Por que Anitta e Pabllo Vittar serão as novas rainhas do Pop? Ou, os melhores produtos de exportação brasileiros desde Neymar e Gabriel Jesus.
Publicado; 01/08/2017 Arquivado em: Música | Tags: Anitta, Diplo, Major Lazer, Pabllo Vittar, Sua Cara Deixe um comentário
Voce já deve ter sido uma das 26 milhões de pessoas que visualizaram o clipe Sua Cara, do Major Lazer com a participação da cantora Anitta e do cantor Pablo Vittar que foi lançado mundialmente neste domingo ultimo, dia 30 de julho de 2017.
Eu ainda não estava na estatística, mas cumpri o dever cívico há 10 minutos atras.
Os personagens dessa track são conhecidos por quase todo o mundo (menos eu): Major Lazer (trio de produtores que não tem umas caras tão conhecidas mas tem o Diplo como dono da bagaça e está por trás de 9 entre 10 produças pop de paradas de sucesso, de Justin Bieber a Major Lazer (rs.)); Anitta (cantora de “funk” ou mais justamente “Brazilian Electronic Music” tá mais onipresente que o Trump e Pabllo Vittar (Cantor e Drag personalidade lacrada do universo online, onde resido pouco, assim não tenho muito mais a acrescentar sobre o figura).
A música em si, não é nada de diferente de outras 15.000 canções do mesmo estilo lançadas mundo afora, mas a combinação das duas “divas”, em cenário do deserto do Marrocos e clima de “Hollywood”, mais a altíssima popularidade de todos os envolvidos, botou o clipe para arrebentar e em menos de 2 dias já é um dos mais visualizados da historia do Youtube.
Mérito de quem trabalha muito e está em perfeita sintonia com seu tempo e pode escrever ai que essa turma não para um segundo. São os novos “business Man and Woman” do Showbizz.
Gente focada na carreira, que busca parcerias medidas pela quantidade de seguidores no Insta ou no Face e que buscará a todo o momento oportunidades em todos os cantos para aparecer e ser visto, gerando likes, compartilhamentos, buzz e essa “Data” toda.
Explicando o titulo do artigo, o Brasil sofre desde sempre de complexo de vira-lata, assim, ao mesmo tempo que morre de inveja, o povão adora ver compatriotas fazendo bonito no estrangeiro e esfregar talento na cara da gringolandia e poder soltar um “é nóis!” “Soooou sou brasileiro! Com muito orgulho.. etc”, em qualquer área que apareça um herói desse quilate.
Se pinta uma animação Lado B brazuca indicada ao Oscar, corre todo o mundo pra assistir e torcer, se tem judoca que ninguém sabia quem era com chance de medalha de ouro, bora dá um google pra saber quem é e torcer como se não houvesse amanhã.
Quando pinta empresário na lista dos mais ricos da Forbes, todo a gente se curva e baba ovo pra ele… alguém ai lembra do Eike… Batista?
Anitta tem trabalhado muito, redirecionou sua carreira há uns dois ou três anos e desponta pra ser a maior estrela em ascensão do pop atual, pelo menos da cota “Latin”, e provavelmente substituirá a linda Shakira nesse trono, já que a diva hoje divide a carreira com filhos, marido, vida de casal, morar em Barcelona e cuidar da bufunfa merecidamente ganha.
Depois de uma “estrondosa” participação no programa do Jimmy Fallon ao lado de Iggy Azalea (estrela que tenta voltar ao topo), a musa carioca agora bota caras, bocas e todo o resto no clipe/musica que deverá infestar o universo pop nos próximos dias, meses, sabe-se lá por quanto tempo.
Anitta e Pabllo tem aquilo que os novos tempos mais adora: “storytelling”, trajetórias de batalhadores, que vieram de situações de desigualdade e dificuldades sociais, mas que ascenderam e hoje despontam a caminho de uma fama mundial
Ascensão social através de meios lícitos, justos e honestos é pra poucos, fazer tudo isso no campo das artes é pra pouquíssimos, dentro da música então, pra poucos e com alta competitividade entre as “divas” e os “Musos”.
Independente do seu gosto musical, Anitta e Pabllo são ótimos produtos brasileiros, assim como Pelé e Senna já foram um dia e Neymar ainda é. Ambos vem vencendo com esforço, talento, sorte e representam bem uma sociedade brasileira como tal ela é, compensando a falta de oportunidades em educação e usando as armas que dispõem para tal: tecnologia e internet + sex appeal latino, alem da música como meio de expressão atingindo em cheio os principais públicos consumidores da Pop Culture de hoje (Mulheres, jovens e gays).
Goste ou não, o mundo não é mais tão “americano” assim, senão não existiriam fenômenos culturais e globais tão poderosos como Psy e todo o K-Pop (J-Pop incluso), Michel Teló, Shakira e atualmente o improvável “Despacito” dos veteranos Luis Fonsi e Daddy Yankee e outros que vão tocando para plateias que cada vez mais não tem sentido necessidade de entender a mensagem, mas de senti-la. Língua não é mais um problema e em muitos casos, pode ser o “diferencial”.
Letra de música é coisa do passado, alguns poucos viventes ligam pra isso, o resto quer é farra, zueira e sarrafo no ar.
Nesse contexto de Brasil e mundo, Anitta e Pabllo podem se gabar de estar no Topo dessa cadeia, ou bem próximos a ele e quem sabe, terão vida longa dentro deste ultra competitivo e perverso universo pop mundial, que pode ser a duração da vida de uma borboleta.
Esse é o novo mundo da música onde reinam Ed Sheeran, Justin Bieber, Demi Lovato, Katy Perry e que deverá ter Anitta ombreando com eles logo logo.
Não é motivo de lamentação e nem de alegria. É só um fato.
O Sargento Pimenta ainda tem algum valor ou é só pelo Branding?
Publicado; 30/05/2017 Arquivado em: Música | Tags: 1967, 60's, George Martin, Psychelic music, Sgt Peppers 50Th Anniversary, Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band, The Beatles Deixe um comentário
A Pergunta provocativa, já adianto, não é gratuita tão pouco vem com a segunda intenção de provocar os fãs xiitas ou muito apaixonados pelo Fab Four ou pela mais famosa boy band da história da música pop mundial!
A pergunta visa tentar organizar meus pensamentos e sentimentos a respeito do tal “’álbum mais importante do século XX”, ou o ultra-mega-incrivel Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band, lançado originalmente em 01 de junho de 1967. Ou somente o álbum em que os 4 rapazes usam bigode e roupas de bandas militares coloridas e muito legais!
O álbum chega aos 50 anos e aproveitando a ocasião, a paquidérmica, mas não anêmica indústria da música, visando o desejo mundial por um pouquinho mais de Beatles, disponibilizou para todos os bolsos, em formatos digital e físico, edições especiais e remasterizadas de Sgt Peppers, e o que dizem, pela primeira vez remixados decentemente para se ouvir em som estéreo ou no seu Pc com sonzinho xulé, ou no seu fone “xingling” ou no seu fone “Beats”.
A produção ficou a cargo do guardião sonoro do acervo Beatles, o filho do lendário produtor George Martin, Giles Martin.
Basicamente, tudo o que sair de Beatles daqui pra frente, passa pelo crivo dele.
Ah, foi ele que produziu aquela baboseira chamada Love para o Cirque de Soleil, antes que eu me esqueça (ok, isso foi a mais de 10 anos, ele deve ter aprendido alguma coisa nesse meio tempo).
Bem, dito tudo isso, o que o fã de carteirinha do Fab Four vai encontrar por aqui é tudo aquilo que ele quer. Entrar um pouquinho com a cabeça e dar uma escutadinha no que os Beatles deixaram pra fora do álbum, incluindo edições preliminares de algumas canções, edições instrumentais e pedaços de música que juntadas resultaram no Sgt.
Vamos deixar o álbum original pra lá e focar nos extras.
De maneira bem careta, o álbum de extras segue a mesma ordem do original, assim vamos seguindo a mesma sequencia, porem com suas peculiaridades esperadas (versões instrumentais de With a Little Help e She’s Leaving Home), takes alternativos que valem pela curiosidade (Being for the Benefit Take 4…) e pra quem trabalha com produção é sempre uma lição valiosa que muitas horas, paciência e algumas grandes cabeças são importantes para que saia realmente um disco bom e que nem tudo necessariamente precisa sair bom até o take 3.
Honestamente, acho que esse tipo de lançamento deixa cada vez mais claro a pobreza do presente e que também as sessões de Sgt Peppers não foram tão soberbas assim. Ouvindo o Sargento Pimenta disco 2, tudo fica meio com cara de membros decepados para apreciação e deleite dos inúmeros fãs dos Beatles e do Sargento.
Nada ou quase nada do que saiu no discos de Extras é realmente sensacional e só reforçam que se o álbum saiu do jeito que saiu era pra realmente ter saído daquele jeito.
Tudo o que veio de “a mais” aparentemente não fez falta e agora parece não fazer muita diferença.
Pra não dizer que não tem nenhuma surpresa, confesso que fiquei feliz em ouvir o Take 26 de Strawberry Fields Forever, numa versão mais rápida, com variações na velocidade da voz de John e nos instrumentos.
Isso posto, volto a pergunta inicial. O que consumimos aqui é o “branding” ou o álbum? Alguns dirão que um branding bom precisa ter conteúdo, mas rebato que vender qualquer coisa com a marca Beatles já vai ser bom logo de cara, a marca é muito valiosa, muito bem cuidada e não tem como estragar!
A reedição caprichada de Sgt. Peppers serve para atrair novos ouvintes não só para o álbum, mas para o legado da banda, e escutando novamente o disco depois de muitos anos, ainda há graça, ainda há relevância e o sabor de algo que foi revolucionário e hoje não é mais também estão lá.
O álbum é menos influente hoje do que foi um dia, mas ai a culpa não é deles nem do álbum.
Alguns preferem Revolver, outros o White Album e muitos o Abbey Road, mas Sgt Peppers é ainda importante como chave de entrada de um período rico da historia da música pop mundial e como ele ajudou a desencadear a música imediatamente posterior e simultânea. A segunda metade dos anos 60 surgiram alguns dos mais revolucionários álbuns da historia e mesmo no ano de 1967 um mundo sonoro novo eclodiu (se for entrar no 1968 e 1969 é papo de horas).
E tudo isso é outra historia!
Abaixo um video bonito com reações espontâneas a respeito do álbum:
Supersonic, ou a nostalgia dos anos 90.
Publicado; 03/05/2017 Arquivado em: Música | Tags: 90s' indie rock, Britpop, Liam Gallagher, Noel Gallagher, oasis, Supersonic Deixe um comentário
Como era de se esperar, algumas boas historias dos anos 90 começam a vir a tona e certamente um dos grandes protagonistas dessa década foi a banda inglesa Oasis.
O ótimo documentário Supersonic, lançado no final do ano passado, dirigido por Mat Whitecross (conhecido por clipes do Coldplay) chega agora ao Netflix e nos ajuda a lembrar algumas histórias que quem estava lá viu e ouviu.
Nenhuma banda brigou tanto ou causou tanto quanto eles, nem foi tão defendida ou atacada quanto eles. Pra quem era do rolê “indie rock 90s”, o assunto Oasis rendia bons papos e num mundo onde Nirvana não existia mais e o Guns & Roses esfriava o faixo, parecia ser um terreno perfeito para o surgimento de uma nova super banda encrenqueira.
Sobre os irmãos Gallagher não há meio termo, ou se ama ou se odeia e pode-se inclusive passar pelos dois sentimentos, não ao mesmo tempo, mas um antes do outro.
Conheci o som da banda mais ou menos quando todo o mundo conheceu, através do clipe de Supersonic. Achei legal, boa música, mas na época tinha tanta banda boa e tanto som bom aparecendo que não me apaixonei por eles logo de cara.
A coisa mudou quando ouvi Live Forever, essa é o tipo da música que não aparece toda a hora. A balada é correta, tem a duração correta, um lindo refrão e ótimo som de guitarra, com um solo simples e eficiente.
É o que se chama de canção perfeita.
Some essa quantidade de ótimas composições com a enxurrada de polemicas que os dois arruaceiros iam acumulando e a banda ficou grande em pouco tempo.
O Oasis capturou o espirito musical e cultural dos anos 90. Influenciado por guitar bands inglesas, que depois abraçaram um modelo mais clássico de rock (60 e 70 – T.Rex, Beatles, Paul Weller, Gary Glitter, Sweet, dentre outros), mas diferente de outras ótimas bandas que surgiram um pouco antes e das que apareceram ao mesmo tempo, o Oasis tinha dois trunfos quase imbatíveis:
Liam Gallagher cantando e Noel Gallagher compondo.
Tal qual a anedota do cara que apresenta um gato dançando e cantando e outro no piano tocando, quando o contratante maravilhado pergunta o preço do show, e o dono dos gatos informa: 10.000. O contratante retrucou “ok, mas quanto é cada gato?”, e ele respondeu: “3.000 pelo que canta e 7.000 pelo outro”. Por que? “Bem, o primeiro só canta, o outro toca piano, arranja e compõe as canções”.
Noel sozinho fez algumas da melhores músicas da década de 90 como: Don’t Look Back In Anger, Champagne Supernova, Live Forever, Cigarrettes & Alcohol, Wonderwall, Whatever e outras.
Noel pensava e criava com espantosa velocidade, isso ele deixa mais ou menos claro no documentário, mas o que não aparece é a sua astucia na escolha do label da banda, o Oasis dentro do quadradinho é algo que todo o inglês quase associa consciente ou inconscientemente com o label da Decca Records. Noel já visualizava a banda como uma das melhores e queria imprimir isso logo de cara.
Sua visão não estava errada, em 3 anos o Oasis tinha dois álbuns incríveis: Definitely Maybe (1994) e (What’s The Story) Morning Glory (1995), um punhado de canções para tocar em Estádios e dinheiro pra uma vida confortável até o fim da vida.
O documentário cumpre a função de apresentar o Oasis para as novas gerações e como os irmãos tocaram a produção do filme, deixaram algumas coisas de fora como por exemplo, as rixas com outras bandas britânicas, em especial com o Blur. (Ou eles ficaram com coração mole ou propositalmente não desviaram o foco dos seus respectivos umbigos.
No mais, as tretas federais entre eles, as doideiras de drogas e alcool, a origem humilde e as besteiras que eles fizeram estão quase todas lá, sem nenhum sentimentalismo e sem pedir desculpas.
O documentário termina com o show da banda para 250 mil pessoas no Knebworth e isso estamos ainda no final de 1996.
Deste ponto em diante, eles continuariam fazendo bons discos, Be Here Now que não foi bem recebido em seu lançamento em 1997 soa melhor hoje do que na época e mesmo com algumas mudanças, a banda nunca perdeu seu “mojo” nos álbuns que vieram depois e nunca fez um álbum que não fosse pelo menos razoável.
O Oasis é parte importante e essencial pra se entender o pop rock dos anos 90, em especial o tal Britpop… um dia escrevo sobre isso.
Abaixo links das minhas favoritas da “dupla” ou “banda”
Só Jesus salva…
Publicado; 12/04/2017 Arquivado em: Música | Tags: Damage And Joy, New Releases, Shoegaze Deixe um comentário
Isso não será um post racional.
Quando se lida com paixão, racionalidade passa longe e quando é paixão cega, a racionalidade sequer existe.
Tudo isso pra começar a dissertar sobre o novo álbum de inéditas do Jesus & Mary Chain intitulado Damage And Joy.
Parido em 24 de março, Damage é o primeiro de inéditas da dupla escocesa desde Munki (1998).
A importância do Jesus para a história do rock é relativa pois influenciou menos gente do que parece e quando se fala de bandas dos anos 80 é bem menos lembrada que alguns contemporâneos como Smiths ou R.E.M. ou mesmo My Bloody Valentine.
Na real, pouco importa, o Jesus é minha banda favorita de todo o sempre, e sempre o será até o fim dos tempos.
Paixões eternas são “imexíveis”…
Qualquer noticia nova sobre eles, é como se eu recebesse boas novas de um irmão mais velho que não tive. É esse o tipo de relação que tenho com a música da dupla formada pelos irmãos Jim e William Reid.
Os irmãos Reid não são bem quistos pela comunidade musical indie e pessoalmente sempre tiveram uma relação nada saudável entre si, tão pouco com colaboradores. Nada do que ouvi de quem os conheceu é muito elogioso.
Do manager de outra banda indie vem a seguinte afirmativa “… they´re assholes”.
De um grande amigo que ficou próximo a eles por motivos profissionais, a impressão é meio parecida. São distantes, tediosos, não são equilibrados, tem problemas com bebidas, Jim e William alternam seus momentos de sobriedade com excessos com grande frequência.
Detalhes, apenas detalhes…
Fato novo e bom é que eles estão com disco novo e graças aos céus, é bom. O álbum parece seguir diretamente de Stoned And Dethroned (1994), não traz tanta distorção quanto poderia, mas mostra que eles continuam escrevendo canções simples e boas que se hoje não trazem mais a urgência e ambição de outrora, pelo menos mostram que no quesito “songwriters” eles nunca falharam e continuam bons.
O Jesus é uma banda que sempre caprichou nos seus discos e Damage And Joy mantem esse capricho.
Produzido por Youth (baixista do Killing Joke, que produziu Paul Mccartney, tocou com Kate Bush e David Gilmour e tem um currículo bem casca grossa), o disco brilha com um certo peso que faltava ao som do Jesus e tem graves mais vistosos (visível contribuição de Youth) e guitarras tão potentes que soam até anacrônicas mediante a bundamolice do atual cenário indie.
Boas participações femininas, algumas já habituais como Linda Fox (ex-Sister Vanilla) irmã caçula da clã Reid em “Los Felizes (Blues and Green)”, balada comum parecida com outras que eles já fizeram e na última “Can’t Stop The Rock”, quase uma canção cartão postal do som guitar do Jesus, ótima faixa pra terminar o álbum.
As outras participações são bem bonitinhas: Isobel Campbell, vocal do Belle And Sebastian, empresta sua doçura em duas faixas “Song For a Secret” ótima balada rocker e “The Two Of Us” bonitinha, com um tecladinho a la Belle And Sebastian. A novata Sky Ferreira vem docinha também em “Black And Blues”, uma das minhas favoritas do disco por enquanto.
O disco vem embalado de boas guitarras que trazem boas lembranças do som que caracterizou o Jesus (guitarras vintages semi-acusticas com pedais japoneses que espirram distorções, tocado em amps rústicos com muita valentia, coração e desequilíbrio).
A faixa que abre o álbum, “Amputation” vem pra cima vencedora, dançante nos convidando convincentemente a adentrar em sua capsula do tempo (afinal qualquer disco de rock feito hoje já nasce velho). Always Sad vem direto dos anos 90, não me admira se eles falarem que essa música é dessa época.
Outra boa desse disco é Presidici (Et Chapaquiditch), faixa bem roquinho inocente pra iniciantes.
Tudo isso faz de Damage um excelente disco com excelente música, numa época em que tudo é generativo, fraco e sem “substância”!
Que bom que estamos todos vivos para poder ouvir um disco novo do Jesus.
O Show perfeito que nunca existiu do Rei…
Publicado; 29/03/2017 Arquivado em: Música | Tags: Erasmo Carlos, Jovem Guarda, Roberto Carlos Deixe um comentário
Outro dia, voltava eu, acompanhado da minha gata, de um show do Del Rey, sim, aquela banda de covers maneira do Roberto Carlos, composta por integrantes do Mombojó e pelo cantor e apresentador China e filosofando cá com meus botões a respeito da experiência de assistir ao repertório rico que o nosso Rei tem, cheguei a inegável conclusão que um show de uma hora e trinta do Roberto Carlos seria pouco, mas suficiente pra caber todas as músicas que eu gostaria de ver num show dele.
Pra um cara como eu, que curte o lado “misfits” e “outsiders” do mundo, Roberto Carlos é prato cheio no quesito canções e se pudesse sonhar com algo que nunca vai acontecer, que seria um show do Roberto só com lados B ou canções menos manjadas, trata-se de um show/sonho que não assistirei nessa vida com certeza.
Por que?
Simples: caras como ele não fazem mais shows (ou nunca fizeram) procurando atingir o particular de cada um, mas por força da simplicidade e da genialidade de suas músicas e pela quantidade astronômica que foram geradas, ele conseguiu atingir sensibilidades tão intimas com tantas canções, que me causam aquelas sensações que tenho por exemplo com as canções menos conhecidas de John Lennon em que parecia que o cara escreveu somente pra você, entende?
Acho que hoje só tem 3 artistas no mundo capazes de fazer um show só de lados B e que arrebentariam: Stones, Macca e RC (talvez um quarto cara o ainda “Jovem Neil”, you know?)
Voltando ao gênio do pop brazuca, RC é um paradoxo, bicho. Gênio, genioso, cuzão, compositor de algumas das mais inspiradas e bonitas músicas da língua portuguesa, interprete de primeira, hoje tem usado o seu tempo e fama pra, em troca de muito dinheiro, queimar o filme de um jeito que nem ele tem noção, mas nada disso importa pra mim.
Tudo que ele precisava ter dito ou feito, ele fez cantando e compondo com a simplicidade que só gente que está acima de nós, ou tocado por algo realmente extraordinário poderia fazer, e escrever canções que causam aperto tão grande ao coração ou nos abrem portas tão poderosas para algo além terra tem um custo emocional que só ele sabe qual é.
Há muito o Rei não faz um show inesquecível, assim, exercitei a imagination e os miolos em busca do que seria um show irrealizável e único do cantor.
Imagina agora um show começando só com as pedradas, umas 6 ou 7 da fase funk (Al Green, James Brown style, 70s), uma sequencia com as baladas mais tristes e bonitas, um trechinho em homenagem ao parça Erasmo e finalizando com aquelas duas que não podem faltar em nenhum show dele que vocês certamente sabem quais são?
Sacou a vibe desse show?
Inspirado por esse novo despertar robertocarliano que baixou nessa criatura que vos escreve, deixo aqui um serviço de utilidade publica pra mim e com certeza para muitos fãs de carteirinha do Rei, o Setlist perfeito (ou quase) do que seria um show perfeito (ou quase) do mais importante compositor/interprete da nossa música e que graças as artimanhas da tecnologia digital, está abaixo numa Setlist bonitinha via Spotify:
https://open.spotify.com/user/12156174974/playlist/1cGbtss21JUEUNFaUClSu8
Aproveitem enquanto estamos vivos…
Chuck Berry is gone, ou como se diz Adeus a um deus?
Publicado; 22/03/2017 Arquivado em: Música Deixe um comentário
Há muito tempo atrás, numa era passada, seja de ouro para alguns, de cobre para outros ou de trevas (já que não existia internet), existia um negócio aqui no Brasil chamado “Free Jazz Festival”, que nada mais era que um Festival de Música patrocinada por uma marca de cigarros e que trouxe ao país alguns dos mais importantes shows que a terrinha descoberta por Cabral já viu.
Em 1993 tive o privilegio de assistir a uma noite especial com Little Richard abrindo e Chuck Berry fazendo o show de encerramento, a uma distância de uns 2 ou 3 braços (bons tempos do Palace). Eu estava tão perto deles que dava pra ver a maquiagem se soltando do rosto de Richard e os tiques nervosos de Chuck .
Não parecia um show normal (e não era), essa noite pra mim foi mais como um vislumbre do Olimpo, um encontro sobrenatural com criaturas meio humanas e meio deuses e os dois senhores que estavam a poucos metros na minha frente eram quase humanos, mas eu sabia que eles eram deuses ou figuras mitológicas compostas por poderes ancestrais que o resto da humanidade não desfruta, tal qual um Pegasus ou um Mercurio.
Para a minha religião, que é o Rock and Roll, Berry foi o Zeus desse Panteão e sem suas canções sensacionais e inteligentes (Berry compôs alguns dos mais importantes rocks de todos os tempos) e seu modo único de tocar guitarra que diretamente influenciou 10 entre 10 guitarristas, o rock tivesse ficado no status de sub gênero morto antes dos anos 50.
Se não tivesse existido o criador Chuck Berry, provavelmente Stones, Beatles, Animals, Kinks, Clapton, The Who e demais talvez não tivessem sua estrela guia e seu mentor para seguir e a historia da música, do gênero e do mundo teriam sido outros.
Hoje, o Rock é matéria de tese acadêmica e tema de exposição em Museus, mas graças a caras como Chuck Berry, o rock and roll foi o gênero musical mais democrático e acolhedor de todos, pois seu molde foi feito sob medida para qualquer um, independente de raça, credo, classe social pudesse usa-lo como instrumento de comunicação de sentimentos e atingisse qualquer pessoa em qualquer lugar.
Chuck Berry morreu nesse ultimo sábado, dia 18/03 aos 90 anos, mas o Rock que ele ajudou a alçar como o gênero mais popular do século XX morreu bem antes dele.
Que Trump traga inspiração aos bons sons!
Publicado; 08/03/2017 Arquivado em: Música | Tags: alternative 80s, Bad Brains, dead kennedys, husker du, mission of burma, Public Enemy, Trump, X Deixe um comentário
É sabido que regimes de intolerâncias ou ignorâncias extravagantes costumam ser salutares para a criação e proliferação de boa arte contestadora, independente se ela é politica ou não.
A Era Reagan foi bem baixo astral para a sociedade americana em diversos aspectos (econômico, cultural, etc) e, ao contrário do que se propaga, não foi exatamente um período sorridente e de prosperidade e, diria eu, que até ajudou a alimentar esse monstrinho hipócrita embutido dentro dentro de alguns discursinhos cheio de razão que hoje permitiu a ascensão ao poder um cara como Donald Trump.
Noves fora, problema dos americanos.
E não, os governantes do período entre Reagan e Trump também não foram lá grande coisa: Clinton? Bush? Bush Jr? Obamis? Sorry folks, tudo farinha do mesmo saco.
Enfim, o ponto é: Trump talvez já seja de cara o presidente que mais gerou antipatia fora e dentro dos EUA em décadas. Nem o Bush foi tão impopular quanto ele e como é sabido desde os tempos mais primórdios, o amor ajuda a construir coisas lindas, but “anger is an Energy”.
O Reagan não foi tão detestado assim, mas o contexto politico (guerra fria, crise do petróleo, emprego em baixa, geração yuppie e concentração de riqueza), somado a uma comunidade criativa que floresceu ao mesmo tempo, ajudou a criar o ecossistema ideal para que um resvalo de rebeldia organizada e idiossincrasias pudessem surgir num lamaçal de obviedades pop e num mundo mainstream tão ou mais careta quanto o de hoje.
Quem acompanhou um pedaço dessa época, como é o meu caso, era notória a distância de abordagem e som entre o que se fazia no mainstream e o que estava no “underground”, assim ficava fácil entender a delimitação de território entre um Big Black, Rapeman, Butthole Surfers ou MDC para um Bon Jovi, Police, U2 ou qualquer outra banda do primeiro time do pop.
Se for lembrar de todo o mundo que floresceu nesse período chega a ser covardia, mas só pra sapatear, vamos lá:
– Mission Of Burma, Lyres, Swell Maps e outros que sem apoio de nenhuma grande gravadora, lançavam seus discos, compactos, K7s, camisetas e conseguiam movimentar um então mercado desabrochando de indie rock;
– Husker Du, Replacements e Zero Boys (esses 3 citados na mesma linha por serem da mesma cidade – Indianapolis);
– Bad Brains, Void, Fugazy, Dag Nasty e toda a turma da Dischord Records de Washington;
– Dinosaur Jr, Throwing Muses e Pixies (turma de Boston);
– Dead Kennedys, Nomeansno, Tumor Circus , The Dicks e toda a turma do Arternative Tentacles;
– X, The Weirdos, The Dickies e toda a turma da ensolarada Califórnia;
– Public Enemy (sem paralelos);
– 23 Skidoo, Arthur Russell, The Contortions e toda a turma que fazia musica eletrônica pra fazer os neurônios dançarem.
– Cena House de Detroit (numa conjuntura de fatores, uma boa parte do espirito da cena nasceu também como uma contestação do status quo dominante).
Como fã da desordem e de boa música, só posso torcer para que os maus cheiros dessa nova gestão alimente o underground de energia e combustível para esse fogo e a boa música volte a incomodar e ser “perigosa” e estranha como outrora.
Melhores de 2016 – The New hope
Publicado; 22/12/2016 Arquivado em: Música | Tags: David Bowie, Dinosaur Jr., kvelertak, Nick Cave, Oh Boland, Personal And The Pizzas, PJ Harvey, Savoy Motel, Sunns, The Dandy Warhols, The Monkees, underworld Deixe um comentário
Quando eu revejo as listas que eu fiz de melhores discos do ano (e todo ano eu faço uma, como quase todos os meus amigos fazem), duas coisas saltam aos olhos:
- Sempre reclamo que a safra tá ruim, que tamo indo de mal a pior, mas que apesar dos pesares, algo levanta do lodo e faz o ano valer a pena.
- Quase não escuto mais os discos dessas listas que eu fiz, salvo uma meia dúzia e bem contada.
Assim, conclui com isso, que esse tipo de lista hoje não faz mais sentido, digo, no sentido como conhecemos esse tipo de listas (10 melhores, 20 melhores, etc), assim aproveito esse singular momento desse inesquecível (mais para o mal) 2016 para fazer uma lista diferente e aproveito para fazer meus votos para que os artistas do mundo todo se manquem e aproveitem a infinidade de idiotice, caretice e retrocesso galopando em nossas direções e realmente usem esses tempos bobos e sombrios como vitamina pra produzir coisas ótimas!
Ai vai a minha lista desconstruida e sem ordem fixa, mas com algo em comum (em 5 anos certamente estarei escutando esses discos ainda):
Melhor Revival/Ressurreição musical de 2016:
The Monkees – Good Times!
E não foi só de mortes que vivemos o 2016, O Monkees voltou com um disco ótimo (sua ultima ressurreição foi o fraco Justus em 1996). Pop/rock old fashion, meio 90’s, com produção competente de Adam Schlesinger (do Fountains Of Wayne), trouxe uma boa vibe e de quebra conta com duas pérolas do pop rock contemporâneo “She Makes Me Laugh”, melhor composição que o River Cuomos (Weezer) fez em décadas e “Birth Of An Accidental Hipster”, parceria de Paul Weller e Noel Gallagher.
Melhor Disco de Heróis Dos Anos 90 Que Ainda Tem Garrafa Vazia Pra Vender:
Underworld – Barbara, Barbara, We Face A Shining Future
Fazia tempo que eles não lançavam um disco tão bom quanto esse. Passado da 5a faixa e o disco continua excelente, pros dias de hoje isso é muito, believe me!. Essa surpresa pode ser, em parte, atribuída as andanças de Karl Hide (vocalista e letrista) com outros músicos (aproveito pra indicar também seu álbum em parceria com o Brian Eno). Ajudou a repaginar o Underworld dentro desse mundo dominado por DJs superstars pouquíssimo criativos. Tem um que de The Fall ou eu to muito louco?
Melhor Disco de Krautrock Fora Dos Anos 70:
Sunns – Hold / Still
Vi que não entrou em nenhum lista das modernidades e dos sites e blogs de musica descolados. Não entendi? O som dos caras é hipnótico, tive o prazer de vê-los ao vivo nas férias e o disco tem todos os bons elementos de um krautrock com strudel, mas os canadenses devem ter atrasado o boleto do jabá para os blogs e ficou de fora de todas as listas.
Disco Mais Importante de 2016:
David Bowie – Blackstar
Por razões óbvias, Blackstar já nasceu clássico. Confesso que só consegui ouvi-lo 1 vez, ainda não estou completamente pronto pra ele. Hoje como álbum, não consegui gostar de verdade, não como gostei do anterior The Next Day (esse figura entre os melhores de Bowie). Volto a falar de Blackstar daqui uns 10 anos. Em tempo, I still miss Bowie …
Melhor Disco do Melhor Artista Ainda Vivo:
Nick Cave & The Bad Seeds – Skeleton Tree
Já escrevi sobre ele há alguns meses atrás e não retiro uma virgula. Passou o ano e continua sendo tocante, importante e espero que a coragem e forca que os fizeram levar o disco ao mundo como o fizeram, os façam levar essa beleza aos palcos também. Esperamos todos ainda estar vivos para ver Mr. Cave e trupe destruindo tudo.
Segundo Melhor Disco Da Melhor Artista Mulher Ainda Viva:
PJ Harvey – The Hope Six Demolition Project
O disco é ótimo, inferior ao seu anterior Let England Shake, mas infinitamente superior a todas as demais artistas de saias que circulam pelo planeta.
Melhor Disco de Metal de 2016:
Kverletak – Nattesferd
Ótimo ano para ser metaleiro, daria pra listar aqui pelo menos mais uns 4 ou 5 discos ótimos de metal lançados em 2016 como os franceses Gojira, (álbum: Magma); os americanos Ustalost (álbum The Spoor Of Vipers), as japas cabulosas Babymetal (álbum Metal Resistance) e Megadeth (álbum: Dystopia), mas os noruegueses do Kverletak conseguiram fazer um quase hit unindo produção hard rock com vocais de doom metal. Vida longa ao metal!
E agora os CINCO melhores discos de Rock de 2016: Sim isso ainda existe e melhor, 3 bandas novíssimas!!!
The Dandy Warhols – Distortland
Esses também esqueceram de pagar os jabás pros blogs, disco moderníssimo e de altíssimo nível, muito melhor que quase todos os 20 albums de Rock que a Pitchfork teve a manha de publicar. A banda continua em plena forma, se reinventaram e seguem muito bem obrigado.
Dinosaur Jr. – Give a Glimpse Of What Yer Not
Depois que eles voltaram com a formação original, só tem lançado discos bons e esse Give a Glimpse supera o anterior Farm (que já é ótimo). Bela barulheira, J.Mascis continua solando como se não houvesse amanhã e as canções de Lou Barlow estão entre suas melhores contribuições para o grupo. De quebra são donos do show mais barulhento em atividade no mundo.
Savoy Motel – Savoy Motel
Meio Glitter, esse disco de estreia dessa turma de Nashville podia tocar tranquilamente em casas que tenham o novo rock como pilar sonoro. Bem tocado, ótimas ideias, a banda já abriu alguns shows pro Dandy Warhols e tem um disco que na média é mais bom que mais ou menos, o que já é uma esperança.
E agora rufem os tambores para os dois melhores discos de rock de 2016 com as duas melhores bandas de rock que ouvi esse ano:
Oh Boland – Split Milk
Pra voltar a ter esperança que jovens possam fazer discos incríveis e o trio irlandês Oh Boland pegou a receita mais velha do mundo: junte boas composições, grave com urgência mas não com velocidade, faça um disco que voce possa ouvir sem vergonha daqui a uns 20 anos. Meio Punk, meio garagem, produção meio tosca, propositalmente desleixada, tudo mixado e masterizado com boa sujeira e canções tão boas que não vou nem escrever mais, abaixo o link dos rapazes no bandcamp, compre o disco digital ou físico e ajude a uma grande banda a não parar.
https://volarrecords.bandcamp.com/album/oh-boland-spilt-milk-lp-limited-clear-vinyl
Personal And The Pizzas – Personal And The Pizzas
Outra gratíssima surpresa, do 0 ao infinito, banda de Sao Francisco faz a melhor mistura de punk 77 com punk 80’s branco e new wave de guitarras do inicio dos 80s. Só que melhor, feito hoje em dia. Letras idiotas excelentes como há muito não se ouve nos dias de hoje, onde todo o jovem quer trazer sua mensagem capsuladinha dentro do seu Twitter, tem um pezinho no retro, mas é tão fresco e jovem que to completamente apaixonado! Vale o mesmo para o Oh Boland, tá lá no bandcamp, pague alguma coisa pra eles! Eles merecem nosso dinheiro!
https://slovenly.bandcamp.com/album/personal-and-the-pizzas-personal-and-the-pizzas-lp

