Djs Diretores ou diretores Djs…

Escolher a música certa para uma cena, trilha sonora ou incidental nem sempre é função do diretor. Muitas vezes ele só dá a palavra final para o compositor ou para o encarregado em escolher a música, mas não tem muito tempo ou paciência ou jeito pra escolher a song.

Exceto os chapas aqui abaixo, que muitas vezes chegam a pensar na cena com uma certa música na cabeça e obcessivamente e obstinadamente constroem seus enquadramentos muitas vezes só pra emoldurar uma canção.

Tudo isso só pra comentar a felicidade que eu tive em escutar Fox On The Run, do Sweet no iradíssimo e sensacional teaser da continuação dos Guardiões das Galáxias e introduzir James Gunn a essa seleta lista de Diretores que pensam na música tanto quanto pensam no “Ação”.

Ai vão as cenas e diretores com essa pegada:

Martin Scorsese: Já se disse que Scorsese foi um roqueiro frustrado, como não sabia tocar nada, seguiu a vida de cineasta. Sorte nossa! Marty construiu cenas incríveis para músicas sensacionais, mas nenhuma delas supera essa entrada triunfal de De Niro em Caminhos Perigosos (1973). Jumpin Jack Flash parece ter sido criada para sonorizar os passos insolentes e em Slow Motion do personagem Johnny para dentro do buteco risca faca da Little Cosa Nostra nova-iorquina.

 

Stanley Kubrick: sua ranhetice perfeccionista não se restringia somente ao dirigir, produzir e escrever. Ele tinha que dar pitaco em tudo e como um profundo conhecedor de música clássica, a trilha sonora tinha que passar por ele. Tudo isso porque o mestre sabia da força de uma grande canção para causar os impactos necessários as suas cenas, senão o que dizer das suas ortodoxas escolhas da manjada valsa de Johann Strauss para fazer suas naves flutuarem lindamente num balé espacial.

 

Ou o uso da música de Gyorgy Ligeti tanto em 2001 quanto em De Olhos Bem Fechados. O compositor contemporâneo de origem húngara usou sua música vanguardista para, em muitas vezes, afrontar e enfrentar as agruras da opressão dos regimes comunistas pelo qual passou e captando essa angustia, Kubrick colocou uma das mais perturbadoras de suas composições para enfatizar a alguns momentos capitais do seu ultimo filme.

 

Mas a minha favorita ainda é a abertura de Doutor Fantástico (1964), em que pega a bonita mas melosa Try A Little Tenderness e usa como fundo para mostrar duas aeronaves fazendo uma acoplagem em voo para abastecimento, e dando a essa trivialidade bélica, uma imensa conotação de coito. Provocativo!

 

Quentin Tarantino: geek musical tarja preta, reinventou o modo de usar música pop no cinema. Inegável talento para associar grandes canções com cenas impactantes, Tarantino foi de longe uma das maiores influencias da música nos anos 90 pela capacidade impar em resgatar temas famosos e obscuros e coloca-los na mesma bandeja para um público avido por novidades. Dificil escolher uma só, mas ainda me causa arrepios como ele reinventou a arte de abrir um filme com todos os elementos que um filme legal precisa ter, assim a sequencia Dick Dale / Kool And The Gang presente em Pulp Fiction (1994) ainda é a mais impactante.

 

Wes Anderson: outro nerdinho tarja preta, também é difícil escolher uma canção da sua “discoteca” cinematográfica selecionadíssima, mas a ultra coreografada cena de “Os Excentricos Tenenbaums” onde Margot Tenenbaum chega ao porto de Nova York para buscar seu “irmão” é belíssima e naquele momento, acho que todo o mundo se apaixonou pela esquisitinha ao som de Nico. Causa e efeito na medida, Wes sabia onde queria chegar.

 

Outra do dj Anderson, é a deliciosa opção por um dos pais do rock americano, Bobby Fuller Four para encerrar os trabalhos na animação Fantástic Mr. Fox. Só pra constar, Bobby Fuller é mais conhecido como o compositor de I Fought The Law.

 

 

Jimmy Wang Yu: Quando eu vi O Mestre da Guilhotina Voadora (1976) e me deparei com a música de abertura, a cargo da banda de krautrock Neu!, percebi imediatamente que não seria um filme normal. Não sei de onde o ator, diretor e produtor chinês tirou a ideia de botar o Neu! pra abrir um filme de Kung Fu. Coisa de nerd musical? A investigar.

 

 

James Gunn: esse tá caminhando muito bem pra se juntar aos coleguinhas Djs/Diretores. Com dois ótimos filmes no currículo em que a música é o pilar e carro chefe e no bom sentido, faz os dois filmes serem incríveis é de se esperar e torcer que o novo Guardiões seja também um deleite áudio visual. Como diz Star Lorde, há os que dançam e os que não dançam, que tipo é você?


Não Culpem o 2016… nossos heróis é que estão velhos e morrendo…

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Bob Dylan em toda a sua carreira sempre soube que era muito mais compositor do que qualquer outro, por isso a concorrência nunca o assustou.

O novo prêmio Nobel de literatura sempre soube que ninguém foi páreo para ele no quesito “poesia e composição em língua inglesa”.

Ao longo de sua longeva vida musical, somente 1 cara tirava o sono do ego de Mr. Zimmerman e lhe causava arrepios ao ouvir seu nome ser pronunciado.

Leonard Cohen.

Dylan não confessa nem para seu espelho, mas no fundo, bem no fundinho daquele coração de pedra e cínico, Cohen foi o compositor que ele mais invejou em vida, daquelas invejas brabas sabe? Daquelas invejas que não deixava espaço nem pra se aproximar para pedir um cigarro.

Cohen, aparentemente nunca deu bola pra essa disputa ou inveja, assim preferiu se dedicar a desafiadora arte da constante reinvenção musical, artística e espiritual.

Essa semana, Leonard Cohen deixou essa existência no planeta Terra e foi ao encontro de sua iluminação budista, seu nirvana ou seu “Senhor” aos 82 anos de idade.

Complexo e simples, Leo nasceu em origem judaico-cristã, mas ao longo da vida, após ter passado pelos “ismos” naturais de quem caiu no meio da contracultura sessentista tardiamente e maduro, descobriu o budismo e nele se encaixotou, deixando o mundo pra lá, até descobrir que estava falido, graças a anos de pilhagem por parte de seu empresário e se viu novamente precisando trabalhar para garantir o pão nosso de cada dia.

Por sorte nossa, ouvimos um Cohen relevante e mais interessante do que nunca e tirando de letra essa situação.

A sequencia de discos incríveis que ele lançou nos últimos anos foi de causar inveja em gente com metade de sua idade: Old Ideas (2012) e Popular Problems (2014) figuram entre seus melhores trabalhos e o que dizer de Live In London (2009)? Um show absolutamente brilhante.

Sem contar o ultimo lançado há poucos dias, chamado You Want It Darker, seu canto do cisne de causar arrepio em qualquer pessoa que tenha sangue de verdade correndo pelas veias.

You Want It Darker entra para a macabra lista de álbuns tristes que marcaram o 2016. Blackstar, de Bowie e The Skeleton Tree, de Nick Cave seriam os outros dois.

A música de Mr. Cohen nunca pertenceu a uma década ou geração especifica, e isso garantiu ao “poetinha” uma relevância absurda para audiências futuras que talvez não o tenham visto em seus vários auges.

Desde sua estréia em 1967 com um folk doce e duro de Song Of… que seguiu nos álbuns seguintes, ele usou o mínimo de arranjo possível para que sua voz melosa e quente desfilasse alguns dos melhores e mais bonitos versos da língua inglesa, fazendo com que sua música já nascesse clássica mas não velha.

Natural que seus passos seguintes só reforçassem essa característica ou esse dom. Os inseparáveis cigarros nunca seriam boa companhia para nenhum cantor, minha professora de canto sempre pegou no meu pé por causa desse vicio (que larguei completamente inclusive), mas para Cohen, parecem que só ajudaram a moldar seu grave profundo.

O que dizer de I’m Your Man (1988), álbum que me fez um devoto apaixonado por sua música. Nessa época, Leo era fanático pelo neo-romantic e aderiu ao teclado com bateria eletrônica como poucos e produziu um dos melhores e mais bonitos álbuns dos anos 80.

Outros auges da carreira podem ser New Skin For The Old Ceremony (1974), Recent Songs (1979), The Future (1992) e mesmo um disco acidentalmente estranho e fora do quadrado como Death Of Ladie’s Man (1977), produzido pelo maluco e genial Phil Spector tem seus momentos de beleza.

O meu favorito de longe no entanto é o poderoso Songs Of Love And Hate (1971), ali acho que está o suprassumo do melhor já feito pelo cantor e compositor. É um álbum tão bom e tão forte no quesito conteúdo e forma, que que entra para minha lista particular de obras sacras, que só saem da prateleira de vez em quando e só podem ser executadas em ocasiões muito especiais.

Cohen nunca teve um grande hit de arrebatar multidões, mas ao longo dos últimos anos, a faixa Hallelujah acabou virando a favorita de cantores ao redor do mundo, seja Jeff Buckley, seja Sam Alves (se você colocar Hallelujah no Google, você vai se deparar com as mais lacrimosas e exageradas versões. Cada uma mais querendo encontrar Deus ou audiência que se transforme em lacrimosa massa de aplausos).

Pra servir como um guia, abaixo listo minhas canções favoritas do bardo canadense e boa viagem na companhia de um dos caras mais incríveis que passaram pelo planetinha azul.

Rest in Peace, Mr. Cohen


Os meus anos 90 em discos – Parte 1

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Anos 90, década da minha juventude perdida.

A decada do Neo-liberalismo, da terceira via, do Plano Real, de Pete Sampras x Andre Agassi, de jogos do Campeonato Carioca de segunda-feira na Band, de Yahoo, Cadê e Altavista, de Tiazinha, Feiticeira e Hzetes, de Britpop, Grunge, Tecno e Pos-Rock.

Assim como os anos 90 findaram o glorioso e tenebroso século XX, parece também que os últimos grandes discos que realmente interessam surgiram nesse periodo (em breve um post sobre os anos de 1991 e 1997 especificamente).

Devorava de tudo, começava a desbravar os gêneros e não me limitava mais ao rock and roll. Cavucava no passado, mas o presente era tão empolgante, existiam tantos artistas bons fazendo coisas interessantes que tudo o mais ficou velho. O novo era o que mandava!

Não vou listar aqui nenhum guia definitivo da decada, poucos aqui se encontrarão em listas de entendidos ou especialistas, mas essa não é a intenção também.

A lista é um guia pessoal meu, discos pelos quais guardo imenso carinho e amor e que me fazem bem ou mal ainda hoje. Há aqui discos que fizeram verdadeiros estragos na minha cachola e outros que simplesmente esquentam meu coração.

Por ser um post longo, dividi a lista em duas. Ao longo dessa semana ou semana que vem mando os 10 derradeiros.

Enjoy the ride!

  1. BellRays – Let It Blast (1998)

Imagine um som que tenha a pegada e o poder de fogo de um MC5 com uma cantora a la Tina Turner a frente. Essa era ou ainda é a formula do BellRays, e esse álbum de estreia deles lançado no final da década de 90 é absolutamente arrasador. Rock vintage antes de virar objeto de adoração hipster nos anos 2000, esse álbum é alto, vigoroso e bom de cabo a rabo. Good Behavior não faria feio em nenhuma banda californiana dos anos 60, Black Honey é daqueles milagres de composição que tudo é absolutamente perfeito. Atenção, se você for escutar esse álbum no Spotify, a sequencia lá está errada e Black Honey lá é a faixa Blues For Godzilla.

 

  1. The Posies – Amazing Disgrace (1996)

Herdeiros diretos do power pop perfeito praticado pelo Big Star nos anos 70, The Posies atingiu a perfeição nesse algum maravilhoso e cantarolável em quase todas as faixas. De tão bom que eles são/eram, dois deles acompanharam Alex Chilton num breve retorno do Big Star nos anos 90. Barulhento e melodioso, chegou a ter música nos hit parade de rádios rock com a linda Please Return It. E olha que nem é a melhor do disco: Grant Hart, Everybody Is A Fucking Liar e Daily Mutilation só não tocaram no radio por causa de seus conteúdos líricos impróprios.

 

  1. Girls Against Boys – House of GVSB (1996)

Esse é daqueles álbuns impossíveis de se imaginar gravado em outra década que não fossem os anos 90. Dois baixistas apaixonados por black music, um baterista monstro e um cantor bastante emotivo. A combinação estranha chegou ao perfeito desequilíbrio nesse álbum. A banda tinha tanto potencial que em seguida foram contratados por um grande selo, tinham tudo para explodir mas não deu certo, o mundo já era outro. House of GVSB tem 3 clássicos de 1996: Super-fire, Disco Six Six Six e a já nascida antológica Crash 17 (X-Rated Car).

 

  1. Bailter Space – B.E.I.P (1993)

A misteriosa e estranha banda da Nova Zelândia Bailter Space provou que qualquer um podia fazer música. Olhando para os fulanos, eles tem cara de tudo menos de roqueiros, mesmo assim conseguiram fazer um bom nome no underground global, quando esse negocio ainda existia. Ep de 4 faixas que mostram bem o som noise, mantrico e torturado da banda. 4 faixas impecáveis do bom indie rock noventista, com destaque para X (minha favorita) e Projects (estranhíssima). As vezes, menos é mais e esse é o melhor exemplo que conheço.

 

  1. Underworld – Second Toughest In The Infants (1996)

1996 foi o ano em que o “Tecno” tomou conta do mundo. A música eletrônica chegava de assalto ao mainstream e o Underworld lançou, na minha opinião, o disco mais importante do gênero nos anos 90. Há quem goste de outros, mas não dá pra negar a importância desse petardo. Definiu um gênero, nasceu grandioso, relevante e ainda hoje é um álbum absolutamente atual e poderoso. Me acompanhou em muitas viagens de carro e em muitas noites de discman… Juanita e Rowla são as duas pepitas desse clássico.

 

  1. Magoo – The Soateramic Sounds Of… (1997)

Banda de guitar rock inglesa que não deu muito certo, mas que caiu nas graças de John Peel e lançou um dos discos mais obscuros de 1997, o ano em que tudo aconteceu no mundo da música. Esse pequeno e agraciado álbum contem algumas das minhas músicas favoritas dos anos 90 como The Starter’s Gun, Red Lines e a absoluta Your Only Friend, cujo refrão poderia ser um hino de uma geração “sometimes music is your only friend”. De cair uma lagrimazinha…

 

  1. Guided By Voices – Under The Bushes Under The Stars (1996)

Robert Pollard e sua turma produziram dezenas de álbuns nos anos 90, alguns clássicos como Bee Thousand ou Allen Lanes, alguns bons como Mag Earwhig!, mas nesse álbum de 1996, eles cometeram algumas faixas que nasceram históricas e clássicas como The Official Ironmen Rally Song, Your Name Is Wild e Drag Days. Hinos obrigatórios pra todo o mundo que um dia se fez de franjinha nessa década.

 

  1. Reverend Horton Heat – The Full-Custom Gospel Sounds Of (1993)

Não consegui me decidir sobre qual álbum do Reverendo escolher, fiquei entre esse e o álbum de estreia Smoke’em if You Got’em, ambos escutados até furar. O voto de minerva foi 400 Bucks, possivelmente o melhor rock vintage feito nos anos 90. Muitas vezes o disco não precisa mudar o mundo, ele só precisa ser muito legal, mas legal nível “muito do caralho” e esse é o caso desse disco.

 

  1. The Nomads – Powerstrip (1994)

Outra banda do coração. Diretos da Suécia, essa banda de rock garagista me deu algumas das maiores alegrias que se pode ter ao escutar discos e especialmente nesse álbum, tem a melhor balada de rock dos anos 90 ou pelo menos a minha balada rock favorita: Sacred. O resto do disco é sensacional, mas Sacred já seria suficiente para dar esse ranking pra banda.

 

  1. The Mummies – Never Been Caught (1992)

Quando a lenda a respeito dos Mummies chegou por aqui, e ao mesmo tempo consegui achar seus álbuns tive pela primeira vez a certeza de achar uma banda pra chamar de minha. Mais tarde, descobri alguns outros fãs ilustres como o pessoal do saudoso Garagem, extinto programa de rádio que tocava só coisa boa e era apresentado pelos jornalistas André Barcinski, Paulo Cesar Martim e Alvaro Pereira Jr. A banda já nasceu “mitada”, 4 caras que tocavam trajados como múmias, saiam em turnê num carro funerário, tocavam rock garageiro poderoso e tinham um pacto de que se um dia fossem convidados para gravar por uma grande gravadora eles acabariam com a banda, um dia o convite veio e eles realmente encerraram as atividades por um tempo (hoje eles costumam tocar por ai). Ps.: é o único dos discos que nunca foi lançado em CD, eles se recusavam a lançar no formato.

… Stay tuned for more rock and roll… em breve o meu top 10.


Sobre o Óbvio exercício de Escutar um Disco..

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Assim como todo o mundo eu também sou usuário de Spotify, Deezer e que tais, mas confesso que não consegui me adaptar e me acostumar completamente.

Se escutei uns 4 álbuns no Spotify foi muito.

Até uma playlist eu fiz, mais pra testar o acervo virtual e ver se esse troço tinha algumas músicas obscuras. Só de pensar em fazer outra playlist dá uma preguiça medonha.

Fazer mixtapes em K7 eram infinitamente mais desafiadoras, davam mais trabalho e no fim do processo, percebo que era muito mais prazeroso (não estou sendo saudosista, até porque eu tinha mais energia, era mais jovem, tinha outras motivações, etc…)

Pra mim, o ritual de escutar música compreende as seguintes ações concatenadas:

Levantar a bunda da poltrona ou do sofá, me dirigir a estante onde guardo meus albums, pegar um disco que você pode chamar de LP, Vinil, Bolacha, mas eu sempre vou chamar de disco.

Um parêntesis nesse ponto da narrativa: Sempre me causou estranheza o fato de ainda no tempo em que se existia o habito da compra “física” de música em lojas de Discos, de se determinar o objeto de desejo ou compra pelo seu formato apresentado e não por seu conceito original.

Explico:

A pessoa saia de casa para comprar um “CD” e agora vai comprar um “VINIL”, ela nunca saia de casa para comprar um DISCO ou um Álbum.

Pode parecer mera semântica ou bobagem de um jovem senhor ranheta, mas isso sempre me incomodou, mesmo quando eu era mais jovem que hoje.

Voltando a descrição do meu medieval e arcaico processo de escutar música a moda antiga:

Escolhido o álbum de acordo com meu humor no momento ou pela preguiça de me agachar, acabo optando por algum ali pela letra L ou M ou pela letra F a H, que me dão menos trabalho e o mesmo prazer sonoro.

Delicadamente mas com firmeza, retiro o artefato do plástico interno, cuidadosamente coloco-o no prato do Toca-Disco, ligo o som, ajusto o volume e deixo rolar.

Repito o ritual de levantar a bunda da poltrona, me dirigir novamente ao Toca-disco e trocar o disco de lado (parece óbvio, mas quando mostrei esse processo para duas crianças de 8 e 9 anos, filhos de uma amiga que viram um LP pela primeira vez na vida, eles ficaram fascinados), deixo rodar o lado B.

Quando chega ao fim, repito o ato de levantar e escolher outro disco pra tocar ou simplesmente guardar o que está ali no prato e encerrar as atividades.

Escutar música obedece rigorosamente esse critério, e tudo diferente disso parece que é pela metade, ou pior, não parece que é pra valer ou “For Real”.

Metade do prazer, metade do ritual, metade da graça e metade da qualidade sonora.

Me permito escutar no celular nas minhas caminhadas, o que emula a praticidade de um Walkman ou Discman, infinitamente mais charmosos (vai de gosto) mas a preguiça de ficar passando do computador para o telefone me faz escutar dias ou semanas seguidas os mesmos álbuns (hoje to furando O.M.D. e Philip Glass).

Outra confissão de velho: não consegui aderir ao “ouvir música no computador enquanto trabalho”.

Ouvir música é meu refugio de tudo que lembre trabalho e gosto de pensar nesse ato como um ato de fuga do cotidiano, reencontro com minhas essência ou simplesmente viajar para lugares distantes que só uma audição atenta de um bom álbum pode trazer.

O que me leva a duas conclusões que me acometeram nesses últimos segundos:

  1. Se um dia eu não tiver um aparelho de som em casa, jamais escutarei música de novo…
  2. Mais do que amar Música eu amo mesmo é DISCO!

E tudo isso surgiu justamente quando ia escrever sobre o novo do Dinosaur Jr.

J. Mascis, Lou e Murphy ficam pra semana que vem!

Abaixo, umas das sessões mais espetaculares de um dos caras mais apaixonados por disco que conheço. Seleção fina e cortes precisos! DJ Shadow in da House.


LollapaMIM – Um LINE UP Pra Chamar de meu! Ou o Festival que Nunca Vai Rolar por Aqui.

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E cada ano que sai o line up oficial do Lollapalooza, todo ano eu penso “Que merda de Line Up” e esse ano a organização do festival não nos decepcionou e botou uma bela escalação pra tirar sarro até 2018…

Pelo menos não teve Radiohead…

Se juntar todas as edições do Lolla por aqui e todos as atrações que vieram, dá pra contar nos dedos da mão esquerda o que prestou (Jack White, Savages, Robert Plant e pra lembrar de mais um agora…

Visando nada mais do que fazer um favor ao João Paulo do futuro, listo abaixo o que seria o line up dos meus sonhos de gente que tá viva, tocando por ai fora e que custaria mais barato que o Metallica e Strokes juntos.

Sem ordem de artista principal ou palco:

 

PJ HARVEY – Talvez a artista que mais tem a dizer nesse momento.

 

LEONARD COHEN – Que tenhamos a chance de ver um dos últimos do moicanos por aqui antes que ele se vá.

 

THE STONE ROSES – Sonhar faz bem… a ultima grande banda britânica da história. E tem público? Bom, eles tocaram 5 noites no Ethea Stadium em Manchester… algum deve ter…

SLEATER KINNEY – voltaram tão bem… e nunca estiveram por aqui…

BRIAN WILSON PLAYS PET SOUNDS – Se a felicidade tem nome, esse nome é Pet Sounds e Brian está por ai para nos mostrar.

MADNESS – A volta de uma das melhores bandas do ska inglês que migrou lindamente para o pop sem perder a potencia.

 

DEATH GRIPS – Pra não esquecer que tem gente mais ou menos jovem fazendo coisas incríveis.

SAVAGES – o que escrevi pro Death Grips, vale para essas minas iradas.

DANDY WARHOLS – seria a realização de outro sonho…

UNDERWORLD – Agora como dupla, lançando disco novo bom e tocando hinos da geração clubber dos anos 90.

THE WEDDING PRESENT – velha guarda guitar band, tocam por qualquer 500 reais…

KVELERTAK – Outra nova só pra dar uma colher de chá… melhor banda de metal em atividade.

THE FALL – tá mais que na hora de vermos eles por aqui.

REPLACEMENTS – Tá quicando por ai, só mostrar o dinheiro que eles vem!

SUN RA ARCHESTRA – Vi eles há uns 3 anos, tão incrível que podiam voltar né?

BABYMETAL – Inclassificável crossover de Jap Pop, Pokemon, minas japas e metal.

WIRE – Tá por ai, lançando disco bom atrás de disco bom… ia ser uma boa eles por aqui não?

KAMASI WASHINGTON – É jazz, é nova cara e manda muito bem!

O.M.D. – minha banda de tecnopop favorita em atividade.

USTALOST – minha segunda banda de metal favorita hoje.

 

E representando a nação:

METRO – Show animado, já devidamente resenhado por aqui.

DEFALLA – Lançaram um disco excelente, isso significa…

ELZA SOARES – Monstra, pra ser reverenciada.

BIXIGA70 – Melhor show brazuca em atividade.

META META – Segundo melhor show brazuca em atividade.

DVCO – É tudo aquilo que o Nine Inch Nails não é mais, só que mais pra cima (ah, e é banda de chapa)

THE JP’S – Eu não ia montar um line up e não incluir meu trampo né? Aproveito o fim do texto pra dar aquela divulgada no meu trampo..


Basta que seja um refrão em Espanhol.

Por: Guilherme Inhesta (A.K.A. Desenho)

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Nesses dias de divergências políticas é impossível esquecer certos ícones latino-americanos que influenciaram nossa cultura tupiniquim como Che, Bolivar, Allende e Mujica. Mas sempre me perguntei sobre a musica de nossos vizinhos, não conhecemos praticamente nada. Na radio e no inconsciente coletivo passam Shakira e Juanez e lá se vão decadas de pop latino sem que nenhum tivesse fincado a nau em nosso litoral musical.

Mas nem tudo esta perdido.

Existe uma banda chamada Francisco El Hombre que vem realizando a proeza de cantar em espanhol e pasmem, fazer com que seu publico cante o seu refrão em espanhol o que para o que vos fala é um deleite.

A banda faz uma fusão de ritmos latinos como Cumbia, Mambo e até mesmo Bolero com o Rock. Lembra-me muito o Los Fabulosos Cadillacs, uma grande banda argentina ainda em atividade.

O que mais me incomoda em relação ao total desconhecimento da música de meus vizinhos é o Soda Stereo. A banda de Buenos Aires é simplesmente a banda de Rock de maior sucesso na America Latina. Para se ter uma idéia eles venderam mais ingressos que o Rolling Stones na Argentina!

Sua obra é recheada de boas composições e uma interessante evolução musical. Foram do New Wave de seus primeiros álbuns até o Grunge dos anos 90. Gustavo Cerati, o vocalista e mentor do Soda tem uma obra solo interessantíssima que captura o Rock/Pop praticado pelo Soda mas adicionado a elementos eletrônicos e até mesmo sinfônicos.

Infelizmente nunca tive a chance de ver nem Gustavo e nem o Soda ao vivo, o que me deixa triste, pois aprendi muito da língua de nossos vizinhos cantando junto com eles. Em uma viagem ao Paraguai vi uma imagem que me deixou emocionado, vi um muro pichado com um trecho da minha letra predileta do trio portenho, a canção Trátame Suavemente:

“No quiero soñar mil veces las mismas cosas
ni contemplarlas sabiamente
quiero que me trates suavemente”

Gustavo nos deixou em 2014, após ficar anos em coma depois de sofrer um AVC em pleno show. Os outros membros Zeta Bosio, baixista da banda, ainda trabalha com música sendo um DJ de live set, produz bandas e é jurado de um show de talentos da TV aberta de Buenos Aires. Carlos Alberto Ficicchia, o baterista é um gênio da internet e segue com a banda Mole, que indicamos como boa opção para uma tarde de sábado.

Gustavo dizia que o amor é uma ponte, quem sabe eu possa com estas palavras mal distribuídas e confusas, criar uma ponte para que você escute um pouco mais do idioma de Cervantes, ou de Borges. Afinal acredito também que devemos usar al amor como un puente.

https://vimeo.com/158972419


Nick Cave – Sobre mágica e perda

 

Nick Cave & The Bad Seeds está com disco novo na praça.

Isso já seria, em tempos atuais, com o tal “indie” caminhando a passos largos para a extinção completa de seus mananciais de criatividade em quase todos as esferas, uma excelente noticia.

Nunca se espera um disco médio ou morno deles, e de vez em quando alguns superaram o patamar do espetacular como The Boatman’s Call, de 1997, álbum que na época passou batido por muitos ouvidos e críticos, mas foi um jeito lindo de traduzir a fossa e a tristeza de seu rompimento amoroso com a cantora Pj Harvey em um pop barroco.

Como fã, acho que seu ponto alto no lirismo culpado-cristão com sons de cabaret beira do fim do mundo previsto no “Bom Livro”, onde demônios parecem tomar corpo e forma, se apossar de notas e acordes e desabar sob as cabeças dos homens e mulheres de todas as eras ainda são os álbuns Tender Prey e From Here To Eternity, feitos nos anos 80 e que retratavam um Cave face a face com a sombra de sua morte, caminhando sob uma navalha que por muito pouco não o levou dali mesmo para os braços do Senhor.

Passado esse inferno, Cave passou as décadas seguintes catalizando essas experiências em álbuns poderosos, socando o rosto da mesmice e brindado o público com uma incrível variação de potencia que variava de acordo com seus estados de espirito.

Tudo ia bem até que uma nova tragédia caisse no colo da família Cave. Seu filho Arthur, de 15 anos morre em um acidente em julho de 2015.

Passado mais de um ano e ainda com essa dor terrível em seus ombros e de seu família, Cave resolve exorciza-la em forma de disco e assim nasceu Skeleton Tree, talvez o réquiem sobre perda pessoal mais triste e soturno que já ouvi.

Até esse álbum ser lançado, acho que só Lou Reed havia produzido arte suprema usando dessa substancia inevitável, delicada e terrível chamada morte em seu álbum de 1992 chamado Magic And Loss.

Se a vida é uma jornada em busca de conhecimento, evolução e felicidade, é preciso lembrar que o fim dessa jornada é o mesmo para todos. A morte chega implacável e certeira e numa vida longa, perdemos tanto quanto ganhamos e Cave trata dessas perdas de um modo delicado como talvez nenhum outro artista dentro do gênero o fez até então.

Skeleton é lento, mas um falso lento. O arrebatamento se dá em picos, enquanto a cama conduzida ao piano, leva o disco todo.

Canções como I Need You e Distant Sky procuram confortar ao mesmo tempo que as lagrimas caem pelo rosto.

Skeleton Tree, a faixa titulo que encerra o álbum lembra o barroco Boatman’s Call, (seu disco de fossa).

Jesus Alone, faixa que abre o disco parece a sonorização de um arrastar por entre os corredores da saída do luto, quando a dor já está menor mas ainda aguda.

Nick Cave sempre transformou a dor em grandes canções e com esse acidentado e triste novo álbum, o luto ganhou outro significado.

Se da tristeza mais profunda nasceu um disco tão dolorido e ao mesmo tão bonito, ficamos nós, como meros ouvintes e admiradores numa situação paradoxal diante da beleza fúnebre de uma obra tão poderosa como Skeleton Tree, pois, mesmo sabendo da força motriz por trás do álbum não nos furtamos do prazer e da comovente experiência de ser arrebatado por uma obra-prima arrancada de entranhas machucadas com tamanha sinceridade e urgência que nos faz testemunhas de um raro evento em tempos tão sombrios e ao mesmo tempo tão fortuitos.

Cave entrega algo enorme para a posteridade, assim como David Bowie o fez no começo do ano com seu crepuscular Blackstar, 2016 será lembrado por esses dois álbuns-eventos isolados que falam do fim e da morte e nos trazem algo maior e quase não mundano.


Olhar – 30 anos depois… e ainda nada cansados… 27/08/16 – Serralheria Espaço Cultural (SP)

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Já escrevi por aqui nesse blog que o Metrô é uma das minhas bandas favoritas do pop rock tupiniquim?

Lembro que tá em algum lugar, como dou um google no meu blog bagunçado?

Bem, volto a falar do quinteto New Wave brasileiro oitentista por aqui, pois no ultimo sábado dia 27/08 tive o privilegio de ser uma das testemunhas de um dos primeiros shows de sua “volta triunfal”.

E bota triunfal nisso.

A reedição remasterizada e repleta de extras bacanas do álbum Olhar (edição caprichada, dupla, com extras e o escambau) chegou ao mercado brasileiro e pasmem! Esgotou a primeira tiragem?

O que?

Disco de Platina?

Não é pra tanto, mas qualquer Cd que ainda é lançado em 2016 e tem sua tiragem inicial esgotada em tão pouco tempo significa que tinha mais gente esperando esse CD também.

http://www.livrariacultura.com.br/p/metro-olhar-edicao-comemorativa-30-anos-46333215

O show aconteceu no simpático, acolhedor e aguerrido Serralheria, casa que recebe músicos que ainda tem algo a dizer e oferecem estrutura adequada para pequenas e seletas plateias.

Pareço pouco parcial até agora né?

Pois é, vai ficar menos ainda daqui pra frente!

O show foi sensacional, quase 30 anos passados e a essência criativa, brincalhona e leve continua lá.

Mais do que uma obrigação profissional, a banda parece muito QUERER estar lá tocando o que eles estão tocando!

Energia boa e despretensiosa saindo em alto e bom som!

Impecáveis na comunicação com o público (sim, o Metrô sabe se comunicar com o público, coisa que 98% dos artistas de rock, mpb e quetais não sabem), o show alternou algumas faixas menos conhecidas de seu repertório, como Deja Vu (canção da sua primeira volta nos anos 2000) com o big hit TiTiTi, abertura da novela de mesmo nome.

O que dominou o repertório do show foi o álbum Olhar, tocado na sua integra (eu acho) e é absolutamente reconfortante e encantador poder ver no palco esses caras tocando clássicos do pop brazuca como Johnny Love, Sandalo de Dandi, e Cenas Obscenas.

Dizer que me diverti muito é pouco, fico imaginando um show deles lá nos inferninhos paulistanos nos anos 80, com muito menos caretice, mais fumaça de cigarro na pista, menos luz funcionando, PA’s meio desajustados dando choque.

Vi um pedaço desse rolê, mas não tinha idade pra entender o todo.

Obrigado Metrô, fizestes um sujeito adulto intencionalmente voltar a ter hormônios bagunçados por algumas horas.


Katy Perry, deixa de ser chata e volta pro Pop!

 

Semana passada, na madrugada de 14 para 15 de julho, a cantora e compositora Katy Perry colocou no mundo sua nova música, Rise, tema da rede americana NBC para a cobertura dos jogos olímpicos que acontecerão no RJ.

Seguindo a linha do seu ultimo álbum lançado há três anos, o fraco Prism, Katy tenta ser algo que ela não é, mas que seu publico virou.

Chata! Chatissima!

Katy quer que sua música cresça, fique adulta e se comunique com seu público atual: gente meio adulta-meio criança cheia de marra, cheio de certezas e de boas intenções.

Ou membros de “minorias”, que no fim hoje formam a maioria de seu público: gays, gordinhas, sardentas, meninas que usam aparelhos, pessoas que passaram por algum trauma ou pseudo trauma, doentes terminais, adolescentes de 25 anos e até brancos católicos.

No fim, ela quer se comunicar com todo o mundo, (cantora pop faz isso, certo?). Pura matemática.

Nada de mal e absolutamente nada de imoral ou errado nisso, ok? É só uma constatação.

Pura tática milimetricamente planejada pelo seu time para incluir todo mundo e fazer com que fã/seguidor se sinta especial e único, com uma mensagem de auto-ajuda a gente chata que não vai ser nada além do que já é: um bando de zé ninguém como todos nós somos.

Deixando o público consumidor de lado, Katy vem tentado dar um passo maior que suas pernas, e como todas as cantoras brancas, negras, amarelas que fazem música pop atualmente, tenta seguir os passos da matriarca absoluta desse business.

Sim, é de Madonna que estou falando.

Tal qual Madonna, Katy tem tentado se adaptar ao mundo confuso de hoje (Madonna parece ter desistido/cansado), mas há uma diferença que sobrava em Madonna e falta em Katy que é o plano real, a carta na manga, o “Ás de Paus”.

Madonna já tinha o seu desde o começo: sexo, libertinagem/liberdade, inclusão radical de uma turma de excluídos (gays, trans e etc.) nessa dança e um belo peteleco no caretismo do mundo de outrora.

Madonna executou o plano com estilo e coragem: com o fantástico e bem sucedido álbum Like a Prayer (1989), nos singles de Vogue e Justify My Love (1990) (dois clássicos absolutos) e fechando com o escancarado e primoroso Erótica (1992), ela parece ter botado no mundo o que tinha em mente desde o inicio e o que veio depois disso foi só gozo.

Até chegar lá, Madonna fez discos pop competentíssimos e amadureceu a arte da provocação com precaução, esperando o momento da dar o bote.

Katy é esperta, mas tá tentando amadurecer antes do seu tempo e pior, sem o estofo pra isso, e nesse mundo ultra ansioso, qualquer queimada de etapas numa carreira tão calculadinha e bem feita como tem sido a dela, pode ser ruim no futuro.

Perto das Beyonces, Rihannas e Lady Gagas da vida, ela está muito na frente por que justamente foi a única de todas elas a fazer dois discos pop sensacionais que são a cara e o cerne dessa geração: One Of The Boys, de 2008 e principalmente Teenage Dream, de 2010, pra mim, um dos melhores discos dos anos 10 e álbum com pelo menos 3 ou 4 músicas que caberiam facil num album pop de um Blondie, só pra citar uma referência “vaca sagrada”.

 

Depois disso ela resolveu virar adulta chata e cantar hinos de superação perfeitos para aberturas de Apple Stores, lojas de sapatos com trufas e claro, abertura de eventos esportivos de massa e chatos.

O mundo pop é uma disputa perversa e injusta, Katy parece ser realmente do bem, mas precisa voltar a ser mais “sapeca” e “malandrinha” pra não ficar pra tras já que ela é a moça certinha que só sabe das sacanagenzinhas mas faz suas orações antes de subir ao palco e dormir.

E não, ela não tem o estofo da Madonna e nem parece ter um plano tão bom assim, mas musica pop é feito por e consumido por jovens, ela já tá virando veterana então é bom arrumar um bom plano agora para não ser esquecida ano que vem.


O melhor de 2016 até agora…

E finalmente achei um disco em 2016 pra chamar de meu!

Depois de algumas bolas na trave (como tem sido nos últimos 10 anos para o universo rock-indie seja lá o que você queira chamar), um disco realmente bom surgiu do lodo pra mostrar que rock ainda pode incomodar um pouco os ouvidos e mesmo assim ser muito bom!

Trata-se do terceiro álbum da banda de metal norueguesa Kvelertak, chamado Nattesferd.

A banda só havia gravado por selos noruegueses e esse é o primeiro por um selo maior, a gigante do metal Roadrunner e agora a carreira da banda deve expandir além dos fjords gelados da terra do Bacalhau, do A-ha e dos queimadores de igrejas.

Graças a esse álbum, cheguei a conclusão que alguns dos discos mais legais de 2016 vieram do metal. Basta ouvir outros ótimos plays lançados esse ano como o novo do Gojira “Magma”, o ultra bizarro Ustalost “The Spoor of Vipers”, as inclassificáveis Baby Metal com”Metal Resistance” (será assunto de outro post) ou até mesmo o novo Megadeth “Dystopia” pra ter certeza que essa safra do rock pesado está bem boa.

O Kvelertak tem um pé no Hard rock oitentista, algo de punk ali dos 80 e vocais de black metal. Parece que nada se casa, mas a banda e a produção mandaram muito bem e tudo fica bem “amalgamado” graças a escolha corretíssima dos timbres, ficando entre o retro e o novo, mas com dinâmica que faz o som do álbum cair gostoso no ouvido sem aquele bode natural que dá quando se escuta um disco de metal por mais de 15 minutos.

O disco só não leva a taça Jules Rimet “Joinha” por que eles ainda insistem em músicas longas demais para minha paciência curta.

As faixas tem média de 5 minutos, o que para alguns padrões metaleiros chega a ser curto, mas para quem tem os padrões de qualidade baseados no punk rock, no rock de garagem e no R&B, você precisa dizer tudo o que se precisa em até 2 minutos e 40 segundos.

Mesmo assim, Nattesferd é um discasso, daqueles em que o Beavis & Butthead poderiam naturalmente balançar as cabeças durante toda a audição.

Destaques naturais para 1985, faixa sensacional que nos remete diretamente a um tempo longínquo, possivelmente a referencia do ano da faixa, época essa em que as bandas de metal pareciam se divertir tocando; Bersekr é outra maravilha rápida muito convincente com um riff muito bom, simples e com o recado na ponta da língua.

Outra das minhas favoritas desse play é a faixa que abre: Dendrofil for Yggdrasil.

Resumo da ópera: o disco está no Spotify pra quem quiser, mas se algúem estiver passando pela Noruega e puder trazer um exemplar pra mim, agradeço!