Legião Urbana – Amor e muito amor nessa vida.
Publicado; 10/11/2015 Arquivado em: Música | Tags: André Frateschi, BRock 80s, Dado Villa-Lobos, Legião Urbana, Marcelo Bonfá, Renato Russo, Rodrigo Amarente 2 Comentários
“Ame ou Odeie” , é o que normalmente se usa para artistas como Legião Urbana.
Essa mesma expressão serve pra Rush, Engenheiros do Hawaii, Ramones (tem gente que odeia, cruzes…), Radiohead entrou pra essa lista recentemente e mais alguns ai.
Artistas populares desse calibre despertam esse tipo de sentimento porque em algum momento da nossa vida, nós amamos demais, depois crescemos, criamos certa vergonha desse “gostar”, passamos a detestar e em algum vetor do destino nos faz cruzar com o “voltar a gostar”.
Foi mais ou menos isso que aconteceu comigo em relação ao Legião e acho que no fundo, bem no fundo, até quem detesta Legião, gosta de alguma coisa. Já cansei de ler e ouvir críticos de música ou jornalistas descendo a lenha pra anos depois falar bem.
Assim como nunca achei a hojeriza ao grupo totalmente fundamentada, também nunca me desceu esse fanatismo que os fãs tem pelo mito Legião.
Mas ai é uma questão minha, não entendo o fanatismo por coisa alguma, seja Renato Russo, seja Kurt Cobain, seja Maomé, seja Jesus Cristo.
Em muitos momentos, fanatismo e estupidez estão na mesma lança, pois motivado pelo primeiro se comete muito o segundo.
Enfim, tudo isso só pra escrever que nesse ultimo sábado, dia 07 de novembro de 2015 assisti ao meu primeiro show da Legião Urbana. Eu, homem feito e barbado e com 40 anos.
Explico, a ultima grande turnê do Legião foi pra promover o álbum As Quatro Estações, lançado em 1989 e a banda tava tão grande que o show em São Paulo foi no extinto Parque Antártica, duas noites lotadas. Nem se eu quisesse e como eu já era bem bundão nessa época, desisti fácil.
Já na turnê do Descobrimento do Brasil eu não tava mais na onda deles.
Me arrependo até hoje.
Voltando ao presente, resolvi encarar e ver o Legião, no começo muito mais como acompanhante da minha amada namorada, fã incondicional da banda, mas eis que quando dei por mim, lá pelo meio do show, já estava lá por mim mesmo, ou pelo garoto de 11 anos que ouviu num aparelhinho de vinil portátil na casa do primo de segundo grau em Mogi Guaçu, o então recém-lançado Que Pais É Este? e começou ali a dar os primeiros passos em direção ao rock.
Ao vivo, o Legião era legal por que tinha o elemento mais raro de se encontrar em uma banda grande ou um show grande, que é a imprevisibilidade. O temperamento de Renato era o que dava o tom do show, não eram shows 100% profissionais, com schedule redondo, programadinho e certinho. Renato bagunçava essa dinâmica com discursos, improvisos e dependendo de seu humor e feeling, era capaz de proferir os maiores absurdos, quebrar o pau com a plateia ou dos mais sensacionais “mash-ups” antes disso virar modinha quase 20 anos depois.
Nesse sábado vimos uma banda que não evolui muito, Dado continua fazendo o seu feijão com arroz, agora com menos erros que antes, e Bonfá manteve sua tocada rudimentar eternamente adolescente.
Não tinha o elemento mágico e fora da casinha de Renato, mas tinha um cantor profissional brilhante que é André Frateschi. Chamado pra assumir uma responsa, não decepcionou em nenhum momento, assim como não tentou emular os maneirismos de Russo ou substitui-lo no discurso e no papel de front-leader. Nesse quesito, a tarefa ficou com o antes quietíssimo Dado, que por força da circunstancias, se abriu e falou mais. Tudo muito correto.
Com Frateschi, fizeram o primeiro disco inteiro na sequencia. Depois de algumas papagaiadinhas simpáticas, como trazer alguns convidados ao palco (seja um fã ou Rodrigo Amarante), o show foi ganhando em velocidade e barulho e mostrou como o repertório da banda sempre foi poderosíssimo com muitos momentos altos.
Pais E Filhos botou os filhos de Bonfá e Dado respectivamente em seus instrumentos, e Bonfá assume os mics pra conduzir a plateia nos vocais. O Reggae, ainda lá no começo do show serviu de fundo para que Dado pudesse brincar de Paul Simonon e mandasse um pedacinho de Guns Of Brixton (clássica faixa do London Calling). Dezesseis ficou legal também e Perfeição ganhou novas cores por ser exatamente ou praticamente igual ao que foi concebida em 1994. Mais atual impossível!
E pro final veio Faroeste Caboclo, Indios e Que Pais É Este? e vamos embora pra casa depois de quase 2 horas de bom rock and roll brasileiro. Sim, isso existe e goste ou não, o Legião é parte importante nessa história.
Além do que, ao vivo eles ainda conseguem fazer mais barulho que 95% das bandas de rock existentes no Brasil, todas muito sensíveis, todas muito arrumadinhas, todas incapazes de pregar uma surpresa aos seus respectivos públicos como o Legião era capaz de fazer.
Pode ser muito pouco, mas a culpa definitivamente não é do Legião.
10 Discos Sensacionais de Bandas Porcarias.
Publicado; 20/10/2015 Arquivado em: Música | Tags: Foo Fighters, Frank Zappa, Fugazi, king crimson, Offspring, Pearl Jam, Tom Waits, U2, white stripes Deixe um comentárioResolvi pensar positivo.
Achar o bom no péssimo, mesmo que pra isso eu tivesse que atravessar um deserto de desolação e fazer com que meus ouvidos acostumados a ser mal-tratados todos os dias a passar por verdadeiras sabatinas sônicas pra evidenciar as qualidades onde aparentemente não havia nada além de porcaria.
A maioria desses artista abaixo listados tem um séquito barulhento e por vezes fanático de fãs, atraem grandes públicos para seus shows, vendem ou venderam bem, quando esse negócio de música ainda dava dinheiro e sou certamente sou voz minoritária em praticamente quando afirmo que são umas porcarias.
Nessa lista não vai ter discos do Dire Straits, do Jethro Tull ou do Toto porque nao achei nenhum disco decente deles que eu realmente gostasse.
Não vai ter também No Doubt, Nickelback ou Maroon 5 porque nem disco eles fizeram direito.
Causando polêmica em um toque de 5, 4, 3, 2, 1:
- The Offspring – Smash (1994)
Acho que é meio consenso até pra quem não gosta da banda, que Smash é um baita disco. Lembro que quando ouvia Self Esteem ou Come Out And Play no rádio e na extinta MTV e achava bom demais pra estar tocando ali naqueles veículos. Definitivamente eram outros tempos. O que não é muito consenso é que esse é o único disco que prestou na carreira da banda neo-punk-de-mentira. O disco teve hits muito legais e que ainda hoje não causam vergonha nem envelheceram mal. Vergonha foi tentar acompanhar essa banda virando um troço horroroso ao longo dos anos, chegando ao cumulo de em 2012, com o lançamento de Days Go By, os fãs da banda pediram para que eles parassem de lançar discos. Mas Smash ficou.
- Pearl Jam – No Code (1996)
Eu tentei gostar de Pearl Jam e por um breve espaço de tempo, eu até que consegui. Foi justamente ali pelo meio dos anos 90, quando a banda tava meio perdida, brigando com a Ticketmaster, e o Eddie Vedder querendo mandar mais que todo os outros caras da banda juntos. Um dos guitarristas tava com uns problemas de “dorgas e biritas” e banda lançava um disco cheio de “9 horas”, com encarte que abria de ponta cabeça, umas fichinhas e nenhum hit radiofônico. A banda tentava fugir do som comercial que eles mesmos inventaram no seu insuperável monumento a farofice Ten, e que ao longo dos anos seguintes a banda foi tentando ficar legal (as vezes deu certo) e em No Code eles se jogaram numa arriscada aventura de emular um folk rock setentista a la Neil Young. Conseguiram me fazer gostar um tiquinho deles pela coragem e pelas canções lindas desse disco. No Code é um intervalo bonito de uma banda bem caretinha e chatinha.
- U2 – Zooropa (1993)
Polêmica em dobro, pois além de colocar o U2 como uma porcaria é afirmar que o disco mais estranho e menos lembrado pelos fãs seja a única coisa que preste. Aí vai ter o cara que, com sua razão de fã vai defender os irlandeses colocando álbuns como Achtung Baby (1991), The Joshua Tree (1987) e até mesmo War (1983) como discos ótimos. Eu retruco fazendo um convite a que esse mesmo Cabrobó re-escute esses álbuns hoje e tente encontrar mais de 50% de musicas boas tentando esquecer as milhões de execuções de With Or Without You ou New Years Day, entre outros hits de rádio. Foi o que eu fiz para chegar a essa conclusão e ai bastou juntar minha ojeriza natural pelo Bono e pronto. Eu sempre achei o U2 uma banda maleta que sempre manipulou muito bem sua audiência e seu público pra onde eles quiseram. Deixando a banda de lado, vamos ao disco. Zooropa foi o único momento em que eles ultrapassaram o mundo, inclusive a si mesmos e realmente foi um divisor de aguas na música dos anos 90. Muito do indie que se ouviu depois de 1993, tem muito a agradecer a esse disco. O que dizer de um renascido Johnny Cash cantando a melhor música da carreira do U2 em The Wanderer? E a melhor canção fim de tempos e fim de festa que é Lemon, e por ai vai. Zooropa é um White Album com excessos bem delimitados.
- Tom Waits – Small Changes (1976)
Sim, eu acho Tom Waits um saco. Como todo o mundo que se julga esperto e interessado em música, acompanhei o tio Tom em quase tudo o que ele fez e faz ainda. E confesso, nada que ele fez me causou a mais remota comoção. Sei que ele é bem quisto entre os colegas musicais, todo o mundo paga pau pra seu modos operandi, mas nunca cai de amores por ele. Na real, real, acho um bocado mala e se pegar um disco que eles fez em 2010 e comparar com outro feito em 1987 é praticamente a mesma coisa. Alias, tudo parece a mesma música desde 1978. Small Changes é, curiosamente, o único que tem realmente algumas “pequenas mudanças” e é a única obra do compositor-genioqueasminaeoscarabacanacurtem que ainda consigo escutar e achar alguma coisa que não me enjoe. The Piano Has Been Drinking é sensacional e na minha modesta opinião, a melhor coisa que ele compôs.
- The White Stripes – White Bloody Cells (2001)
Mais um pra causar polemica não barata, afinal levanta a voz pra dizer que o Jack White é um fresco e o WS é a banda mais fresca da paróquia? Pois é o que eu acho. Superestimado é pouco pra definir a estranha relação quase idolátrica da palutéria e da classe entendida em som frente a formação chucra, mal tocada (no mal sentido) e tosca que o então casal White produziram. Justiça seja feita, acho que em cada disco tem pelo menos uma música que passa, mas chamar a banda ou os discos de clássico é meio apelação e desespero. White Bloody Cells ainda é o único que passa pelo crivo aqui de casa e de vez em nunca roda no toca cd.
- Frank Zappa & The Mothers of Invention – Live At Filmore East (1971)
Quer outra coisa insuportável é Frank Zappa. Nunca entendi, nunca gostei, sempre achei seus discos umas porcarias, com uns arranjos complicados mas com uns timbres muito furrecas e um som pior que a Lira Paulistana. Mesmo na fase inicial, que todo o mundo que curte som costuma pirar, eu não me encantei. Fazer esforço pra entender algumas bandas, artistas ou propostas musicais é um grande desafio que em muitos casos é recompensador, mas em alguns é só perda de tempo. Zappa é desse segundo time. Coloquei esse disco pois realmente é o único que consegui ouvir mais de duas vezes na vida.
- Fugazi – 13 Songs (1989)
Outra banda superestimada. Toda a vez que penso no Fugazi sinto uma leve pontadinha de culpa de ter deixado passar alguma coisa na minha mocidade e não ter me apaixonado pela “atitude” do Fugazi. Não é possível que vivi os anos 90, curtia rock, dito alternativo e não gostava dos caras. O problema era comigo, certeza. Acho que ainda deve ser, mas na real, toda a vez que escuto a banda, sinto que tá todo mundo escutando algo muito maravilhoso e só eu escuto um sonzinho chumbrega, roquinho chatinho e mal-humorado. Toda a vez que vejo os caras dando entrevistas ou falando de música, mais eu acho que estava certo e esse angu nunca ter descido tem um que de ser. Tirando esse primeiro disco, o resto sempre foi intragável o que me remete ao monstro (em todos os sentidos) Steve Albini que disse ali no comecinho dos anos 90 que o Fugazi era uma banda muito boa ao vivo, mas que fazia uns discos muito ruins. Nesse caso, o mago Albini ainda livrou a cara deles no “bons ao vivo”.
- King Crimson – Red (1974)
Mais uma vaca sagrada sendo atirada no brejo. Nos últimos anos, o progressivo voltou a ser moda e o King Crimson ressurgiu pras novas gerações com toda a força e pompa de faróis da moçadinha que curte se perder em acordes e progressões que não levam a lugar algum. O Rei Cigano cagou regra durante a década de 70, trocando de formação a cada disco, mas sempre com o soberano mandatário Robert Fripp decidindo o que acontecia e o que não acontecia na banda. A coisa ficou tão séria que lá pela Inglaterra tem umas turmas a la Senhor dos Aneis fãs que inventaram uma espécie de Sociedade Apreciadora de King Crimson. Se existe de verdade eu não sei, mas dá medo. A banda sempre foi chata e metida, e com tanta vontade de romper barreiras, ela alterna entre bons momentos e momentos ridículos, mas esse Red é bom demais até pra eles. Pesado, denso e assombroso, é um disco ideal para quem odeia progressivo e não tem muito tempo pra perder com King Crimson.
- Foo Fighters – The Colour And The Shape (1997)
Quando o Foo Fighters lançou esse disco e a tal critica especializada não deu a menor patoca, eu não conseguiu entender. O que realmente precisa acontecer para que um disco seja querido por quem entende de música e ao mesmo tempo tentasse ser popular? The Colour And The Shape ainda acho um puta disco, pra cima, mega bem produzido, que fez um link interessante entre guitarras noventistas altas, e cozinha mais discreta de bons discos de rock dos anos 80, mão preciosa de Gil Norton, que tem no currículo discos do Echo & The Bunnymen e Pixies. Depois disso a banda viraria uma piada que começava a se levar a sério nesse projeto de ser a melhor banda de rock do mundo, tanto que até hoje não acredito que eles tenham conseguido fazer shows no Wembley e ganhar 5 milhões de dólares para fechar um festival em um certo pais da América Latina. É um caso único de banda com os integrantes mais legais do mundo fazendo os discos mais porcarias do universo.
- Guns & Roses – Appetite For Destruction (1987)
O Guns foi a última banda de rock que o mundo teve e assistir sua degradação ao longo das ultimas décadas só comprova que o rock and roll já havia virado música de tiozinho babão há muito tempo e ainda não tínhamos sido avisados. Appetite é bom pra cacete, não gostar desse disco significa ter pouca afeição por rock e gostar muito dele também significa ter pouca afeição pelo rock. É o típico caso de disco legal que tinha muita personalidade nas pequenas coisas, já que o holofote esta demais em Axl e em Slash, esse disco deu a sombra necessária para que os outros 3 integrantes craques deixassem a base sólida. Steven Adler, o batera que afundado em heroína era um dos principais letristas da banda que ao lado do baita guitarrista e compositor de primeira, Izzy Stradlin (que tem uma carreira solo que vale a pena caçar por ai) e Duff McCagan que mandava muito bem em seu baixo deu ao disco um som que ainda hoje é sensacional. Depois disso, Axl ia querer ser maior que tudo isso e fez o favor de fazer as merdas que nós já conhecemos e que fazem do Guns a maior porcaria da historia do rock, tendo nas costas um dos discos mais legais da história. Ouça o disco, não ouça a banda e tudo ficará bem.
5 motivos para se amar o Rock In Rio.
Publicado; 22/09/2015 Arquivado em: Música | Tags: Carlinhos Brown, Festivais, Happy Mondays, Neil Young, Prince, Queen, Rock In Rio Deixe um comentárioFestival corporativo por festival corporativo, o o Rock In Rio pelo menos é ou foi “Made In Brazil”.
Festival corporativo por festival corporativo, o RiR não é muito melhor nem muito pior que Lollapalooza ou que SWU ou Hollywood Rock ou qualquer outro festival mega boring que existe no mundo.
Nunca fui em nenhuma edição do RiR, e com o tipo de escalação que tem vindo pra cá, não será nessa vida.
Já não tenho quase paciência pra assistir show no Sesc, imagina essas atrações que só visam atender ao grande público com umas bandas de quinta e headliners que só conseguem o boi de fechar alguma coisa por aqui, ou voces realmente acham que Slipknot, System of A Down e Rod Stewart nos dias de hoje são atrações de fechar algum festival… really?
Mas como hoje é segunda, o começo de uma nova semana e olhar pra frente é sempre a melhor opção, resolvi deixar o amargor pro meio da semana e listar os 5 momentos memoráveis da história do Rock In Rio:
5. Queen em 1985
É brega? É cafona? É manjado? É lugar-comum?
A resposta pra todas as perguntas acima é um sonoro sim, mas nada disso impede que o pelo do Forevis se arrepie com esse cara comandando uma massa de mais de 400 mil pessoas do jeito que ele fez. Ninguém até então tinha feito isso e ninguém jamais faria de novo.
4. Prince em 1991
Até aquele presente instante, Prince era o pop star mais genial que pisava em terras brasileiras e fiquei profundamente triste de não ter conseguido ir nesse show. Sempre fui fã dele e nunca entendia exatamente o porque, seja a capacidade de esgotar temas de maneira seca e ao mesmo tempo rica, Prince sempre esteve um calcanhar na frente do resto, até que os anos 90 passaram por cima dele como um trator. Mas ai, a roda gira e todo o mundo que veio nessa época sumiu, mas a majestade púrpura continua firme e relevante como nunca.
Esse foi o único video que achei desse show no RiR, e o baixinho tava se preparando pra lançar o lascivo Diamonds And Pearls, quebra tudo nego:
3. Neil Young em 2001
Demorou mas ele veio.
Fez um show antológico! Daqueles de pegar o queixo caido no chão depois de duas horas, daqueles que te tiram do eixo e te colocam em contato com algo próximo do divino, do canone ou o que quer que seja. As frases de guitarra desse show ainda me emocionam.
Tinham a sua disposição um palco de 50 metros, mas usaram uns 5. Gênios as vezes precisam de menos do que se precisa.
Mais um que eu não fui também, mas daria meio dedo esquerdo pra ter estado lá.
2. Happy Mondays em 1991
Num horário perdido, meio de última hora pra preencher lacuna e de repente tinhamos no Brasil a banda mais pirada do universo tocando um clássico praticamente ao mesmo tempo que o mundo ainda tentava entender o que diabos estava acontecendo em Manchester e porque o som daquelas bandas de lá saiam desse jeito.
Tem coisas que não se explica, se sente, se vê.
Show grande e clássico com jeito de feito em casa num churrasco no quintal;
1. Carlinhos Brown em 2001.
Palavras são desnecessárias perante imagens tão lindas e expressivas, por isso o momento “Agua Mineral” ainda é e sempre será o momento mais sensacional de um show acontecido em terras brasileiras.
Sabe aquele velho dito popular: uma imagem vale mais do que etc. etc. etc.
Ta ai, não me canso de ver:
10 “clássicos” pra longe de mim (parte 1)
Publicado; 11/09/2015 Arquivado em: Música | Tags: Black Sabbaht, Cabeça Dinossauro, O A E O Z, Os Mutantes, Paranoid, Pink Floyd, Rock and roll classics, The Doors, The Wall, Titãs Deixe um comentárioOi!
Dando um tempo nas crônicas diárias que esse blog se propos, que é o de dissecar um disco por dia retirado da estante aqui de casa, hoje resolvi dar uma lameada no negócio e dar uma pichada básica em discos que todo o mundo paga o maior pau, mas que eu acho um saco, que nunca me disse nada e provavelmente nunca me dirá:
10. The Doors – The Doors (1967).
É aquele mesmo, que tem Break On Through (que é legal) e que tem Alabama Song (que é a melhor do disco e nem deles é e sim um exercicio de puro esnobismo). Mas é nesse mesmo que tem Light My Fire (talvez a música que eu mais deteste no mundo ao lado de Black do Pearl Jam) e The End, a maior baboseira pseudo-intelectual pseudo-transgressora-roquenroll do mundo. Acho esse disco mais chato que tentar levar papo com estudante de humanas maconheiro pseudo-intelectual mas que curte um livrinho de colorir escondido da namoradinha. O The Doors é disco pra se ouvir com a mesma idade que você tiver para ler On The Road, ou seja, antes dos 18 anos.
09. Titãs – Cabeça Dinossauro (1986)
Nunca entendi e nunca gostei de Titãs. Lembro que mesmo muito jovem, o Titãs sempre me pareceu uma farsa mentirosa e metida a besta. O tempo só me ajudou a corroborar minha tese. Quanto mais velhos, piores eles ficaram e o conjunto da obra só depoe contra. Musicalmente sempre achei a banda mediocre, exceto talvez o Charles Gavin que mandava bem, mas a produção fazia o favor de destruir tudo e ele hoje é muito melhor como pesquisador musical. Os guitarristas sempre foram ruins, o Nando foi um baixista bem meia boca e cantor a banda tinha 4 que não valiam por 1/2. As músicas desse play fazem parte do repertório “crássico” e podem até ter a impressão de “transgressão” e “artístico”, mas como eu não acredito nos “transgressores”, então tudo não passa de mensagem inútil. O Cabeça é o “Romero Britto” do rock brasileiro.
08. Pink Floyd – The Wall (1980)
O Floyd sempre teve meio lá e meio cá na minha vida. Tive momentos de absoluta paixão e momentos de absoluto ódio, mas em nenhum desses momentos eu gostei de The Wall. Nas poucas vezes, ou na verdade na única vez que ouvi esse disco inteiro, percebi o sentido completo da expressão “perda de tempo”. Perda de tempo de quem fez, de quem produziu, de quem criou a arte da capa, de quem prensou milhões de cópias e de quem ouve. É o auge da “xaropice” em torno de um tema, de uma idéia e toda uma construção musical cheia de nove horas pra depois virar um show Megalomaniaco chato que nem o inferno. Se a banda tivesse parado em Animals, tudo teria sido diferente, mas eles seguiram em frente e só não queimaram seu filme porque fã de Pink Floyd é mais complacente e paciente que fã de Los Hermanos e nutre um misto de amor sem limites e radicalismo xiita na hora de defender seus “grandes artistas”.
07. Os Mutantes – O A E O Z (1973)
Os Mutantes foram uma das mais revolucionárias bandas dos anos 60, não só “a nivel” Brasil, mas “a nível” Mundo. Se ligaram no que acontecia por ai, tinham uma birutice original e se misturaram com os caras certos aqui no Brasil nessa época: Tom Zé, Caetano, Rogério Duprat e inventaram um tipo de som que só foi compreendido e admirado quase 20 anos depois que eles acabaram. Os 5 primeiros discos são geniais cada um a seu modo e deveriam ter acabado por ai. Com a saída de Rita Lee, eles ainda tentaram, estavam bem sintonizados no seu tempo, mas o problema era justamente o tempo em que eles se ligaram. Era a hora e a vez do Rock Progressivo. Isso só por si já deveria ser auto-explicativo no porque da ruindade desse play, mas vale uma breve digressão pra eu não ser chamado de teimoso. O rock progressivo tinha deixado de ser vanguarda e era o que dominava o rock no mundo e foi pra essa seara que todos se moveram, seguindo o que o Yes e o que o Floyd fizessem e dessa fonte nasceu Supertramp, Genesis e outras porcarias. Ai deu ruim, pois o virtuosismo dos irmãos Dias veio a tona, o humor saiu de cena e o resultado é essa lameira insuportável!
06. Paranoid – Black Sabbath (1971)
Sim, eu acho esse disco uma porcaria! Já tive uma edição em Cd bem vagabunda, o que só ressaltou os inúmeros defeitos desse disco. Primeiro que eu acho o som uma porcaria, parece a versão “demo” de algo que nunca chegou a ser lançado de verdade e o que seria considerado “cru” ou “visceral” na verdade é “tosco” e “mal tocado”. E olha que eu sou fã de punk rock, mas Paranoid não dá. A faixa título é uma porcaria e o resto não consigo passar. Ok, tem War Pigs, que é um “clássico”, daqueles de tocar obrigatoriamente na Radio Rock ou no Morrison Rock Bar. Se possível comigo longe de todos esses lugares. É inacreditável que eles tenham feito essa porcaria depois do inacreditável homônimo primeiro album e Master Of Reality que 250 vezes melhor.
Semana que vem eu continuo malhando mais 5 discos clássicos… ainda nem falei de Beatles…!
Bixiga 70 – Bixiga 70 (2011)
Publicado; 01/09/2015 Arquivado em: Música Deixe um comentárioTem um negócio que vocês vão ver pouco por aqui é banda brasileira nova.
Nova do tipo, de 1994 pra cá.
O Bixiga é exceção por razões óbvias.
O som, a abordagem dos instrumentos, a dinâmica dos metais com a cozinha, as cordas que chegam suave, tudo costurado com piano elétrico tocado com destreza e encorpado numa produção de raríssima clarividência e sensibilidade e em especial no gênero que o grupo aborda, pois “instrumental brasileiro” é legal demais, mas faz tempo que não se produz um disco com essa maioridade.
Em tempos em que os sons Afro voltaram a pauta dos músicos, do público, de algumas casas que se atrevem e se arriscam a deixar a beleza do som afro vir a tona, os rapazes usaram sua bagagem sonora para construir um disco que vai além de meramente uma homenagem ao Afro-Beat.
Esse discasso de estreia da trupe reconecta sons ancestrais dos anos 70 e trazem um molho há muito esquecido aqui nos trópicos. O funk brazuca, a hard bossa, jazz orquestral brasileiro, “metais em brasa”, tudo sob a regência do afro sob as ações sonoras da moçada.
Pra quem tem um mínimo de cintura e sente o mínimo de sangue pulsando, não tem como ficar imune a balanços sensacionais como Balboa da Silva e Tema Di Malaika, que soam como trilhas de filmes policiais antigos, mas não ultrapassados.
É vintage, mas é anos 2000 e os rapazes escapam do meramente saudosista ou revisionista ou pior: reverencionista!
O som é quente e tão oportuno que quando surgiram, a internet fez o favor de fazer o som vazar pelo mundo e eles caíram nas graças do New York Times, que na época os apontou como um dos melhores grupos novos não norte-americanos.
Sobre os músicos, pouco a dizer: todo mundo é macaco velho de gigs, gravações, Sescs e tal, entraram muito maduros e seguros do que queriam fazer e resolveram fazer uma banda ducacete e um disco sensacional como esse.
A banda tá em atividade, os caras se dividem em projetos que dão um certo dinheiro porque afinal de contas, uma banda com 10 caras dá mais prejuizo que lucro, então só o fato de eles ainda existirem dentro de um modelo de remuneração que cada vez se ganha menos dinheiro com música gravada e show deles não dá exatamente o cachê de um Mc de funk, tão pouco de um Wesley Safadão, o negócio é se virar com o que dá e a banda vai fazendo disco…
E a barca segue…
Bachman-Turner Overdrive – Not Fragile (1974)
Publicado; 17/07/2015 Arquivado em: Música | Tags: 70's Hard Rock, B.T.O., bachman turner overdrive, Canadian Rock, Not Fragile Deixe um comentárioE continuando no quesito BTO, não tenho vergonha nenhuma em dizer que adoro esse tipo de som, meio velho, meio embolorado, mas muito bom.
Pra quem foi um velho fã de indie rock e punk, esse tipo de som é quase a antítese do que me fez me apaixonar por rock, mas nada melhor do que o tempo e a perspectiva histórica para nos fazer enxergar melhor alguns ângulos e propostas.
Além de dar luz a algumas afinidades que ficam escondidas em seu ser e que por vergonha ou convicções você vai deixando algumas coisas de lado e o passar dos anos faz seu ouvido ou olhar voltar para algumas coisas que estavam lá o tempo todo e você não deu bola.
Acho que desde que me entendo por gente eu já conhecia o BTO, como fui um grande ouvinte de rádio e de todo o tipo de rádio, me lembro de ouvir a noite as rádios que tocavam rock e de noite tocavam algumas coisas mais velhas e lá eu descobri Hey You e You Ain’t Seen Nothing Yet e simplesmente amava esse som.
Muito recentemente, voltei a escutar o BTO em sua integra e qual foi minha surpresa com a qualidade e maestria desses discos? Um melhor que o outro, mas esse Not Fragile é de longe o que eu mais gosto.
Mais hard rock que os demais, nessa época eles estavam no auge da popularidade e tocando na ponta dos cascos, senão não teríamos sons tão azeitados como Rock Is My Life, And This Is My Song ou a instrumental porreta Free Wheelin’.
O lado B é só porrada: Sledgehammer, Blue Moanin’ e termina com Givin’ It All Away. Pra mim tudo isso é o que de melhor teve no rock and roll nos anos 70.
E ainda tem You Ain’t Seen Nothing Yet, que é uma das minhas músicas de rock favoritas de todo o sempre, simplesmente adoro tudo nessa música, do violão, da levada ao jeito do Randy Bachman de mandar o refrão, com uma espécie de atraso como se estivesse gaguejando, o que é um artificio muito arriscado mas que quando dá certo, dá muito certo.
E tá bom por hoje..
Adios Nonino – Astor Piazzolla (1960)
Publicado; 08/07/2015 Arquivado em: Discos, Música | Tags: Adios Nonino, astor piazzolla, tango Deixe um comentárioNão tenho intenção de dar aula sobre o tango ou sobre, tão pouco tenho a bagagem cultural e auditiva necessária para tanto e não tenho a predileção ou curiosidade necessária para investigar os meandros do Tango.
Como quase todo o mundo, minha referencias do gênero são Carlos Gardel e claro, Piazzolla.
Tão comum e óbvio quanto se referia a musica brasileira e puxar Tom Jobim da cartola é falar de Tango e se referir ao bandolonista.
Fato relevante é: depois que descobri esse disco, passei a adorar Tango e a vontade de procurar coisas similares e obscuras vai me levar alguma hora a achar outros tesouros.
Tudo isso começou com o gênio Piazzolla, que revolucionou e mexeu com um gênero sagrado, elevou-o a outros patamares quando se decidiu por sofisticar um gênero popular e dar a ele a riqueza que faltava e a eternidade que merece.
Esse é o único play que eu tenho dele, assim não sou capaz de afirmar se esse é o melhor, com certeza é o mais famoso.
Adios Nonino, a canção que dá nome ao álbum é de beleza quase indescritível. Começa com um clima de tensão lenta e arrisco a dar um chute que vai mandar a minha moral pra fora do estádio junto com uma bola chutada por Nelinho que voou pra fora do Mineirão, mas consigo ouvir em Adios Nonino o similar latino americano de Rhapsody In Blue do Gershwin. É aquele tipo de música grandiosa, com melodia arrebatadora e mudanças de andamento e cadência que nos fazem viajar pra abissais sentimentais.
É doída, daquelas de doer sem você identificar porque, ela vai te pinicando, te espetando, e quando ela abre num violino lindo trazendo uma melodia de arrebentar, você percebe que aquela dor toda trazida até então faz todo o sentido, e essa arrebentação emocional faz joguete e te faz querer passar por tudo isso de novo.
É o tipo de música que me pego ouvindo com mais frequência do que eu imaginava, fazendo dela uma das minhas favoritas de todos os tempos. Sua riqueza não tem paralelos na América Latina, e no Brasil não se produziu algo tão colossal assim.
Corrigindo o contexto pra não ficar parecendo caprichoso desden contra a terra pátria, acho que ninguém depois de Piazzolla produziu uma peça musical desse tamanho e dessa qualidade. Muita música que passeia por jazz, popular e regionais do mundo inteiro tentaram, mas não chegaram perto.
O resto do álbum é soberbo, pra se ouvir sozinho, acompanhado, na hora do jantar, de manhã, com sua gatinha de estimação ronronando ao som dessa maravilha.
Piazzolla fez de um tudo, conseguiu até se meter com jazzistas do calibre de Gerry Mulligan, mas ele foi gigante suficiente para dar rumos espetaculares ao seu som e Adios é prova disso.
Lindeza sem tamanho!
Insight Out – The Association (1967)
Publicado; 07/07/2015 Arquivado em: Música | Tags: Never My Love, Sixties pop, The Association, Windy Deixe um comentárioDurante um tempo, não tão longo que já não reste testemunhas oculares, nem tão curto que já não represente mais nada as gerações presentes, a música era/foi o ponto de encontro/veiculo ideal para que pessoas criativas e almas torturadas pudessem exprimir suas impressões sobre as transformações do mundo em si mesmas e como elas mesmas devolviam essa transformação para o mundo a sua volta.
E ainda assim, serem remuneradas por isso.
Lá nos anos 60, a explosão do rock deu a música pop a eternidade da juventude que nenhum gênero ainda havia conseguido.
A eterna briga entre maturidade e rebeldia, dava o caldo necessário para escolhermos nosso próximo disco favorito entre outros tantos que por ali saiam.
Essa fervura sessentista, no entanto, não era unanimidade entre as comunidades musicais e tinham os caras que só queriam fazer suas musiquinhas e seguir a vida mais cômoda sem revoluções e nem nada.
O Association foi dessas bandas caretinhas que surgiam para preencher os espaços necessários no boldo roqueiro dos anos 60, mas num modulo mais “família”, que o papai também pudesse gostar.
Nenhum problema, ser jovem não necessariamente signifique ir contra o “Sistema” o tempo inteiro, tem muita gente que gosta do “sistema” e prefere mante-lo como está.
O Association era banda que não tava a fins de inovar em nada, tanto que seu pop quase barroco, barroco no sentido Eleanor Rigby de ser, era leve, gostoso e tinha cara de careta logo no seu nascer.
Não é uma banda lembrada nem festejada hoje em dia, fez sucesso, em especial com a balada Never My Love, que fez um grande sucesso. Outra famosa desse disco é Windy.
Windy é uma perola.
Tudo é leve, o riff de baixo é tocado com delicadeza, o dedilhar do órgão, a flauta e a voz, tudo é sem profundidade, mas delicioso a seu modo. Recentemente, a dualidade de sua letra e essa leveza toda foi tocada em um dos episódios de Breaking Bad, que apresenta uma personagem secundária, que é prostituta e viciada em meta em uma sequencia pesada mostrando seu dia-a-dia entre clientes e seu vicio enquanto a song preenchia o espaço dessa cena monstruosa com ironia.
No fim o Association e esse Insight Out é isso, um disco temporal que não teve muita capacidade de seguir adiante no tempo e ser ainda relevante nos dias de hoje e que de vez em quando é lembrada para preencher um hiato irônico dentro de uma série ou de um comercial de TV.
Cure For The Blues – APB (1986)
Publicado; 23/06/2015 Arquivado em: Música | Tags: APB, john peel, Tecnopop 80's Deixe um comentário
Agora uma historinha pra explicar minha reconexão com os LPS.
Eu voltei a comprar os bolachões há uns 5 ou 6 anos, ainda de maneira moderada e ocasional, tinha aquele negócio de casar, precisar de mais espaço na casa, aquela coisa toda que quase todo o mundo passou.
Bem, depois que me separei, acabei voltando com tudo para essa paixão que me dominava o pensamento e o meu tempo quando eu era mais jovem e frequentava as seções de Vinis dos mercados que meus pais iam.
Nesse período, uma das leituras mais preciosas que tive foi o site do John Peel, e de lá achei muita coisa que só fez bem a minha vida.
Passava horas e horas explorando as paginas com as células onde ele guardava seus preciosos Discos, minha diversão número 1 era primeiro ver se achava discos que eu tinha lá, e depois foi o de explorar as capas e os artistas e fuçar freneticamente no Youtube em busca de mais.
Sempre fui fã do John Peel, das Peel Sessions e da sua eterna curiosidade e aguçada capacidade de congregar diferentes correntes e arrebanhar tantos admiradores em vida.
Tenho essa mesma curiosidade, mas longe, muito longe da capacidade sintética de Peel, tenho procurado achar essas coisas estranhas e dar a elas amor e pousada enquanto eu estiver por aqui nesse planeta.
O APB foi uma que eu conheci nessa fauna da coleção particular de do DeJota ingês e olha que eu achava que conhecia pop alternativo dos anos 80… pura inocência.
Há um buraco muito mais profundo criado pelo punk e pós-punk que só o tecnopop que veio imediatamente a seguir preencheu. Esses caras eram tão punks quanto os que vieram depois, mas eram de outro jeito, encontraram nessas esquisitices suas vozes para expressar coisas que o punk já não cabia, pois havia se fechado num circulo frequentado só pelos seus.
O APB é tecnopop escocês da mesma linhagem do ABC, do A Flock Of Seagulls entre outros.
Tem uma guitarrinha esperta aqui e acolá, mas basicamente tem muito teclado, sintetizador, baixo com som muito ruim, sabe aqueles sons de baixo abertos, sem grave nenhum e seco?
Achei esse Cure For Blues perdido e barato numa loja aqui em SP e trouxe, mas ouvindo hoje, não é de longe tão bom quanto a primeira música que escutei deles que foi Something To Believe In, que lembrava um New Order com Duran Duran. Esse Cure é muito produzido pro meu gosto, mais pra linha de um funk com tecnopop, lembrando muito o Spandau Ballet… Urghhh…
Cure For The Blues foi um que eu comprei, mas não fiquei grande fã ainda. Enfatizei o ainda.
Alla Fiera Dell’Est – Angelo Branduardi (1976)
Publicado; 19/06/2015 Arquivado em: Música | Tags: Angelo Branduardi, Italian Folk Deixe um comentárioFolk medievalista.
Música popular italiana com pitadas de Pompéia (me refiro a cidade soterrada pelo Vesúvio, não o bairro paulistano), canções rurais com cheiro de uva pinot.
A música do cantor e compositor Angelo Branduardi é facilmente entendível como um tentáculo do progressivo inglês, daqueles bem do campo, pra se ouvir mirando as estrelas (se existisse isso nos céus das grandes cidades, seria a trilha perfeita).
Como eu não moro no campo, acho que parte da experiência deve se perder.
Alla Fiera é muito bonito e lindamente tocado, lembra algumas coisas de Nick Drake por conta dos violões e cordas, tem um monte de Jethro Tull, daquela fase flauta pan só que sem guitarras, as vezes cai prum Cat Stevens e tem umas coisas de Mahavishnu Orchestra.
Sim é progressivo também, mas pro lado Folk.
Acho que seria um Cat Stevens italiano, com progressivo e uma cabeleira de caranguejeira braba.
O disco é repleto de belas canções e fantasias escapistas.
Os anos 70 foram bem pesados na Italia (Máfia matando geral, corrupção no seu auge, governo opressor, etc), e a música do Angelo é uma fuga intencional para um lado de antiguidade que muitos italianos prefeririam ter vivido.
Confesso que comprei esse disco errado!
Estava numa feira de discos e vi o nome Angelo bem em cima da capa e logo achei que era algum play do Angelo Badalamenti. Cheguei em casa e tomei corpo do erro, puta cagada. Mas não é que o disco é bonito!
É barroco mineiro feito no interior da Italia.
Lindo.
Ou melhor, belíssimo!




