Legião Urbana – Amor e muito amor nessa vida.

“Ame ou Odeie” , é o que normalmente se usa para artistas como Legião Urbana.

Essa mesma expressão serve pra Rush, Engenheiros do Hawaii, Ramones (tem gente que odeia, cruzes…), Radiohead entrou pra essa lista recentemente e mais alguns ai.

Artistas populares desse calibre despertam esse tipo de sentimento porque em algum momento da nossa vida, nós amamos demais, depois crescemos, criamos certa vergonha desse “gostar”, passamos a detestar e em algum vetor do destino nos faz cruzar com o “voltar a gostar”.

Foi mais ou menos isso que aconteceu comigo em relação ao Legião e acho que no fundo, bem no fundo, até quem detesta Legião, gosta de alguma coisa. Já cansei de ler e ouvir críticos de música ou jornalistas descendo a lenha pra anos depois falar bem.

Assim como nunca achei a hojeriza ao grupo totalmente fundamentada, também nunca me desceu esse fanatismo que os fãs tem pelo mito Legião.

Mas ai é uma questão minha, não entendo o fanatismo por coisa alguma, seja Renato Russo, seja Kurt Cobain, seja Maomé, seja Jesus Cristo.

Em muitos momentos, fanatismo e estupidez estão na mesma lança, pois motivado pelo primeiro se comete muito o segundo.

Enfim, tudo isso só pra escrever que nesse ultimo sábado, dia 07 de novembro de 2015 assisti ao meu primeiro show da Legião Urbana. Eu, homem feito e barbado e com 40 anos.

Explico, a ultima grande turnê do Legião foi pra promover o álbum As Quatro Estações, lançado em 1989 e a banda tava tão grande que o show em São Paulo foi no extinto Parque Antártica, duas noites lotadas. Nem se eu quisesse e como eu já era bem bundão nessa época, desisti fácil.

Já na turnê do Descobrimento do Brasil eu não tava mais na onda deles.

Me arrependo até hoje.

Voltando ao presente, resolvi encarar e ver o Legião, no começo muito mais como acompanhante da minha amada namorada, fã incondicional da banda, mas eis que quando dei por mim, lá pelo meio do show, já estava lá por mim mesmo, ou pelo garoto de 11 anos que ouviu num aparelhinho de vinil portátil na casa do primo de segundo grau em Mogi Guaçu, o então recém-lançado Que Pais É Este? e começou ali a dar os primeiros passos em direção ao rock.

Ao vivo, o Legião era legal por que tinha o elemento mais raro de se encontrar em uma banda grande ou um show grande, que é a imprevisibilidade. O temperamento de Renato era o que dava o tom do show, não eram shows 100% profissionais, com schedule redondo, programadinho e certinho. Renato bagunçava essa dinâmica com discursos, improvisos e dependendo de seu humor e feeling, era capaz de proferir os maiores absurdos, quebrar o pau com a plateia ou dos mais sensacionais “mash-ups” antes disso virar modinha quase 20 anos depois.

Nesse sábado vimos uma banda que não evolui muito, Dado continua fazendo o seu feijão com arroz, agora com menos erros que antes, e Bonfá manteve sua tocada rudimentar eternamente adolescente.

Não tinha o elemento mágico e fora da casinha de Renato, mas tinha um cantor profissional brilhante que é André Frateschi. Chamado pra assumir uma responsa, não decepcionou em nenhum momento, assim como não tentou emular os maneirismos de Russo ou substitui-lo no discurso e no papel de front-leader. Nesse quesito, a tarefa ficou com o antes quietíssimo Dado, que por força da circunstancias, se abriu e falou mais. Tudo muito correto.

Com Frateschi, fizeram o primeiro disco inteiro na sequencia. Depois de algumas papagaiadinhas simpáticas, como trazer alguns convidados ao palco (seja um fã ou Rodrigo Amarante), o show foi ganhando em velocidade e barulho e mostrou como o repertório da banda sempre foi poderosíssimo com muitos momentos altos.

Pais E Filhos botou os filhos de Bonfá e Dado respectivamente em seus instrumentos, e Bonfá assume os mics pra conduzir a plateia nos vocais. O Reggae, ainda lá no começo do show serviu de fundo para que Dado pudesse brincar de Paul Simonon e mandasse um pedacinho de Guns Of Brixton (clássica faixa do London Calling). Dezesseis ficou legal também e Perfeição ganhou novas cores por ser exatamente ou praticamente igual ao que foi concebida em 1994. Mais atual impossível!

E pro final veio Faroeste Caboclo, Indios e Que Pais É Este? e vamos embora pra casa depois de quase 2 horas de bom rock and roll brasileiro. Sim, isso existe e goste ou não, o Legião é parte importante nessa história.

Além do que, ao vivo eles ainda conseguem fazer mais barulho que 95% das bandas de rock existentes no Brasil, todas muito sensíveis, todas muito arrumadinhas, todas incapazes de pregar uma surpresa aos seus respectivos públicos como o Legião era capaz de fazer.

Pode ser muito pouco, mas a culpa definitivamente não é do Legião.


A velha guarda do indie rock volta a ativa! Bom Pra nós!

Antes de descer a lenha nos indie de mentira que andam pela Terra há quase uma década proliferando uma gororoba gosmenta, nojenta e coxinha chamada “Indie”, eu queria dedicar algumas linhas para falar bem de alguns artistas que tal qual velhos indios comanches, resolveram sair de suas tocas e tacar o sarrafo em 5 discos lançados dentro dos ultimos 2 meses que conseguiram reavivar em mim, a fé (pouca) na humanidade só pelo fato de eles ainda estarem entre nós e produzindo, mesmo que seja pra poucos.

No fim das contas, parece que sempre foi isso nesse negócio de indie rock, mas a velhice, a falta de paciência e uma geração de fracassados bem sucedidos me fizeram pegar ódio por tudo que tenha a palavra indie como tag.

Mas eis que 5 discos incríveis de 2015 com cara de coisas que não se ouve mais nos dias de hoje surgem para deixar o velhinho aqui bem feliz:

  1. Music Complete – New Order

E não é que o New Order botou na rua o seu melhor disco em quase uma década? Digo que acho até melhor que Get Ready, que é um baita disco também.

Ouvindo depois de duas audições, cheguei a conclusão que Music Complete é bom demais, não é moderno, muito pelo contrário, o que para um disco que flerta com eletrônico é um perigo, mas só artistas soberanos nesse platô poderiam resgatar suas próprias coisas e de quem estivesse por ali, Plastic parece ter sido uma faixa do Technique remixada pelo Giorgio Moroder, Singularity é bem Joy Division e se tem alguém que pode emular Joy com propriedade são eles. Outro golaço é Tutti Frutti, que fica ali entre Kraftwerk e house anos 90. Academic é outra beleza que só fica bem com os vocais preguiçosos de Summer e sua semi-acustica tocada com esforço e precisao.

  1. Pylon – Killing Joke

O Killing Joke tem se mantido mais ativo do que eupensava, mesmo lançando material mais voltado pro rock industrial ou até pro publico metal, a banda tem seguido no seu caminho errante e errático, mas acertando mais que errando, o que é incrível pra uma banda velha guarda que já não está mais no seu auge.

Isso se deve principalmente a degenerada ideia que a banda faz de si mesmo e o quão serio eles levam sua arte, a ponto de navegar para mares sonoros que não faziam desde muito tempo.

Ouvindo Pylon, imagino estar escutando a banda no seu auge pop dos anos 80, ali entre os anos de 1985 até 1988, em álbuns incríveis como Night Time e Outside The Gate, quando a banda deliberadamente facilitou as coisas para seu publico, sem deixar de ser ela mesma.

Baita disco!

  1. Moonbuilding 2703 AD – The Orb

Acompanhar a cabeça dos doutores Alex Paterson e Thomas Fehlmann não é nada fácil.

Seus projetos são tão variados e ortodoxos que nunca se sabe o que vem a seguir. De 2010 pra cá eles fizeram os bizarros Metalic Spheres (projeto de dub eletrônico viajante de duas faixas longuíssimas e David Gilmour nas guitarras), e no ano retrasado um disco de dub com Lee Perry…

Honestamente, nenhum deles é legal pra carai…

Com isso posto, esperar algo mais palatavel a essa altura, só os fãs mais ardorosos (se é que eles existem ainda), mas eis que surge o doce, multifacetado e sensacional Moonbulding 2703 AD, melhor coisa que ouvi deles desde Toxygene de 1997. 4 faixas pra jogar na cara de todo o mundo que ainda transita pelos sons eletrônicos como fazer um baita disco de música eletrônica com alma, sem apelar para timbres baratos se valendo de alguns truques bons na manga.

  1. What The Worlds Needs Now… – P.I.L.

Confesso que tava com uma preguica danada desse novo disco do P.I.L. principalmente porque eu achei This Is PIl bem ruim, ruim no nível Flowers Of Romance, que é bem ruim, mas quando eu vi um vídeo deles no Jools Holand, e recolhi o queixo do chão, fui atrás de mais informações sobre esse novo álbum e dá pra afirmar sem muito rodeio que é a melhor coisa lançada pelo P.I.L. em muito tempo.

Raivoso, cínico e mais pesado, What The Worlds… é um tijolo nos cornos dessa sociedade artística politicamente correta, de postura corretinha, arrumadinha e sem sal. Nada como ter um gênio raivoso como John Lydon pra mesmo com sua cara de tia velha soltar um sonoro palavrão bem colocado no horário nobre britânico.

Violento e rock and roll, o P.I.L. tá na área e chutando.

É bom você sair da frente, senão ele chuta seu traseiro limpinho e perfumadinho.

  1. Twingy Wingy – The Brian Jonestown Massacre

E quando eu pesquisava coisas sobre o novo álbum do P.I.L., por acidente descobri que uma das bandas mais fodas dos últimos 20 anos está de material novo. Diretamente de Oregon, noroeste americano, a banda liderada pelo monstro Anton Newcombe nunca escondeu seu amor pela psicodelia sessentista e pelo peso das guitarras dos Stones e depois de muita treta, loucura e uns tempos fora da casinha, é bom saber que eles estão de volta e mesmo com um Mini Album, só reforça a teoria que meio álbum de uma banda tão boa quanto o Brian Jonestown já é melhor que 99% do que tem se tentado fazer em termos de rock nessa falida geração Y.


Meu secreto amor pelo “Popero” em 13 músicas

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Quem tem 40 anos (um pouco mais ou um pouco menos), e não ouviu “poperô” na vida, não viveu.

Num momento ali por volta de 88 a 89, a moda eram as matines da Up & Down (ali na Pamplona), na Hipodromus (em S.Caetano do Sul) ou na Toco (Tatuapé) e a música que majoritariamente tocava nessas casas e nas rádios pop era a “Dance Music” ou genialmente alcunhada de “poperô”, uma trombada entre a Disco com o som eletrônico inventado em Detroit, essa tal de House Music.

Muito antes do negócio virar Techno e muito antes de virar essa chatice sem fim, chamada EDM, a “dance music” era e sempre será música de discoteca, pra dançar, pra se ouvir em conjunto, com pouca luz, com uma bebidinha numa das mãos e um xaveco furado na ponta da língua.

A minha relação com a Dance Music desse período é o que posso chamar de um amor que durante muito tempo rechacei, mas que assumi há alguns anos, quando joguei os últimos pudores na lata de lixo.

Chego quase a afirmar que esse movimento de artistas, produtores, djs e cantores foi a ultima herança do movimento punk dos anos 70, em que o DiY foi levado ao topo fazendo com que um exercito de anônimos ou soldados das sombras dos bons sons conseguissem tocar e ser reconhecidos por grandes públicos em qualquer parte do mundo.

Se eu for cavucar de verdade, descubro que rapidinho a lista pode chegar em umas 50 músicas, mas restringi a 13 em homenagem ao velho Mario Lobo…

  1. Black Box – Ride on Time (1989)

Essa é daquelas faixas emblemáticas desse período que ajudariam a definir um certo tipo de padrão para o que viria a ser feito nos anos seguintes. Piano honk tonk, referencias a Donna Summer logo na introdução, algo um pouco mais orgânico, bem a moda da House italiana (os produtores são italianos e a cantora é inglesa) e uma diva arrebentando nos vocais. Ride On Time foi um acerto na mosca, pra cima, salto-plataforma-na-porta que esse time junto não conseguiu mais reproduzir no restante de sua curta carreira. Na mesma velocidade que veio, sumiu.

  1. Rhythm Device – Acid House (1990)

Eu sei, é um negocio mais pesado, que tá mais pra industrial, mas nessa febre por novas faixas dançantes, alguém dormia no ponto e músicas assim acabavam chegando em terras brasileiras. Foi o caso do Rhythm Device, que estava numa coletânea feita para os Djs de rádio e de clubes. Com uma batida mais pesada, sintetizadores sujos, barulhos estranhos e vocais imperativos e falados fazem dessa faixa, um emblema característico da música eletrônica produzida na Bélgica. Sim, da terra do Tin Tin, muitos artistas de industrial e eletrônico pesados formataram uma cena muito particular e artistas como Front 242 e A;Grumph dentre outros nasceram nesse panelão. Detalhe importante para o clipe que é uma espécie de tutorial de como dançar o Acid Rock. Brilhante.

  1. HitHouse – Jack The Sound Of The Underground (1989)

O produtor e dj holandês Peter Slaghuis, que assinou seus discos de Dance como HitHouse fez um baita sucesso em 1989 com Jack The Sound of The Underground e Move Your Feet… Bem europeu, pesado, bem marcado, mas com variações interessantes, era ótima pra fazer os passinhos para o lado e o cabelinho tigela com mullet do figura é incomparável. Comercial a beça, era o som de “playba” da época. Tentando achar informações sobre o que ele anda fazendo, descobri que ele morreu em um acidente de carro em 1991 tal qual um Ritchie Valens do House.

  1. Snap – The Power (1990)

Direto de Frankfurt, dois produtores chamados Michael Munzing e Luca Anzilotti fizeram história com essa frenética e profética fusão de vocais de Rap, com vocal de diva, batida pesada, guitarras sampleadas, synths pesados e espaços para um refrão solto e a palavra de ordem “I Got The Power”. Foi sucesso instantâneo que conquistou o mundo inteiro e foi das primeiras vezes que me apaixonei por um som não rock and roll logo de cara. Ainda hoje é uma baita música.

  1. Edelweiss – Bring Me Edelweiss (1988)

Não consigo explicar porque eu gosto tanto dessa musica. Gosto a ponto de ter o compacto aqui em casa, achei recentemente numa feira de Vinis, quase chorei! Nunca imaginei que fosse achar um desses por aqui. A música não vale um dólar furado, esse single foi projeto de 3 produtores austríacos que mixaram uma canção folclórica de sua terra natal com uma batida vagabunda, e um vocal chupinhado de S.O.S. do ABBA (outra das minhas músicas favoritas de todo o sempre). Fez sucesso por países europeus, mas duvido que algum Dj hoje em dia tenha coragem de tocar esse som. Dane-se, eu gosto.

  1. Inner City – Good Life (1988)

Esse é sério, afinal quem tava como “boss” nesse grupo era ninguém menos que Kevin Saunderson, um dos pais do House de Detroit. Isso quer dizer que é poperô, mas com um chantilly a mais. Clássico absoluto, eterno e que ainda hoje soa bom, mesmo com a quantidade assombrosa de equipamentos, mesas e aplicativos capazes de transformar qualquer Zé Mané em super produtor. Good Life tocou em rádios pop por aqui e era assombroso a diferença de texturas dela para as demais.

  1. The Timelords – Doctorin The Tardis (1988)

Bill Drummond e Jimmy Caunty foram dois dos mais geniais e anárquicos artistas que surgiram nesse mundo de meu Deus. Sempre inventaram projetos que de maneira bizarra, acabavam alcançando uma massa maior do que esperada. Exemplos foram esse projeto Timelords e poucos anos depois com o KLF (prediletos aqui em casa também), mas mantinham essa aura imaculada de independência amalucada de quem nunca se satisfez em chegar lá! Signifique o que significar. Esse projeto e essa música é coisa de gênio, eles juntaram numa mesma faixa o tema do cultuado seriado Doctor Who com dois glam rocks dos anos 70, Rock And Roll (Part Two) do Gary Glitter e Blockbuster do Sweat. Isso tudo dá a esse som algo muito diferente e eu adorava dançar essa música e ouvi-la no rádio, parecia que não se encaixava no todo e isso me interessava.

  1. Yazz – The Only Way is Up (1988)

Foge um pouco do enredo poperô, mas na época tudo era poperô, inclusive o pop eletrônico da cantora inglesa Yazz. Eu sempre gostei muito dessa música, foi um hit no mundo inteiro e a música é uma delicia. Pop ganchudo, muito bem cantado, afinal a menina não era tão verde assim, já tava nesse role fazia um tempo e chegou lá pelo menos uma vez. O disco que tem essa faixa se chama Wanted e ganhou certificado de credibilidade aqui em casa quando eu descobri que o John Peel tinha uma cópia e que também gostava dela.

  1. C+C Music Factory – Here We Go Let’s Rock & Roll (1990)

Sensacional! Essa faixa tem tudo que um hit precisa e ela é ótima porque tem também um monte de coisas que até então não se sabiam que se precisava. Por exemplo, uma suave e sutil homenagem a Chic, vocais de rap a la Ice T, guitarras espertas cruzando pela faixa enquanto ela vai mantendo aquele clima pra cima, poderoso e infalível. Já nasceu clássico, clássico se manterá por todo o sempre.

  1. Kon Kan – I Beg Your Pardon (1989)

Esse eu comprei quando saiu. Era uma diversão secreta botar esse play pra tocar e dançar, quando eu gostava de dançar. As referencias musicais do produtor canadense Barry Harris eram sofisticadas e espertas. I Beg Your Pardon tem trechos de Lynn Anderson, Silver Connection e o tema de propaganda do cigarro Marlboro (dentre outras coisas). Tudo isso embalado numa melodia simples, cantada com pouco empenho e mesmo assim tocava um monte nas matines por aqui. Não é considerado um clássico ai fora, mas é uma das melhores lembranças que tenho da minha adolescência.

  1. S-Express – Theme From S’Express (1989)

Mais outra predileta de todo o sempre. Theme from S’Express é uma das músicas mais “levanta defunto” que conheço, obra-prima de colagens e montagem a cargo do produtor britânico Mark Moore que rendeu o que considero o clássico definitivo do Acid House britânico. Bom de pista, bom de disco, bom em tudo.

  1. Bomb The Bass – Beat Dis (1988)

Pra entender um pouco o significado dessa faixa na minha vida, posso dizer o seguinte. A primeira vez que escutei Beat Dis foi na antiga 97 FM, quando esta ainda era sediada em Santo André, ainda tinha a alcunha de maldita e ainda tinha no seu DNA a maluca proposta de tocar os sons mais interessantes do planeta, isso significava que era possível se ouvir numa mesma sequencia um bootleg do Metallica, o Jean Michel Jarre, a nova do Prong e Bomb The Bass. Para quem estava se interessando por som como era meu caso, foram alguns anos de aprendizado importante e muitas fitas K7 pra repassar as lições. Pouco tempo depois, Tim Simenon, o dj e dono do BTB era capa da então maior revista de música do pais, a Bizz e essa faixa era agora usada para abrir o programa de Clipes da Tv Gazeta “Clip Trip”, de Beto Rivera. É muita lembrança e tempo de descobertas juntas e ainda por cima a faixa é ótima. Tem peso, tem balanço, tem malicia e é muito esperta.

  1. Technotronic – Pump Up The Jam (1989)

Essa é a música que inventou o termo Poperô no Brasil. Mais óbvio impossível. Seca, misteriosa e com um riff poderoso e marcante, esse é um belo tapa na cara de quem acha Dance Music uma coisa americanizada. No Technotronic, o dj e produtor era belga, (Jo Bogaert) e a cantora Ya Kid K nasceu no Zaire. Mais universal e globalizado impossível. Ainda hoje eu fico impressionado com esse disco e com essa faixa, parece um prazer proibido escancaradamente aberto ao gosto publico, parece um segredo de amigos que mais gente ficou sabendo. Me causou o mesmo impacto de quando ouvi Suck You Dry do Mudhoney no rádio pela primeira vez ou Smells Like Teen Spirit do Nirvana ou Just Like Honey do Jesus & Mary Chain. Na minha memória afetiva, o Technotronic vem na frente deles pois veio antes, antes de me descobrir roqueiro de verdade, eu descobri que gostava de coisas fora do lugar, e o impacto deles em mim foi tão grande que acho que só me dei conta muitos anos depois. Antes tarde, do que muito tarde. So… pump up the jam, pump it up…


10 Discos Sensacionais de Bandas Porcarias.

Resolvi pensar positivo.

Achar o bom no péssimo, mesmo que pra isso eu tivesse que atravessar um deserto de desolação e fazer com que meus ouvidos acostumados a ser mal-tratados todos os dias a passar por verdadeiras sabatinas sônicas pra evidenciar as qualidades onde aparentemente não havia nada além de porcaria.

A maioria desses artista abaixo listados tem um séquito barulhento e por vezes fanático de fãs, atraem grandes públicos para seus shows, vendem ou venderam bem, quando esse negócio de música ainda dava dinheiro e sou certamente sou voz minoritária em praticamente quando afirmo que são umas porcarias.

Nessa lista não vai ter discos do Dire Straits, do Jethro Tull ou do Toto porque nao achei nenhum disco decente deles que eu realmente gostasse.

Não vai ter também No Doubt, Nickelback ou Maroon 5 porque nem disco eles fizeram direito.

Causando polêmica em um toque de 5, 4, 3, 2, 1:

  1. The Offspring – Smash (1994)

Acho que é meio consenso até pra quem não gosta da banda, que Smash é um baita disco. Lembro que quando ouvia Self Esteem ou Come Out And Play no rádio e na extinta MTV e achava bom demais pra estar tocando ali naqueles veículos. Definitivamente eram outros tempos. O que não é muito consenso é que esse é o único disco que prestou na carreira da banda neo-punk-de-mentira. O disco teve hits muito legais e que ainda hoje não causam vergonha nem envelheceram mal. Vergonha foi tentar acompanhar essa banda virando um troço horroroso ao longo dos anos, chegando ao cumulo de em 2012, com o lançamento de Days Go By, os fãs da banda pediram para que eles parassem de lançar discos. Mas Smash ficou.

  1. Pearl Jam – No Code (1996)

Eu tentei gostar de Pearl Jam e por um breve espaço de tempo, eu até que consegui. Foi justamente ali pelo meio dos anos 90, quando a banda tava meio perdida, brigando com a Ticketmaster, e o Eddie Vedder querendo mandar mais que todo os outros caras da banda juntos. Um dos guitarristas tava com uns problemas de “dorgas e biritas” e banda lançava um disco cheio de “9 horas”, com encarte que abria de ponta cabeça, umas fichinhas e nenhum hit radiofônico. A banda tentava fugir do som comercial que eles mesmos inventaram no seu insuperável monumento a farofice Ten, e que ao longo dos anos seguintes a banda foi tentando ficar legal (as vezes deu certo) e em No Code eles se jogaram numa arriscada aventura de emular um folk rock setentista a la Neil Young. Conseguiram me fazer gostar um tiquinho deles pela coragem e pelas canções lindas desse disco. No Code é um intervalo bonito de uma banda bem caretinha e chatinha.

  1. U2 – Zooropa (1993)

Polêmica em dobro, pois além de colocar o U2 como uma porcaria é afirmar que o disco mais estranho e menos lembrado pelos fãs seja a única coisa que preste. Aí vai ter o cara que, com sua razão de fã vai defender os irlandeses colocando álbuns como Achtung Baby (1991), The Joshua Tree (1987) e até mesmo War (1983) como discos ótimos. Eu retruco fazendo um convite a que esse mesmo Cabrobó re-escute esses álbuns hoje e tente encontrar mais de 50% de musicas boas tentando esquecer as milhões de execuções de With Or Without You ou New Years Day, entre outros hits de rádio. Foi o que eu fiz para chegar a essa conclusão e ai bastou juntar minha ojeriza natural pelo Bono e pronto. Eu sempre achei o U2 uma banda maleta que sempre manipulou muito bem sua audiência e seu público pra onde eles quiseram. Deixando a banda de lado, vamos ao disco. Zooropa foi o único momento em que eles ultrapassaram o mundo, inclusive a si mesmos e realmente foi um divisor de aguas na música dos anos 90. Muito do indie que se ouviu depois de 1993, tem muito a agradecer a esse disco. O que dizer de um renascido Johnny Cash cantando a melhor música da carreira do U2 em The Wanderer? E a melhor canção fim de tempos e fim de festa que é Lemon, e por ai vai. Zooropa é um White Album com excessos bem delimitados.

  1. Tom Waits – Small Changes (1976)

Sim, eu acho Tom Waits um saco. Como todo o mundo que se julga esperto e interessado em música, acompanhei o tio Tom em quase tudo o que ele fez e faz ainda. E confesso, nada que ele fez me causou a mais remota comoção. Sei que ele é bem quisto entre os colegas musicais, todo o mundo paga pau pra seu modos operandi, mas nunca cai de amores por ele. Na real, real, acho um bocado mala e se pegar um disco que eles fez em 2010 e comparar com outro feito em 1987 é praticamente a mesma coisa. Alias, tudo parece a mesma música desde 1978. Small Changes é, curiosamente, o único que tem realmente algumas “pequenas mudanças” e é a única obra do compositor-genioqueasminaeoscarabacanacurtem que ainda consigo escutar e achar alguma coisa que não me enjoe. The Piano Has Been Drinking é sensacional e na minha modesta opinião, a melhor coisa que ele compôs.

  1. The White Stripes – White Bloody Cells (2001)

Mais um pra causar polemica não barata, afinal levanta a voz pra dizer que o Jack White é um fresco e o WS é a banda mais fresca da paróquia? Pois é o que eu acho. Superestimado é pouco pra definir a estranha relação quase idolátrica da palutéria e da classe entendida em som frente a formação chucra, mal tocada (no mal sentido) e tosca que o então casal White produziram. Justiça seja feita, acho que em cada disco tem pelo menos uma música que passa, mas chamar a banda ou os discos de clássico é meio apelação e desespero. White Bloody Cells ainda é o único que passa pelo crivo aqui de casa e de vez em nunca roda no toca cd.

  1. Frank Zappa & The Mothers of Invention – Live At Filmore East (1971)

Quer outra coisa insuportável é Frank Zappa. Nunca entendi, nunca gostei, sempre achei seus discos umas porcarias, com uns arranjos complicados mas com uns timbres muito furrecas e um som pior que a Lira Paulistana. Mesmo na fase inicial, que todo o mundo que curte som costuma pirar, eu não me encantei. Fazer esforço pra entender algumas bandas, artistas ou propostas musicais é um grande desafio que em muitos casos é recompensador, mas em alguns é só perda de tempo. Zappa é desse segundo time. Coloquei esse disco pois realmente é o único que consegui ouvir mais de duas vezes na vida.

  1. Fugazi – 13 Songs (1989)

Outra banda superestimada. Toda a vez que penso no Fugazi sinto uma leve pontadinha de culpa de ter deixado passar alguma coisa na minha mocidade e não ter me apaixonado pela “atitude” do Fugazi. Não é possível que vivi os anos 90, curtia rock, dito alternativo e não gostava dos caras. O problema era comigo, certeza. Acho que ainda deve ser, mas na real, toda a vez que escuto a banda, sinto que tá todo mundo escutando algo muito maravilhoso e só eu escuto um sonzinho chumbrega, roquinho chatinho e mal-humorado. Toda a vez que vejo os caras dando entrevistas ou falando de música, mais eu acho que estava certo e esse angu nunca ter descido tem um que de ser. Tirando esse primeiro disco, o resto sempre foi intragável o que me remete ao monstro (em todos os sentidos) Steve Albini que disse ali no comecinho dos anos 90 que o Fugazi era uma banda muito boa ao vivo, mas que fazia uns discos muito ruins. Nesse caso, o mago Albini ainda livrou a cara deles no “bons ao vivo”.

  1. King Crimson – Red (1974)

Mais uma vaca sagrada sendo atirada no brejo. Nos últimos anos, o progressivo voltou a ser moda e o King Crimson ressurgiu pras novas gerações com toda a força e pompa de faróis da moçadinha que curte se perder em acordes e progressões que não levam a lugar algum. O Rei Cigano cagou regra durante a década de 70, trocando de formação a cada disco, mas sempre com o soberano mandatário Robert Fripp decidindo o que acontecia e o que não acontecia na banda. A coisa ficou tão séria que lá pela Inglaterra tem umas turmas a la Senhor dos Aneis fãs que inventaram uma espécie de Sociedade Apreciadora de King Crimson. Se existe de verdade eu não sei, mas dá medo. A banda sempre foi chata e metida, e com tanta vontade de romper barreiras, ela alterna entre bons momentos e momentos ridículos, mas esse Red é bom demais até pra eles. Pesado, denso e assombroso, é um disco ideal para quem odeia progressivo e não tem muito tempo pra perder com King Crimson.

  1. Foo Fighters – The Colour And The Shape (1997)

Quando o Foo Fighters lançou esse disco e a tal critica especializada não deu a menor patoca, eu não conseguiu entender. O que realmente precisa acontecer para que um disco seja querido por quem entende de música e ao mesmo tempo tentasse ser popular? The Colour And The Shape ainda acho um puta disco, pra cima, mega bem produzido, que fez um link interessante entre guitarras noventistas altas, e cozinha mais discreta de bons discos de rock dos anos 80, mão preciosa de Gil Norton, que tem no currículo discos do Echo & The Bunnymen e Pixies. Depois disso a banda viraria uma piada que começava a se levar a sério nesse projeto de ser a melhor banda de rock do mundo, tanto que até hoje não acredito que eles tenham conseguido fazer shows no Wembley e ganhar 5 milhões de dólares para fechar um festival em um certo pais da América Latina. É um caso único de banda com os integrantes mais legais do mundo fazendo os discos mais porcarias do universo.

  1. Guns & Roses – Appetite For Destruction (1987)

O Guns foi a última banda de rock que o mundo teve e assistir sua degradação ao longo das ultimas décadas só comprova que o rock and roll já havia virado música de tiozinho babão há muito tempo e ainda não tínhamos sido avisados. Appetite é bom pra cacete, não gostar desse disco significa ter pouca afeição por rock e gostar muito dele também significa ter pouca afeição pelo rock. É o típico caso de disco legal que tinha muita personalidade nas pequenas coisas, já que o holofote esta demais em Axl e em Slash, esse disco deu a sombra necessária para que os outros 3 integrantes craques deixassem a base sólida. Steven Adler, o batera que afundado em heroína era um dos principais letristas da banda que ao lado do baita guitarrista e compositor de primeira, Izzy Stradlin (que tem uma carreira solo que vale a pena caçar por ai) e Duff McCagan que mandava muito bem em seu baixo deu ao disco um som que ainda hoje é sensacional. Depois disso, Axl ia querer ser maior que tudo isso e fez o favor de fazer as merdas que nós já conhecemos e que fazem do Guns a maior porcaria da historia do rock, tendo nas costas um dos discos mais legais da história. Ouça o disco, não ouça a banda e tudo ficará bem.


5 motivos para se amar o Rock In Rio.

Festival corporativo por festival corporativo, o o Rock In Rio pelo menos é ou foi “Made In Brazil”.

Festival corporativo por festival corporativo, o RiR não é muito melhor nem muito pior que Lollapalooza ou que SWU ou Hollywood Rock ou qualquer outro festival mega boring que existe no mundo.

Nunca fui em nenhuma edição do RiR, e com o tipo de escalação que tem vindo pra cá, não será nessa vida.

Já não tenho quase paciência pra assistir show no Sesc, imagina essas atrações que só visam atender ao grande público com umas bandas de quinta e headliners que só conseguem o boi de fechar alguma coisa por aqui, ou voces realmente acham que Slipknot, System of A Down e Rod Stewart nos dias de hoje são atrações de fechar algum festival… really?

Mas como hoje é segunda, o começo de uma nova semana e olhar pra frente é sempre a melhor opção, resolvi deixar o amargor pro meio da semana e listar os 5 momentos memoráveis da história do Rock In Rio:

5. Queen em 1985

É brega? É cafona? É manjado? É lugar-comum?

A resposta pra todas as perguntas acima é um sonoro sim, mas nada disso impede que o pelo do Forevis se arrepie com esse cara comandando uma massa de mais de 400 mil pessoas do jeito que ele fez. Ninguém até então tinha feito isso e ninguém jamais faria de novo.

4. Prince em 1991

Até aquele presente instante, Prince era o pop star mais genial que pisava em terras brasileiras e fiquei profundamente triste de não ter conseguido ir nesse show. Sempre fui fã dele e nunca entendia exatamente o porque, seja a capacidade de esgotar temas de maneira seca e ao mesmo tempo rica, Prince sempre esteve um calcanhar na frente do resto, até que os anos 90 passaram por cima dele como um trator. Mas ai, a roda gira e todo o mundo que veio nessa época sumiu, mas a majestade púrpura continua firme e relevante como nunca.

Esse foi o único video que achei desse show no RiR, e o baixinho tava se preparando pra lançar o lascivo Diamonds And Pearls, quebra tudo nego:

3. Neil Young em 2001

Demorou mas ele veio.

Fez um show antológico! Daqueles de pegar o queixo caido no chão depois de duas horas, daqueles que te tiram do eixo e te colocam em contato com algo próximo do divino, do canone ou o que quer que seja. As frases de guitarra desse show ainda me emocionam.

Tinham a sua disposição um palco de 50 metros, mas usaram uns 5. Gênios as vezes precisam de menos do que se precisa.

Mais um que eu não fui também, mas daria meio dedo esquerdo pra ter estado lá.

2. Happy Mondays em 1991

Num horário perdido, meio de última hora pra preencher lacuna e de repente tinhamos no Brasil a banda mais pirada do universo tocando um clássico praticamente ao mesmo tempo que o mundo ainda tentava entender o que diabos estava acontecendo em Manchester e porque o som daquelas bandas de lá saiam desse jeito.

Tem coisas que não se explica, se sente, se vê.

Show grande e clássico com jeito de feito em casa num churrasco no quintal;

1. Carlinhos Brown em 2001.

Palavras são desnecessárias perante imagens tão lindas e expressivas, por isso o momento “Agua Mineral” ainda é e sempre será o momento mais sensacional de um show acontecido em terras brasileiras.

Sabe aquele velho dito popular: uma imagem vale mais do que etc. etc. etc.

Ta ai, não me canso de ver:


10 “clássicos” pra longe de mim, (ultima parte)

Seguindo com obrigação moral de desonrar vacas sagradas, mais 5 discos “clássicos” que eu detesto e se voce só curte os “clássicos do rock”, nem comece a ler:

5. Dire Straits – Brothers In Arms (1985)

Falar de discos detestáveis que tem a pecha de “clássicos” e deixar o Dire Straits de fora não seria justo. Em um dado momento da minha infância, uma maldita propaganda na TV me disse que o Dire Straits era a maior banda de rock do mundo e como eu era uma criança inocente e desprotegida, acreditei. Ai eu comprei uma fita K7 da coletânea Money For Nothing e escutei até a fita quase arrebentar. Eu realmente achei que tava arrebentando na escutação de rock. Logo depois apareceu a trilha sonora da novela Roda De Fogo que tinha Peter Gabriel, Genesis e Simply Red e eu achando que aquilo era Rock and Roll. Resumo da ópera: eu tava definitivamente indo prum lado muito errado e quase que sem volta. Ainda bem que no meio do caminho apareceram alguns acidentes como Jesus & Mary Chain e Pixies e sai dessa vida.

Voltando pra essa desgraça.

Eu poderia passar horas digitando adjetivos desqualificando esse disco e essa banda, mas contra fatos postos não se faria necessário gastar meu latim, mas quem disse que eu consigo?

Vamos lá:

O lado A dessa coisa é o mais pavoroso da historia música pop: So Far Away, abrindo os trabalhos com uma preguiça demente, seguida de Money For Nothing e uma das introduções mais longas, pretensiosas e sem impacto só pra “criar um clima” pra entrar o riff de guitarra mais vagabundo que eu conheço. Como todo disco muito “bem pensado”, a terceira era para levantar o Giants Stadium, Walk Of Life. Ela é ótima, pois propicia que todos os bobocas do mundo tenham a chance de colocar a gravata na testa, dobrar o terno do serviço e apavorar na caipirosca. Chegamos ao fim do lado A com as baladas Your Latest Trick (o solo de sax mais brega do universo) e Why Worry. Acho que já tá bom, não do conta de chegar pro lado B dessa tranqueira.

4. R.E.M. – Out Of Time (1991)

O ano era 1991, e eu não passava de um adolescente classe média (classificação da época do IBGE) e morava em Foz do Iguaçu. O Brasil passava por uma pindaíba braba (essa crise de hoje não chegava nem a fazer cosquinha), estávamos no meio da Era Collor com inflação, moeda desvalorizada, desemprego brutal, pouquíssimos motivos para termos orgulho de alguma coisa, éramos uma piada em dimensões continentais e o dinheiro lá em casa era contadinho pra coisas supérfluas como discos.

Com tudo isso em mente, quando eu gastava dinheiro com alguma coisa “supérflua” tinha que valer a pena e nessa época, tanto quanto hoje, eu adorava fuçar promoções atrás de bons discos que preenchessem o quesito “custo+benefício”.

Só comprava disco novo se realmente eu quisesse muito, e quando saiu esse do R.E.M. após ter lido rasgados elogios de crítica e público, juntei mesada e corri pra Combinato Discos buscar um exemplar.

Botei o disco na vitrola, rodei o lado A e tava me sentindo meio “enganado”, fui pro lado B e a sensação de arrependimento em ter investido uma grana alta veio a toda.

Terminei o disco achando que eu não estava pronto pra ele, tentei ouvir mais uma vez e nada.

Eu sempre gostei de pop e o R.E.M. tinha essa combinação rara de fazer pop e guitarras soarem como se tivessem sido feitas uma para a outra e eu não tava entendendo a proposta de rock adulto que o R.E.M. colocava no disco.

Cadê as porras das guitarras? Banjo? Melotron? Que b… era essa!

Whatever, não tive dúvida e voltei com o disco pra loja e troquei pelo anterior deles, Green (não me arrependo até hoje de ter feito essa troca).

Eu amo o R.E.M. mas Out Of Time foi a concessão mais cuzona que uma banda fez pra ganhar público e audiência. Tudo no disco é pasteurizado ao extremo e sem graça. Radio Song flertava com o Rap tanto quanto o Kriss Kross, Shinny Happy People dispensa comentários, chegava a ser embaraçoso ver a Katy Pierson dividindo vocal numa porcaria dessa, aliás era embaraçoso ouvir o Michael Stipe cantando aquilo.

Mesmo tendo uma música linda como carro-chefe, Losing My Religion tem um arranjo muito quadradinho, que pode ser chamado de perfeito, e que conseguiu ganhar execucão até numa rádio bosta como a Jovem Pan.

Ainda bem que esse foi o único deslize feio deles, pois no ano seguinte a banda já consertaria esse engano com o espetacular e soturno Automatic For The People e até 2004, um punhado de discos incríveis e inspirados viriam.

Mas não tem jeito, Out Of Time é intragável por ter sido certinho demais.

3. Led Zeppelin – Led Zeppelin IV (1971)

Aproveito pra confessar algumas coisas sobre o Led com esse disco:

  1. Nunca fui fã de carteirinha de Led;
  2. Hoje só consigo dar conta de escutar o Led III;
  3. Não entendo como alguém ainda ache ok colocar esse disco pra tocar em público;
  4. Se isso foi o máximo que o rock and roll produziu, então esse negócio não é pra mim:
  5. Hoje sou muito mais o Deep Purple e o Sabbath ao Led.

Essa besteira de “deuses do rock and roll” nunca me pegou e o Led vestiu essa carapuça de “Deuses do Rock” como poucas bandas. Tudo era grandioso, gigante, majestoso e eu já tava aprendendo a gostar das coisas pequenas, intimistas, pra poucos, lugares menores para shows, bandas menos conhecidas e o Led era exatamente o oposto.

Ok, me lembro da primeira vez que escutei Stairway To Heaven e ela ajuda a cumprir a função de todo o “hino” de um gênero e faz com que você se apaixone, pule de cabeça e queira entender o que isso causa em você. Na minha história pessoal, comecei a ouvir rock achando que Peter Gabriel e Legião eram o máximo no rock and roll. Não me arrependo, guardo com carinho as boas lembranças, mas hoje não me dizem mais nada.

Assim é com o Led, definitivamente sua música não combina comigo e acho perda de tempo escutar Rock And Roll ou Black Dog ou Misty Mountain Hop nos dias de hoje. O que uma nova audição delas pode trazer de novo? Nada! Absolutamente nada. Na real, a única música desse disco que ainda me interessa é When The Levee Breaks, seja pelo som e andamento da bateria, seja pelo arranjo que prepara brilhantemente para seu final.

Deixei esse clássico de lado faz tempo e acho que a partir dele, comecei a deixar outros clássicos para fora de casa.

2. The Beatles – Sgt. Peppers Lonely Heart Club Band (1967)

Deixei de gostar de “tudo” que os Beatles fizeram já faz um tempão, mas deixar de gostar do Sgt Pepper faz uns 3 ou 4 anos. Acho que foi quando sairam as edições remasterizadas em 2009 e peguei pra escutar de novo. Me senti o personagem do Jonathan Pryce tentando tomar um sol na cinzenta e desolada Manchester dos anos 80. Tudo no disco me pareceu velho, bobo e sem graça.

Sabe aquela piada que você adorava e agora não vê mais graça alguma? Então, é mais ou menos isso.

A long time ago, eu tinha uma fita Basf onde um amigo me gravou as 3 primeiras músicas do vulgo Sargento: Sgt Pepper, With A little Help From My Friends e Lucy In The sky with Diamonds. Ouvi essa sequência até a exaustão, gastava pilhas e pilhas no walkman me deliciando com essas 3.

Eu estava com 14, virando mocinho e achando tudo isso uma maravilha.

Como escrevi lá em cima, nunca nos faltou dinheiro em casa, mas não éramos de posses, assim o álbum completo só veio pra casa uns 2 anos depois como presente de aniversário e finalmente passei da faixa 3.

Confesso que já na época fiquei meio decepcionado. Getting Better e Fixing a Hole baixaram um pouco a minha bola e pensei “porra, começa desse jeito e cai nessas chinfrinzeiras” e ficava pensando “cadê o tal e genial Sgt Pepper?”

Adelante, caimos em She’s Leaving Home é linda e fiquei apaixonado por ela, e Being for Benefit Of Mr Kite depois de alguns anos virou a minha favorita do disco.

Hoje ainda acho que é disparado a mais legal, mesmo prum disco que tem A Day In The Life.

No frigir dos ovos, acho que gostar do Sgt Pepper era quase que uma obrigação e uma necessidade de afirmação de alguns patamares de gostos e predileções que marcavam um limite invisível ou um fronteira entre nós “os legais” e eles, os “não legais” que não curtiam esse disco.

O tempo passou e hoje acho que penso o oposto, gostar desse disco depois de tudo que passei e ouvi é quase um atestado de não evolução, de não ter ido pra frente em nada e ter estacionado na estupefação de um garoto de 14 anos.

O gostoso da evolução é voltar a sentir essa estupefação com novas experiências e não voltar prum estado de espirito que você já não tem mais.

É por isso que essa banda não toca mais pro lado de cá.

1. Pearl Jam – Ten (1991)

Poderia dar um monte de razões para colocar esse disco em primeiro lugar nessa lista.

Dentre elas:

  • A produção exagerada a la hard rock do final dos anos 80, ouso dizer que nem o Skid Row ou o Warrant tinham um som de bateria tão brega quanto esse Ten.
  • E os ecos? E os timbres das guitarras? De novo, acho que as guitarras do Warrant e agora também dos irmãos Nelson, eram melhores que a da dupla do Pearl Jam;
  • O som desse disco não é e nunca foi “grunge”, esse Ten sempre foi um Hard Rock de quinta!
  • E essa capa com os bracinhos fazendo um “hi-five”?
  • Os hits mais grudentos e chatos da história do rock: Alive e Even Flow, que foram antipatia imediata junto a minha pessoa. Na primeira vez que ouvi no rádio eu achei que era o Queensryche que também gozava de relativo sucesso nessa época.
  • Tudo é muito sério, sizudo e parecido com o que seria uma banda que os seus pais poderiam gostar. Tocando e contando todas as verdades do mundo e passando sermão pra todo o mundo;
  • E Jeremy? Dá preguiça até hoje…
  • Tudo isso foi um conjunto de argumentos sólidos que juntei pra tentar justificar porque eu nunca gostei desse disco, mas o verdadeiro motivo de eu detestar com todas as minhas forças o Ten está lá na faixa 5 e se chama Black, a pior música da história do Universo, o maior erro já cometido no gênero, aquilo que me faz ter vergonha de dizer que gosto de rock, que me dá vontade de ter nascido na idade média e nunca ter passado de Buxtehude.

A banda até que se ajeitou depois desse começo cheio de sucesso e titica, os 3 discos posteriores alternam bons e maus momentos, mas a lembrança e o estilo que impregnou logo de cara, parece que nunca largou a banda e por mais que eu ache o Eddie Vedder um cara gente fina, e os demais caras da banda parecem ser muito legais, ainda haverá um Ten no passado e sobretudo, ainda existirá Black.


10 “clássicos” pra longe de mim (parte 1)

Oi!

Dando um tempo nas crônicas diárias que esse blog se propos, que é o de dissecar um disco por dia retirado da estante aqui de casa, hoje resolvi dar uma lameada no negócio e dar uma pichada básica em discos que todo o mundo paga o maior pau, mas que eu acho um saco, que nunca me disse nada e provavelmente nunca me dirá:

10. The Doors – The Doors (1967).

É aquele mesmo, que tem Break On Through (que é legal) e que tem Alabama Song (que é a melhor do disco e nem deles é e sim um exercicio de puro esnobismo). Mas é nesse mesmo que tem Light My Fire (talvez a música que eu mais deteste no mundo ao lado de Black do Pearl Jam) e The End, a maior baboseira pseudo-intelectual pseudo-transgressora-roquenroll do mundo. Acho esse disco mais chato que tentar levar papo com estudante de humanas maconheiro pseudo-intelectual mas que curte um livrinho de colorir escondido da namoradinha. O The Doors é disco pra se ouvir com a mesma idade que você tiver para ler On The Road, ou seja, antes dos 18 anos.

09. Titãs – Cabeça Dinossauro (1986)

Nunca entendi e nunca gostei de Titãs. Lembro que mesmo muito jovem, o Titãs sempre me pareceu uma farsa mentirosa e metida a besta. O tempo só me ajudou a corroborar minha tese. Quanto mais velhos, piores eles ficaram e o conjunto da obra só depoe contra. Musicalmente sempre achei a banda mediocre, exceto talvez o Charles Gavin que mandava bem, mas a produção fazia o favor de destruir tudo e ele hoje é muito melhor como pesquisador musical. Os guitarristas sempre foram ruins, o Nando foi um baixista bem meia boca e cantor a banda tinha 4 que não valiam por 1/2. As músicas desse play fazem parte do repertório “crássico” e podem até ter a impressão de “transgressão” e “artístico”, mas como eu não acredito nos “transgressores”, então tudo não passa de mensagem inútil. O Cabeça é o “Romero Britto” do rock brasileiro.

08. Pink Floyd – The Wall (1980)

O Floyd sempre teve meio lá e meio cá na minha vida. Tive momentos de absoluta paixão e momentos de absoluto ódio, mas em nenhum desses momentos eu gostei de The Wall. Nas poucas vezes, ou na verdade na única vez que ouvi esse disco inteiro, percebi o sentido completo da expressão “perda de tempo”. Perda de tempo de quem fez, de quem produziu, de quem criou a arte da capa, de quem prensou milhões de cópias e de quem ouve. É o auge da “xaropice” em torno de um tema, de uma idéia e toda uma construção musical cheia de nove horas pra depois virar um show Megalomaniaco chato que nem o inferno. Se a banda tivesse parado em Animals, tudo teria sido diferente, mas eles seguiram em frente e só não queimaram seu filme porque fã de Pink Floyd é mais complacente e paciente que fã de Los Hermanos e nutre um misto de amor sem limites e radicalismo xiita na hora de defender seus “grandes artistas”.

07. Os Mutantes – O A E O Z (1973)

Os Mutantes foram uma das mais revolucionárias bandas dos anos 60, não só “a nivel” Brasil, mas “a nível” Mundo. Se ligaram no que acontecia por ai, tinham uma birutice original e se misturaram com os caras certos aqui no Brasil nessa época: Tom Zé, Caetano, Rogério Duprat e inventaram um tipo de som que só foi compreendido e admirado quase 20 anos depois que eles acabaram. Os 5 primeiros discos são geniais cada um a seu modo e deveriam ter acabado por ai. Com a saída de Rita Lee, eles ainda tentaram, estavam bem sintonizados no seu tempo, mas o problema era justamente o tempo em que eles se ligaram. Era a hora e a vez do Rock Progressivo. Isso só por si já deveria ser auto-explicativo no porque da ruindade desse play, mas vale uma breve digressão pra eu não ser chamado de teimoso. O rock progressivo tinha deixado de ser vanguarda e era o que dominava o rock no mundo e foi pra essa seara que todos se moveram, seguindo o que o Yes e o que o Floyd fizessem e dessa fonte nasceu Supertramp, Genesis e outras porcarias. Ai deu ruim, pois o virtuosismo dos irmãos Dias veio a tona, o humor saiu de cena e o resultado é essa lameira insuportável!

06. Paranoid – Black Sabbath (1971)

Sim, eu acho esse disco uma porcaria! Já tive uma edição em Cd bem vagabunda, o que só ressaltou os inúmeros defeitos desse disco. Primeiro que eu acho o som uma porcaria, parece a versão “demo” de algo que nunca chegou a ser lançado de verdade e o que seria considerado “cru” ou “visceral” na verdade é “tosco” e “mal tocado”. E olha que eu sou fã de punk rock, mas Paranoid não dá. A faixa título é uma porcaria e o resto não consigo passar. Ok, tem War Pigs, que é um “clássico”, daqueles de tocar obrigatoriamente na Radio Rock ou no Morrison Rock Bar. Se possível comigo longe de todos esses lugares. É inacreditável que eles tenham feito essa porcaria depois do inacreditável homônimo primeiro album e Master Of Reality que 250 vezes melhor.

Semana que vem eu continuo malhando mais 5 discos clássicos… ainda nem falei de Beatles…!


Black Sabbath – Sabotage (1975)

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Tem muito doido que acha esse o melhor Sabbath, e olha que ouvindo na sequencia do Vol. 4 chego a cogitar que ele talvez esteja hoje na frente do petardo de 1971.

Hole In The Sky é de arrebentar, a guitarra de Iommi parece uma serra cortando a música pelo meio e dando direto na cara do ouvinte.

Se o grave demolidor que ele tirou em Master Of Reality não é mais tão evidente em Sabotage, o grave desse Sabotage é mais apetitoso, mais abrasivo e parece que mais “quentinho”, e isso fica claro em Sympton Of The Universe, com um guitarra espetacular, um som de bateria inacreditável e o vocal do Ozzy mais Ozzy que se ouviu até então.

E o final? O final de Sympton resumiria em 1 minuto toda a carreira e tudo o que o Jane’s Addiction quis fazer mais de uma década depois desse play, que é misturar balanço com peso.

Megalomania termina o lado A ambiciosa, gigante mas meio maleta e dá um pouco da deixa do que viria a se tornar o Sabbath nos anos seguintes. Mais conceito, menos loucura e uma certa preguiça e conforto num lugar padrão que eles se colocariam e manteriam até o fim dos seus dias.

Sabotage é um disco pra se ouvir sem pressa, fazendo cafuné na bichana e tomar um whisky.

O lado B é mais elaborado, mais chique, mais metido a besta o que fez os fãs de um rock mais cabeça gostarem muito e os fãs mais toscos ficaram meio sem entender e acharam que isso é evolução, Supertzar chega a lembrar o Queen, com suas operísticas e The Thrill Of It All tem outra velocidade, outra proposta e também vai numa direção mais sofisticada que até então não existia no som do grupo.

Am I Looking Insane (Radio) também é outro tipo de som que beira o psicodelismo britânico tardio, ouvindo hoje acho que lembra um pouco um Stones na fase Their Satanic Majestic Request só que mais pesado.

E fechamos a conta com The Writ, outra psicodelia metal sensacional, som que deve ter servido de base de 10 entre 10 bandas que hoje fazem som pesado a la Earthless, Red Fang e alguns progers-metal-psicodelicos devem tudo a The Writ.

Sabotage é o de longe um dos discos mais influentes do rock moderno, cada faixa e cada pedaço de música desse disco parece ter influenciado artistas diferentes em diferentes épocas. Alguns ali na mesma época já surfaram no que esse disco oferecia como alternativas, outras foram beber dessa fonte décadas mais tarde, mas todo o mundo que fez rock pesado nas décadas seguintes bebericou até não poder mais nesse play.

E nóis gosta!


Black Sabbath – Vol. 4 (1972)

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Esse era o meu disco favorito do Black Sabbath até perder o posto pro Master Of Reality.

Um disco que tem Supernaut, Snowblind e St Vitus Dance não poderia perder esse titulo tão facilmente né? Mas tem um lance no Vol 4 que passou a me incomodar muito, ouvindo esse disco hoje em dia.

Changes.

Não o verbo, e sim a música.

Eu nunca fui fã de Changes, de jeito nenhum. Nem quando ouvi no rádio pela primeira vez, nem quando ouvi no disco pela primeira vez, nem hoje, nem semana passada, nem no show do Ozzy que eu assisti há 20 anos nem quando toca em qualquer lugar que eu passe.

Simplesmente não gosto. E ponto.

E olha que tenho a moral de escrever que eu não gosto do Paranoid. Chego a levar bronca dos meus amigos por causa disso, mas é verdade.

Se não tivesse essa maledeta, o disco ia ser perfeito em sua concepção de explorar novos sons e tentar trazer novos ouvintes para o som do Sabbath, mas, paradoxalmente, se não fosse justamente por causa de Changes, talvez o Sabbath corresse o risco de continuar restrito a um tipo de publico e sua música dificilmente chegaria a ser um hit na Antena 1 por exemplo.

Está claro que os caras queriam mais, queriam mais do que estavam tendo e essa ambição por um público maior só seria possível se eles tivessem algo maior e mais acessível ao que eles tinha mostrado até então e ai veio Changes.

Veja, acho que sou voz dissonante nessa discussão, pois a maioria pega bem com a balada.

E ainda acho que essa música é uma droga e não combina em nada com o resto do disco. Perceba, ela vem logo depois de Tomorrow’s Dream e antes da vinheta FX e Supernaut, que pra mim é a melhor música do disco disparada e uma das 3 melhores do Sabbath ever, e são duas porradas diferentes, com arranjos mais abertos, levadas rápidas mas menos assustadoras, enfim, o Sabbath que viria a ser nos anos seguintes.

Muito do que a banda virou no futuro começou no Vol 4, pro bem e pro mal, as concessões podem ser ouvidas como naturais caminhos de um talentoso e inventivo grupo de músicos que se recusavam a ser rotulados de “adoradores de satã” e ajudaram a redefinir os caminhos que o rock tomou nos anos 70.

E essa capa?

Definitivamente não dá pra escutar esse disco num formato que não seja o Vinil.


Black Sabbath – Master of Reality (1971)

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Por uma breve fração de segundo fiquei em dúvida quanto ao meu julgamento se esse é o melhor disco do Sabbath, mas quando entra a segunda faixa, After Forever, minhas duvidas acabam.

Master Of Reality é o meu favorito do Sabbath.

Pelo menos por hoje.

Sou fã do Sabbath desde que escutei o Paranoid numa edição meio vagaba lançada por aqui nos anos 90 pelo selo Castle (não era uma edição tão boa, talvez por isso que Paranoid foi um disco que escutei pouco e como sou avesso a greatest hits, acabei deixando de lado nessa longa estrada da vida).

Dos primeiros discos do Sabbath, o ultimo que tive contato foi o Master Of Reality e hoje é o que mais escuto e cada vez gosto mais.

O som desse play é absurdo, a guitarra de Iommi ajudou a levar adiante as ousadas ideias que brotaram dos dois primeiros, e que só agora surgiram com mais apetite pelo bizarro e pela vontade de criar riffs que andassem por ai como fantasmas ou demônios com pés e vida própria.

O som desse é dark, potente, grave e tem uma sequencia que pelamordedeus, não deixa pedra sobre pedra… Sweet Leaf, After Forever e Children of The Grave, só com isso dá pra resumir prum marciano o que é o Rock Pesado e com isso basicamente bastaria. Se toda a história do Heavy Metal ficasse restrito só ao lado A desse play, o Heavy Metal já deveria ser objeto de estudo e culto pra entender o que esses caras tinha na cabeça pra tocar algo tão furioso, soturno e pesado quanto isso…

E estamos em 1971!

Sem folego e estupefato, somos jogados aos porões no assustador lado B que começa com Lord Of This World, lenta, arrastada e evocando o mal com um senso de humor bizarro e sinistro. Mantendo o clima de mistério e bizarrice, Solitude, lenta e malvada, parece vinda de um encontro de Satã com a heroína, num momento de sol entre nuvens de um solstício infernal.

E ai termina com Into The Void e a redefinição do mal em forma de música se encarna em todo o seu esplendor e beleza. A forma como os riffs de Iommi vão engatinhando e se encontram com a cavalgada do baixo e um vocal que mais parece uma criatura curva e misteriosa na voz de Ozzy, fecham esse play dando medo e causando um novo tipo de sensação que é a de sedução pelo mal.

Que gravação! Que produção! Tudo nesse disco é perfeito!

Na minha opinião não tem rival pra esse disco! Nem o Volume 4, nem o primeiro chegam perto em termos de massa sonora e qualidade (menos é mais, 6 faixas inteiras que valem por 260 faixas de outros artistas semelhantes).