficialmente em 2008, com toda a qualidade de gravação que se tem direito.
Que a vida do The Clash não seria fácil dai pra frente, todos nós sabemos, mas o que sabemos também é que os caras ao vivo não tinha para ninguém naquela época.
Pensa num show perfeito…
Ai o disco começa com London Calling, Police On My Back e The Guns of Brixton nesta exata sequencia.
E nada mais precisa ser dito…
The Clash – The Clash First Album (1977)
Publicado; 25/07/2012 Arquivado em: Música | Tags: clash city rockers, police and thieves, white man in hammersmith palais Deixe um comentário
Ajoelha e reza, pois falaremos de algo sagrado.
Cada música que o The Clash gravou é uma oração.
Sagrado, vital e insubstituível.
Se existe uma banda que merece todos os elogios, toda a devoção de quem ama rock and roll e foi transformado por essa força devastadora e reveladora, essa banda é o The Clash.
Todo o mundo é unanime em relação a London Calling (1979), mas o meu favorito ainda é o álbum de estreia deles.
Porque?
Muito simples, o disco tem: Clash City Rockers, I’m So Bored With the Usa, Remote Control, Complete Control, White Riot, White Man in Hammersmith Palais, Londons Burning, I Fought The Law, Janie Jones, Carrer Opportunities, Whats my Name, Hate and War, Police And Thieves, Jail Guitar Doors e Garageland.
Alguma dúvida?
Se você não for um xiita musical, seguramente mais da metade das melhores músicas do The Clash e certamente numa lista das 100 melhores canções punk vão aparecer algumas dessas listadas acima.
Se pensar nas melhores covers da historia do rock, pelo menos Police And Thieves vai pintar.
A banda e o disco mudaram o mundo de um jeito que nenhum outro o fez, e isso foi só o começo.
Wanda Jackson – The Party Ain’t Over (2011)
Publicado; 24/07/2012 Arquivado em: Discos, Música, records | Tags: elvis presley, jack white, wanda jackson Deixe um comentário
Jack White curte uma coroa.
Jack White é homem de gostos excêntricos e curte produzir álbuns de cantoras velhas e dar a elas a real dignidade que todo artista veterano merece.
Foi o que ele fez com Loretta Lynn e ano passado com a lenda Wanda Jackson.
Wanda foi contemporânea de Elvis Presley.
Tecnicamente, na regra da etiqueta, ela veio antes… foi a primeira mulher a cantar rock e rockabilly em 1955, o que a torna uma das mulheres mais avançadas de seu tempo.
Seguiu pelo country e rockabillly ao longo de 4 decadas até decidir se aposentar e ir jogar bingo com as amigas.
Até chegar uma oferta de voltar, pelas mão do Jack (aquele que curte as coroas), com o apoio de outro fã ilustre, um tal de Bob Dylan e ela saiu da moita para cometer um baita álbum de rock velho com cara de novo. Coisa que quase todo mundo tenta e poucos conseguem.
O repertório é repleto de figurinhas conhecidas do repertório roqueiro, mas não obviedades.
Ok, rola um cover de Amy Winehouse… praticamente igual a original, pequeno pecado dentro de um disco vigoroso, que tem em seu cerne, a oportunidade rara de ouvir essa senhora com mais de 70 anos rugindo, miando e rasgando a voz com força, verdade e entrega que só uma artista do naipe dela é capaz de fazer.
Deixa para a posteridade um belíssimo álbum, a altura de sua relevância e moderníssima.
Se ainda existisse o seriado “Super Gatas”, ela taria dentro quebrando tudo e mandando em todo o mundo.
Paul McCartney – Ram (1971)
Publicado; 23/07/2012 Arquivado em: Discos, Música, records | Tags: billie joel, hemigway, marlon brando, orson welles Deixe um comentário
O dizer mais de um cara que em qualquer lista séria de músicos pegaria os seguintes rankings:
Maiores baixistas de todos os tempos: estaria entre os 5.
Maiores compositores do rock e pop: top 3
Guitarrista ou pianista: top 20
Cantor: top 5.
Os Beatles foram os artistas mais importantes dos Seculo XX.
Isso vale para qualquer campo artístico.
Foram maiores que Stravinski, Elvis Presley, Pablo Picasso, Alfred Hitchcock, Hemigway, Orson Welles, Sinatra, Miles Davis, Billie Holiday, Marlon Brando, Bob Dylan, Salvador Dali, Cartier-Bresson, Andy Warhol, Kurosawa, etc…
Chegaram a mais cabeças e corações que qualquer um dos acima citados jamais sonharia atingir, e sua abrangência e influencia é tão forte e tão importante, que dá pra afirmar que toda a música pop que se conheceu desde que eles apareceram simplesmente não existiria se não houvessem os Beatles.
Beales é uma coisa, goste ou não, essa é a real… podemos discorrer com mais profundidade sobre isso, mas o assunto é o único disco realmente decente da carreira de Paul McCartney pós-Beatles.
Na real, a carreira de Paul fora dos Beatles estaria num estágio intermediário um pouco acima do Billie Joel e uns 8 degraus abaixo do Elton John.
E o que cobrar de um cara que fez tudo o que ele fez?
As constatações são só pra lembrar que o Paul mais amado é o Beatle e não o cantor solo de álbuns irregulares, ex-lider dos Wings, ativista eco-vega chatão, homem família, defensor da maconha, pai, avô e que fez mais discos ruins do que bons.
McCartney I, Chaos And Creation in the Backyard e Flaming Pie são os discos bons de Macca, mas Ram é disparado o melhor.
Menos desleixado, mas não menos relaxado, o álbum foi feito em casa e reza a lenda, com fundamental apoio e participação de sua falecida esposa Linda McCartney, mostra o Paul artesão, redator de melodias e linhas harmônicas executadas com uma perfeição e maestria que só um homem conhecedor de tudo e mais um pouco na música seria capaz de fazer.
Brincou-se que Macca poderia fazer música sobre qualquer assunto, em qualquer velocidade e em qualquer hora. Não sei, mas em Ram ele está particularmente feliz, e o disco não tem fluência mas tem uma cadencia de uma viagem de charrete, com direito a paradas, aceleradas, retornos e umas surpresinhas no caminho.
Reencontrar esse lindo álbum remasterizado duplo em Vinil com um inteiro só de sobras é coisa linda de Deus. A edição em Cd também é legal, mas fica mesmo “pequena” perto do Vinil.
Bachman-Turner Overdrive – Bachman-Turner Overdrive II (1973)
Publicado; 22/07/2012 Arquivado em: Discos, Música, records | Tags: arena rock, bachman turner overdrive Deixe um comentário
Definitvamente as melhores gravações feitas e produzidas foram a dos discos lançados nos anos 70.
Ganham em tudo e de todas as épocas, inclusive da nossa: peso, dinâmica, fluência, inovações e mais quantos quesitos você quiser listar.
Com o avanço da tecnologia que cresceu um monte nos anos 60, somado a uma geração particularmente feliz de músicos, produtores e criadores todos cheios de ideias e sabendo como operar as novas mesas de som e os estúdios cheios de possibilidades, os anos 70 floresceram como uma década que vista hoje de longe com um olhar mais critico e analítico não deixa dúvidas. Foi a década da produção musical!
E todos os gêneros se beneficiaram com isso.
No rock e em todas as suas instancias, no jazz, no funk, na soul music, no country, no reggae e no pop.
Até discos comuns ficaram muito melhores graças ao modo como foram gravados e grupos como o Bachman-Turner Overdrive foram muito ajudados.
A banda em si é comum, igual a outras 30 do mesmo gênero de hard rock de arena, mas a produção em particular desse disco é um arraso. Até as passagens mais simples tem um peso daqueles, a cozinha bem tocada foi captada com rara destreza, as guitarras pulam nas caixas como flechas nos seus ouvidos, tudo junto numa mixagem que leva o som da banda lá pra cima e faz tudo parecer muito melhor.
O disco é ótimo mesmo sem ter nenhuma grande song, mas no todo as oito faixas do álbum dão bem a medida do que era o arena rock setentista que não encontraria nos anos seguintes nem sombra e nem rivais.
Grande BTO… rock de truck driver de primeira.
The Flaming Lips – Cloud Taste Metallic (1995)
Publicado; 21/07/2012 Arquivado em: Discos, Música, records | Tags: christmas at the zoo, flaming lips, soft boys Deixe um comentário
Esse foi o ultimo disco de rock do Flaming Lips.
Depois desse, as pirações de Wayne Coyne não conheceriam mais limites.
Olha a lista:
Zaireeka (1997), álbum quadruplo cuja proposta quadrifonica previa que a experiência sonora só seria completa se ouvidos os quatro discos simultaneamente, oi? Christmas on Mars (2008) é uma “trilha sonora” surreal de ficção cientifica e psicodelia de um filme que nunca existiu, oi? E recentemente fez um álbum com a banda Heady Fwends em que a edição em vinil colorida vem com uma bolsa de sangue colhida de artistas como Chris Martin (Coldplay) e do próprio Coyne, oi?
Mas tanta piração infelizmente não é sinônimo de qualidade.
Por isso que Cloud Taste Metallic é bom.
Antes que as alucinantes ideias de Coyne dominassem completamente as ações da banda, ainda restou um tiquinho de guitarras e rock até que elas fossem extintas do som do FL nos anos seguintes.
Muitas ideias e poucas músicas que prestem, essa tem sido a rotina do grupo.
Clouds… está cheio de grandes canções: This Here Giraffe, The Abandoned Hospital Ship e principalmente Christmas At The Zoo (coisa de gênio 1) e Bad Days (coisa de gênio 2).
O Flaming Lips conseguiu a incrível combinação de inocencia, birutice e ambição que seriam levadas as ultimas consequências, mas que aqui ainda se encaixam, fazem sentido em sua mistura de Beach Boys, 10CC e Soft Boys.
Sensacional canto do cisne do bom Flaming Lips guitar, os Lips são a maior influencia do novo indie 2000, para o bem e para o mal.
John Coltrane – Meditations (1965)
Publicado; 20/07/2012 Arquivado em: Discos, Música, records | Tags: elvin jones, jimmy garrison, mccoy tyner, rashied ali Deixe um comentário
Finalmente um disco do Seu João por aqui.
Pra falar a verdade, eu evito um pouco as unanimidades ou vacas sagradas por uma razão muito simples, eu não curto unanimidades.
Coltrane, assim como Miles Davis, é um dos mais iconográficos representantes do jazz de todos os tempos e um dos principais artistas aglutinadores de publico, seja de novo público que se aprochega aos sons do jazz, seja de ouvintes mais experimentados.
Coltrane é ou deveria ser presença obrigatória nas discoteca de qualquer cidadão que goste de música.
Os favoritos de grande parte do público são, em ordem decrescente: Blue Train, Ballads e principalmente A Love Supreme, talvez o mais amado disco de jazz da história.
Mas como eu sou do contra, escolhi Meditations.
Gravado em 1965, Meditations é incomodo, barulhento, frito e marcaria uma virada definitiva na carreira de Coltrane em direção ao free-jazz experimental, por muitas vezes, insuportável (é verdade!), mas revolucionário em forma, conteúdo e expressão.
Como é pra frente que se olha, Coltrane tinha mudado sua banda e pra esse álbum, tinha a companhia mais segura e poderosa de Pharoah Sanders que com seu sax tenor dividiu com João a responsabilidade em gerar o caos e linhas diferentes de harmonias difusas dentro de um amplo espectro de possibilidades delineadas e comandadas pela base mais poderosa de toda a historia do jazz: McCoy Tyner, Jimmy Garrison, Elvin Jones e Rashied Ali (um verdadeiro dream team do jazz).
Meditations é uma viagem em espiral ao inferno, a danação e ao lado escuro da luz (viagem né?), mas é um disco tão espinhento e tão dolorido que também não é um disco pra se ouvir o tempo todo e a qualquer momento.
Fritação das boas.
VCMG – Ssss (2012)
Publicado; 19/07/2012 Arquivado em: Discos, Música, records | Tags: tecno, vince clarke Deixe um comentário
Dificil achar algum artista novo que preste né?
Você, amiguinho atualizadinho, bem que tenta, vai lá, devora a Uncut e a Mojo, passa a vista na Spin e na Rolling Stone, zapeia nos blogs, clica em todos os links do Pitchfork, lê o Lucio Ribeiro, essa coisa toda.
Ai você escuta todos os artistas e faz um monstruoso favor para gostar, mas lá no fundo, bem nos fundilhos de vossa alma você sabe que a maioria dessas coisas não passa de merda.
É isso mesmo, não se iluda…
Já passei por isso também nos anos 90, onde a gente tinha menos acesso a informação, não tinha internet, nem blog, nem site, nem merda nenhuma. Tudo era na raça, na confiança que você depositava em alguns faróis e vamos embora.
Mas é pra frente que se anda, então voltemos pra 2012 e tentar achar alguma coisa que preste…
É dificil, mas não impossível.
O VCMG não é um projeto de garotos ou amadores, e sim um projeto de música eletrônica séria capitaneada por dois monstros do tecnopop: Vince Clarke (cabeça musical por tras do Erasure) e Martin L. Gore (gênio que inventou o som do Depeche Mode).
Esses dois senhores, de trajetórias, histórias e biografias tão ricas finalmente se juntaram para fazer um disco juntos e o resultado é um perturbador, instigante e monumental álbum de Tecno, com forte cheiro de passado, mas totalmente ligado aos anos 2000.
Pesado, dançante, com bases cavalares que trafegam entre o House, o Tecno clássico anos 90 e até alguns sons Garage ingleses.
Rico em camadas, a dupla não economizou esforços, se inspirou nos caras que mexeram o mundo nos anos 2000 e lançaram desde já, um dos mais interessantes discos de 2012.
Pelo menos não vai ser um daqueles discos ou artistas hype descartáveis que a mídia inteligente não se cansa e nunca se cansará de jogar em vossos colos.
Os “garotos” mandaram muito bem, prova viva que para fazer musica jovem não é privilegio de jovens.
Glenn Gould – A State of Wonder (2009)
Publicado; 18/07/2012 Arquivado em: Música | Tags: geoffrey rush, glenn gould, thomas bernhard Deixe um comentário
Bach foi o maior compositor da história.
Completo em quase tudo, o alemão revolucionou a música tanto ou mais do que Beethoven ou Wagner.
Bach assim como Deus, está em tudo que se fez na música nos últimos 3 séculos.
Glenn Gould é tido como o mais genial pianista de todos os tempos (se não for o maior, está lá na cadeia evolutiva do instrumento entre os grandes e maiores).
Genial, genioso e estranho, Gould é objeto de duas peças ficcionais que fazem jus a sua história e trajetória. “Naufrago”, livro de Thomas Bernhard tem Gould como um dos personagens de sua estranha e bizarra ficção cabeçuda, e claro o filme “Shine”, onde o gigante Geoffrey Rush interpreta o pianista numa performance mediúnica que lhe valeu um merecido Oscar em 1997.
Isso posto, faça um favor a si mesmo e escute essa edição magnifica das “Variaçoes Goldberg”, obra pianistica do mestre barroco em que o pianista a interpreta em dois momentos distintos de sua carreira.
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Estão lá sua primeira gravação de 1955 e a segunda em 1981, ambas geniais e que dizem muito sobre o espirito conturbado do pianista em sua busca incessante por paz, Deus e redenção.
Nunca me canso de ouvir esse CD, remasterizado especialmente para essa edição dupla, traz tudo o que se espera de uma obra de piano solo.
Não pense que vai ser fácil, mas vai valer cada microssegundo de vossa atenção.
Se desligue do planeta por algumas hora e absorva esse néctar.
Se Deus existe ou não isso é outra conversa, mas Bach existiu e isso as vezes basta.