Badfinger – Straight Up (1971)

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Esse é um dos discos que eu mais gosto aqui de casa.

Esse play sobreviveu a 3 mudanças de casa e 3 limpas de discos que fiz na minha vida.

Isso porque eu realmente adoro esse disco!

E tem razão de ser.

Foi a primeira banda, senão me engano, a ser contratada pelo selo Apple (dos Beatles, não do Steve Empregos), quando os 4 rapazes de Liverpool acharam que dariam conta de ter quando montaram um selo próprio e nele contratar, produzir, divulgar e lançar novos artistas.

Não durou muito porque artista faz arte, não business. Se alguém escrevesse um livro de historia sobre todos os selos criados por artistas e suas pataquadas, seria um puta livro bem interessante.

Enfim, fato é que o Badfinger, e em especial esse play foi produzido por Todd Rundgren (sem comentários) e 4 faixas por George Harrison (sem comentários) e tem 12 músicas originais absolutamente sensacionais, trazendo o frescor dos vocais sessentistas, com backing vocais elaborados, harmoniosos e bem construídos com um peso setentista que havia se tornado regra em 100% das bandas de rock naquela época.

Mas o Badfinger tinha um tcham diferente.

Esse tcham pôde ser recentemente admirado e resgatado na série Breaking Bad, quando o clássico obscuro Baby Blue entrou como uma luva na sonorização dos últimos momentos da série, me fazendo literalmente levantar da poltrona e aplaudir quem teve essa brilhante sacada.

O rock desse álbum é pesado mas não afugenta e tem um senso de pop que anos mais tarde se tornaria conhecido como Power Pop, ou pop mais pesado. Nessa época, esse senso não existia, o que existia era o pop dos Beatles que já estava desgastado e ultrapassado e que estava sendo substituído pelo rock mais pesado da era Zeppelin-Sabbath-Purple entre outros.

Os álbuns seguintes do Badfinger não me interessaram tanto, mas esse Straight Up escuto até hoje com mucho gusto.

E ainda tem Baby Blue que é uma das minhas baladas rock favoritas, com um riff de guitarra ganchudo e simples, uma bateria forte marcada e uma letra cantada com a confiança absoluta que a justiça divina jamais deixará esse disco velho ou ultrapassado.

Até agora não está velho e nem ultrapassado.

E acho que isso nunca acontecerá.


Bach, Johann Sebastian – Concertos Para Violino BWV 1041-42-43 (1971)

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Mais um Bach pra resenhar.

Melhor, mais um Bach pra escutar.

Dizer que escutar Bach faz bem pra saúde é muito clichê, mas o dia parece ter sido pintado com outras cores quando sua música grandiosa passou por algum momento do meu dia.

Não sei se existe algum estudo que diga respeito a essa propriedade terapêutica do compositor alemão no que diz respeito a reconstituição de dignidade, alegria profunda e esperança pra enfrentar o dia-a-dia, mas se não existe ainda, tá na hora.

Apesar de estar de férias e hoje ser uma segunda-feira, a depressão da segunda-feira é certeira e vem mesmo, mas com Bach e o fato de lembrar que estou de férias concertaram o negócio todo e o dia não poderia ter sido mais auspicioso.

Hoje escutei os dois LPS do Bach na sequencia, não podia ter feito algo melhor do meu dia. Bons ventos sopraram no meu rosto depois da audição atenta dessas obras.

É sério!

Bem, esses Concertos, dentro da obra do compositor não costuma figurar como a mais importante ou a mais sofisticada ou mais complexa ou mais importante, mas trata-se de um concerto doce, melodioso e com forte influencia do barroco italiano, em especial Vivaldi.

Meu conhecimento me permite chegar até aqui, mais do que isso é chute wikipedia.

Gosto muito de concertos com Violino, mas Cellos são minhas cordas favoritas no quesito música clássica, em especial quando são quartetos de cordas e aqui temos uma peça com poucos instrumentos, o que traz aquela sensação de intimidade diante do assombro da obra de Bach e que mesmo no mais simples e mais doce, ainda sim é impressionante.

Não é imortal a toa!

Tão imortal quanto o rum quatemalteca que me acompanha enquanto escrevo é a certeza que minha fé na humanidade, apesar de frágil e capenga, se vale porque nós tivemos a capacidade de trazer ao mundo seres como Bach, que fez a graça de nos deixar algumas das mais bonitas e poderosas melodias que o ouvido humano é capaz de registrar e compreender.

Deus não me faça surdo na velhice, pois acho que sei que Bach me fará muita companhia quando eu desistir de vez de ouvir rock.


Bach, Johann Sebastian – Concertos de Brandemburgo (1718-1721) (1956)

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Entrando hoje num terreno perigosíssimo da música popular ocidental, a música clássica!

Perigoso sim, pois escrever sobre música clássica sempre me pareceu um campo das manifestações artísticas fadado e limitado a um pequeno latifúndio elitista e classicista dominado por pseudo-caciques que trazem para si o faroleiro de guia-mestre por esse universo musical. E que só esses caciques detêm o estudo, paciência e tempo para entender, discorrer e levar adiante os valores trazidos na música clássica desde Palestrina e que aparentemente não mais condizem com o século XXI em todas as suas nuances e acelerações sociais.

Parece que o mundo de hoje não insere mais a música clássica como parte fundamental de sua solidificação judaico cristã capitalista, onde toda a nossa sociedade dita vencedora, ocidental, saxã e ligeiramente puxado no branco se moldou até então.

Mudança de valores? Modernização?

Acho que não, a música clássica bem ou mal se adaptou as mudanças e caminhou junto, o que não temos mais é a paciência e o tempo pra escutarmos a maravilha por si só.

Música virou App, música virou um arquivo Mp3 que cabe em dispositivos móveis com qualidade de som muito ruins (Neil Young que o diga).

A música clássica ressaltava as emoções em sua flor da pele, se é do belo que se trata, que seja, se é o trágico da natureza, que o seja e com base nesse conjunto de valores e moralidades que se deveriam ser construídos visando o ornamento de jantares finos, encontros casuais e cultos católicos, ou qualquer outra razão social de belezas inomináveis.

Como eu sempre detestei elites de qualquer pais e espécies, na minha cabeça eu sempre associei música clássica com o esnobismo das classes A elitizadas que além de não abrirem mão de seus ganhos, também não abririam mão de suas belezas (a música clássica entre elas).

Hoje sei que tudo isso é mais ou menos bobagem, mas comecei muito tardiamente a me interessar por música clássica e lembro que as primeiras experiências começaram com Bach e particularmente com esse Concerto.

Acho que deliberadamente, minha entrada no mundo da música clássica se deu com Bach e ainda hoje é o compositor que mais ouço e gosto.

Após anos errantes por esses sons, um dia me caiu na mão um livro que seria meu mapa por esse mundo e que nunca mais larguei, que é o Livro de Ouro da História da Música, de Otto Maria Carpeaux. Eloquente, didático, opinativo, explicativo e profundo, devorei e rabisquei esse livro até não poder mais e a partir dele segui por caminhos mais claros dentro desse oceano abissal.

O primeiro exemplar que tive desse concerto foi com o maestro Wilhelm Furtwangler, numa gravação histórica, que não tenho mais em casa e hoje volta a ter espaço aqui na minha discoteca pois adquiri recentemente essa edição ótima lançada pela Archiv, selo alemão que é responsável por grande parte das gravações de Bach, ou pelo menos as mais importantes.

Não sou louco de tentar analisar nem essa obra, comparar com qual outra? Não dá. Tão pouco a orquestra que a executou (que foi a Orquestra Bach de Berlim), menos ainda o regente, Karl Richter.

Escrever sobre Bach como compositor? O que? Que é a coisa mais próxima de Deus que existe? Se Bach existiu é prova que Deus existe? Se Deus existe, uma das provas é Bach? Talvez. Só sei que não consigo ouvir Bach sem que essas afirmações se façam em mim e a paz e perturbações de sua música só reforçam que esses degraus em direção ao Céu deve estar pavimentado em sua música.

Sem esse cimento sensorial, creio que não tem como chegar ao sublime ou ao sublime como ideia.


Bachman-Turner Overdrive – II (1973)

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Fato mais relevante que eu descobri no Wikipedia sobre o BTO: Eles são de Winnipeg, Canada.

Juro que eu sempre achei que eles fossem norte americanos.

Bem, isso só reforça que rock bom sempre veio de qualquer lugar.

Mesmo sendo canadenses, o BTO deve ser uma das bandas com o som mais “USA” feito por alguém fora dos “EUA”.

Rock com R maiúsculo, puxado no blues, com pitadas de country, bem ao gosto do interior de qualquer nação que tenha boteco, cerveja, mulher peituda, calça jeans, barba, umas meta ou rebite e festas que sejam regadas a sexo e álcool.

Parente bem distante do Kings Of Leon, o BTO era composto por 3 Bachmans, 1 Turner e nenhum Overdrive.

Das cinzas do Guess Who, o BTO é banda de rock com o que tem de mais legal e obvio que existe numa banda de rock que se preze. Tem Hard Rock, tem Blues Rock, tem Country Rock, tem solo de guitarra, tem bateria pesada, tem baixo gordo, tem um cantor com gogó de branco encharcado em música negra e discos que fizeram a cabeça da rapaziada no meio dos anos 70 e hoje fazem parte do repertório obrigatório de qualquer rádio que seja dedicada ao gênero chamado “Classic Rock”.

Só me dei conta que eu adorava o BTO muito tempo depois e nesse segundo disco dos caras, tem duas que eu adoro: Let It Ride e Takin’ Care of Business, não por acaso, foram as duas músicas que fizeram sucesso desse disco. E aqui fazem total justiça, pois são as duas melhores músicas. Let it Ride tem uma levada de violão que vira um hard com guitarra poderosa e volta pro refrão com o encontro dos dois pedaços e a vontade que dá é de botar um 4×4 numa estrada e ouvir esse disco ad infinito.

Randy Bachman tinha o toque de violão mais pesado que se tem notícia nos anos 70.

Outra muito boa desse play é Tramp, um duelinho de guitarras dobradas, com um riff que fica correndo todo o refrão e muita guitarra, mas muita guitarra.

Não que o resto seja ruim, nesse II, tudo parece tão perfeito no modelo de rock setentista que quando eu tenho vontade de ouvir um som encorpado, com alma e “pauderescencia”, eu apelo pros discos do BTO e não me arrependo.

Gosto mais deles do que de Creedence.

E olha que dos discos do BTO, esse é não é o meu favorito.

O favorito vem amanhã.


Baby Huey – The Baby Huey Story The Living Legend (1971)

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“I’m Big Baby Huey and i’m 400 pounds of soul. I’m like fried chicken, girls, i’m finger-lickin’ good”.

Se o ano de 1970 literalmente enterrou tudo que veio de revolucionário nos anos 60, pode incluir na lista o nome de Baby Huey.

Soulmen de pegada própria, ele pode ser considerado uma espécie de Tim Maia americano: talentoso, meio encrenqueiro, um cara exagerado, gordão precoce, apreciador de boa comida, boa bebida e boas drogas, mas que diferente do “sindico”, abusou muito mais e faleceu com 26 anos ainda com o primeiro disco completo a ser lançado.

Big Baby era mais um daqueles performers/cantores simplesmente adorado por seus colegas de profissão.

Há alguns discos atrás, falei da Ann Peebles. Bem, o Huey tinha fãs ilustres como Mick Jagger e Paul Mccartney que quando passavam por Chicago no final dos anos 60, davam um jeito de dar um pulo onde Baby Huey e seu grupo Babysitters estivessem tocando para prestigiar a rapaziada e sugar um pouquinho.

Esse album foi produzido pelo monstro Curtis Mayfield e o som desse play é das coisas mais quentes e poderosas que esse ouvido escutou nesses 40 anos de vida nesse planetinha. Um som de bateria e baixo com azeite de oliva, metais vindo diretamente de algum lugar entre o céu e o mundo melhor. Sem falar do vozeirão casca grossa de Baby, ou Big Baby.

Sem exagero, eu adoro black music e esse Baby é muito sem noção de bom! A pegada dessa banda descende diretamente do som que James Brown criou nos anos 60, só que ele levou para outras dimensões.

O que dizer a respeito de Hard Times? Talvez seja a mais poderosa canção de protesto criada pela Soul Music, não por ser uma mensagem direta ou dirigida a uma nação, mas por sua capacidade contemplativa e analítica perante a perplexidade dos fatos que surgiram naqueles tempos loucos e difíceis.

E a versão instrumental de California Dreamin’ é de não deixar pedra sobre pedra e deixa para a posteridade a versão definitiva para uma das músicas mais importantes dos anos 60.

São só 8 faixas, que dá vontade de multiplicar por 50, ou botar pra escutar umas 3 vezes.

A tristeza de ser um disco tão curto de uma vida tão curta não deixa dúvida que o cara ia ser um monstro, tinha muito pra mostrar e tava só no começo.


Music For Teenage Sex – Baby Buddha (1981)

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Vamos ao tema disco de covers.

É um tipo de disco que precisa realmente fazer sentido para existir, pois já se faz discos de covers desde a idade média ou desde o barroco, quando Bach incluía temas de Buxtehude em sua “playlist” no teatro rival.

Aqui temos um caso bem interessante, pois esse álbum de estréia da dupla de eletro punk dos anos 80, Baby Buddha é um “Meio” disco de covers, pois das 10 músicas, metade são versões.

Coisa mais anos 60 né?

A dupla é tão obscura que fuçando pelo Google pra tentar achar mais alguma coisa sobre eles, me deparo com imensos vazios e pouquíssima informação.

Nem o Google registrou informações sobre eles? Será que tem na deepweb?

Saidos de São Francisco, esse álbum de estréia da dupla é uma deliciosa blasfêmia musical, onde alguns clássicos do cancioneiro popular norte-americano são profanados com sintetizadores sujos, baterias eletrônicas toscas e pouquíssimo respeito com o conteúdo.

O que é ótimo!

Pra mim, fazer uma versão é pegar a música que já existe e destruí-la completamente, trazer uma nova visão e deixar que o público decida se valeu a pena o risco.

Aqui eles transformam tudo em punk eletrônico a la Suicide, de All Shook Up do Elvis Presley até Your Cheatin Heart do Hank Williams.

Isso é todo o lado A praticamente, pois o lado B é composto de canções originais muito interessantes como Little Things e All Night Long, que são as minhas favoritas desse play.

Bem, a banda não chegou a lugar nenhum, mas cometeu esse belíssimo e estranhíssimo play que aqui em casa é muito querido.


Perfumes Y Baratchos – Ave Sangria (1974-2014)

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E era uma vez um lugar distante, longínquo, que se dizia muito atrasado e onde as pessoas eram incapazes, preguiçosas, indolentes, ignorantes, analfabetas e todos os adjetivos pejorativos que se puder acrescentar.

Esse lugar se chamava Nordeste brasileiro.

Sem abrir espaço nesse blog pra discutir sociologia, politica ou qualquer coisa que se valha, eu venho por meio desse meu pequeno pedaço de sitio virtual, veementemente refutar essa observações pejorativas.

Se nem ontem eu concordava, hoje menos ainda.

A riqueza da cultura e das múltiplas manifestações artísticas da região, mesmo a se manter somente no campo da regionalidade musical, já dá um banho em mais da metade da música produzida no resto do planeta terra.

Agora se entrarmos no campo de como aconteceu as simbioses e mutações estilisticas entre as referencias de outras terras com a maneira peculiar de se lidar com ela, através do viés nordestino, aí temos um caso sério, muito peculiar e ouvido em pouquissimas regiões do planeta.

Sem ficar só nos famosos psicodélicos nordestinos como Alceu, Ze Ramalho, Flaviano, Lula Cortes, Marconi Notaro, entre outros, há uma banda dos anos 70, que ressurgida como uma fênix, voltou a ocupar seu lugar de direito nos corações dos fãs de rock brasileiro, ou no meu caso, um curioso e distante apreciador de esquisitices maravilhosas que não escolhem local de nascimento.

Essa banda é o Ave Sangria, psicodelia rasgada made in Recife nos anos 70.

O primeiro cabra a me falar deles foi meu amigo Cassio Renovato, profundo conhecedor de sons maravilhosos que me deu essa dica há uns 3 ou 4 anos passados.

Se Recife sempre teve aptidão natural para receber ondas sonoras de lugares distintos e transformar em algo que só poderia ter nascido lá, caracteristica essa que virou “branding” da geração dos anos 90, deve bastante a desbravadores como o Ave Sangria.

Vai inventar de fazer rock psicodélico no nordeste brasileiro nos anos 70… é muita viagem e muita coragem!

Esse registro ao vivo foi feito em 1974 e relançado em 2014 junto com o primeiro e sensacional álbum do Ave, que de tão procurado, já acabou e deve aparecer mais por ai em breve, é fundamental na captura do espirito que a banda tinha em apresentações ao vivo, e carrega também muito na atitude agressiva e contestadora, pois o som é pesado com letras nonsense e muita piração na caixola.

Perfumes Y Baratchos é um registro comovente e poderoso, que não faria feio frente aos correlatos britânicos ou americanos, mas com um toque diferente na quebradeira e na bateria que botam um tico de tempero nessa viagem sonoro, que lá pelos lados anglo saxões não existiam.

Coisa linda de morrer.

Tirando o lado exótico, o Ave Sangria foi/é uma banda tecnicamente muito boa com ideias particularmente interessantes e composições sensacionais e esse ao vivo é prova irrefutável dessa competência e qualidades raras.

Das minhas favoritas desse play, fico com O Pirata e o Instrumental (que fecha o lado B).

A banda voltou as atividades recentemente, o que nos atiça ainda mais e espero ainda poder assistir a algum show deles.

Viva Ave Sangria!


Runnin’ Out Of Fools – Aretha Franklin (1964)

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Aretha deve ter sido a mulher que mais trabalhou nos anos 60.

Foram 18 LPS em menos de 10 anos.

Ai quando lembram dela só por causa de Respect dá vontade de dar na cara, né?

Muitos desses trabalhos foram esquecidos ou ignorados simplesmente porque o que aconteceu com sua carreira quando ela entrou pra Atlantic Records em 1967 e lançou I Never Loved a Man The Way I Love You colocou-a em um patamar que ninguém mais alcançaria e dai pra frente ia ser um disco mais espetacular que outro até pelo menos 1974.

Antes desses trabalhos mais conhecidos e autorais, Aretha era mais uma na multidão de grandes cantoras, ainda meio sem um direcionamento e indo para vários lados, mas ainda sem um repetório pra chamar de seu.

Runnin tem alguns sucessos populares como Walk On By, de Burt Bacharach e The Shoop Shoop Song, além de My Guy. Todas elas já haviam sido cantadas por outras cantoras em gravações muito melhores.

Dá pra ouvir aquele rasgo de voz que faria dela única, mas o repetório desse álbum não é o melhor escolhido para ela.

Tudo é muito comum e tocado lindamente, mas de maneira muito careta. Tão careta que tem momentos em que ela parece fazer no controle remoto, sem se dar muito ao trabalho de se empenhar mais.

Mas dentro de um repertório mais convencional, há duas pérolas incríveis: Mockingbird, que abre o disco e lá pro 1h30 mais ou menos ela dá uma pisada no acelerador que só uma gênio poderia fazer, e o que seria mais uma canção simples de soul vira outra coisa e ainda sendo na essência uma soul pop track correta.

E a outra pepita tá lá no fim do disco com Two Sides Of Love, dona de um arranjo diferente e melancólico o suficiente pra sair comum do resto do disco, Two Sides tem na bateria quebrada e em cadencias distintas o suprassumo do que se podia fazer em uma canção romântica e triste, dando uma assinatura soberba e incomum.

E o que dizer do piano?

Ai temos uma Aretha mais solta e dando aquilo que todo mundo sabe que ela tem.

Vai ser boa assim lá longe!


Star Collection – Aretha Franklin (1977)

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Star Collection é uma coletânea dupla não muito bem rankeada no Allmusic (só tem 3 estrelas) e que se acha com certa facilidade e a bons preços pelos sebos e feiras de discos pela cidade e pelo pais.

Isso quer dizer duas coisas:

  1. Se você não tem nada de Aretha na sua casa, compre essa coletânea;
  2. Se você não tem nada de Aretha na sua casa, você é um imbecil e siga as instruções da letra A.

Abaixo listo o que basicamente eu acho de Aretha Franklin e do repertório contido nessa coletânea e em basicamente uns 10 discos dela:

Foda, incrível, maravilhosa, a diva das divas, imortal, insuperável, inalcançável, estrela máxima da canção popular norte-americana, melhor representação artística pra representar o Planeta Terra numa disputa de talentos entre os planetas.

Tem mais alguns adjetivos e elogios:

A maior cantora de todos os tempos, a voz mais importante em língua anglo-saxã, standard absoluto no quesito cantora, professora de uma escola que todo o mundo imita mas ninguém chega perto, sensível, ouvido absoluto, capaz de atingir graus de sutileza e fúria como poucas, canta a dor de corno melhor que ninguém, brada pelo seu respeito usando uma música composta por um homem com se fosse rigorosamente sua, e etc.

Tem mais uma leva de elogios curtos agora:

Espetacular, emocionante, quente, poderosa, única e se existe no mundo Aretha Franklin e ela canta gospel, eu rezo e acredito no Deus que for.

Acho que é basicamente isso, se eu esqueci um ou outro elogio eu uso pro próximo disco dela.


Autógrafos de Sucesso – Aphrodite´s Child (?)

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Agora vamos para longe, pra bem longe, precisamente para a Grécia. E ao maluco rock progressivo e psicodélico da Grécia.

Ou especificamente, ao Aphrodite´s Child.

O Aphrodite´s Child voltou a ser razoavelmente lembrado graças ao falecimento recente do cantor Demis Roussos, que ficou mundialmente conhecido por sua voz doce, um agudo muito bonito e canções românticas pra você ouvir na sua próxima viagem ao Mediterrâneo Antigo.

Além do já citado Demis, a banda trazia na sua formação o tecladista Vangelis (autor de inúmeras e famosas trilhas de filmes dos anos 70 e 80 e álbuns de new age/progressivo).

O som da banda, mais do que um progressivo propriamente dito, entra naquele tipo de som meio viajante, mas com base pautada em canções de verso / bridge / refrão, meio na linha do Moody Blues, do Procol Harum e outros…

Comprei esse play há pouco tempo, e essa coletânea é daquelas que se prestavam a apresentar um artista mais ou menos conhecido e fazer um dinheiro já que lançar todos os plays deveria ser caro e ninguém no Brasil ia comprar todos os discos do Aphrodite´s Child né?

O mais louco dessa coletânea é olhar na contra-capa todos os outros artistas lançados por esse mesmo “selo”, vai de Os Cariocas passa por Evaldo Braga, Mpb-4, Edu Lobo e Tim Maia.

O que torna ainda mais enigmática a escolha dessa banda pra uma série de coletâneas tão genéricas.

Vai saber, de repente alguém dormiu no ponto e saiu.

O fato é que se trata de uma bela porta de entrada ao som dos caras, tudo é muito palatável, muito decente e a pecha do progressivo passa muito longe.

No lado A, vem com bleas músicas como End Of The World e Spring, Summer, Winter e Fall, além da melosíssima Maria Jolie.

Agora o fino mesmo fica com Babylon e Wake Up, duas castanhadas espetaculares e impensáveis, mas de arrebentar, pesado, estranho e com escolhas não convencionais de timbres e arranjos.

Um cara que se revelou grande fã deles é o Jeff Tweedy do Wilco, e reparando bem, escutando Wake Up, dá pra ouvir uns ecos e uns arranques que o Wilco usaria no seu som, em especial nos discos pós-Yanque Hotel

No lado B tem dois dos seus maiores “sucessos”, as baladas Break e Rain And Tears, mais duas com muita cara de neo-americana anos 2000. Dá pra escutar um monte de bandinha meia boca tentando copiar a atmosfera do som desses caras.

Atmosfera, por sinal, é o que mais tem nesse Play, que sonoridade particular e estranha, deixa tudo com um cheiro de muito antigo e muito bom.

Pepita de deixar os paladares auditivos muito felizes.