Vários Artistas – PostPunk Chronicles (1999) Left of The Dial; Scared To Dance; Going Underground
Publicado; 16/09/2012 Arquivado em: Discos, Música, records Deixe um comentário
Se o blog chama 1 Disco por Dia, pode colocar três de uma vez, Arnaldo?
Sim, se o dono do blog colocou.
Quando descobri um dos cds dessa série maravilhosa, perdido em uma grande loja de departamento no fim dos anos 90, fui tomado pela maravilhosa sensação de ter descoberto o tesouro dos tesouros, a chave para um mundo sonoro que eu só suspeitava, mas que se revelou a meus olhos e ouvidos de maneira decisiva e definitiva.
Meu flerte com o rock independente norte-americano da década de oitenta virava caso sério.
Point of no return, depois de ouvir e dissecar os 3 cds, um novo mundo se fez e ai amigo, já era.
A referencia Left Of The Dial, remete as antigas “college rádios” americanas, que dedicavam sua programação a sons que não encontravam espaço nas rádios convencionais e foi graças ao circuito dessas rádios universitárias que surgiram R.E.M, Sonic Youth, Husker Du e mais uma porção de gente.
Eram graças a essas rádios que as bandas inglesas encontraram seu publico fora da Ilha e Smiths, Echo & The Bunnymen, Cocteau Twins entre outros mostraram seu valor.
Falando dos 3 cds, seleção apaixonante e impecável.
Em Left Of The Dial só a fina flor do emergente indie americanos e ingleses: R.E.M., Wire, Joy Division, The Church dividem espaço com os incríveis Comsat Angels (banda que inspirou metade da geração Nova York anos 2000), Chameleons, Modern English, Dream Syndicate e Mission Of Burma.
Scared To Dance tem um foco mais esperimental e sons ingleses de Simple Minds a Heaven 17 passando por Magazine, Japan, Killing Joke e Skides, além de Echo & The Bunnymen
Going Underground é a mais rock dos 3: Gang Of Four, Jesus & Mary Chain, Teardrop Explodes, Sonic Youth with Lydia Lunch, Pere Ubu, The Rain Parade…
Foi graças a esses cds que descobri bandas que hoje amo como Swell Maps, Soft Boys, The Lyres, Raincoats e Pigbag.
Mudou minha vida quando eu já achava que isso não era mais possível, então acredite, tudo é possível…
Link Wray – Mr. Guitar (1995)
Publicado; 15/09/2012 Arquivado em: Música Deixe um comentário
Link Wray foi o meu guitarrista favorito.
Meio índio, meio branco, morreu na Suécia, país que escolheu para asilo cultural e foi o primeiro cara a tocar guitarra distorcida na música.
Inquieto, o guitarrista produziu singles de rock instrumental que flertavam com a surf music, rockabilly, country e outras coisas.
Foi o primeiro cara na face da terra a fazer barulho com a guitarra.
Antes de Hendrix e todos os outros.
Pouco se sabe sobre ele, como ele não cantava e não tinha muita vontade de ficar pagando de gatinho na cena, ficou na margem durante toda sua carreira e possivelmente morreria com reconhecimento próximo de zero, até que Quentin Tarantino lancou o filme Pulp Fiction e jogou luz não só pra Wray, mas para Dick Dale, Dusty Springfield e porque não: Kool And The Gang.
A faixa “Rubble” que explode os falantes de qualquer som decente, foi o primeiro som distorcido que se ouviu de uma guitarra. Obra do mestre Wray, que pegou uma esferográfica e rasgou o falante do amplificador do estúdio em que ele estava gravando e assim, inventou moda, tendência e todo um modo de ser.
Este Cd duplo compilou heroicamente todos os compactos que Wray lancou nos anos 50 e 60 pelo obscuro selo Swan Records.
São 62 lições de música que deveriam ser ouvidos incessantemente por qualquer cara que pretensamente queria se utilizar da guitarra elétrica como instrumento de expressão e de oficio.
Tipo do disco que eu não trocaria por nada nessa vida.
Só se alguém for muito louco e lança-lo em um vinil 200 gramas.
Technotronic – The Album (1989)
Publicado; 14/09/2012 Arquivado em: Discos, Música, records | Tags: pump up the jam, technotronic Deixe um comentário
Armações musicais que fazem mais do que simplesmente ganhar dinheiro, sempre me interessaram e o Technotronic foi mais um dos tantos que pintaram nesse período áureo da Dance Music, em especial, a Dance Music europeia.
Por incrível que pareça, o Technotronic foi um projeto gerado na Belgica com uma cantora-rapper americana e uma expertíssima seleção que fez história e tanta história que seu primeiro single Pump Up The Jam, acabou virando gênero, ou você nunca ouviu falar do “pumperô”?
Pois é, ainda jovenzinho, ouvi esse termo e separei na minha cabeça que “pumperô” era som de playboy e rock era a minha.
Mas ai, eu tava confuso, porque achava as músicas desse álbum simplesmente do caralho, mas tinha o lance de rock x eletrônico e ouvia escondido canções espetaculares como: Get Up ou Move This, que tem um dos melhores riffs do pop mundial.
E em algum momento, os irmãos Reid (sim, eles mesmos, do Jesus & MC), em 1989 declarou amor ao som e as propostas sonoras que a rapaziada do Technotronic colocou na pratica nesse álbum.
Infelizmente, a armação não foi adiante, porque coisa maior estava vindo por ai e restou ao Technotronic o papel de ponta de lança aposentado precocemente.
Mas no coração de quem tem 30 e poucos, o Technotronic vai viver pra sempre.
Pelo menos no meu.
Ramones – Rocket To Russia (1977)
Publicado; 13/09/2012 Arquivado em: Discos, Música, records | Tags: phil spector, ronnettes, sheena is a punk rocker, surf music Deixe um comentário
Ok, é o óbvio ululante, mas se não fossem por eles, talvez a vida de todo o planeta fosse muito mais chata, enfadonha e sem senso de humor do que já é.
Os Ramones foram um espirito de luz genuíno e desprovido de defeitos que vieram ao mundo para tornar tudo mais simples, mas fácil e mais legal.
Se a gente gosta de complicar, o problema é todo nosso.
Eles estiveram certos o tempo todo.
Rocket To Russia é divertido, menos tosco que os dois primeiros clássicos dos Ramones e de quebra tem algumas das suas melhores músicas: Sheena Is a Punk Rocker foi a música que mais ouvi dos 16 aos 17 anos, Rockaway Beach foi a segunda música que mais ouvi nesse mesmo período.
Se faziam de idiotas para combater a “inteligência” que impregnou no rock de maneira desmedida e pretenciosa, principalmente no rock progressivo, no jazz-rock e no “fusion”.
As bases do som dos Ramones sempre foram os anos 60. Sejam os garagistas Trashmen, Sonics ou Stooges passando pela surf music de Jan & Dean e Beach Boys até Phil Spector, Ronnettes, Motown e tudo que fosse bonito e simples de coração.
Acreditando piamente nessa missão, os Ramones viraram lendas vivas e uma das bandas mais amadas em todos os cantos do mundo. Basta dizer que você é fã de Ramones para que todo o gelo se quebre, os laços de amizade se entrelacem e a vida prospere com felicidade e simplicidade.
Nunca confie em quem não ama Ramones de verdade, você estará diante de um embuste.
Louis Prima – Jump, Jive, An Wail / I’m Just a Gigolo-I Ain’t Got Nobody
Publicado; 12/09/2012 Arquivado em: Música | Tags: louis prima Deixe um comentário
Estreando no formato 45’’, começo com meu compacto favorito all-time.
Pouco menos de 8 minutos de música que valem por horas e horas de bobagens sonoras que nos acometem a todo instante.
O cantor Louis Prima é um dos meus modelos de “entertainer”. Canta, joga conversa fora, brinca com a música e executava o que davam na sua mão com rara maestria.
Esse compacto é prova disso. Maravilha e felicidade.
E tá bom demais.
Roxy Music – Siren (1975)
Publicado; 11/09/2012 Arquivado em: Música | Tags: brian ferry, roxy music Deixe um comentário
Se o Roxy Music merecesse um único adjetivo, CLASSUDO seria-o.
Poucas bandas foram tão classudas, estilosas e competentes como o Roxy foi em sua existência.
Todo mundo circulava nos panos, nas purpurinas e cercados de belas mulheres nas capas, nas festas e onde elas fossem convidadas.
Bom gosto, isso era o que o Roxy Music cultivou ao longo de sua carreira.
Quem prestar atenção aos seus discos, vai encontrar uma fusão irresistível de pop setentista, rock com um tiquinho de jazz, experimentos eletrônicos e uma seleção de sons que não deixam dúvida, as preocupações dos caras estavam concentrados no que realmente interessava:
Festas, drogas, mulheres, álcool e beleza.
Tudo muito chique, o Roxy produziu 5 discos perfeitos nos 5 primeiros anos de atividade da banda, ai eu pergunto: Quem conseguiu tal feito? Nem Beatles, nem Led Zeppelin, talvez Kinks e talvez Clash.
Uma das minhas bandas favoritas all-time, em Siren (que hoje é o meu favorito), abre com a perfeita: Love Is The Drug, com seu clima putanheiro de luxo, segue para End Of The Line, descrição de uma alma mundana perdida em busca de paz mas que sua vida pregressa já não comporta mais. Uma das musicas mais bonitas do Roxy, com Brian Ferry cantando como nunca numa balada arrepiante.
Mas nada superará She Sells. Tudo é perfeito, um dos rocks movido a piano mais fodas já feitos e pronto. Não me canso de ouvir, coloco pelo menos 5 vezes em cada escutada. Se eu tivesse uma cartola, seria a música que eu usaria para dançar e jogar a cartola no público.
Muito chique, muito fino…
Bandassa.
Buzzcocks – Single Going Steady (1979)
Publicado; 10/09/2012 Arquivado em: Música | Tags: harmony in my head, orgasm addict, pete shelley Deixe um comentário
Não sei descrever o quanto esse disco me faz bem.
Ouvi-lo de cabo a rabo toda a vez que estou mal, é como tomar um tônico revigorante que imediatamente me joga pra cima, me preenche o vazio espiritual e faz a vida valer a pena.
Toda a vez que bate alguma duvida sobre o que fazer, o que ser e o que eu preciso, basta colocar esse disco pra tocar e as ideias se clareiam, tudo fica mais fácil e mais esperançoso.
A vida poderia ser resumida nas letras e nos temas que os Buzzcocks se fizeram valer para fazer esse álbum.
Canções diretas e poderosas como Orgasm Addict, Just Lust e Why Can’t I Touch It? são células libertarias de sexualidade em sua forma mais simples e sem rodeios, já Ever Fallen In Love? pode ser a pergunta mais importante já feita em um titulo de música e traz sentimentos que não estavam tão em voga na efevercencia do movimento punk, mas como Pete Shelley é gênio, daquela mesma estirpe de onde nascem caras como Ray Davies ou Paul Weller, ele conseguiu capturar no meio da bagunça, quais as bagunças que realmente mexem com cada um de nós em seu foro intimo.
E I Don’t Mind, meu pai!
Oh Shit!, Noise Annoys, Harmony in My Head… só petardo.
Enfim, pra começar e terminar qualquer discussão sobre a importância do punk rock na música, a audição atenta e constante desse álbum é argumento contra qualquer torcida de nariz.
Aracy de Almeida – In Memorian
Publicado; 09/09/2012 Arquivado em: Música | Tags: ella fitzgerald, noel rosa Deixe um comentárioAracy foi nossa maior cantora de samba antigo.
Aracy podia ter sido nossa Ella Fitzgerald se fossemos um pais em que decências acontecem com mais frequência que as indecências.
Era uma voz de outra era, de outro século, de outro Brasil, de outro mundo!
Cantora que durante alguns anos foi a única peça de música brasileira que eu realmente gostava, admirava e abobalhado me perguntava porque a classe artística virou suas costas para essa monstra genial.
Nos meus tempos de xiitismo indie, onde eu abominava tudo que tivesse o rótulo MPB ou quetais, a única a vencer essa barreira foi essa dama da nossa música.
Tida como a interprete número 1 de Noel Rosa, pode ser considerada também a interprete número 1 de Assis Valente, Milton de Oliveira, Cyro de Souza, Haroldo Lobo e etc.
Falar a verdade, qualquer samba classudo feito nas primeiras décadas do século XX caiam como uma luva na voz dessa senhora.
Tal qual Chiquinha Gonzaga e Guimoar Novaes que também foram mulheres que venceram em terrenos normalmente masculinos, Aracy era uma força descomunal. Pobre, feia, fudida e com uma voz que não era de longe o padrão de vozes empostadas, cuidadas e tratadas, Aracy de Almeida punha toda a dor, toda a emoção que nenhuma técnica conseguiria mesmo com anos de estudo atingir com a naturalidade e pureza que ela conseguiu.
Essa coletânea tem tudo o que você precisa saber sobre o Rio de Janeiro e o Brasil das primeiras décadas do século passado: Camisa Amarela, Quebrei a Jura, Vai Trabalhar, Triste Cuica, Seculo do Progresso, O Que Foi Que Eu Fiz, Palpite Infeliz, e mais alguns clássicos.
Se você não conhece nenhuma dessas música, faça um favor a você mesmo e procure saber…
Kon-Kan – Move To Move (1989)
Publicado; 08/09/2012 Arquivado em: Discos, Música, records | Tags: immigrant song, kon kan, nancy sinatra Deixe um comentário
Momento vergonha!
Como ja dizia Elymar Santos “…escancarando de vez.”
Pois é, se diz que em toda boa discoteca também tem umas porcarias das quais a gente se arrepende de ter, tem sempre aquele que você ganhou e fica chato devolver, essas coisas.
Mas e se o disco é uma porcaria que você adora?
Pior é que é sério, eu acho esse disco demais.
Bem, o disco todo não, mas os três hits desse álbum são das coisas mais empolgantes que se fez em termos de dance music no final da década de oitenta.
O Kon-Kan foi uma das milhares de armações musicais que surgiram sabe-se lá de onde e foram sabe-se menos ainda, mas tinham como quase todos esses projetos de Dance Music, as seguintes diretrizes:
Fazer hits para encher as pistas;
Bombar as boates de gente jovem com dinheiro para gastar;
Afrouxar os cintos.
O disco todo não é realmente lá grandes coisas, mas os 3 singles que tocaram em rádio, tiveram clipe e hoje sobrevivem no youtube são tão bosas, que valem literalmente a menção nesse blog.
I Beg Your Pardon é irresistível, não dá pra ficar indiferente quando toca, e quer saber, é um baita achado. Ainda hoje acho essa música do caralho. Riff sintetizado durão, bateria pesada e marcada e vocal cantado com o máximo de esforço de alguém que nitidamente não é do ramo dá. Pura nostalgia das minhas primeiras matinees em discotecas de playboys.
O resto do lado A é chatérrimo, nunca deu para ouvir e ficou pior com o tempo, mas ai vem o lado B: Hairi Houdini – outro lixo delicioso, 3 notas na sequencia mais manjada que se pode imaginar, durona mas com acordes mais abertos e um teclado com um timbre brega, mas feliz. Outro golaço.
O Lado B se arrasta até chegar na faixa que encerra o álbum: Pussy n Boots. Funkeado, com uma guitarra aparente rifando o mínimo possível e uma trombada impensável de Led Zeppelin com Nancy Sinatra.
Acho que na real, o disco é importante para mim, pois foi a primeira vez que ouvi Immigrant Song (Led), These Boots Are Made For Walking (composição de Lee Hazlewood, famosa na voz da filha do homem) e “Rose of Garden”, (sucesso brejeiro na voz de Lynn Anderson) num disco xumbrega mas que usou com muita sabedoria o sampler.
No fim das contas, com o Kon-Kan, cheguei a artistas que normalmente se demoria um bocado pra alcançar, principalmente para quem morava no Brazilzão do governo Sarney, rádios com programações viciadas e pouquíssima referencia estrangeira de qualidade.
Era o que tinha, e valeu a pena.
Fastbacks – The Question is NO (1992)
Publicado; 07/09/2012 Arquivado em: Música | Tags: eddie vedder, fastbacks, kurt bloch, mark lanegan Deixe um comentário
O Fastbacks é a minha banda grunge favorita.
Até porque eles nem grunge direito eles foram.
E pode incluir uma pá de artistas que pagavam um pau enorme para os Fastbacks, dentre eles: Eddie Vedder, Nirvana, o pessoal do Mudhoney, Mark Lanegan, etc.
Em resumo, todo mundo da cena de Seattle adorava os Fastbacks.
E não tem como não adorar.
Punk Pop cheio de refrões ganchudos, vibrantes e simples como os Ramones e com momentos pomposos a la Queen ou Raspberries, com guitarras altas e referencias as melhores bandas de Punk e New Wave setentista e oitentista (leia-se: Undertones, Vapors, Earthquake etc), que de certa maneira eles se incluem, até porque eles começaram a fazer som no inicio dos anos 80 e só conheceram um pouquinho do gosto do sucesso nos anos 90, quando a Sub Pop trouxe-os para o seu casting por conta dos fãs famosos já listados no paragrafo acima.
Quem mandava na banda era o guitarrista, letrista e compositor Kurt Bloch, o Kurt mais genial já gerado no Rock N Roll.
O senso de urgência casa perfeitamente com uma inocência que só existe na música de sujeitos completamente desprendidos de regras e corajosos o suficiente para criar pérolas perfeitas, gravadas com a quantidade suficiente de ruídos e barulhos para não torna-las cansativas.
É isso que gênios do molde de Kurt Bloch são talhados: canções pop ruidosas.
Esse disco é uma espécie de coletânea-apresentação que foi lançada quando eles assinaram com a Sub Pop, em que singles e compactos gravados até 1992, quando eles estavam na obscuridade absoluta, foram reunidos para apresentar a banda a um novo publico que surgiria depois que seus fãs ilustres se manifestaram tão efusivamente a favor do trio fofo.
A pureza no coração grunge.